Adenose vaginal

Adenose vaginal pode ocorrer como uma anormalidade congênita e também com a exposição do feto ao dietilestilbestrol (DES) no útero (Prins et al., 1976). Por causa da associação de exposição ao DES com adenocarcinoma de vagina, meninas conhecidas por terem sido expostas desta maneira, têm sido controladas com esfregaços por aspiração vaginal. A presença de células colunares alerta para a necessidade de investigação adicional. Em outros casos, em algumas não expostas ao DES, o exame vaginal por outras razões tem mostrado anormalidades nos fórnices. O caso ilustrado aqui cai dentro desta categoria; ela não tinha sido exposta ao DES.

108. Adenose vaginal: colposcopia do fórnix posterior. O fórnix posterior parece vascular e translucente. (SF 0,9% e filtro verde, X 16)

109. Esfregaço dirigido do fórnix posterior. Este esfregaço contém células semelhantes às células colunares endocervicais não esperadas em um esfregaço dirigido do fórnix posterior. (X 250)

110. Cicatrização de adenose vaginal: colposcopia. Seis meses mais tarde, pode ser visto que a maior parte do epitélio colunar foi substituído por metaplasia escamosa. (SF 0,9%, filtro verde, X 10)

111. Esfregaço dirigido do fórnix posterior. O esfregaço colposcopicamente dirigido parece agora conter células metaplásicas. (X 250)

112. Biópsia colposcópica do fórnix posterior. Este corte é de uma biópsia colposcópica feita na segunda visita. A superfície é recoberta por epitélio escamoso intacto e uma cripta residual é visto no estroma. (H&E, X 62)

[Voltar]

Reação tecidual

Durante a gestação, focos de decídua podem se formar em qualquer epitélio que deriva do ducto mülleriano. Quando isto ocorre na cérvix, as células descamadas da área são características, mas podem causar preocupação se não reconhecidas.

104. Reação decidual. Este campo mostra células descamadas. Uma é parcialmente obscurecida por uma célula escamosa, mas a outra pode ser vista por ser uma célula grande com citoplasma claro e um núcleo granular e pálido com grande nucléolo rosa. Neste caso o núcleo é binucleado. (X 250)

105. Reação decidual: colposcopia. Neste caso a reação decidual é apresentada como uma lesão em forma de cúpula branda na cérvix a qual pode ser vista a olho nu, causando suspeita clínica de neoplasma. (SF 0,9%, X 160)

106. Reação decidual: biópsia colposcópica. Biópsia dirigida mostra um epitélio escamoso delgado sobre o estroma edemaciado o qual contém células deciduais. ( H&E, X 62)

107. Reação decidual: biópsia colposcópica. Em maior aumento as células deciduais na biópsia podem ser comparadas com as células da lâmina 104. (H&E, X 125)

[Voltar]

Cervicite folicular

Esta é uma reação linfocitária a qual é usualmente vista na profundidade do epitélio cervical, mas tem sido encontrada no fundo do epitélio vaginal. A coleção de linfócitos apresenta folículos normais com linfócitos maduros na periferia e formas imaturas no centro. A condição é mais comum nas mulheres pós-menopáusicas, mas também é vista como reação da infecção de Chlamydia (66). Nesses casos a cérvix é granular no exame colposcópico.

100. Cervicite folicular. O quadro citológico visto neste campo é característico, com uma placa de pequenas células hipercromática, estas tendo uma relação núcleo-citoplasma muito alta. Nestes casos, as células presentes são principalmente linfócitos maduros, mas quando há uma predominância de células imaturas, isto pode causar suspeita de linfoma. (X 62)

101. Cervicite folicular. Em grande aumento, um outro campo do mesmo caso mostra formas imaturas. (X 250)

102. Cervicite folicular: biópsia colposcópica. No exame colposcópico uma área de granularidade vascular foi vista na cérvix e esta foi biopsiada. A secção mostra tecido traumatizado, mas permanece um folículo linfóide na profundidade em vermelho, a superfície epitelial necrosada pode ser reconhecida. (H&E, X 62)

103. Cervicite folicular: biópsia colposcópica. Este campo mostra o centro do folículo no mesmo aumento como a da lâmina 101, o que permite comparação das células (H&E, X 250)

[Voltar]

Vaginite atrófica

Esfregaços de mulheres pós-menopáusicas com vaginite atrófica mostram uma variedade ampla de alterações celulares resultantes da associação com infecção inespecífica. Em alguns casos o grau de anormalidade pode ser tão acentuado que causa suspeita de discariose. Com este grau de anormalidade é aconselhável repetir o esfregaço após o uso de creme estrogênico por quatro semanas. O tratamento causa maturação do epitélio escamoso pelo efeito direto de estrógeno no órgão alvo (vagina). Este é mais seguro que o estrógeno sistêmico, já que a resposta do órgão alvo varia com o tratamento sistêmico. Além disso, o epitélio atrófico é fino e facilmente traumatizável. A lesão pode ser microscópica, mas é refletida pelo conteúdo do esfregaço. Em três casos histiócitos e polimorfos estão presentes com histiócitos multinucleados e fibroblasto, os quais sugerem uma reação granulomatosa como a vista no tecido de granulação. Ulceração clínica também resulta em um quadro celular característico e esta pode ocorrer em mulheres com prolapso ulcerado ou em quem está usando anéis pessários.

90. Vaginite atrófica. Este campo mostra um aspecto comum com fundo seroro, hemácias e células inflamatórias obscurecendo um esfregaço atrófico. A reação à coloração é pobre por causa de alguma secagem antes da fixação. (X 40)

91. Vaginite atrófica: “manchas azuis”. Este é um outro exemplo de vaginite atrófica com células inflamatórias, muitos restos no fundo e células parabasais mostrando alterações degenerativas variadas. No centro do campo está uma estrutura redonda corada em azul-escuro. Estas são achadas em esfregaço atrófico e causariam suspeita de malignidade. A causa é incerta, embora várias teorias tenham sido propostas (Ziabkowski & Naylor, 1976). É mais provável que esta seja uma forma de DNA ou RNA alterados do que a presença de muco espessado. (X160)

92. Vaginite atrófica: “manchas azuis”. Em aumento maior a aparência sugere que este é o contorno de uma célula obscurecida por material finamente pulverizado, denso, o qual cora em azul escuro. (X 400)

93. Vaginite atrófica. Um outro exemplo mostra uma ração de coloração pobre. O fundo consiste principalmente de polimorfos e restos nucleares. Algumas células parabasais apresentam núcleo reativo e pálido e grande, enquanto que em outras os núcleos ficaram picnóticos. A despeito da ração pobre à coloração, a queratinização do citoplasma pode ser reconhecida em algumas células. (X 80)

94. Vaginite atrófica: alterações borderline. Este campo demonstra o grau de anormalidade que pode ser visto em um esfregaço atrófico benigno. Cariólise e degeneração nuclear estão presentes e células de formas bizarras são vistas. Em algumas células a necrose coagulativa causa irregularidade nuclear a qual está próxima à discariose. (X 125)

95. O mesmo caso (94) após creme vaginal estrogênico. O aspecto deste campo é bastante diferente. Há mesmo exsudato de células inflamatórias e a maioria das células presentes são intermediárias normais. Uma célula parabasal queratinizada permanece. Se células discarióticas estivessem presentes neste caso, elas estariam agora em destaque contra um fundo de células normais maduras. O creme vaginal estrogênico foi usado por quatro semanas, neste caso. (X 125)

96. Vaginite atrófica com tecido de granulação. Neste exemplo as poucas células escamosas presentes mostram uma variação na maturação. Histiócitos e polimorfos estão presentes, com um histiócito multinuclear gigante e células alongadas com citoplasma frouxo, que são fibroblastos. O quadro sugere uma reação de granulação que nesta situação é mais comum ser tecido de granulação não específica. (X 80).

97. Vaginite atrófica com tecido de granulação. Este campo mostra uma figura similar com uma célula gigante multinucleada sobreposta a células escamosas. (X 100)

98. Ulceração vaginal. Uma figura mais exuberante é vista quando úlceras francas estão presentes; esta mulher usava um anel pessário para controlar o prolapso. O esfregaço contém muitos histiócitos multinucleados com fibroblastos e polimorfos. (X 125)

99. Procidência ulcerada: regeneração epitelial. Em casos com ulceração clínica é comum ter regeneração tecidual na borda da úlcera. Quando essas células são vistas no esfregaço, elas podem causar suspeita de malignidade. Este exemplo é típico de uma placa de células semelhantes, a qual apresenta-se como uma camada única de células pavimentosas. A aparência lembra a borda de uma cultura de tecido em crescimento. Existe algum pleomorfismo e os nucléolos são proeminentes. Em algumas células eles são grandes e em outras células eles são múltiplos; uma mitose também está presente. A principal característica em favor de uma lesão benigna é o padrão da cromatina nuclear, pálida e regular. Deveria também ser notado que os nucléolos são regulares na forma e a mitose normal. (X 250)

[Voltar]

Reações da superfície

Esta pode resultar de trauma persistente e infecção crônica e em particular da infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV). O quadro histológico é de hiperqueratose, com células escamosas queratinizadas anucleadas ou paraqueratose, quando são vistas células queratinizadas com núcleos picnóticos degenerados.

Reação de superfície deste tipo pode ser inespecífica e benigna, ou associada com infecção por HPV mas, em ambos os casos, a espessura das camadas protetoras pode impedir esfoliação de células anormais subjacentes. Persistência desses achados produz investigações adicionais pela colposcopia e biópsia dirigida.

79. Células em fibras. Este campo mostra células em fibras alongadas, que é uma maneira na qual a reação da superfície pode apresentar-se no esfregaço cervical. (X 160)

80. Pólipo cervical infectado. Em grande aumento células em fibra semelhantes, mostrando nucléolos proeminentes, são vistas na superfície de um grupo firme de células. Esta paciente tinha um pólipo cervical infectado benigno com foco de tecido de granulação. (X 250).

81. Células disquertóticas (paraqueratose). Este campo mostra uma placa de células queratinizadas com núcleos picnóticos grandes e degenerados. Células escamosas mostrando núcleos pálidos, aumentados, também estão presentes. Este quadro poderia refletir infecção por HPV, mas neste caso foi resultado do trauma de um grande pólipo cervical presente no intróito. (X 250)

82. Pérola córnea. Pérolas córneas são normalmente benignas e resultam de escarificação de uma cripta aberta a qual foi bloqueada por metaplasia escamosa. Elas podem também refletir um simples nódulo epitelial no epitélio escamoso original. Nestes casos a cromatina nuclear parece benigna, como neste campo. (X 160)

83. Pérola córnea disqueratótica. Esta figura é introduzida por comparação com 82. Pode ser visto que o citoplasma é queratinizado e os núcleos são hipercromáticos e pleomóficos. Esta aparência é mais comumente associada com doenças latentes tal como queratose verrucosa. (x 120)

[Voltar]

Infecção e alterações reativas

Alterações reativas nas células são normalmente inespecíficas e independentes do fator causal. A infecção é uma causa comum, mas a reação também segue o trauma e concomitantemente reparação tecidual.

No caso da cérvix o trauma inclui medidas terapêuticas tais como cauterização, diatermia e laser.

Alterações celulares específicas são também vistas as quais alguns casos indicarão o fator estimulador provável. Tais alterações são vistas após radioterapia ou quando drogas citotóxicas ou esteróides foram dados. Infecções por vírus também podem produzir alterações específicas nas células. Além disso, reconhecendo mudanças reativas, é freqüentemente possível identificar o agente infeccioso no esfregaço cervical.

Agentes infecciosos

51. Infecção bacteriana. A flora bacteriana normal consiste de lactobacilos extras foram vistos em 6. Neste campo há uma névoa coccacea densa a qual indica infecção bacteriana, mas a cultura é necessária para identificar o agente responsável. (X 33)

52. Infecção por Gardnerella: células alvo. Esses organismos eram originalmente classificados como Haemophilus vaginalis e foram reconhecidos como causadores de uma variedade específica de vaginites por Gardner e Dukes (1955). Foi mais tarde reclassificado como Corynebacterium vaginalis e agora referido como Gardnerella em tributo ao trabalho de Gardner. Em seu trabalho Gardner e Dukes descreveram células isoladas dispersas através do esfregaço, as quais tinham uma camada sobreposta de coco-bacilos. Estes foram chamados de “células alvo” e quando vistas no esfregaço indicam a presença de infecção por Gardnerella. Contudo, seria sensato confirmar por cultura, como um trabalho de Levison et al. (1979) e que sugere que a associação não é tão segura como foi indicada pelos autores iniciais. (X 160)

53. Grumos bacterianos. Bactérias podem apresentar-se como grumos densos, mas isto não é um achado específico e a cultura é necessária para identificar organismo causador. (X 160)

54. Trichomonas vaginalis. As tricomonas são uma das causas comuns de leucorréia e estão usualmente associados com infecção bacteriana mista, como visto neste campo. A reação à coloração, forma e tamanho destes microrganismos varia, mas neste exemplo eles aparecem como forma de pêras arredondadas com citoplasma cianófilo e núcleo claro, pequeno, alongado e excêntrico freqüentemente referidos como “olho de mongol”. Os flagelos não são vistos em material fixado álcool. (X 160)

55. Trichomonas vaginalis. Em grande aumento este campo mostra mão única tricomona com células intermediárias as quais apresentou um fino halo perinuclear com bordas borradas. Esta é uma reação inflamatória não específica que deve ser distinguida dos halos maiores com bordas bem definidas vistos na coilocitose (ver 127 e seguintes). (X 400)

56.Trichomonas vaginalis: padrão de células inflamatório. Uma tricomoníase é freqüentemente o associado com um padrão celular inflamatório no qual os polimorfos rodeiam as células dando uma aparência de “chumbo grosso” ou “bala de canhão”. Este aspecto tem sido descrito como específico para a infecção por Trichomonas, mas uma aparência similar revista no esfregaço de pós-radiação (113) e deveria ocorrer em algumas infecções bacteriana. (X 62)

57. Trichomonas vaginalis. Ocasionalmente a tricomona tem os grânulos vermelhos no citoplasma como visto no campo. O significado disto não é conhecido. (X 400)

58. Trichomonas vaginalis e Leptothrix. Tricomona são freqüentemente vistas com Leptothrix saprófitas. Neste campo o Leptothrix é visto como umas ramificações finais as quais apresentam-se como uma linha isolada. Eles devem ser diferenciados da Candida. (X 160)

59. Trichomonas vaginalis e herpes. Infecções múltiplas são comuns. Neste campo tricomonas com citoplasma e eosinófilo são vista junto com uma nuvem bacteriana e células mostrando alterações citoplasmáticas causadas pela infecção do vírus herpes (ver 121 e seguintes). (X 160)

60. Candida. Esta é uma infecção por fungos à qual é comum durante a gestação e em mulheres usando contraceptivo oral. Isto causam uma leucorréia espessa, branca, com aspecto de leite coalhado sendo referida coloquialmente como “sapinho”. No esfregaço cervical é preferível identificar ambos, esporos e hifas como o visto neste campo, antes de estabelecer o diagnóstico. A hifas como visto neste campo, são vistas segmentadas e se parecem com uma dupla “linha de trem”. Comparar com Leptothrix em 58. (X160)

61. Candida. Além dos esporos e hifas este campo mostra grupamento de células escamosas. Este pode alertar o escrutinador para procurar pela presença de Candida. (X160)

62. Candida. O grande aumento mostra a morfologia de esporos e hifas mais claramente. Para identificação precisa do tipo de fungo a cultura é necessária. O grupo Candida é achado mais comumente, assim alguns laboratórios usam esta terminologia. Outros preferem ser menos específicos e relatam “vistos esporos de fungos e hifas”. (X 400)

63. Actinomyces. Actinomyces são encontrados em esfregaços de mulheres usando um DIU (Gruppa et. al, 1976). Quando associado com dor pélvis e sangramento irregular poderia ser causa de doença inflamatória pélvica. Nestes casos o DIU é retirado para cultura confirmatória, mas na falta de sintomas é usual a notar o achado sem ação adicional. (X 400)

64. Actinomyces. Um outro exemplo, com borrão de coloração eosinofílica. (X 160)

65. Actinomyces. Confirmação por cultura é difícil a menos que o DIU possa ser removido e feito sua cultura. A aparência morfológica de fios periféricos estendendo de uma área central densa pode ser imitada por uma coleção de fragmentos de restos. Contudo estes são usualmente gram-negativos, enquanto os Actinomyces são Gram-positivos. Este esfregaço corado com Gram mostra uma reação positiva. Neste caso a presença de Actinomyces foi confirmada pela cultura. (coloração Gram, X 620)

66.Chlamydia. Um diagnóstico firme de Chlamydia deve ser feito por cultura (a qual é difícil) ou por resposta antígeno/anticorpo. Em esfregaços cervicais as características morfológicas que causam suspeita de Chlamydia incluem uma reação linfocitária similar à da cervicite folicular. Esta é a apresentação vista neste campo. Além disso, corpos elementares cocóides eosinofílicos livres são vistos no citoplasma finalmente vacuolizado das células infectadas e mais particularmente quando os corpúsculos de inclusão e estão moldados em vacúolos perinucleares. Esta característica não é vista neste exemplo, mas a presença de Chlamydia foi confirmada por imunofluorescência. (Grupta et al. 1979). (X 250)

[Voltar]

Esfregaço insatisfatório

Para um relatório confiável é essencial que o material na lâmina seja distribuído uniformemente, bem fixado, não obscurecido por sangue, células inflamatórias ou muco. Deveria também conter um número adequado de células escamosas e um componente endocervical. As quatro figuras seguintes ilustram lâminas as quais deveriam ser rejeitadas.

47. Esfregaço muito espesso. Algumas áreas estão fora de foco devido à espessura do esfregaço. (X 40)

48. Esfregaço obscurecido por polimorfos. (X 40)

49. Esfregaço obscurecido por sangue e células inflamatórias. (X 40)

50. Esfregaço obscurecido por sangue e células inflamatórias. (X 40)

[Voltar]

Células normais em aumento muito grande

O grupo seguinte de figuras demonstra células normais em aumento muito grande (lentes de imersão a óleo), para ilustrar a diferença no padrão de cromatina nuclear e diferenças citoplasmáticas entre vários tipos de células.

42. Célula escamosa superficial. O citoplasma é translúcido e nesta célula estende-se até a borda da figura. O núcleo é densamente picnótico e não mostra textura e teria menos que 6 micrometros no diâmetro. (X 620)

43. Célula intermediária pequena. Uma célula intermediária pequena foi pega para incluir toda célula no quadro. Por causa disto, o citoplasma é mais denso do que seria em uma célula intermediária grande. O padrão de cromatina nuclear é vesicular com cromocentros ocasionais. Um corpúsculo de cromatina sexual (cromatina de Barr) é visto na membrana nuclear, refletindo o segundo cromossomo X do sexo feminino. (X 620)

44. Célula parabasal ou metaplásica. No campo, parte de uma célula superficial é vista, portanto parece provável que esta é uma célula metaplásica imatura. Embora exista uma relação nucleocitoplasmática mais alta que na célula madura, o núcleo ainda ocupa menos que a metade do citoplasma. O último é mais denso do que seria na célula intermediária e os vacúolos estão presentes; isto é um achado comum e provavelmente devido à degeneração. O padrão de cromatina nuclear similar àquele visto em uma célula intermediária. (X 620)

45. Célula colunar endocervical. Duas células colunares endocervicais são vistas apresentando núcleos basais arredondados característicos. O padrão de cromatina é fino, mas tem uma distribuição granular maior que vista nas células escamosas. Além disto, há condensação de cromatina na membrana nuclear, assim como um corpúsculo de cromatina sexual em uma célula. O citoplasma é frouxo e em flocos; uma das células mostra placa terminal e cílios. (X 620)

46. Células do estroma endocervical. No esfregaço cérvico-vaginal as células endometriais têm sido encontradas no fluxo menstrual e são mais degeneradas que quando coletadas por aspiração endometrial. A degeneração causa necrose coagulativa da cromatina nuclear a qual exagera a granularidade grosseira do padrão. Também se nota que estes núcleos estão desnudos. (X 620)

[Voltar]

Células Endometriais

É normal e achar células endometriais do esfregaço Cérvico vaginal dois a três dias antes, durante e por poucos dias após a menstruação. Em algumas mulheres ocasionalmente a células endometriais são vistas no meio do ciclo na época da ovulação; isto pode ser também associado com a “mittelschmerz” (dor na ovulação). Mulheres usando um dispositivo intra-uterino contraceptivo (DIU) e geralmente desprendem células endometriais através do ciclo, mas com esta exceção as células endometriais achadas fora dos tempos especificados acima deveriam ter investigação adicional. Em particular, células endometriais achadas em esfregaços na pós-menopausa freqüentemente indicam doença mesmo quando as células parecem normais.

38. Células endometriais. Este campo mostra um grupo de células do estroma e poucas células isoladas parecendo-se com histiócitos (topo), as quais são provavelmente de origem glandular (flecha). (X 160)

39. Células endometriais. O grupo de células do estroma são vistas, com um indício de uma forma a acinar na periferia. (X 160)

40. Fragmento glandular. Neste campo um fragmento glandular foi retirado do estroma e representa um canal com revestimento de células no centro. (X 62)

41. Células endometriais: migração. Seguindo à menstruação, as células endometriais ficam com a aparência de histiócitos, e, em alguns casos, essas células são vistas fluindo para fora mais habitualmente de um agrupamento glandular ou estromático, como ilustrado neste campo. (X 160)

[Voltar]

Metaplasia escamosa e zona de transformação

Sob a influência dos estrógenos, a cérvix torna-se evertida para expor o epitélio colunar do canal cervical. Isto é mais acentuado na puberdade e durante a gestação. É também visto em mulheres com estrógenos elevados por contraceptivos orais. O pH ácido da vagina estimula a substituição do epitélio colunar com epitélio escamoso por um processo de metaplasia escamosa (Singer & Jordan, 1976). A área na qual isto ocorre inicialmente é conhecida como “Zona de Transformação”. Nos estágios iniciais da metaplasia escamosa, células indiferenciadas multiplicam-se entre células colunares e a membrana basal. Isto pode se originar no local, mas quando houver destruição da superfície epitelial, por exemplo, por laser ou diatermia, forma-se uma camada celular semelhante. Isto sugere migração do estroma, o qual pode também ser o caso na metaplasia fisiológica. Em um estágio mais tardio, as células se estratificam e o epitélio é reconhecidamente escamoso, eventualmente a maturação é indistinguível do epitélio escamoso original. Embora a camada epitelial pareça mesma, o epitélio pode ser reconhecido como metaplásico por causa das criptas endocervicais serem vistas no estroma subjacente.

Grupos de células metaplásicas imaturas podem ser identificadas no esfregaço cervical. Elas são vistas como células parabasais em um campo, o qual de outra maneira, consiste de células escamosas maduras. Nesses casos elas são rarefeitas como células metaplásicas. Elas podem estar associadas com células colunares e sua presença em um esfregaço também indica um espécime aceitável para avaliação. As figuras nesta seção ilustram o processo de metaplasia escamosa e também mostram a variação de aparência de células metaplásicas.

18. Ectopia com zona de transformação recente: colposcopia. Aqui a cérvix evertida mostra as dobras do epitélio colunar endocervical vascular. Na extremidade periférica do colo uterino, o epitélio escamoso liso original está presente. Entre essas áreas e em quase toda ectopia há metaplasia imatura a qual torna-se branca após aplicação de ácido acético a 4% (ácido acético, X 160)

19. Cérvix: hiperplasia de células de reserva. Esta secção mostra a replicação de células indiferenciadas profundas do epitélio colunar o qual é chamado de hiperplasia de células de reserva. (H & E, X 62)

20. Cérvix: hiperplasia de células de reserva: envolvimento glandular. Neste campo as ramificações das criptas no estroma são vistas estar submetendo-se ao mesmo processo de hiperplasia de células de reserva. (H & E, X 37,5)

21. Cérvix: metaplasia imatura escamosa. Nos estágios tardios as camadas de células imaturas, em ambas as superfícies e criptas, estão começando a estratificar e pode ser reconhecido um epitélio escamoso imaturo. (H & E, X 37,5)

22. Zona de transformação típica: colposcopia. Aqui o epitélio colunar da ectopia é substituído pelo epitélio metaplásico maduro. Quando visualizado tridimensionalmente através do colposcópio, é normalmente possível ver o entalhe arredondado no colo que identifica o nível da junção escamocolunar original. A nova junção escamocolunar é vista no orifício externo. Entre a original e a nova junção escamocolunar existe o epitélio escamometaplásico maduro. (ácido acético, X 16)

23. Epitélio metaplásico maduro com cripta subjacente. Este campo mostra epitélio escamoso metaplásico maduro. Histologicamente parece-se com o epitélio escamoso original e é distinguido pela cripta no estroma subjacente. (H & E, X 40)

24. Corte da cérvix. Este é um corte espesso da cérvix. Demonstra epitélio escamoso original e epitélio colunar, com epitélio metaplásico entre eles. Notar criptas profundas no epitélio metaplásico maduro e também a profunda penetração das criptas no estroma. (H & E, X 1)

25. Células colunares endocervicais de reserva. Este campo mostra um fragmento de tecido o qual consiste de uma fileira de células colunares endocervicais e células de reserva subjacentes. (X 160)

26. Células metaplásicas e de reserva. Células escamosas maduras estão presentes com células colunares endocervicais e grupos de células de reserva e metaplásicas imaturas. Notar a ampla variação da maturação (X 80)

27. Células colunares endocervicais de reserva. Células colunares endocervicais são vistas de perfil com vacúolos no citoplasma. As células de reserva estão intimamente acondicionadas e mostram núcleos granulares hipercromáticos. (X 160)

28. Células metaplásicas imaturas. Estas células têm mais citoplasma que as células de reserva, mas são ainda bastante imaturas. Por causa das expansões citoplasmáticas elas são chamadas de células em “aranha”. Esse aspecto indica que foram removidas à força por estratificação da cérvix, em lugar de serem células esfoliadas da camada superficial. (X 125)

29. Metaplasia imatura. A apresentação de células metaplásicas no esfregaço cervical é muito variável. Neste campo células são vistas como uma placa, unidas frouxamente e os núcleos mostram nucléolos proeminentes. O aspecto pode refletir cicatrização de uma úlcera verdadeira ou reparo de um trauma (ver 99). (X 160)

30. Células colunares endocervicais e metaplásicas. Neste esfregaço o citoplasma das células metaplásicas é mais arredondado e algumas mostrar vacuolização. Há um exsudato celular inflamatório misto com polimorfos e histiócitos e as células colunares endocervicais apresentam nucléolos evidentes. Parece provável que cervicite bem como uma zona de transformação típica estão presentes. (X 160).

31. Células metaplásicas. Neste campo uma grande variação de células metaplásicas de maturidade variada estão juntas, assim, é possível comparar as alterações do padrão de cromatina nuclear e diferenciação citoplasmática das células de reserva e células metaplásicas quase maduras do tipo de células intermediárias. (X 125)

32. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas. (X 160).

33. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas (X 125)

34. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas (X 160).

35. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas (X 160).

36. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas (X 160)

37. Esfregaço normal. Aspecto de células metaplásicas (X 160).

[Voltar]