Após a separação da farmácia da medicina, esta última caiu na mais absurda e profunda estagnação, devido ao completo desconhecimento da química e da biologia e à ausência de quaisquer critérios de observação científicos por parte dos novos profissionais que surgiram com essa dissociação: os médicos, sendo que estes baseavam suas medicinas na autoridade dos “antigos, cultuados e venerados cientistas,” de cujos livros, bulas e sutras farmacológicas retiravam suas técnicas e tratamentos e, para se ter uma idéia da situação, basta apenas lembrar e descrever os suplícios do infeliz Príncipe Orsini, regente de um dos Reinos que compunham o território da península itálica, formado pela desagregação do Sacro Império Romano Germânico, atual República Federal da Itália, e que faleceu no ano de 1327 após cometer um erro fatal: após uma indisposição devido à algum prato do cardápio, ele, ao invés de repousar até cessar o mal, chamou os “médicos” que o rodeavam em sua corte e submeteu-se aos “homens da ciências” que o torturaram durante o resto da tarde e pela noite adentro com repetidas sangrias (As sangrias constituíam-se na técnica terapêutica mais utilizada naqueles tempos, sendo realizada ou por meio de incisões das veias cubitais ou pela utilização da sanguessuga – Hirudus medicinalis, sugava o sangue do “freguês”, extraindo-lhe os maus espíritos ou humores), e deram-lhe diversos purgantes e clisteres, tudo com o fito de extrair-lhe os “maus-humores”. Continue lendo →