Os aspectos mais importantes da patologia mamária na adolescência referências anomalias do desenvolvimento das mamas. Outras entidades patológicas, tais como inflamações, displasias e tumores são raros antes dos 16 anos.
O desenvolvimento mamário é um dos primeiros sinais da puberdade. Começa em torno dos 9 anos de idade e depende da ação de esteróides sexuais (estrogênios e progestogênios) e de outros hormônios: prolactina, somatotropina, tireoxina, insulina e corticóides.
Tanner divide o desenvolvimento mamar em cinco fases:
Primeira fase – elevação da papila, sem crescimento da aréola e do parênquima.
Segunda fase – aumento da aréola e início do crescimento do parênquima, sob a forma de “broto mamário”.
Terceira fase – aumento da pigmentação areolar e desenvolvimento do parênquima.
Quarta fase – elevação da aréola em placa, acima do parênquima; esboça se a conformação do órgão adulto, porém de pequenas proporções.
Quinta fase – a mama assume forma adulta, a papila se torna eréctil e aparecem as glândulas areolares.
Anomalias do desenvolvimento
Algumas formas clínicas de anomalias podem manifestar-se na puberdade.
1 – Amastia
É a ausência completa de uma ou de ambas as mamas, e constitui a anomalia rara. As estruturas vizinhas podem encontrar-se afetadas: os músculos peitorais, geralmente, estão ausentes.
Amastia
2 – Hipotrofia
Também denominada hipomastia, decorre de hipogonadismo ou de falta de resposta do parênquima mamária os esteróides sexuais. A hipotrofia é encontrada em casos de disgenesia gonádica e de maturação sexual tardia, mas encontra-se também no desenvolvimento mamário deficiente, sem origem conhecida. Se a causa da hipomastia é o hipogonadismo, o tratamento com estrogênios e progestogênios promove o crescimento das mamas. Quando o nível estrogênico normal, o resultado do tratamento hormonal não é satisfatório. Nestes casos, admite-se que os receptores hormonais a nível citoplasmático sejam em número insuficiente para permitir a ação estrogênica.
3 – hipertrofia
O crescimento súbito e exagerada das mamas na puberdade, é também denominado hipertrofia virginal (figuras 53 e 54). Nestes casos, haveria aumento da sensibilidade do parênquima a ação do estrogênio endógeno ou exógeno. Nesta última eventualidade, a hipertrofia é iatrogênica. Não é possível prever nem prevenir a hipertrofia mamária em virtude de sua instalação abrupta. Seu crescimento foi exagerado, de forma molestar a paciente, indica se a mamoplastia redutora. Esta operação deve ser realizada, de preferência, após 16 anos, época em que se completa desenvolvimento mamário.
Hipertrofia mamária: frente
Hipertrofia mamária: lateral
4 – Assimetria
O desenvolvimento desigual das mamas caracterizado por discreta assimetria é frequente, não se revestido de importância clínica. No entanto, se as mamas são, quanto ao volume, manifestamente desiguais entre si , trata-se de malformação.
Assimetria suspeita
Assimetria normal
Ao iniciar seu puberdade é comum o crescimento desigual das mamas, diz ódio que, em geral, se corrige espontaneamente. No entanto, a conduta expectante aconselhável, porque se assimetria vai se acentuando, torna-se necessário tratamento específico. Se a origem da simetria não for esclarecida, adota se terapêutica visando bloquear, parcialmente, a ação estrogênica. Pode-se administrar acetato de medroxiprogesterona na dose de 5 mg, por via oral, diariamente, verificando se periodicamente os resultados do tratamento. No caso de a assimetria já se encontrar instalada, a cirurgia plástica reparadora está indicada. Avalia-se, cuidadosamente, o volume de ambas as mamas, para verificar qual delas requer cuidados cirúrgicos: se a maior, que pode ser hipertrófica ou menor, que pode ser hipotrófica.
5 – Polimastia e politelia
Ao longo da linha mamária, pode ser encontrados:
a) formações globosas de parênquima mamário revestido por pele, constituindo a polimastia;
b) aréolas e papilas, em geral rudimentares, sem tecido mamários subjacente, caracterizando a politelia.
As mamas acessórias são encontradas mais frequentemente na região axilar, enquanto que nas aréolas e papilas acessórias aparecem, mais comumente, na fase anterior do tórax, logo abaixo do sítio normal de crescimento das mamas. O tratamento de ambas as formas de anomalia em questão é cirúrgico.

As acessórias desenvolvem-se acentuadamente durante a gravidez e podem apresentar inflamação secundária, razão pela qual se indica sua extirpação antes da fase de maturidade sexual.
Inflamações
Discrasias mamárias um mastopatias acompanhadas de alterações histológicas do parênquima mamário. Tais alterações têm caráter benigno, são comumente encontradas na fase de maturidade sexual, e atribuídas a distúrbios do metabolismo dos hormônios que influem no desenvolvimento das mamas. As formas clínicas caracterizadas pela adenose e pelo cistos são raramente encontrados na adolescência. Neste período, constata-se a existência de mastodínia pré-menstrual: as mamas se tornam túrgidas e dolorosas nos dias que precedem a menstruação. Do ponto de vista histológico, os fenômenos proliferativos são discretos e destituídos de importância. A turgidez se deve ao edema conseqüente a ação estrogênica. O tratamento da mastodínia será feito com administração de acetato de medroxiprogesterona e promazina, um comprimido diariamente, nos oito ou dez dias que antecedem o início da menstruação. No mesmo período de tempo, recomenda-se dieta pobre em sal, prescrevendo se diurético.
Tumores
Os tumores mamários são raros na adolescência e, quando aparecem, são em geral, fibroadenomas. estes tumores benignos se constituem de ductos e envolvidos por tecido conjuntivo. Seu crescimento depende da ação dos estrogênios. Apresentou-se sob a forma de nódulos bem delimitados, de consistência dura, relativamente móveis. A Propedêutica dos referidos tumores se completa com mastografia, e a terapêutica consiste na sua exérese. No ato cirúrgico, adota si incisão periareolar, a mais recomendável do ponto de vista estético.
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