Viabilidade dos gametas

A questão da viabilidade dos gametas é um pouco controversa, pois os pesquisadores não apontam um tempo determinado de fertilidade que seja consenso, quer seja: para Moore (4:17) o ovócito II é fecundado doze horas após sua liberação do ovário, enquanto outros defendem que a vida fértil do ovócito II é no máximo seis horas (2:125).

Quanto aos espermatozóides existe a mesma controvérsia. Muitos pesquisadores atestam que os espermatozóides X podem sobreviver por até 48 horas no trato genital feminino e são mais lentos que os espermatozóides Y, que vivem apenas 24 horas e ainda, estes mesmos pesquisadores dão até “receitas” de como engravidar de menino ou menina (2:126). Para Moore (4:17) os espermatozóides não passam de 24 horas de vida.

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Transporte de gametas

O ovócito secundário rompe a membrana do ovário e “cai nas garras” das fímbrias tubárias que “dedilham-no” para dentro do infundíbulo sendo, daí, empurrado em direção ao útero pelos batimentos (movimentos) dos cílios e somente chegará ao útero se for fecundado, caso contrário, “ficará pelo caminho mesmo”, ou seja: se degenerará e será absorvido.

Os espermatozóides são lançados na vagina por contração da próstata e, como são adeptos de filosofias como “a união faz a força”, “um por todos e todos por um”, “unidos venceremos”, e “juntos chegaremos lá”, vão “rolando” o esperma através dos movimentos de seus flagelos, vão subindo. Alguns milhões se degeneram já na cérvice, especialmente os menos viáveis.

Dos 200 a 600 milhões que dão a “largada” na próstata, apenas algumas centenas chegarão ao sítio de fecundação e apenas um penetrará no ovócito. Esta é a parte injusta da filosofia dos espermatozóides, pois um empurra o outro e só um é “escolhido” (3:42 e 4:17).

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Ciclo ovariano e menstrual

Ao contrário do que muitos pesquisadores afirmam, os ciclos reprodutivos não se iniciam com a menarca, mas sim após um ano e meio a dois anos após a primeira menstruação quando o tálamo assume o comando da produção de FSH.

As primeiras menstruações são irregulares, ora escassas (oligomenorréia), ora abundantes (metrorragia hemorrágica), com dores (dismenorreias) ou em intervalos irregulares (amenorreias secundárias), sendo comum vir a primeira menstruação e só retornar após cinco ou seis meses ou até um ano.

Também pode vir e repetir após uns quinze a vinte dias. Isso tudo é devido à falta de controle do tálamo sobre a síntese de FSH (1:190).

No primeiro dia do ciclo inicia-se a proliferação das células que vão constituir o folículo de Graff, sob influência do FSH. O folículo produz estrogênio que, após o quinto dia do ciclo, inicia a proliferação do endométrio, até que começa a secreção de LH, que provoca a ruptura da teca proliferativa e da membrana externa do ovário, liberando o ovócito de segunda ordem para o exterior.

O folículo de Graff transforma-se em corpo lúteo e passa a produzir progesterona que, a partir do décimo quarto dia do ciclo, intensifica a proliferação do endométrio, preparando-o para a nidação e alojamento do embrião no caso de gravidez.

Se não ocorrer a fecundação, o corpo lúteo involui e por volta do vigésimo oitavo dia caem as taxas dos hormônios fazendo com que o endométrio proliferativo se descole e liquefaça, exteriorizando-se sob a forma de menstruação (2:161; 1:173 e 4:15).

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Comparação entre espermatozóide e óvulo

Óvulos e espermatozóides apresentam nítidas diferenças. Enquanto o “óvulo” (ovócito II) é grande, esférico e estático, só movimentando-se através do batimento dos cílios tubários, os espermatozóides são pequenos, móveis, alongados e flagelados (monotríqueos).

Comparação

Além das diferenças morfológicas vistas acima e descritas no item 2, existem ainda diferenças na carga cromossômica. Os “óvulos” (ovócitos II) apresentam 22 autossomos e um cromossomo X sexual, enquanto os espermatozóides podem apresentar ou 22 autossomos e um X sexual, ou 22 autossomos e um Y sexual. A união de um espermatozóide 22AX com um ovócito dará um indivíduo do sexo feminino, enquanto a união de um espermatozóide 22AY com um ovócito dará um indivíduo do sexo masculino. Esse fenômeno evidencia o fato de que é o espermatozóide quem determina o sexo na espécie humana (4:13; 3:46 e 5).

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Gametogênese

1 Espermatogênese

Os espermatozóides originam-se nos órgãos reprodutores masculinos ou testículos, através de uma sequência denominada espermatogênese. Se for considerado grosseiramente, o processo consiste do crescimento da célula, duas divisões celulares sucessivas e uma metamorfose das células resultantes, de corpos esféricos e estáticos a espermatozóides alongados e móveis. A espermatogênese é iniciada em estado diplóide (2n) ou não reduzida, nas células germinativas denominadas espermatogônias, que crescem e se transformam em espermatócitos primários. Estes espermatócitos primários entram logo em divisão meiótica (primeira divisão) e cada um produz dois espermatócitos secundários. Cada espermatócito secundário, por sua vez, entra na segunda divisão meiótica para produzir duas espermátides. Cada espermátide logo muda de forma, desenvolve um flagelo e torna-se um espermatozóide maduro.

Enquanto as células se dividem duas vezes, os cromossomos duplicam-se apenas uma vez. A redução do número cromossômico de 2n para n é feita na primeira divisão meiótica. As unidades de duas cromátides resultantes da divisão reducional são as cromátides-irmãs, sendo que o DNA de uma delas é proveniente da replicação anterior. Elas separam-se na segunda divisão meiótica, cada uma tornando-se parte de um espermatozóide maduro diferente. (3:35).

Os meninos nascem sem nenhuma espermatogônia nos testículos e também sem atividade nas células de sertóri que nem se diferenciaram, ainda, em células intersticiais de Leydig e essa diferenciação só ocorrerá após os seis anos de vida, quando as células de sertóri começam a se diferenciar transformando-se em células de Leydig que começam a estimular a diferenciação do epitélio interno dos túbulos seminíferos, fazendo com que ele converta suas células em espermatogônias (1:80).

2 Ovogênese

A ovogênese é essencialmente igual à espermatogênese no que se refere à divisão nuclear, mas com relação ao citoplasma é muito diferente. Durante a ovogênese, muito mais material nutritivo é acumulado em comparação com a espermatogênese. As células resultantes são de tamanho desigual. O material nutritivo (vitelo) não está dividido igulamente para as quatro células resultantes da sequência meiótica. Uma célula grande retém essencialmente todo o vitelo, enquanto as outras, denominadas corpúsculos polares, recebem muito pouco (3:40-41).

As diferenças de tamanho entre as quatro células deve-se ao deslocamento do núcleo do ovócito para a periferia, quando da síntese do vitelo. Como o núcleo está na periferia e a divisão ocorre geralmente onde se encontra o núcleo, formar-se-ão duas células diferentes, uma maior, o ovócito secundário que sai do ovário, e um glóbulo polar que é reabsorvido pelo ovário (5).

As ovogônias formam-se entre o final do segundo e o final do terceiro mês de vida intrauterina. Os ovócitos primários formam-se entre o final do terceiro mês e o final do sétimo mês de vida intrauterina, entrando em estado de latência ou parada de desenvolvimento denominada dictióteno ficando acima até o início da puberdade, quando farão sua primeira divisão reducional e passarão a ovócitos secundários, sendo esses que saem do ovário e, se fecundados, farão outra divisão, agora equacional, formando os óvulos e os segundos glóbulos polares. Não é o óvulo que sai do ovário e sim ovócito de segunda ordem (1:79,173; e 5).

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Vaginite

Nas crianças, as paredes vaginais são constituídas de poucas camadas de células, em decorrência da ação estrogênica deficiente, e facilita a ação dos agentes inflamatórios.

Se o agente causal não for identificado, a vaginite será rotulada como inespecífica. A inflamação vaginal é facilitada por alguns fatores: desnutrição, masturbação frequente, maus hábitos de higiene e presença de corpos estranhos. É relativamente frequência localização de focos infecciosos a distância: no aparelho respiratório, na pele e no aparelho urinário. Considerando-se que, na vagina de crianças sadias, encontra-se flora mista integrada por estilococus, estreptococus, E. coli e outras bactérias, acredita-se que seu poder patogênico somente se manifesta se houver baixa de resistência do organismo.

Caso o agente inflamatório seja identificado, a vaginite é considerado específica, podendo ser causada por: Naesseria gonorrhoeae, Haemophilus influenzae, Candida albicans, Trichomonas vaginalis e Enterobius vermicularis, este último conhecido vulgarmente por oxiuros..

Vaginite gonocócica

Tricomoníase

Candidíase

Vulvovaginite por Enteróbius

Corpos estranhos na vagina são muito comuns, especialmente a partir dos três anos de idade, quando a criança começa a explorar e conhecer seu corpo e descobrir as regiões prazerosas, podendo ser encontrado pedaços de vagem, feijão, plástico, pedaços de lápis (especialmente lápis de cor pequeno), palitos, bem como fiapos de algodão ou tiras de tecido de calcinhas ou plástico/gel de fraldas descartáveis.Corpos estranhas produzem, além de corrimentos e mau cheiro, inflamação com dor local e febre, que podem ser percebidos pelo estado de prostração da criança.Na imagem abaixo vê-se um pedaço de tecido de algodão em vagina de criança de 3 anos. Provavelmente seja um fragmento que se desprendeu do forro de alguma calcinha.

Propedêutica
A queixa principal é de corrimento que, frequentemente causa ardor, disúria e prurido vulvar. O exame da vagina revela suas paredes hiperemiadas, e o corrimento com características que pode sugerir o agente causal: amarelo e bolhoso, tricomonas; Branco e fluido , haemofilus, Branco, em placas aderentes com aspecto de leite talhado, candida. Corpos estranhos na vagina causa inflamação aguda.

Na tabela abaixo encontram-se os tipos de corrimento e seus possíveis diagnósticos:

Indicam se o seguintes exames complementares para diagnóstico etiológico da vaginite:
– exame direta em gota pendente para pesquisa de tricomonas.
– bacterioscópico para avaliação da flora vaginal e pesquisa de fungos e gonococos.
– cultura para identificação de bactérias, fungos e haemofilus.
– exame microscópico em campo escuro para identificação de treponema.
– swab anal para identificação de enteróbios.

Tratamento

Vários esquemas terapêuticos tem sido empregados para o tratamento da vaginite, levando-se em consideração duas circunstâncias: o agente não é identificado – vaginite inespecífica; agente identificado – vaginite específica.

Vaginite inespecífica

  • cuidados de higiene da vulva do intróito vaginal e, à base de sabão neutro e desinfetantes.
  • aplicações locais de cremes vaginais indicados, usando-se aplicador de pequeno calibre, introduzidos através do hímen.
  • em casos resistentes, lança-se mão de uma das seguintes medidas:
  1. antibiótico de largo espectro por via oral ou parenteral.
  2. creme de antibiótico em aplicações vaginais.
  3. creme de Estrogênios em aplicações vaginais.
  4. vermífugos, caso necessário

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