Bilirrubina Delta

INTRODUÇÃO

Trabalhando com cromatografia líqüida de alta performance, um grupo de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale fez duas interessantes observações enquanto determinava as frações de bilirrubina em amostras seqüenciais obtidas de pacientes com uma variedade de distúrbios resultantes em hiperbilirrubinemia. Continue lendo

Bilirrubina

INTRODUÇÃO

A bilirrubina é a resultante do metabolismo da hemoglobina no sistema retículo endotelial, onde a hemoglobina é degradada em bilirrubina + ferro + globina. Esta bilirrubina é glicuronada no fígado (na forma de mono ou diolicuronato) a qual é chamada de direta. Essa bilirrubina vai para o intestino através da árvore biliar. Continue lendo

Entrevista: Farmacêutica Profa. Dra. Glaci Terezinha Zancan

19 de fevereiro de 2009 | Autor: heinz | Editar

Tive o privilégio de ter sido aluno desta fera das ciências.

por Jackson Gomes Júnior

Profª Drª Glaci Terezinha ZancanProfessora por vocação, Glaci Zancan dedicou 43 anos da vida a formação de novos profissionais. A gaúcha de São Borja virou uma personalidade ativa da ciência nacional. Em duas gestões consecutivas ocupou a presidência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e também foi diretora do Centro Brasil-Argentina de Biotecnologia. Ativista da ciência, ela gosta de frisar: “mesmo na SBPC, nunca deixei de ministrar minhas aulas na universidade”. Professora emérita da UFPR e pesquisadora-bolsista do CNPq, Glaci Zancan é doutora em bioquímica e fez dois pós-doutorados, um na Argentina – com Luiz Frederico Leloir, prêmio Nobel de Medicina de 1970 – e outro na Bélgica. Nesta entrevista, ela fala sobre ciência, preconceito, educação e fé.

Quando a senhora decidiu que seguiria carreira científica?
Assim que entrei na faculdade de Farmácia. Durante o pré-vestibular tentaram me convencer a fazer Medicina, História, mas não houve ninguém que me demovesse. No primeiro ano do curso ingressei na iniciação científica. Eu tinha 20 anos. Desde o início também participei do centro acadêmico. Sempre discuti propostas para a construção de uma nova universidade, que seja centro formador de conhecimento e com um corpo docente altamente qualificado. Em 50 anos não mudou minha preocupação.

Naquela época existiam muitas mulheres atuando neste setor?
Sim. Já existiam mulheres trabalhando com ciência, mas nunca nas lideranças.

Um fato curioso e lamentável: a senhora teve um pedido de bolsa negado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública dos Estados Unidos porque é mulher. A exclusão por gênero ainda é forte na carreira científica?
Recebi uma carta com esta informação, de que o pedido de bolsa foi negado porque sou mulher. Realmente, na Academia de Ciência não existem tantas mulheres e quanto mais a carreira vai afunilando, mais escassa fica a participação feminina.

São 43 anos de profissão. Qual é a sensação de ter contribuído na formação de tantos profissionais?
É uma alegria. É fundamental formar novas cabeças. Independente de fazer carreira científica, o bom professor tem que formar bons profissionais. Sempre fui muito exigente com meus alunos. Veja bem, se você é muito bonzinho, não forma ninguém. Professor que passou pela universidade e não formou ninguém não foi professor. Fico feliz em ver que no departamento de bioquímica deixamos uma escola.

Como melhorar a qualidade do ensino e da pesquisa nas universidades?
Temos que ter uma universidade mais ágil e tornar a pesquisa universal, para que todos pensem os problemas do País e encontrem soluções. A universidade tem que se tornar um centro de reflexão. Minha sugestão, e algumas pessoas acham que estou ficando maluca por conta disto (riso), é acabar com os currículos padronizados. Gosto do sistema europeu, em que os alunos se qualificam a fazer os exames quando se julgam aptos. O ensino tem que ser formativo. O sistema brasileiro é informativo, isso tem que acabar.

Qual é o balanço que a senhora faz do período que esteve à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência)?
Dediquei-me muito a SBPC, sem deixar minhas atividades normais, sempre ministrei minhas aulas na universidade. A SBPC possui uma estrutura franciscana e, quando assumi, os documentos que asseguravam a utilidade pública à entidade tinham sumido. Tive que recuperar estes documentos e negociar as dívidas da SBPC. Também ajudei a edificar o sistema editorial, que hoje é independente. Enfim, tratei de manter a instituição o mais saudável possível.

Como a senhora analisa o atual sistema de ciência e tecnologia do Brasil?
O problema é que o orçamento do CNPq não cresce na proporção da massa crítica. Em minha opinião, tem que se aumentar o orçamento de pesquisa do CNPq e democratizar estes recursos. Caso contrário, somente os velhos – que são mais competitivos, por conta do currículo – vão conseguir recursos para suas pesquisas.

O que prejudica a ciência brasileira?
A burocracia. A ciência brasileira é refém dos burocratas. Você tem que brigar para trabalhar. Tinha que ser mais fácil. Para o pesquisador importar algum produto é uma dificuldade. Muita coisa fica retida e às vezes perdemos o trabalho. Faz 50 anos que é assim. Lembro de um fato que ocorreu comigo. Um frasco, contendo uma quantidade ínfima de uma substância radioativa, ficou retido no aeroporto de Curitiba. Fui até o local, para resolver o assunto. Quando cheguei lá não queriam liberar o frasco. Perguntei ao rapaz, que estava atravancando o processo, qual era a formação dele. Ele me respondeu que era advogado, argumentei que frasco é uma coisa e a quantidade de substância é outra coisa. Também lhe disse que era professora de bioquímica da UFPR e que aquela quantidade podia ser ingerida sem fazer mal à saúde. Quando terminou, levei o material para universidade. Se é pra resolver, eu resolvo (risos).

A maneira como a natureza de hoje é considerada foi, em grande parte, determinada pela termodinâmica estatística. Ou seja, o estudo dos seres vivos não é mais somente uma ciência da ordem, mas também da medida. Essa conclusão só foi possível por conta da reaproximação da biologia com a física. É preciso que a ciência busque reatar os laços da multidisciplinariedade para que as pesquisas atinjam resultados mais profundos?
Sem dúvida. Por exemplo, no departamento de bioquímica tem um instrumental químico pesado, sem o qual não é possível estudar as transformações que ocorrem nos seres vivos. O avanço da pesquisa científica foi tão grande que existem sobreposições. Não há ramos da ciência estanques. Eu não faço bioquímica sem saber fazer genética e vice-versa.

Na época da promulgação da Lei da Inovação (que estabeleceu medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica tecnológica no ambiente produtivo) a senhora declarou que as universidades seriam prejudicadas, pois perderiam professores orientadores para a indústria. Isto ocorreu?
É muito recente para analisar. Mas a Lei da Inovação é algo preocupante, porque as universidades vão perder as matrizes geradoras.

Como ampliar o parque científico brasileiro?
Apoiando os jovens, por isso o fomento do CNPq é fundamental.

A ciência no país tem se renovado?
Tem, a renovação podia ser maior, mas tem. É uma alegria imensa ver os alunos da iniciação científica apresentarem os trabalhos. Os meninos estão na iniciação científica é já têm artigos publicados em revistas internacionais. É muito bom ver isto acontecer.

A senhora ainda participa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social?
Ainda faço a análise de documentos. O Conselho foi uma grande experiência. São pessoas das mais variadas formações que estão interessadas em discutir os problemas do País. A conclusão do Conselho, que foi apresentado ao presidente Lula, é de que a educação deve ser prioridade de governo.

Este é o discurso do senador Cristóvam Buarque.
É, mas ele também propõe a federalização do ensino. Isto é incostitucional. Tem que mudar a Constituição. A verdadeira briga é rever a quantidade de municípios que existem no Brasil. O mapa de municípios é um retalho. Isto tem que mudar. Mas ninguém quer comprar esta briga política.

Por falar em política, lembro de um fato curioso. A senhora estava presente em um evento, no qual o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Ronaldo Sardenberg foi atingido com um ovo.
Fiquei irritada. Aquele menino que atirou o ovo não entendeu o que é a universidade, a democracia. A universidade é um espaço aberto a idéias. Ele agiu como um ditador, queria cercear a liberdade de pensamento dentro uma universidade, isto não concordo.

Qual a relação entre ciência e desenvolvimento econômico?
Existem dados matemáticos, feitos pelo Congresso Americano. Não lembro agora, mas está provado, existe uma correlação.

Quais são os limites para uma investigação científica?
Os éticos, não há a menor dúvida. A pesquisa não pode ferir o ser humano.

A senhora se sente recompensada por ter investido toda a vida para o progresso da ciência?
Sim. A educação no Brasil cresceu. Podemos falar que contribuímos para o País avançar. Minha geração construiu a pós-graduação, que hoje é considerável em todas as áreas do conhecimento. Mas na universidade tínhamos condições de ir mais longe, com um Conselho de Ensino e Pesquisa mais amplo.

Qual seu sonho para o futuro do Brasil?
É não ter toda essa desigualdade. Não conseguimos avançar nisso, porque a educação ainda não é prioridade. É preciso que a educação tenha prioridade zero. Estes escândalos de corrupção são conseqüências da falta de educação. Falta educação para a cidadania, que ensine as pessoas o valor que tem o bem-comum. Se todos tivessem essa consciência, não se apropriariam do que é dos seus irmãos.

O Dr. François Jacob define o homem, no livro “O rato, a mosca e o homem”, como uma terrível mistura de ácidos nucléicos e lembranças, de desejos e proteínas. Ele completa com a afirmação de que “o século que termina ocupou-se muito de ácidos nucléicos e de proteínas. O seguinte vai concentrar-se sobre as lembranças e os desejos”. A senhora concorda?
Sim. O avanço da neurociência é fundamental para ampliar o conhecimento que temos sobre o homem.

A senhora é uma pessoa religiosa?
Sim. Sou católica, já li muito sobre filosofia.

Fé é algo perigoso para um cientista, misturar o que ele crê e o que ele sabe?
São dois níveis diferentes. O primeiro é o que viemos fazer no universo, este é o nível da fé. O segundo é a busca por respostas, que é a ciência. E durante esta busca, nos estudos, percebemos que o mundo é perfeito. Eu acredito que existe um organizador maior deste sistema, um ente superior, que norteia toda esta complexidade. Pode chamá-lo como quiser. Francis Crick, co-autor da formulação da dupla hélice do DNA, terminou seus estudos fazendo uma busca científica sobre o que é a alma. Hoje a origem da vida ainda é não está esclarecida, porém mais tarde pode ser que alguém encontre alguma resposta.

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Vulvite

Dependendo do agente etiológico, a inflamação da vulva pode aparecer sob diversas formas clínicas.

Vulvite séptica – é causada por bactérias sépticas, determinando a infecção das glândulas anexas (bartholinite e skenite) ou abscesso dos lábios menores do pudendo.

Abscesso de grande lábio

Vulvite aftosa – provavelmente de etiologia virótica ou bacteriana, determina lesões sob a forma de pequenas vesículas ulceradas ou lesões extensas com exudato.

Vulvite aftosa

Úlcera de Lipschütz – apresenta-se sob a forma de úlceras recobertas de secreção purulenta. Sua etiologia é discutível, sendo atribuído ao “Bacillus crassus”.

Úlcera de Lipschültz

Vulvite herpética – causada por herpes-vírus, apresenta-se sob a forma de úlceras múltiplas e confluentes, provocando adenite inguinal.

Herpes genital em adolescente

Vulvite diabética – conseqüente às diabetes melitus, acomete as formações labiais sob a forma de eczema e prurido intenso.

Vulvite sifilítica – seu período primário se traduz pelo cancro duro, e o secundário, pelos condilomas planos, que são pápulas numulares de aspecto hipertrófico.

Vulvite sifilítica

Vulvite verrucosa – o condiloma acuminado, com seu crescimento, pode apresentar aspecto tumoral exofítico (figura 32). A doença causada por vírus, e seu desenvolvimento favorecido pelas condições locais de calor e umidade.

Condiloma acuminado

Molluscum contagioso


Liquen esclero-atrófico – faz parte do quadro das distrofias vulvares crônicas, podendo constituir substrato de inflamações de natureza inespecífica ou micótica. Apresenta-se com aspecto de placas brancas, confluentes e pruriginosas

Líquen esclero-atrófico

Outros casos de Líquen esclero-atrófico:

Líquen esclero-atrófico

Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas (pequenos lábios) – a erosão da mucosa de revestimento dos lábios menores têm, provavelmente causa inflamatórias, e se ocorre nos primeiros anos de vida, provoca o acolamento dos lábios menores na linha median (figura 34).

Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas

Outros casos de aderência labial:

Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas

Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas

Secreção sebácea da vulva:

Secreção sebácea

Diagnóstico
As diversas formas de vulvite ocasionam irritação do tegumento cutâneo- mucoso da vulva. Tal irritação produz alguns sintomas: dor, disúria, ardor e prurido.

A inspeção nos órgãos genitais externos deve ser feita, em certos casos, com o auxílio de lupa, para se avaliar melhor verificação do aspecto das lesões. Frequentemente é necessária a colaboração do dermatologista, para o diagnóstico das lesões da vulva. O seguintes exames complementares podem ser realizados:
– exame microscópico direto do raspado das lesões.
– exame microscópico em campo escuro.
– cultura das secreções.
– reações sorológicas para diagnóstico de lues.
– dosagem de glicemia.
– pesquisa de glicosúria.
– biópsia.

Tratamento
É variável, dependendo do agente etiológico.

Vulvite aftosa, úlcerativa séptica – cuidados de higiene local pela aplicação de sabões neutros ou desinfetantes. Administração de antibiótico de largo espectro, por via oral ou parenteral. Em caso de abscesso, drenagem cirúrgica.

Vulvite por herpes-vírus – não há tratamento específico para este tipo de vulvite. Recomenda-se o uso de Zovirax tópico, oral ou parenteral, conforme a gravidade do caso.

Vulvite diabética – trata-se a diabete e, havendo infecção local por fungos, aplica-se violeta de genciana, em solução aquosa a 2%, três vezes por semana, no total de seis aplicações.

Vulvite verrucosa – aplicações de podofilina em solução oleosa a 25%, ou exérese cirúrgica, com bisturi elétrico, se as lesões forem grandes e confluentes.

Liquen esclero-atrófico – Recomenda-se aplicação local de corticóides, sob a forma de cremes. Estas lesões tendem a melhorar ou desaparecer na puberdade.

Aglutinação das ninfas – se o acolamento é frouxo, a simples tração lateral das formações labiais separa as ninfas. Seguem-se aplicações locais de crime de estrogênio, durante quinze dias, para facilitar a reepitelização. Se o acolamento é firme, a aplicação do creme de Estrogênios, por quinze dias, deve anteceder a manobra descrita acima. Esta medida facilita a resolução do processo.

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Tumores

Quase todos os tipos de tumores encontrados na mulher adulta podem ser observados em crianças e em adolescentes.

Fazem exceção o carcinoma do endométrio e o carcinoma epidermóide da vagina, que não foram descritos em meninas. Órgãos genitais imaturos produzem tumores, em sua maioria de origem embrionária. Estes tumores são potencialmente graves, pois 50% deles são malignos, respondendo por 2% das mortes devidas a tumores malignos. Câncer primitivo dos genitais é neoplasia rara antes dos 16 anos, podendo, porém, originar se no período pré-natal. Tem sido relatadas, ainda, casos bem documentados de tumores da mãe, transmitidos ao feto.

Os sintomas e sinais dos tumores genitais em meninas, são semelhantes àqueles observados em mulheres adultas, mas podem, às vezes, alterar o desenvolvimento genital. No entanto, a raridade destas ginecopatias e a relutância da paciente em submeter-se a exames, são fatores que retardam o diagnóstico.

Os tumores podem ser classificados de acordo com critérios topográfico e anátomo-patológicos.

I – vulva e períneo:
I.1 – tumores císticos
– cistos de retenção.
– cistos disontogenéticos
– cistos traumáticos
I.2 – tumores sólidos
– fibromas
– lipomas
– neurofibromas
– Teratomas
I.3 – Hemangioma
I.4 – câncer
– carcinoma
– sarcoma.

II – vagina
II.1 – cistos mesonefricos
II.2 – sarcoma botróide
II.3 – adenocarcinoma de células claras

III – colodo útero
– carcinoma
IV – Corpo do útero
– mioma
V – ovários (classificação de Bastos, 1971)
V.1 – Tumores benignos
– epiteliais
– cistoadenoma seroso
– cistademona mucoso
– conjuntivos
– fibromas
– tumor de Brenner
– misto
– teratoma adulto
V.2 – tumores malignos
– epiteliais
– ca primário sólido
– ca secundário
– cistoadenocarcinoma seroso
– cistoadenocarcinoma papilífero
– ca metastático
– do aparelho digestivo
– da mama
– da placenta
– do corpo do útero
– mesonefroma
– corioepitelioma ectópico.
– conjuntivos
– sarcoma
– mistos
– teratoma embronário
V.3 – tumores eventualmente malignos
– de ação hormonal
– tumor de teca-granulosa
– arrenoblastoma
– estruma
– sem ação hormonal
-disgerminoma.

Abordaremos, a seguir, as características mais importantes dos diversos tipos de tumores.

I – vulva e períneo

I.1 – os cistos de retenção podem ocorrer devido à obstruções dos condutos das glândulas sebáceas, sudoríparas, mucosas, de Bartholin e de Skene. este último encontra-se, com mais frequência, na infância na adolescência. Localiza-se logo atrás do meato uretral externo, apresentando-se como pequena massa cística, arredondada, pouco móvel, que faz saliência no vestíbulo; constitui, portanto, cisto parauretral ou de Skene.

O cistos disontogenéticos se originam do epitélio müllerianos ( paramesonéfricos), do conduto de Wolf (mesonéfrico ou de Gartner) e do conduto de Nuck (mesotelial). Os cistos originados do epitélio de Müller são as mais frequentes e localizam-se nas imediações do clitóris, dos pequenos lábios, ou do terço superior da vulva. São pequenos, alcançando, em média, 4 cm de diâmetro, mas podem chegar até 10 cm. São uniloculares ou multiloculares, únicos ou múltiplos, uni ou bilaterais e, às vezes, apresentou-se pediculados; seu conteúdo é mucoso. Os cistos de Wolff são mais raros, pois o ducto mesonéfrico não chega abaixo do limite hímen. Os textos do conduto de Nuck, ou hidrocele, formam-se por obstrução do colo da hérnia inguinal, na altura do anel. Seu conteúdo é um líquido seroso e claro. A formação cística situa-se na base de implantação do livramento redondo, na porção externa dos grandes lábios.

O cistos traumáticos formam-se, como o nome indica, em conseqüência de traumatismos na região vulvar. Embora não sendo neoplasias verdadeiras, apresentam aspecto tumoral. Localizam se, mais frequentemente, no terço médio e inferior da vulva.

I.2 – dos tumores sólidos, os fibrosos são os mais frequentemente encontrados na vulva. Origina-se do tecido conjuntivo, no ponto de inserção do ligamento redondo. Por isto, são ocasionalmente encontrados elementos musculares (fibromioma) devido à perturbações tróficas, edema e reduzido número de células. Comumente se localizam no terço superior dos grandes lábios. Apresentam tamanho variável, podendo crescer rapidamente, tornando-se pediculados. Sua transformação sarcomatosa é rara.

Tumor sólido (pedunculado) da vulva em criança de 7 anos

Os lipomas são tumores raros que se originam do tecido gorduroso e apresentam crescimento lento. Os neurofibromas são ainda mais raros, e os teratomas, que foram relatados, inclusive em recém-nascidas, desenvolvem se preferencialmente no períneo.

I.3 – Os hemangiomas origina-se do desenvolvimento anômalo dos vasos sanguíneos da pele e do tecido subcutâneo .

Hemangioma da vulva em criança de 3 anos

Os hemangiomas capilares regridem com o tempo, mas os cavernosos permanecem podem romper-se, causando hemorragia profusa. Os hemangiomas também não são neoplasias verdadeiras.

I.4 – câncer de vulva é um dos tumores mais raros na infância e adolescência. Encontro se descritos casos de carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma e sarcoma, todos de alta malignidade.

II – vagina

II.1 – o cistos mesonéfricos podem adquirir grande volume, fazendo saliência através do orifício himenal; tem parede transparente, mostrando conteúdo claro e translúcido.

II. 2 – o sarcoma botróide, também chamado rabdomiossarcoma polipóide é a mais frequente neoplasia maligna da vagina e meninas pré-menárquicas. Seus primeiros sintomas são: leucorréia e hemorragia vaginal; em seguida, através do hímen, ocorre protusão de massas polipóide, friável e edemaciada. Posteriormente, distende a vagina e, se a paciente não é tratada, produz grandes massas abdominais e metástases extrapélvicas. Inicia seu desenvolvimento a partir do mesênquima embrionário não diferenciado da bainha vaginal subepitelial, e tem origem multicêntrica. A mucosa vaginal intacta é projetada para fora à medida que o tumor cresce, formando múltiplas lobulações semelhante a cacho de uvas. A necrose e a ulceração destas dígitações respondem pelos sintomas: corrimento e sangramento.

III – colo do útero

Os tumores cervicais benignos são muito raros antes dos 16 anos. Os tumores malignos também o são e, quando surgem, são representados pelo adenocarcinoma. Não se trata, em geral, de adenocarcinoma verdadeiro, mas originado de restos mesonéfricos. Os primeiros sintomas, corrimento aquoso ou purulento e hemorragia genital, ocorrem durante muito tempo antes de se chegar a diagnóstico definitivo. O adenocarcinoma invade os tecidos pélvicos vizinhos ao colo e, posteriormente, os linfáticos pélvicos.

IV – corpo do útero

Constituía achado excepcional os tumores de corpo de útero e meninas. São referidos alguns casos de mioma, no período final da adolescência, e de adenocarcinoma, este último de origem mesonéfrica.

V – ovários

A maior parte das neoplasia genitais, em crianças e em adolescentes localiza-se nos ovários. Cerca de 30% correspondem a teratomas benignos e 30% a tumores malignos de vários tipos. Cistos não neoplásicos, de natureza funcional, podem ser encontrados frequentemente.

V.1 – benignos: os tumores epiteliais correspondem a 10% das neoplasias ovarianas na infância e na adolescência. Os cistoadenomas serosos são mais frequentes que os mucinosos. Ambos podem atingir grande volume.

Cistoadenoma seroso do ovário em adolescente de 15 anos.

Área de abaulamento abdominal causado pelo tumor da figura anterior

Tumor de ovário em recém-nata

Teratoma adulto em adolescente de 16 anos

Teratoma embrionário em adolescente de 14 anos

Teratoma embrionário. Aspecto interno do tumor da figura anterior

Abaulamento causado pelo tumor da figura anterior

O tumor de Brenner e o fibroma são predominantemente sólidos. Quando se acompanham ascite e de hidrotórax, constituem a síndrome de Meigs.

Cerca de 30% das neoplasias do ovário são teratomas adultos, também denominados cistos dermóides (figura 41). As três capas blastodérmicas integram estes tumores que, em geral, são unilaterais, císticos e contém ossos, dentes, pelos, gordura e secreção sebácea. Em cerca de 1% dos casos pode sofrer transformação maligna, a partir de um dos seus elementos epiteliais.

V.2 – malignos: correspondem a 30% dos tumores do ovário. O carcinoma sólido é raro. O cistoadenocarcinoma seroso papilífero é mais frequente, sendo geralmente bilateral e dotado de grande malignidade. O cistoadenocarcinoma mucinoso é menos maligno que o anterior e apresenta crescimento mais lento.

O corioepitelioma ectópico origina-se primariamente no ovário, a partir de um crescimento teratomatoso, no qual predomina o tecido coriônico. Manifesta-se precocemente por produzir o gonadotrofina, determinando puberdade precoce e distúrbios menstruais em adolescentes. São dotados de alta malignidade, comportando-se da mesma maneira que o corioepitelioma originado da placenta.

O sarcoma de ovário muito raro qualquer grupo etário. No entanto, pode ocorrer mais frequentemente em crianças do quem adultos. É sólido, lobulado e de consistência elástica.

O teratoma embrionário é predominantemente sólido, apresentando áreas císticas. No seu interior, encontra-se massa friável com áreas de hemorragia.

Na maioria dos casos, origina-se diretamente de elementos teratomatosos. Pode, também, decorrer da transformação maligna de um dos elementos integrantes do teratoma cístico.

V.3 – Eventualmente malignos: em meninas, os tumores das células da granulosa determina o aparecimento da puberdade precoce isossexual, caracterizado por telarca, pubarca e hemorragia genital. Em adolescentes, ocasionam perturbação do ritmo menstrual, traduzida por hipermenorragia ou por metrorragia. Os tecomas são raros na infância e na adolescência. O quadro clínico referidos se deve à produção intensa de estrogênios por parte daqueles tumores funcionantes do ovário.

O arrenoblastoma secreta androgênios, sendo responsável por quadros clínicos de virilização. Quando ocorre na infância pode determinar a pubarca e o crescimento do clitóris, caracterizando a puberdade precoce heterossexual.

O estroma é um tumor muito raro em qualquer grupo etário, e secrete hormônio da tireóide.

O disgerminoma origina-se das células embrionárias indiferenciadas dos cordões sexuais do parênquima ovariano. ocorrem mais frequentemente e jovens com disgenesia gonadal ou hermafroditismo. O grau de malignidade muito variável, de um caso para outro.

Diagnóstico

I – vulva e períneo

Os tumores localizados nesta região são diagnosticados pelo exame ginecológico e pela biópsia. A palpação revela sua consistência: cística ou sólida. Assim, um tumor cístico, sob a uretra, sugere cisto de retenção da glândula de Skene ou parauretral. Os cistos no clitóris, no hímen ou nos pequenos lábios, são de origem mulleriana. O cisto de Nuck (hidrocele), situa-se na grande lábio, na base de implantação do ligamento redondo. O fibroma da vulva é sólido, localizando se preferencialmente no grande lábio, no terço superior da vulva. O teratomas é visto com mais frequência em recém-nascida, e localiza-se na linha média. O hemangioma da vulva, ou de outras partes do corpo, tem aspecto semelhante. Os tumores malignos da vulva são raros, e seu diagnóstico definitivo é feito pela biópsia.

II – vagina

Os tumores císticos da vagina, quando adquiriu determinado volume, fazem saliência pelo orifício himenal, sendo facilmente diagnosticados. A origem dos cistos (mesonéfrico ou paramesonéfrico) só pode ser definitivamente comprovada pelo exame histológico de suas paredes.

O sarcoma botróide e o adenocarcinoma da vagina manifestam-se com fluxo vaginal sero-hemorrágico. Esta sintomatologia, em meninas ou adolescentes, deve ser investigada por meio da colpovirgoscopia; havendo áreas suspeitas, impõe-se a biópsia.

III – colo do útero

O adenocarcinoma manifesta-se clinicamente por leucorréia aquosa e sangramento vaginal. A colpovirgoscopia e a biópsia das lesões comprovam o diagnóstico. Em fases avançadas, o tumor em vários tecidos vizinhos e paramétrios; nesta fase, o toque retal comprova infiltração parametrial.

IV – corpo do útero

Os tumores desta região são raros. O mioma pode ser encontrada em adolescentes, manifestando-se por hipermenorragia; o exame ginecológico revela úero aumentado, com nódulos de consistência fibroelástica, característica deste tumor.

V – ovários

As queixas de dores de tumor e de hipogástrio, são os sintomas mais frequentemente observados em neoplasias de ovário. Cerca de um terço dos tumores ováricos são diagnosticados por ocasião de acidentes como torção, rotura e hemorragia intracística, que levam a paciente a quadro de abdômen agudo. Na maioria dos casos, a neoplasia ovariana diagnosticada pelo exame do abdome (figura 44) e pelo toque retal, pois quando determina sintomas, tem volume suficiente para ser percebida pela exploração física. Fazem exceção os tumores funcionantes que, produzindo vários tipos de transtornos endócrinos, exigem Propedêutica apropriada para investigar possível causa ovariana. Nestas condições, a Pneumopelvigrafia ou a laparoscopia revelam pequenos tumores ovarianos, não diagnosticados pelo exame físico.

Tratamento

I – vulva e períneo

Os tumores benignos císticos e sólidos desta região são tratados pela extirpação simples. Quando se trata de Teratoma é necessário retirar até a base do tumor, para evitar recidivas. Os hemangiomas capilares aumentam e diminuem espontaneamente, podendo desaparecer; se persistem, serão tratados pela eletrólise ou por injeções esclerosantes. Os hemangiomas cavernosos podem ser tratados pela exérese simples, se forem pequenos. Não se deve usar a radioterapia nos casos de hemangioma da vulva do períneo. Os tumores malignos são raros, porém, se diagnosticados pela biópsia, devem ser extirpadas por vulvectomia radical.

II – vagina

Os tumores benignos são, geralmente, cistos que somente merecem exérese se tiverem grandes volumes. Os pequenos cistos não requerem tratamento. O sarcoma botróide, mesmo em fases precoces, deve ser tratado por cirurgia radical. histeréctomia total ampliada e, até mesmo, exenteração pélvica, tem sido empregados no tratamento desta neoplasia de alto potencial de malignidade.

III – colo do útero

O sarcoma cervical, quando diagnosticado precocemente, deve ser tratado pela a histeréctomia, com retirada de manguito vaginal, tecido conjuntivo paravaginal e paracervical e linfonodos pélvicos. Os ovários não comprometidos devem ser preservados. A radioterapia pós-operatória poderá ser realizada sempre que os ovários forem deslocados na pelve, durante cirurgia. Os tumores avançados requerem exenteração pélvica. Abnt

IV – corpo do útero

O mioma deve ser tratado pela exérese simples:miomectomia. Os tumores malignos são muito raros, sendo geralmente diagnosticados em fase tardia, quando a cirurgia é inútil.

V – ovários

Em se tratando de neoplasia benigna, deve-se fazer exérese apenas do tumor, conservando tecido variando normal e a tuba. Quando ocorre um acidente, como torção infecção, geralmente a tuba também está comprometida e a solução que se impõe, nesta eventualidade, e a anexectomia. Se o tumor é maligno, encontra-se restrito a uma gônada (estadio la), pode-se adotar, como tratamento definitivo, a ovariectomia unilateral. Quando este diagnóstico é feito no ato cirúrgico, pela inspeção macroscópica, confirmada pela biópsia de congelação, deve-se praticar a bisecção do ovário contralateral, à procura de metástase. Esta conduta conservadora, em caso de carcinoma limitado a um ovário é admitida, em meninas, pelo papel importante que o ovário vai desempenhar no amadurecimento e futura vida reprodutora da paciente. Em fase mais avançada (estadio Ib em diante), os tumores malignos são tratados com uma mulher adulta: praticando se a histeréctomia total, com anexectomia bilateral, seguida de quimioterapia ou radioterapia.

No tratamento dos tumores malignos de ovário, deve-se levar em conta o critério histológico da classificação, dentro do qual se considera seu maior ou menor potencial de malignidade. Paralelamente este critério, sabe-se que o cistoadenocarcinoma mucinoso apresenta boa resposta à cirurgia, sendo pouco sensível à radioterapia ou à quimioterapia. O cistoadenoma seroso papilífero responde bem às quimioterápicos (trietilenotiofosforamina, mostarda fenilanina e ciclofoforamida), que devem ser administrados durante a operação, por via intraperitonial endovenosa, e no pós-operatório. O teratoma embrionário esse tumor de alta malignidade, e seu tratamento se constitui em grande problema para o ginecologista. Entendemos que a cirurgia radical, em termos de histeréctomia e anexectomia bilateral, deve ser praticado seguindo-se a quimioterapia.

Os tumores eventualmente malignos requerem atenção especial.

Os tumores da células da granulosa comportam-se como malignos em 25% dos casos. Considerando-se a idade dos pacientes, é absolutamente necessário analisar o achado cirúrgico antes de tomar decisões a respeito da extensão da cirurgia a ser praticada. Se o tumor encapsulado e compromete apenas uma das gônadas, permanecendo livres os órgãos e as estruturas vizinhas, basta a anexectomia unilateral. No tratamento desses tumores, numerosos casos de conduta conservadora tem sido descritos, com bons resultados.

Conduta semelhante a cabível frente a carcinoma da adrenal que, embora não pertença ao aparelho genital, determina puberdade precoce é heterossexual quando aparece crianças.

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