Alterações reativas não específicas e degenerativas

67. Mitoses. Mitoses são menos comumente vistas no material citológico do que em tecido, mas elas podem ser encontradas quando há uma regeneração tecidual rápida. É mais comum achá-la em fragmentos, mas esse tem exemplo é em uma única célula parabasal. Em reações benignas as mitoses são usualmente normais. (X 400)

68. Cariorrexe. É necessário distinguir mitoses de fragmentação degenerativa dos núcleos como os vistos nas células parabasais neste campo ponto esta forma de degeneração é descrita como Cariorrexe; outras formas incluem cariólise (69) e citólise (6). (X 120)

69. Cariólise. O núcleo da célula no centro do campo quase desapareceu. Sua posição é identificada por uma pálida e incompleta membrana.(X 125)

70. Fagocitose. Histiócitos multinucleares gigantes são vistos no esfregaço de pacientes com infecção crônica ou em uma reação granulomatosa. Estes podem fagocitar resto dos nucleares, como visto neste campo. (X160)

71. Vacúolos citoplasmáticas contendo um polimorfonucleares. Uma aparência lembrando fagocitose é vista quando polimorfos invadem vacúolos degenerativas em células escamosas ou colunares. As células nos vacúolos são algumas vezes referidas como células engolfadas. Notar que neste campo os polimorfos invasores aparecem viáveis quando comparado com fragmentos nucleares em 70.(X 160)

72. Multinucleação. Quando há regeneração tissular rápida, os núcleos podem replicar mais rapidamente que a divisão citoplasmática. Isto resulta em no multinucleação com aspectos nucleares benignos os quais têm aparência idêntica. Neste campo a uma célula trinucleada com núcleos hipocromáticos e aumentados e abaixo desta está uma outra célula com um único no aumentado hipocromático. Mudanças similares têm sido relatadas com deficiência de ácido fólico (van Niekerk. 1966). (X 250)

73. Hiperplasia reativa. O aumento dos núcleos é comum nas células que mostram alterações reativas. A cromatina nuclear pode estar dispersa. Sendo assim, o núcleo aparece hipocromático. Em outros casos a degeneração pode causar necrose coagulativa e a cromatina nuclear torna-se hipercromática e pouco nítida. Ambas as aparências nucleares são vistas neste campo. Além disso, halos perinucleares são vistos, juntos com restos, contidos em vacúolos no citoplasma. Uma célula é binucleada.

74. Alterações reativas: células escamosas. Neste campo os núcleos são grandes, com dispersão de cromatina dando uma aparência granular. Alguma degeneração nuclear está presente e a coloração citoplasmática é pouco nítida. (X 160)

75. Alterações reativas: células colunares endocervicais. Neste campo uma fileira de células colunares endocervicais apresentam-se aumentadas, com núcleos pálidos com nucléolos evidentes. A coloração é geralmente pouco nítida e em algumas células a coloração citoplasmática é anfofílica. Polimorfos estão presentes e muitos estão degenerados. Esfregaços pouco nítidos pobremente corados são vistos comumente com infecção e os relatórios podem ser incertos. Estes esfregaços poderiam ser repetidos após tratamento de infecção. (X 160)

76. Alterações reativas: células metaplásicas. Neste campo de células metaplásicas há núcleos grandes e granulares. Halos perinucleares são vistos em umas poucas células e há algumas vacuolizações citoplasmáticas. Comparações com 156 e 159 mostrarão que quando há aumento da granularidade de cromatina nuclear as alterações começam a ficar próximas da discariose. (X160)

77. Alterações reativas: células metaplásicas. Neste campo há mais degeneração nuclear e hipercromasia; cariorrexe é vista ocasionalmente na célula. O citoplasma é denso e anfólilo em algumas células. (X 160)

78. Alterações reativas: células colunares endocervicais. Em aumento maior este grupo de células colunares endocervicais mostra alterações reativas acentuadas, com nucléolos proeminentes os quais variam em tamanho e número de célula para célula. Um vacúolo contendo polimorfos está presente em uma mitose normal. Este grau de reatividade pode causar dificuldades ao diagnóstico, mas a presença regular de cromatina finamente granulada seria notada como evidência de que estas células são benignas. (X 250)

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Referências bibliográficas

  1. ANTONINI, V. Farmacologia e comportamento humano. Curitiba : [sn] 1993.
  2. BOLSANELLO, A. Genética médica prática. Rio : LTC, 1978.
  3.  GARDNER, E, et all. Genética. Rio : Ed. Guanabara, 1986.
  4. MOORE, K. The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, 8th Edition. Philadelphia PA USA : Saunders Elsevier, 2008
  5. ZAGO, D, et all. Embriologia humana e comparada. Curitiba : PRAC-UFPR, 1990

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A segunda semana

 Implantação

Quando o blastocisto finalmente faz contato com o endométrio, as células do trofoblasto atacam vigorosamente as células endometriais destruindo-as e perfurando o endométrio até cavar nele um verdadeiro ninho (por isso nidação). O rompimento de vasos forma lacunas de sangue que alimentam o blastocisto. O endométrio, então, recobre o blastocisto e forma em torno dele uma cápsula de tecido modificado, cuja modificação chama-se reação decidual, porque o tecido endometrial se transforma em decídua (que desce) a ser expulsa no parto. A cápsula vai crescendo dentro do útero conservando o embrião em seu interior. O aspecto mais importante disso é que o embrião não cresce na luz uterina, ficando a salvo das contrações uterinas que poderiam expulsá-lo (5).

 O trofoblasto primitivo regride na decídua capsular e forma uma camada lisa por baixo dele, o córion liso. Junto à decídua basal, o trofoblasto forma o córion frondoso, de onde se originará a parte fetal da placenta. A decídua basal, por baixo do córion frondoso originará a parte materna da placenta (5).

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A primeira semana

1 A fertilização

Fertilização é o nome dado à união dos gametas masculinos e femininos para formar um novo ser vivo (5).

A fertilização depende de dois fatores: 1. a capacitação dos espermatozóides e 2. da reação acrossomal.

1.1 Capacitação dos espermatozóides

O espermatozóide sai do trato genital masculino revestido por glicoproteínas formadas por galactose ligada à N-acetilglucosamina (GlcNac) que contém ou envolvem as glicosiltransferases espermáticas e a capacitação do espermatozóide se dá pela remoção do revestimento glicoprotéico, deixando as enzimas glicosiltransferases à mostra, o que permite ao espermatozóide se ligar no receptor específico que contém N-acetilglucosamina, na membrana do ovócito (3:44).

1.2 Reação acrossomal

Ao encontrar o receptor, o espermatozóide liga-se a este e libera enzimas hidrolíticas contidas em seu acrossomo, “furando”, literalmente, a membrana do ovócito e ativando ou desencadeando a segunda divisão meiótica, pela qual o ovócito, agora contendo dentro de si a cabeça do espermatozóide, se transforma em óvulo e libera o segundo glóbulo polar. Ao penetrar no ovócito, o espermatozóide (ou o próprio ovócito) aciona um mecanismo que impede a entrada de outros espermatozóides, pois se isso ocorresse, como por exemplo no caso de dois espermatozóides penetrarem, ter-se-ia um indivíduo triplóide (3n). Embora Burns, em seu livro Genética: uma introdução à hereditariedade descreva um caso de triploidia, apresentando uma fotografia do afetado, a maioria dos geneticistas são unânimes em afirmar que o normal é apenas um espermatozóide fecundar o ovócito e que o triploide é um fenômeno quase impossível (3:73).

2 Pareamento dos cromossomos

O pareamento dos cromossomos é a fecundação, propriamente dita, pois cada cromátide procurará sua homóloga no cariótipo do gameta oposto e ligar-se-á restabelecendo novamente o número diplóide de cromossomos (2n). É após esse fenômeno que se inicia a embriogênese e nesse momento o óvulo se transforma em ovo ou zigoto (5).

3 Segmentação ou clivagem

 Consiste em uma série de divisões celulares (mitoses) em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024, de razão ou R = 2) até formar um aglomerado multicelular compacto parecido com uma amora, o que dá justamente a designação de mórula. Cada célula formada na clivagem leva o nome de blastômero (5).

 A clivagem é simultânea à caminhada até o útero, que ocorre impelida pelo batimento dos cílios tubários, lentamente, até chegar ao útero, após uns quatro dias de viagem (5).

 A mórula, após esta “longa” viagem, penetra no útero e ali fica solta por uns dois dias preparando o ataque que fará ao endométrio para implantar-se. A essas alturas a progesterona já terá preparado o endométrio para sustentar o embrião (5).

 Normalmente, dentro do útero, a mórula se transforma em uma “bolha sólida de líquido”, chamada de blástula, que agora se denomina blastocisto e agrega em seu interior as células que formarão o embrião, e no exterior, o trofoblasto, que dará origem à placenta (5).

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Viabilidade dos gametas

A questão da viabilidade dos gametas é um pouco controversa, pois os pesquisadores não apontam um tempo determinado de fertilidade que seja consenso, quer seja: para Moore (4:17) o ovócito II é fecundado doze horas após sua liberação do ovário, enquanto outros defendem que a vida fértil do ovócito II é no máximo seis horas (2:125).

Quanto aos espermatozóides existe a mesma controvérsia. Muitos pesquisadores atestam que os espermatozóides X podem sobreviver por até 48 horas no trato genital feminino e são mais lentos que os espermatozóides Y, que vivem apenas 24 horas e ainda, estes mesmos pesquisadores dão até “receitas” de como engravidar de menino ou menina (2:126). Para Moore (4:17) os espermatozóides não passam de 24 horas de vida.

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Transporte de gametas

O ovócito secundário rompe a membrana do ovário e “cai nas garras” das fímbrias tubárias que “dedilham-no” para dentro do infundíbulo sendo, daí, empurrado em direção ao útero pelos batimentos (movimentos) dos cílios e somente chegará ao útero se for fecundado, caso contrário, “ficará pelo caminho mesmo”, ou seja: se degenerará e será absorvido.

Os espermatozóides são lançados na vagina por contração da próstata e, como são adeptos de filosofias como “a união faz a força”, “um por todos e todos por um”, “unidos venceremos”, e “juntos chegaremos lá”, vão “rolando” o esperma através dos movimentos de seus flagelos, vão subindo. Alguns milhões se degeneram já na cérvice, especialmente os menos viáveis.

Dos 200 a 600 milhões que dão a “largada” na próstata, apenas algumas centenas chegarão ao sítio de fecundação e apenas um penetrará no ovócito. Esta é a parte injusta da filosofia dos espermatozóides, pois um empurra o outro e só um é “escolhido” (3:42 e 4:17).

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Ciclo ovariano e menstrual

Ao contrário do que muitos pesquisadores afirmam, os ciclos reprodutivos não se iniciam com a menarca, mas sim após um ano e meio a dois anos após a primeira menstruação quando o tálamo assume o comando da produção de FSH.

As primeiras menstruações são irregulares, ora escassas (oligomenorréia), ora abundantes (metrorragia hemorrágica), com dores (dismenorreias) ou em intervalos irregulares (amenorreias secundárias), sendo comum vir a primeira menstruação e só retornar após cinco ou seis meses ou até um ano.

Também pode vir e repetir após uns quinze a vinte dias. Isso tudo é devido à falta de controle do tálamo sobre a síntese de FSH (1:190).

No primeiro dia do ciclo inicia-se a proliferação das células que vão constituir o folículo de Graff, sob influência do FSH. O folículo produz estrogênio que, após o quinto dia do ciclo, inicia a proliferação do endométrio, até que começa a secreção de LH, que provoca a ruptura da teca proliferativa e da membrana externa do ovário, liberando o ovócito de segunda ordem para o exterior.

O folículo de Graff transforma-se em corpo lúteo e passa a produzir progesterona que, a partir do décimo quarto dia do ciclo, intensifica a proliferação do endométrio, preparando-o para a nidação e alojamento do embrião no caso de gravidez.

Se não ocorrer a fecundação, o corpo lúteo involui e por volta do vigésimo oitavo dia caem as taxas dos hormônios fazendo com que o endométrio proliferativo se descole e liquefaça, exteriorizando-se sob a forma de menstruação (2:161; 1:173 e 4:15).

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Comparação entre espermatozóide e óvulo

Óvulos e espermatozóides apresentam nítidas diferenças. Enquanto o “óvulo” (ovócito II) é grande, esférico e estático, só movimentando-se através do batimento dos cílios tubários, os espermatozóides são pequenos, móveis, alongados e flagelados (monotríqueos).

Comparação

Além das diferenças morfológicas vistas acima e descritas no item 2, existem ainda diferenças na carga cromossômica. Os “óvulos” (ovócitos II) apresentam 22 autossomos e um cromossomo X sexual, enquanto os espermatozóides podem apresentar ou 22 autossomos e um X sexual, ou 22 autossomos e um Y sexual. A união de um espermatozóide 22AX com um ovócito dará um indivíduo do sexo feminino, enquanto a união de um espermatozóide 22AY com um ovócito dará um indivíduo do sexo masculino. Esse fenômeno evidencia o fato de que é o espermatozóide quem determina o sexo na espécie humana (4:13; 3:46 e 5).

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