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<title>Uma cr�nica de natal</title>
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<div style="text-align: center;"><br>
<h3>Uma cr�nica de natal<br>
</h3>
<div style="text-align: justify;">
<div class="posttitle">
<div class="date"> 16 de dezembro de 2011 | Autor:
antonini </div>
</div>
<p style="text-align: justify;"><span class="content">Ao que tudo
indica, durante os dois primeiros s�culos crist�os e quase
metade do seguinte, os disc�pulos e fi�is seguidores de Jesus de
Nazar�, chamado o Cristo (= Ungido ou Messias), n�o festejaram a
data do seu nascimento. Foram, coincidentemente, os s�culos de
persegui��o, da Igreja nas catacumbas e de milhares de crist�os
assassinados pela sua f�, admirados e venerados sob a designa��o
de m�rtires ou testemunhas. N�o se descarta a hip�tese de que a
rudeza dos tempos n�o era prop�cia � festa e de que, pouco a
pouco, caiu no esquecimento o dia natal�cio do Senhor. Se � que
esse dia foi jamais conhecido. Ningu�m sabe e pode dizer se
entre os semitas, na cultura e na religi�o judaica do tempo de
Jesus, estariam em voga as comemora�es natal�cias.<span id="more-1880"></span></span></p>
<div style="text-align: justify;">
<p>Com a vit�ria da Ponta M�lvio (�in hoc signo vinces!�), a �pax
constantiniana�, o �dito de Mil�o e o fim das persegui�es ao
cristianismo transformado em religi�o do imp�rio, a Igreja � a
comunidade crist� � pode enfim celebrar em suas bas�licas o
acontecimento: a vinda de Jesus Cristo, Deus feito homem, e sua
Pessoa. Ent�o naquele in�cio de s�culo IV, t�o marcante, por
muitos t�tulos, na hist�ria da Igreja, ainda n�o foi o
nascimento de Jesus � Messias que foi celebrado. Foi sua P�scoa:
agonia, paix�o, crucifica��o, morte e ressurrei��o,
acrescentadas, sem tardar, a ascens�o, Gl�ria e Senhorio �
Direita do Pai. Esta foi, no in�cio, a Festa, por excel�ncia, a
maior e at� mesmo a �nica.</p>
</div>
<p><span class="content">Quando, pouco a pouco, de modo natural,
prevaleceu o desejo de festejar tamb�m o nascimento do Salvador,
e, por conseguinte, o mist�rio do Deus Encarnado, foi preciso
fixar um dia no ano. Na impossibilidade de encontrar a data
hist�rica, procurou-se uma carregada de valor simb�lico.
Vigorou, ent�o, um costume da Igreja: construir um sinal crist�o
onde quer que se encontrasse algo de pag�o. Foi assim que o
Pantheon, de templo de todos os deuses tornou-se santu�rio de
todos os m�rtires ou de todos os santos, com festa fixada no dia
1o de novembro. Assim tamb�m, sobre o templo de Minerva,
ergueu-se a bas�lica de Santa Maria.</span></p>
<p>Para comemorar o nascimento de Jesus, nenhuma data pareceu melhor
e mais indicada do que o dia 25 de dezembro. N�o porque fosse a
mais prov�vel, na verdade era improv�vel ao m�ximo que C�sar
Augusto convocasse o recenseamento, com longas e inc�modas viagens
que comportaria. Improv�vel que uma mulher desse � luz numa
estrebaria e colocasse seu Menino envolvido em trapos numa
manjedoura, no rigor do inverno da Jud�ia. A data de 25 de
dezembro era indicada por bem outro motivo. Naquele dia, mais em
uma prov�ncia do imp�rio, menos em outra, mas afinal em todo o
imp�rio romano, celebrava-se o deus Mithra. Este era uma
encarna��o do sol, mais exatamente o Sol Oriens ou Sol Nascente.
Em Mithra adorava-se o astro-rei porque, vencido e sepultado em
cada anoitecer, ele era bastante forte e soberano para renascer
cada manh�, vivo, radioso, iluminador e fecundante, gerador de
vida. Com absoluta naturalidade, os crist�os transferiram para
Jesus Cristo os atributos de verdadeiro Sol Oriens e puseram-se a
festejar, a 25 de dezembro, o seu sempre antigo e sempre novo
nascimento. Sol Oriens. Ele � chamado numa das ant�fonas de O�, na
liturgia das v�speras, alguns dias antes do Natal.</p>
<p>Quando, numa �poca um tanto dilu�da no tempo e, portanto, n�o
rigorosamente definida, um tempo chamado do Advento, foi
institu�do antes do Natal, como a Quaresma precede a P�scoa, ficou
ainda mais evidente um certo car�ter pascal na figura do Sol
Oriens, ou Sol que ressurge cada manh� ap�s cada noite de Paix�o.
Assim Natal e P�scoa se entrela�am na celebra��o lit�rgica do
Mist�rio de Cristo.</p>
<p>N�o faltaram �pocas em que, segundo tend�ncias da piedade
popular, o aspecto que mais se acentuou no Natal foi o da pobreza
de um Messias nascido numa estrebaria, na periferia de Bel�m,
pequeno burgo na periferia de um min�sculo pa�s de pouca
import�ncia ao lado das grandes pot�ncias de ent�o. Foi tamb�m o
aspecto da pequenez e fragilidade da crian�a nascida de Maria de
Nazar�. Este aspecto � profundamente b�blico: �Ele, rico como era,
se rebaixou e tomou a condi��o de escravo�, Ele �se esvazou�. O
contraste manifestado nestas express�es empresta grande for�a ao
Mist�rio do Natal. Os males de um consumismo desenfreado n�o
deveriam esgotar essa for�a. Para usar a palavra de Machado de
Assis, n�o deveria mudar o Natal, neste sentido. Pois � gra�as a
esta concep��o do Natal que o mist�rio da Encarna��o e do Natal
explica o mist�rio dos Homens e de cada homem.</p>
<p>Feliz Natal e um ano 2012 pleno de prosperidade e felicidade, e
que todos os seus sonhos e desejos se realizem.</p>
</div>
</div>
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