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ASUS lança no Brasil notebook com sistema baseado em Linux

Visitando o sítio Guia do Hardware encontrei a notícia título desse post e resolvi testar o sistema operacional Endless OS que virá pré-instalado nele.

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O sítio oficial do produto fica aqui

Antes de mais nada há de se desconfiar do objetivo desse lançamento. A ASUS costuma lançar produtos mais baratos usando peças refugadas que não podem ser colocadas ou instaladas em máquinas de primeira linha, como por exemplo esse netbook que estou utilizando para testar o sistema, um ASUS R103BA, que tem um processador AMD A4 de 64bits, mas que não aguenta ou tem poder de processamento suficiente para “empurrar” sistemas de 64 bits, sendo possível apenas instalar sistemas de 32 bits, mas que veio originalmente com um M$-rWindows 10 Home de 64 bits em uma máquina que, no catálogo dizia ter 2GB de memória RAM, mas dessa quantidade de memória, apenas 1,4GB estão disponíveis, os outros 648MB ou estão em uso pela placa de vídeo onboard, o que duvido, ou tem partes com defeito, o mais provável, pois o chip de memória RAM foi soldado à placa mãe, impossibilitando sua expansão. Clique nas miniaturas das imagens da galeria abaixo para conhecer a máquina que estou usando neste teste:

Uma vez iniciado pelo pendrive, o sistema reconheceu todos os componentes da máquina, desde o touchpad, até a tela de toque. Todo o “hardware” funcionou perfeitamente, sem problema algum, bem como funcionou sem problemas em um desktop mais antigo equipado com um processador Athlon X2 (de 2007), placa mãe ASUS M3HD e também em um Dell Optiflex com Intel core i5, mas não funcionou bem em um notebook Acer R11 de 11,6″ (2 em 1), no qual o touchpad não foi reconhecido.

A impressão inicial é de tratar-se de mais uma costumização do Android-X86, devido aos ícones de atalho aos programas na tela inicial, lembrando muito a tela dos smartphones e tablets com Android, mas não é. Está mais para o lendário Xandros OS, mostrado na imagem abaixo, que equipou o primeiro netbook da história, o ASUS Eee-PC, de 7″:

Os problemas começam com a obtenção do sistema. Não há opção de baixar uma ISO, mas apenas um executável para r-Windows que baixa a imagem e instala em um pendrive que dever ter no mínimo 16GB de capacidade, pois segundo aparece no executável, a imagem do sistema completo tem 9,9GB de tamanho.

Após iniciado o executável (duplo clique nele), demorou quatro horas e vinte minutos para baixar a imagem e gravar em um pendrive SanDisk de 32GB que no final mostrou uma mensagem alertando que em equipamentos com BIOS UEFI, o “Security boot” deve ser desabilitado, levando a suposição de o equipamento que a ASUS está lançando ou não ter o UEFI na BIOS, ou o padrão dela ser “legacy”, que inicializa qualquer outro sistema operacional.

Aparentemente, o Endless OS é derivado ou do Debian ou do Ubuntu, mas não é possível instalar praticamente nada nele através de repositórios. O sistema é engessado e só permite instalar o que tem em seu repositório. É possível abrir o terminal e digitar alguns comandos como reboot, poweroff, sudo su, mas nada além disso. Um básico “apt-get update” nem pensar. Para entrar em modo superusuário basta digitar “sudo su”, mas isso não serve para nada.

O sistema iniciou sem problema algum no netbook utilizado e citado acima, rodando sem engasgos e bem fluido, mas de “cara” apareceu um bug inusitado: ao “espetar” um pendrive na porta USB 2.0, o programa “Editor de Vídeo”, que na verdade é o PiTiVi, um editor de vídeo versátil do mundo Linux, deixa de abrir. Para conseguir abri-lo novamente, necessitou tirar o pendrive e reiniciar a máquina.

Na imagem abaixo a captura da tela principal após instalados alguns aplicativos do repositório do sistema, disponíveis no ícone “Mais programas”.

Na barra de tarefas encontram-se um ícone com o logo do sistema que, se clicado, abre uma janela com opções, como se fosse um “menu ou botão iniciar” do M$-rWindows, mas contendo apenas as opções mostradas na imagem abaixo, dentre elas os ícones de configuração, feedback (“Nos dê a sua opinião”), ajuda do sistema, bloqueio de tela e desligar, cuja imagem abaixo teve de ser tomada usando a câmera digital de um celular porque o printscreen não captura a tela quando aberto esse pseudo-menu iniciar. Todos os programas abertos parecerão na barra de tarefas os programas ao lado do ícone do navegador, que é o segundo ícone da barra de tarefas, sendo usado o Chromium, uma costumização do Google Chrome para software livre, cujo logo original foi alterado. Também aparecem na barra de tarefas um relógio digital, um ícone de controle de volume, estado de rede, bateria, Facebook e outro para alternar entre aplicativos. É possível utilizar a combinação de teclas “alt + tab” para alternar entre janelas e aplicativos ou clicando sobre seus ícones na barra de tarefas.

O interssante é a enfase ao Facebook que ganhou atalho na barra de tarefas:

Na imagem abaixo o instalador de programas do ícone “Mais programas”:

Além do bug de conflito com o pendrive, o editor de vídeo é bem limitado, pois não tem os plugins da maioria dos formatos e não abre qualquer vídeo. Tentado abrir um vídeo WMV para convertê-lo em webm e o aplicativo mostrou a mensagem abaixo:

Para alternar entre aplicativo ou abrir um novo aplicativo basta clicar no ícone no canto inferior direito da tela (as ondas ao lado do ícone do Facebook) e depois clicar no ícone do quadro de 9 pontos na metade esquerda da tela e escolher o ícone do aplicativo para abrir, ou outro aplicativo aberto que aparecerá minimizado no meio da tela, um ao lado do outro:

O sistema tem como pacote de escritório o LibreOffice. O editor de texto LibreOffice Write foi batizado de “Redator” e seu ícone fica na tela inicial:

Já o editor de planilhas LibreOffice calc (o “excel” do mundo Opensource) e o de apresentações LibreOffice Impress (o PowerPoint do mundo do pinguim) ficam escondidos em uma janela que se abre ao clicar sobre o ícone “Trabalho”:

Na imagem abaixo a tela de sumário do sistema:

Tirando o bug do PiTiVi com o pendrive e as limitações, o sistema é bom, bonito e adequado para um usuário doméstico ou para crianças, mas para uso corporativo nem pensar e o preço sugerido de R$1.899,00 para esse lançamento da ASUS só velará a pena se for possível trocar o sistema por Debian, Ubuntu ou outra distribuição Linux para uso corporativo ou empresarial. Para uso doméstico ou educacional ele é perfeito.

O equipamento é muito grande e pesado para carregar. O ideal para o sistema operacional Endless OS seria uma máquina de 10,1″ ou no máximo 11,6″, com um SSD ou chip mSATA de ao menos 32GiB para as crianças poderem carregá-la sem riscos de danos ao HD por pancadas ou solavancos, ficando aqui a sugestão à ASUS: colocar esse sistema em um netbook e corrigir os bugs, além de permitir instalação de programas de repositórios pela linha de comando.

Abaixo um vídeo sobre os objetivos do projeto que são, diga-se de passagem, louváveis, e mais algumas funções dele.

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