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  <title>Malleus Maleficarum</title>
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Malleus Maleficarum
</h2>
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<div class="art-PostHeaderIcons art-metadata-icons"><a
 href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/?author=1"
 title="Posts de heinz" rel="author"><br>
</a>
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</div>
<p style="text-align: justify;">Traduz-se
por &ldquo;O Martelo das Feiticeiras&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: rgb(0, 51, 153);"><strong><span
 style="font-size: small;">Breve
Introdu&ccedil;&atilde;o Hist&oacute;rica</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Por:
<strong>Rose Marie Muraro</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img style="width: 351px; height: 285px;"
 class="aligncenter size-full wp-image-13179"
 title="Malleus Maleficarum" src="../img/620.jpg"
 alt="Malleus Maleficarum"></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: rgb(0, 51, 153);"><span
 style="font-size: xx-small;">Escrito em 1484 pelos
inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para
compreendermos a import&acirc;ncia do Malleus &eacute; preciso
ter&shy;mos uma vis&atilde;o ao menos m&iacute;nima da
hist&oacute;ria da mulher no interior da hist&oacute;ria humana
em geral.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo
a maioria dos antrop&oacute;logos, o ser humano habita este planeta
h&aacute; mais de dois milh&otilde;es de anos. Mais de
tr&ecirc;s quartos deste tempo a nossa esp&eacute;cie passou
nas culturas de coleta e ca&ccedil;a aos peque&shy;nos animais.
Nessas sociedades n&atilde;o havia necessidade de for&ccedil;a
f&iacute;sica para a sobreviv&ecirc;ncia, e nelas as mulheres
possu&iacute;am um lugar central.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como os
grupos mahoris (Indon&eacute;sia), pigmeus e bosqu&iacute;manos
(&Aacute;frica Central). Estes s&atilde;o os grupos mais
primitivos que existem e ainda sobrevivem da coleta dos frutos da terra
e da pequena ca&ccedil;a ou pesca. Nesses grupos, a mulher ainda
&eacute; considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e,
portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o
princ&iacute;pio masculino e o feminino governam o mundo juntos.
Havia divis&atilde;o de trabalho entre os sexos, mas n&atilde;o
ha&shy;via desigualdade. A vida corria mansa e
paradis&iacute;aca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas
sociedades de ca&ccedil;a aos grandes animais, que sucedem a essas
mais primitivas, em que a for&ccedil;a f&iacute;sica
&eacute; essencial, &eacute; que se inicia a supremacia
masculina. Mas nem nas sociedades de coleta nem nas de ca&ccedil;a
se conhecia fun&ccedil;&atilde;o masculina na
procria&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m nas sociedades de
ca&ccedil;a a mulher era considerada um ser sagrado, que
possu&iacute;a o privil&eacute;gio dado pelos deuses de
reproduzir a esp&eacute;cie. Os homens se sentiam marginalizados
nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva inveja do
&uacute;tero&rdquo; dos homens &eacute; a antepassada da
moderna &ldquo;inveja do p&ecirc;nis&rdquo; que sentem as
mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.</p>
<p style="text-align: justify;">A
inveja do &uacute;tero dava origem a dois ritos universalmente
encontrados nas sociedades de ca&ccedil;a pelos
antrop&oacute;logos e observados em partes opostas do mundo, como
Brasil e Oceania. O primeiro &eacute; o fen&ocirc;meno da
couvade, em que a mulher come&ccedil;a a trabalhar dois dias depois
de parir e o homem fica de resguardo com o rec&eacute;m-nascido,
recebendo visitas e presentes&hellip; O segundo &eacute; a
inicia&ccedil;&atilde;o dos homens. Na adolesc&ecirc;ncia,
a mulher tem sinais exteriores que marcam o limiar da sua entrada no
mundo adulto. A menstrua&ccedil;&atilde;o a torna apta
&agrave; maternidade e representa um novo patamar em sua vida. Mas
os adolescentes homens n&atilde;o possuem esse sinal t&atilde;o
&oacute;bvio. Por isso, na puberdade eles s&atilde;o arrancados
pelos homens &agrave;s suas m&atilde;es, para serem iniciados
na &ldquo;casa dos homens&rdquo;. Em quase todas essas
inicia&ccedil;&otilde;es, o ritual &eacute; semelhante:
&eacute; a imita&ccedil;&atilde;o cerimonial do parto com
objetos de madeira e instrumentos musicais. E nenhuma mulher ou
crian&ccedil;a pode se aproximar da casa dos homens, sob pena de
morte. Desse dia em diante o homem pode &ldquo;parir&rdquo;
ritualmente e, portanto, tomar seu lugar na cadeia das
gera&ccedil;&otilde;es&hellip;</p>
<p style="text-align: justify;">Ao
contr&aacute;rio da mulher, que possu&iacute;a o
&ldquo;poder biol&oacute;gico&rdquo;, o homem foi
desenvolvendo o &ldquo;poder cultural&rdquo; &agrave;
medida que a tecnologia foi avan&ccedil;ando. Enquanto as
sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma esp&eacute;cie
de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas
primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em
condi&ccedil;&otilde;es hostis, e portanto n&atilde;o havia
coer&ccedil;&atilde;o ou centraliza&ccedil;&atilde;o,
mas rod&iacute;zio de lideran&ccedil;as, e as
rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres eram mais
fluidas do que viriam a ser nas futuras sociedades patriarcais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos
grupos matric&ecirc;ntricos, as formas de
associa&ccedil;&atilde;o entre homens e mulheres n&atilde;o
inclu&iacute;am nem a transmiss&atilde;o do poder nem a da
heran&shy;&ccedil;a, por isso a liberdade em termos sexuais era
maior. Por outro lado, quase n&atilde;o existia guerra, pois
n&atilde;o havia press&atilde;o populacional pela conquista de
novos territ&oacute;rios.</p>
<p style="text-align: justify;">E
s&oacute; nas regi&otilde;es em que a coleta &eacute;
escassa, ou onde v&atilde;o se esgotando os recursos naturais
vegetais e os pequenos animais, que se inicia a ca&ccedil;a
sistem&aacute;tica aos grandes animais. E a&iacute;
come&ccedil;am a se instalar a supremacia masculina e a
competitividade entre os grupos na busca de novos
territ&oacute;rios. Agora, para sobreviver, as sociedades
t&ecirc;m de competir entre si por um alimento escasso. As guerras
se tornam constantes e passam a ser mitificadas. Os homens mais
valorizados s&atilde;o os her&oacute;is guerreiros.
Come&ccedil;a a se romper a harmonia que ligava a
esp&eacute;cie humana &agrave; natureza. Mas ainda
n&atilde;o se instala definitivamente a lei do mais forte. O homem
ainda n&atilde;o conhece com precis&atilde;o a sua
fun&ccedil;&atilde;o reprodutora e cr&ecirc; que a mulher
fica gr&aacute;vida dos deuses. Por isso ela ainda conserva poder
de decis&atilde;o. Nas culturas que vivem da ca&ccedil;a,
j&aacute; existe estratifica&ccedil;&atilde;o social e
sexual, mas n&atilde;o &eacute; completa como nas sociedades
que se lhes seguem.</p>
<p style="text-align: justify;">E
no decorrer do neol&iacute;tico que, em algum momento, o homem
come&ccedil;a a dominar a sua fun&ccedil;&atilde;o
biol&oacute;gica reprodutora, e, podendo control&aacute;-la,
pode tamb&eacute;m controlar a sexualidade feminina. Aparece
ent&atilde;o o casamento como o conhecemos hoje, em que a mulher
&eacute; propriedade do homem e a heran&ccedil;a se transmite
atrav&eacute;s da descend&ecirc;ncia masculina. J&aacute;
acontece assim, por exemplo, nas sociedades pastoris descritas na
B&iacute;blia. Nessa &eacute;poca, o homem j&aacute; tinha
aprendido a fundir metais. Essa descoberta acontece por volta de 10000
ou 8000 a.C. E, &agrave; medida que essa tecnologia se
aperfei&ccedil;oa, come&ccedil;am a ser fabricadas
n&atilde;o s&oacute; armas mais sofisticadas como
tamb&eacute;m instrumentos que permitem cultivar melhor a terra (o
arado, por ex.).</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje
h&aacute; consenso entre os antrop&oacute;logos de que os
primeiros hu&shy;manos a descobrir os ciclos da natureza foram as
mulheres, porque podiam compar&aacute;-los com o ciclo do
pr&oacute;prio corpo. Mulheres tamb&eacute;m devem ter sido as
primeiras plantadoras e as primeiras ceramistas, mas foram os homens
que, a partir da inven&ccedil;&atilde;o do arado,
sistematizaram as atividades agr&iacute;colas, iniciando uma nova
era, a era agr&aacute;ria, e com ela a hist&oacute;ria em que
vivemos hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Para
poder arar a terra, os grupamentos humanos deixam de ser
n&ocirc;mades. S&atilde;o obrigados a se tornar
sedent&aacute;rios. Dividem a terra e for&shy;mam as primeiras
planta&ccedil;&otilde;es. Come&ccedil;am a se estabelecer
as primeiras aldeias, depois as cidades, as cidades-estado, os
primeiros Estados e os imp&eacute;rios, no sentido antigo do termo.
As sociedades, ent&atilde;o, se tor&shy;nam patriarcais, isto
&eacute;, os portadores dos valores e da sua transmiss&atilde;o
s&atilde;o os homens. J&aacute; n&atilde;o s&atilde;o
mais os princ&iacute;pios feminino e masculino que governam juntos
o mundo, mas, sim, a lei do mais forte. A comi&shy;da era primeiro
para o dono da terra, sua fam&iacute;lia, seus escravos e seus
soldados. At&eacute; ser escravo era privil&eacute;gio.
S&oacute; os p&aacute;rias n&ocirc;mades, os sem-terra,
&eacute; que pereciam no primeiro inverno ou na primeira escassez.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse
contexto, quanto mais filhos, mais soldados e mais
m&atilde;o-de-obra barata para arar a terra. As mulheres tinham a
sua sexualidade rigidamente controlada pelos homens. O casamento era
monog&acirc;mico e a mulher era obrigada a sair virgem das
m&atilde;os do pai para as m&atilde;os do marido. Qualquer
ruptura desta norma podia significar a mor&shy;te. Assim
tamb&eacute;m o adult&eacute;rio: um filho de outro homem viria
amea&ccedil;ar a transmiss&atilde;o da heran&ccedil;a que
se fazia atrav&eacute;s da descend&ecirc;ncia da mulher. A
mulher fica, ent&atilde;o, reduzida ao &acirc;mbito
dom&eacute;stico. Perde qualquer capacidade de decis&atilde;o
no dom&iacute;nio p&uacute;blico, que fica
inteira&shy;mente reservado ao homem. A dicotomia entre o privado e
o p&uacute;blico torna-se, ent&atilde;o, a origem da
depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica da mulher, e esta
depend&ecirc;ncia, por sua vez, gera, no decorrer das
gera&ccedil;&otilde;es, uma sub&shy;miss&atilde;o
psicol&oacute;gica que dura at&eacute; hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">E
nesse contexto que transcorre todo o per&iacute;odo
hist&oacute;rico at&eacute; os dias de hoje. De
matric&ecirc;ntrica, a cultura humana passa a patriarcal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E
o Verbo Veio Depois </strong></p>
<p style="text-align: justify;">&ldquo;No
principio era a M&atilde;e, o Verbo veio depois.&rdquo; l~
assim que Marilyn French, uma das maiores pensadoras feministas
americanas, come&ccedil;a o seu livro Beyond Power (Summit Books,
Nova York, 1985). E n&atilde;o &eacute; sem raz&atilde;o,
pois podemos retra&ccedil;ar os caminhos da esp&eacute;cie
atra&shy;v&eacute;s da sucess&atilde;o dos seus mitos. Um
mit&oacute;logo americano, em seu livro The Masks of God:
Occidental Mythology (Nova York, 1970), citado por French, divide em
quatro grupos todos os mitos conhecidos da
cria&ccedil;&atilde;o. E, surpreendentemente, esses grupos
correspondem &agrave;s etapas cronol&oacute;gicas da
hist&oacute;ria humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Na
primeira etapa, o mundo &eacute; criado por uma deusa
m&atilde;e sem au&shy;x&iacute;lio de ningu&eacute;m.
Na segunda, ele &eacute; criado por um deus andr&oacute;gino ou
um casal criador. Na terceira, um deus macho ou toma o poder da deusa
ou cria o mundo sobre o corpo da deusa primordial. Finalmente, na
quarta etapa, um deus macho cria o mundo sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas
quatro etapas que se sucedem tamb&eacute;m cronologicamente
s&atilde;o testemunhas eternas da transi&ccedil;&atilde;o
da etapa matric&ecirc;ntrica da humanidade para sua fase
patriarcal, e &eacute; esta sucess&atilde;o que d&aacute;
veracidade &agrave; frase j&aacute; citada de Marilyn French.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns
exemplos nos far&atilde;o entender as diversas etapas e a frase de
French. O primeiro e mais importante exemplo da primeira etapa em que a
Grande M&atilde;e cria o universo sozinha &eacute; o
pr&oacute;prio mito grego. Nele a criadora prim&aacute;ria
&eacute; G&eacute;ia, a M&atilde;e Terra. Dela nascem todos
as protodeuses: Urano, osTit&atilde;s e as protodeusas, entre as
quais R&eacute;ia, que vir&aacute; a ser a m&atilde;e do
futuro dominador do Olimpo, Zeus. H&aacute; tamb&eacute;m o
caso do mito Nag&ocirc;, que vem dar origem ao
candombl&eacute;. Neste mito africano, &eacute; Nan&atilde;
Buruqu&ecirc; que d&aacute; &agrave; luz todos os
orix&aacute;s, sem aux&iacute;lio de ningu&eacute;m.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos
do segundo caso s&atilde;o o deus andr&oacute;gino que gera
todos os deuses, no hindu&iacute;smo, e o yin e o yang, o principio
feminino e o masculino que governam juntos na mitologia chinesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos
do terceiro caso s&atilde;o as mitologias nas quais reinam em
primeiro lugar deusas mulheres, que s&atilde;o, depois, destronadas
por deuses masculinos. Entre essas mitologias est&aacute; a
sumeriana, em que primitivamente a deusa Siduri reinava num jardim de
del&iacute;cias e cujo poder foi usurpado por um deus solar. Mais
tarde, na epop&eacute;ia de Gilgamesh, ela &eacute; descrita
como simples serva. Ainda, os mitos primitivos dos astecas falam de um
mundo perdido, de um jardim paradis&iacute;aco governado por
Xoxiquetzl, a M&atilde;e Terra. Dela nasceram os Huitzuhuahua, que
s&atilde;o os Tit&acirc;s e os Quatrocentos Habitantes do Sul
(as estrelas). Mais tarde, seus filhos se revoltam contra ela e ela
d&aacute; &agrave; luz o deus que iria governar a todos,
Huitzilopochtli.</p>
<p style="text-align: justify;">A
partir do segundo mil&ecirc;nio a.C., contudo, raramente se
registram mitos em que a divindade prim&aacute;ria seja mulher. Em
muitos deles, estas s&atilde;o substitu&iacute;das por um deus
macho que cria o mundo a partir de si mesmo, tais como os mitos persa,
meda e, principalmente e acima de todos, o nosso mito
crist&atilde;o, que &eacute; o que ser&aacute; enfocado
aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Jav&eacute;
&eacute; deus &uacute;nico todo-poderoso, onipresente, e
controla todos os seres humanos em todos os momentos da sua vida. Cria
sozinho o mundo em sete dias e, no final, cria o homem. E s&oacute;
depois cria a mulher, assim mesmo a partir do homem. E coloca ambos no
Jardim das Del&iacute;cias onde o alimento &eacute; abundante e
colhido sem trabalho. Mas, gra&ccedil;as &agrave;
sedu&ccedil;&atilde;o da mulher, o homem cede &agrave;
tenta&ccedil;&atilde;o da serpente e o casal &eacute;
expulso do para&iacute;so.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes
de prosseguir, procuremos analisar o que j&aacute; se tem
at&eacute; aqui em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;
mulher. Em primeiro lugar, ao contr&aacute;rio das culturas
primitivas, Jav&eacute; &eacute; deus &uacute;nico,
centralizador, dita r&iacute;gidas regras de comportamento cuja
transgress&atilde;o &eacute; sempre punida. Nas primitivas
mitologias, ao contr&aacute;rio, a Grande M&atilde;e
&eacute; permissiva, amorosa e n&atilde;o&shy; coercitiva.
E como todos os mitos fundantes das grandes culturas tendem a
sacralizar os seus principais valores, Jav&eacute; representa bem a
trans&shy;forma&ccedil;&atilde;o do matricentrismo em
patriarcado.</p>
<p style="text-align: justify;">O
Jardim das Del&iacute;cias &eacute; a lembran&ccedil;a
arquet&iacute;pica da antiga harmonia entre o ser humano e a
natureza. Nas culturas de coleta n&atilde;o se trabalhava
sistematicamente. Por isso os controles eram frouxos e podia se viver
mais prazerosamente. Quando o homem come&ccedil;a a dominar a
natureza, ele come&ccedil;a a se separar dessa mesma natureza em
que at&eacute; ent&atilde;o vivia imerso.</p>
<p style="text-align: justify;">Como
o trabalho &eacute; penoso, necessita agora de poder central que
imponha controles mais r&iacute;gidos e
puni&ccedil;&atilde;o para a transgress&atilde;o.
&Eacute; preciso usar a coer&ccedil;&atilde;o e a
viol&ecirc;ncia para que os homens sejam obrigados a trabalhar, e
essa coer&ccedil;&atilde;o &eacute; localizada no corpo, na
repress&atilde;o da sexualidade e do prazer. Por isso o pecado
original, a culpa m&aacute;xima, na B&iacute;blia, &eacute;
colocado no ato sexual (&eacute; assim que, desde
mil&ecirc;nios, popular&shy;mente se interpreta a
transgress&atilde;o dos primeiros humanos).</p>
<p style="text-align: justify;">E
por isso que a &aacute;rvore do conhecimento &eacute;
tamb&eacute;m a &aacute;rvore do bem e do mal. O progresso do
conhecimento gera o trabalho e por isso o corpo tem de ser
amaldi&ccedil;oado, porque o trabalho &eacute; bom. Mas
&eacute; interessante notar que o homem s&oacute; consegue
conhecimento do bem e do mal transgredindo a lei do Pai. O sexo (o
prazer) doravante &eacute; mau e, portanto, proibido.
Pratic&aacute;-lo &eacute; transgredir a lei. Ele &eacute;,
portanto, limitado apenas &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es
procriativas, e mesmo assim &eacute; uma culpa.</p>
<p style="text-align: justify;">Da&iacute;
a divis&atilde;o entre sexo e afeto, entre corpo e alma,
apan&aacute;gio das civiliza&ccedil;&otilde;es
agr&aacute;rias e fonte de todas as divis&otilde;es e
fragmenta&ccedil;&otilde;es do homem e da mulher, da
raz&atilde;o e da emo&ccedil;&atilde;o, das
classes&hellip;</p>
<p style="text-align: justify;">Tomam
ai sentido as puni&ccedil;&otilde;es de Jav&eacute;. Uma
vez adquirido o conhecimento, o homem tem que sofrer, O trabalho o
escraviza. E por isso o homem escraviza a mulher. A
rela&ccedil;&atilde;o homem-mulher-natureza n&atilde;o
&eacute; mais de integra&ccedil;&atilde;o e, sim, de
domina&ccedil;&atilde;o. O desejo dominante agora &eacute;
o do homem. O desejo da mulher ser&aacute; para sempre
car&ecirc;ncia, e &eacute; esta paix&atilde;o que
ser&aacute; o seu castigo. Da&iacute; em diante, ela
ser&aacute; definida por sua sexualidade, e o homem, pelo seu
trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas
o interessante &eacute; que os primeiros cap&iacute;tulos do
G&ecirc;nesis podem ser mais bem entendidos &agrave; luz das
modernas teorias psicol&oacute;gicas, especialmente a
psican&aacute;lise. Em cada menino nascido no sistema patriarcal
repete-se, em n&iacute;vel simb&oacute;lico, a
trag&eacute;dia primordial. Nos primeiros tempos de sua vida, eles
est&atilde;o imersos no Jardim das Del&iacute;cias, em que
to&shy;dos os seus desejos s&atilde;o satisfeitos. E isto lhes
faz buscar o prazer que lhes d&aacute; o contato com a
m&atilde;e, a &uacute;nica mulher a que t&ecirc;m acesso.
Mas a lei do pai pro&iacute;be ao menino a posse da m&atilde;e.
E o menino &eacute; expulso do mundo do amor, para assumir a sua
autonomia e, com ela, a sua maturidade. Principalmente, a sua nudez, a
sua fraqueza, os seus limites. E &agrave; medida que o homem se
cinde do Jardim das Del&iacute;cias proporcionadas pela
mulher-m&atilde;e que ele assume a sua
condi&ccedil;&atilde;o masculina.</p>
<p style="text-align: justify;">E
para que possa se tornar homem em termos simb&oacute;licos, ele
precisa passar pela puni&ccedil;&atilde;o maior que
&eacute; a amea&ccedil;a de morte pelo pai. Co&shy;mo
Ad&atilde;o, o menino quer matar o pai e este o pune, deixando-o
s&oacute;.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
aquilo que se verifica no decorrer dos s&eacute;culos, isto
&eacute;, a transi&ccedil;&atilde;o das culturas de coleta
para a civiliza&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria mais
avan&ccedil;ada, &eacute; relembrado simbolicamente na vida de
cada um dos homens do mundo de hoje. Mas duas
observa&ccedil;&otilde;es devem ser feitas. A primeira
&eacute; que o piv&ocirc; das duas trag&eacute;dias, a
individual e a coletiva, &eacute; a mulher; e a segunda, que o
conhecimento condenado n&atilde;o &eacute; o conhecimento
dissociado e abstrato que da&iacute; por diante ser&aacute; o
conhecimento dominante, mas sim o conhecimento do bem e do mal, que vem
da experi&ecirc;ncia concreta do prazer e da sexualidade, o
conhecimento totalizante que integra intelig&ecirc;ncia e
emo&ccedil;&atilde;o, corpo e alma, enfim, aquele conhecimento
que &eacute;, especificamente na cultura patriarcal, o conhecimento
feminino por excel&ecirc;ncia.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud
dizia que a natureza tinha sido madrasta para a mulher por&shy;que
ela n&atilde;o era capaz de simbolizar t&atilde;o perfeitamente
como o homem. De fato, para podermos entender a misoginia que
da&iacute; por diante caracterizar&aacute; a cultura
patriarcal, &eacute; preciso analisar a maneira como as
ci&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas mais atuais apontam para uma
estrutura ps&iacute;quica feminina bem diferente da masculina.</p>
<p style="text-align: justify;">A
mesma idade em que o menino conhece a trag&eacute;dia da
castra&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria, a menina resolve
de outra maneira o conflito que a conduzir&aacute; &aacute;
maturidade. Porque j&aacute; vem castrada, isto &eacute;,
porque n&atilde;o tem p&ecirc;nis (o s&iacute;mbolo do
poder e do prazer, no patriarcado), quando seu desejo a leva para o pai
ela n&atilde;o entra em conflito com a m&atilde;e de maneira
t&atilde;o tr&aacute;gica e aguda como o menino entra com o pai
por causa da m&atilde;e. Porque j&aacute; vem castrada,
n&atilde;o tem nada a perder. E a sua
identifica&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e se resolve sem
grandes traumas. Ela n&atilde;o se desliga inteira&shy;mente
das fontes arcaicas do prazer (o corpo da m&atilde;e). Por isso,
tamb&eacute;m, n&atilde;o se divide de si mesma como se divide
o homem, nem de suas emo&ccedil;&otilde;es. Para o resto da sua
vida, conhecimento e prazer, emo&ccedil;&atilde;o e
intelig&ecirc;ncia s&atilde;o mais integrados na mulher do que
no homem e, por isso, s&atilde;o perigosos e desestabilizadores de
um sistema que repousa inteiramente no controle, no poder e, portanto,
no conhecimento dissociado da emo&ccedil;&atilde;o e, por isso
mesmo, abstrato.</p>
<p style="text-align: justify;">De
agora em diante, poder, competitividade, conhecimento, controle,
manipula&ccedil;&atilde;o, abstra&ccedil;&atilde;o e
viol&ecirc;ncia vem juntos. O amor, a
integra&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente e com as
pr&oacute;prias emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os
elementos mais desestabilizadores da ordem vigente. Por isso
&eacute; preciso precaver-se de todas as maneiras contra a mulher,
impedi-la de inter&shy;ferir nos processos decis&oacute;rios,
fazer com que ela introjete uma ideologia que a conven&ccedil;a de
sua pr&oacute;pria inferioridade em rela&ccedil;&atilde;o
ao homem.</p>
<p style="text-align: justify;">E
n&atilde;o espanta que na pr&oacute;pria B&iacute;blia
encontremos o primeiro ind&iacute;cio desta desigualdade entre
homens e mulheres. Quando Deus cria o homem, Ele o cria s&oacute; e
apenas depois tira a companheira da costela deste. Em outras palavras:
o primeiro homem d&aacute; &agrave; luz (pare) a
primei&shy;ra mulher. Esse fen&ocirc;meno
psicol&oacute;gico de deslocamento &eacute; um mecanismo de
defesa conhecido por todos aqueles que lidam com a psique humana e
serve para revelar escondendo. Tirar da costela &eacute; menos
violento do que tirar do pr&oacute;prio ventre, mas, em outras
palavras, aponta para a mesma dire&ccedil;&atilde;o. Agora,
parir &eacute; ato que n&atilde;o est&aacute; mais ligado
ao sagrado e &eacute;, antes, uma vulnerabilidade do que uma
for&ccedil;a. A mulher se inferioriza pelo pr&oacute;prio fato
de parir, que outrora lhe assegurava a grandeza. A grandeza agora
pertence ao homem, que trabalha e do&shy;mina a natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">J&aacute;
n&atilde;o &eacute; mais o homem que inveja a mulher. Agora
&eacute; a mulher que inveja o homem e &eacute; dependente
dele. Carente, vulner&aacute;vel, seu desejo &eacute; o centro
da sua puni&ccedil;&atilde;o. Ela passa a se ver com os olhos
do homem, isto &eacute;, sua identidade n&atilde;o
est&aacute; mais nela mesma e sim em outro. O homem &eacute;
aut&ocirc;nomo e a mulher &eacute; reflexa. Daqui em diante,
como o pobre se v&ecirc; com os olhos do rico, a mulher se
v&ecirc; pelo homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Da
&eacute;poca em que foi escrito o G&ecirc;nesis at&eacute;
os nossos dias, isto &eacute;, de alguns mil&ecirc;nios para
c&aacute;, essa narrativa b&aacute;sica da nossa cultura
patriarcal tem servido ininterruptamente para manter a mulher em seu
devido lugar. E, ali&aacute;s, com muita efici&ecirc;ncia. A
partir desse texto, a mulher &eacute; vista como a tentadora do
homem, aquela que perturba a sua rela&ccedil;&atilde;o com a
transcend&ecirc;ncia e tamb&eacute;m aquela que conflitua as
rela&ccedil;&otilde;es entre os homens. Ela &eacute; ligada
&agrave; natureza, &agrave; carne, ao sexo e ao prazer,
dom&iacute;nios que t&ecirc;m de ser rigorosamente
normatizados: a serpente, que nas eras matric&ecirc;ntricas era o
s&iacute;mbolo da fertilidade e tida na mais alta estima como
s&iacute;mbolo m&aacute;ximo da sabedoria, se transforma no
dem&ocirc;nio, no tentador, na fonte de todo pecado. E ao
dem&ocirc;nio &eacute; alocado o pecado por
excel&ecirc;ncia, o pecado da carne. Coloca-se no sexo o pecado
supremo e, assim, o poder fica imune &agrave; cr&iacute;tica.
Apenas nos tempos modernos est&aacute; se tentando deslocar o
pecado da sexualidade para o poder. Isto &eacute;, at&eacute;
hoje n&atilde;o s&oacute; o homem como as classes dominantes
tiveram seu status sacralizado porque a mulher e a sexualidade foram
penalizadas como causa m&aacute;xima da
de&shy;grada&ccedil;&atilde;o humana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
Malleus como Continua&ccedil;&atilde;o do G&ecirc;nesis</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
</p>
<p style="text-align: justify;">
<span class="shutterset_singlepic623"><img
 style="width: 176px; height: 216px; float: right;"
 class="ngg-singlepic ngg-right" src="../img/623.jpg"
 alt="Institui&ccedil;&otilde;es Hist&oacute;ricas" title="Institui&ccedil;&otilde;es Hist&oacute;ricas"></span>
Enquanto se escrevia o G&ecirc;nesis no Oriente M&eacute;dio,
as grandes culturas patriarcais iam se sucedendo. Na Gr&eacute;cia,
o status da mulher foi extremamente degradado. O homossexualismo era
pr&aacute;tica comum entre os homens e as mulheres ficavam
exclusivamente reduzidas &agrave;s suas
fun&ccedil;&otilde;es de m&atilde;e, prostituta ou
cortes&atilde;. Em Roma, embora durante certo per&iacute;odo
tivessem bastante liberdade sexual, jamais chegaram a ter
po&shy;der de decis&atilde;o no Imp&eacute;rio. Quando o
Cristianismo se torna a religi&atilde;o oficial dos romanos no
s&eacute;culo IV, tem in&iacute;cio a Idade M&eacute;dia.
Algo novo acontece. E aqui nos deteremos porque &eacute; o
per&iacute;odo que mais nos interessa.</p>
<p style="text-align: justify;">Do
terceiro ao d&eacute;cimo s&eacute;culos, alonga-se um
per&iacute;odo em que o Cristianismo se sedimenta entre as tribos
b&aacute;rbaras da Europa. Nesse per&iacute;odo de conflito de
valores, &eacute; muito confusa a situa&ccedil;&atilde;o da
mulher. Contudo, ela tende a ocupar lugar de destaque no mundo das
decis&otilde;es, porque os homens se ausentavam muito e morriam nos
per&iacute;odos de guerra. Em poucas palavras: as mulheres eram
jogadas para o dom&iacute;nio p&uacute;blico quando havia
escassez de homens e voltavam para o dom&iacute;nio privado quando
os homens reassumiam o seu lugar na cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">Na
alta Idade M&eacute;dia, a condi&ccedil;&atilde;o das
mulheres floresce. Elas t&ecirc;m acesso &agrave;s artes,
&agrave;s ci&ecirc;ncias, &agrave; literatura. Uma monja,
por exemplo, Hrosvitha de Gandersheim, foi o &uacute;nico poeta da
Europa durante cinco s&eacute;culos. Isso acontece durante as
cruzadas, per&iacute;odo em que n&atilde;o s&oacute; a
Igreja alcan&ccedil;a seu maior poder temporal como,
tamb&eacute;m, o mundo se prepara para as grandes
transforma&ccedil;&otilde;es que viriam s&eacute;culos mais
tarde, com a Renascen&ccedil;a.</p>
<p style="text-align: justify;">E
&eacute; logo depois dessa &eacute;poca, no per&iacute;odo
que vai do fim do s&eacute;culo XIV at&eacute; meados do
s&eacute;culo XV III que aconteceu o fen&ocirc;meno
generalizado em toda a Europa: a repress&atilde;o
sistem&aacute;tica do feminino. Estamos nos referindo aos quatro
s&eacute;culos de &ldquo;ca&ccedil;a &agrave;s
bruxas&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<a
 href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/wp-content/gallery/historia/621.JPG"
 title="" class="shutterset_singlepic621"> </a><a
 href="../paginas/hfar-malleus_maleficarum-imagem-1.html"><img
 style="border: 0px solid ; width: 301px; height: 240px; float: left;"
 class="ngg-singlepic ngg-left" src="../img/621__320x240_621.JPG"
 alt="Clique para ampliar" title="Clique para ampliar"></a>Deirdre
English e Barbara Ehrenreich, em seu livro Witches, Nurses and Midwives
(The Feminist Press, 1973), nos d&atilde;o estat&iacute;sticas
aterradoras do que foi a queima de mulheres feiticeiras em fogueiras
durante esses quatro s&eacute;culos. &ldquo;A
extens&atilde;o da ca&ccedil;a &agrave;s bruxas
&eacute; espantosa. No fim do s&eacute;culo XV e no
come&ccedil;o do s&eacute;culo XVI, houve milhares e milhares
de execu&ccedil;&otilde;es &ndash; usualmente eram
queimadas vivas na fogueira &ndash; na Alemanha, na
It&aacute;lia e em outros pa&iacute;ses. A partir de meados do
s&eacute;culo XVI, o terror se espalhou por toda a Europa,
come&ccedil;ando pela Fran&ccedil;a e pela Inglaterra. Um
escritor estimou o n&uacute;mero de execu&ccedil;&otilde;es
em seiscentas por ano para certas cidades, uma m&eacute;dia de duas
por dia, &lsquo;exceto aos domingos&rsquo;. Novecentas bruxas
foram executadas num &uacute;nico ano na &aacute;rea de
Wertzberg, e cerca de mil na diocese de Como. Em Toulouse, quatrocentas
foram assassinadas num &uacute;nico dia; no arcebispado de Trier,
em 1585, duas aldeias foram deixadas apenas com duas mulheres moradoras
cada uma. Muitos escritores estimaram que o n&uacute;mero total de
mulheres executadas subia &agrave; casa dos milh&otilde;es, e
as mulheres constitu&iacute;am 85~Vo de todos os bruxos e bruxas
que foram executados.&rdquo;</p>
<p style="text-align: justify;">Outros
c&aacute;lculos levantados por Marilyn French, em seu j&aacute;
citado livro, mostram que o n&uacute;mero m&iacute;nimo de
mulheres queimadas vivas &eacute; de cem mil.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde
a mais remota antiguidade, as mulheres eram as curadoras populares, as
parteiras, enfim, detinham saber pr&oacute;prio, que lhes era
transmitido de gera&ccedil;&atilde;o em
gera&ccedil;&atilde;o. Em muitas tribos primitivas eram elas as
xam&atilde;s. Na Idade M&eacute;dia, seu saber se intensifica e
aprofunda. As mulheres camponesas pobres n&atilde;o tinham como
cuidar da sa&uacute;de, a n&atilde;o ser com outras mulheres
t&atilde;o camponesas e t&atilde;o pobres quanto elas. Elas (as
curadoras) eram as cultivadoras ancestrais das ervas que devolviam a
sa&uacute;de, e eram tamb&eacute;m as melhores anatomistas do
seu tempo. Eram as parteiras que viajavam de casa em casa, de aldeia em
aldeia, e as m&eacute;dicas populares para todas as
doen&ccedil;as.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais
tarde elas vieram a representar uma amea&ccedil;a. Em primeiro
lugar, ao poder m&eacute;dico, que vinha tomando corpo
atrav&eacute;s das universidades no interior do sistema feudal. Em
segundo, porque formavam organiza&ccedil;&otilde;es pontuais
(comunidades) que, ao se juntarem, formavam vastas confrarias, as quais
trocavam entre si os segredos da cura do corpo e muitas vezes da alma.
Mais tarde, ainda, essas mulheres vieram a participar das revoltas
camponesas que precederam a centraliza&ccedil;&atilde;o dos
feudos, os quais, posteriormente, dariam origem &agrave;s futuras
na&ccedil;&otilde;es.</p>
<p style="text-align: justify;">O
poder disperso e frouxo do sistema feudal para sobreviver &eacute;
obrigado, a partir do fim do s&eacute;culo XIII, a centralizar, a
hierarquizar e a se organizar com m&eacute;todos
pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos mais modernos. A
no&ccedil;&atilde;o de p&aacute;tria aparece, mesmo nessa
&eacute;poca (Klausevitz).</p>
<p style="text-align: justify;">A
religi&atilde;o cat&oacute;lica e, mais tarde, a protestante
contribuem de maneira decisiva para essa
centraliza&ccedil;&atilde;o do poder. E o fizeram
atrav&eacute;s dos tribunais da Inquisi&ccedil;&atilde;o
que varreram a Europa de norte a sul, leste e oeste, torturando e
assassinando em massa aqueles que eram julga&shy;dos
her&eacute;ticos ou bruxos.</p>
<p style="text-align: justify;">Este
&ldquo;expurgo&rdquo; visava recolocar dentro de regras de
comporta&shy;mento dominante as massas camponesas submetidas muitas
vezes aos mais ferozes excessos dos seus senhores, expostas
&agrave; fome, &agrave; peste e &agrave; guerra e que se
rebelavam. E principalmente as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Era
essencial para o sistema capitalista que estava sendo forjado no seio
mesmo do feudalismo um controle estrito sobre o corpo e a sexualidade,
conforme constata a obra de Michel Foucault, Hist&oacute;ria da
Sexualidade. Come&ccedil;a a se construir ali o corpo
d&oacute;cil do futuro trabalhador que vai ser alienado do seu
trabalho e n&atilde;o se rebelar&aacute;. A partir do
s&eacute;culo XVII, os controles atingem profundidade e
obsessividade tais que 05 menores, os m&iacute;nimos detalhes e
gestos s&atilde;o normatizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos,
homens e mulheres, passam a ser, ent&atilde;o, os
pr&oacute;prios controladores de si mesmos a partir do mais
&iacute;ntimo de suas mentes. E assim que se instala o puritanismo,
do qual se origina, segundo Tawnwy e Max Weber, o capitalismo
avan&ccedil;ado anglo-sax&atilde;o. Mas at&eacute; chegar a
esse ponto foi preciso usar de muita viol&ecirc;ncia.
At&eacute; meados da Idade M&eacute;dia, as regras morais do
Cristianismo ainda n&atilde;o tinham penetrado a fundo nas massas
populares. Ainda existiam muitos n&uacute;cleos de
&ldquo;pa&shy;ganismo&rdquo; e, mesmo entre os
crist&atilde;os, os controles eram frouxos.</p>
<p style="text-align: justify;">As
regras convencionais s&oacute; eram v&aacute;lidas para as
mulheres e homens das classes dominantes atrav&eacute;s dos quais
se transmitiam o poder e a heran&ccedil;a. Assim, os quatro
s&eacute;culos de persegui&ccedil;&atilde;o &agrave;s
bruxas e aos her&eacute;ticos nada tinham de histeria coletiva,
mas, ao contr&aacute;rio, foram uma
persegui&ccedil;&atilde;o muito bem calculada e planejada pelas
classes domi&shy;nantes, para chegar a maior
centraliza&ccedil;&atilde;o e poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Num
mundo teocr&aacute;tico, a transgress&atilde;o da f&eacute;
era tamb&eacute;m transgress&atilde;o pol&iacute;tica. Mais
ainda, a transgress&atilde;o sexual que grassava solta entre as
massas populares. Assim, os inquisidores tiveram a sabedoria de ligar a
transgress&atilde;o sexual &agrave; transgress&atilde;o da
f&eacute;. E punir as mulheres por tudo isso. As grandes teses que
permitiram esse expurgo do femi&shy;nino e que s&atilde;o as
teses centrais do Malleus Maleficarum s&atilde;o as seguintes:</p>
<p style="text-align: justify;">
<a
 href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/wp-content/gallery/historia/622.jpg"
 title="" class="shutterset_singlepic622"> </a><a
 href="../paginas/hfar-malleus_maleficarum-imagem-2.html"><img
 style="border: 0px solid ; width: 239px; height: 240px; float: right;"
 class="ngg-singlepic ngg-right" src="../img/622__320x240_622.jpg"
 alt="Clique para ampliar" title="Clique para ampliar"></a>1)
O dem&ocirc;nio, com a permiss&atilde;o de Deus, procura fazer
o m&aacute;ximo de mal aos homens a fim de apropriar-se do maior
n&uacute;mero poss&iacute;vel de almas.</p>
<p style="text-align: justify;">2)
E este mal &eacute; feito prioritariamente atrav&eacute;s do
corpo, &uacute;nico &ldquo;lugar&rdquo; onde o
dem&ocirc;nio pode entrar, pois &ldquo;o esp&iacute;rito
[do homem] &eacute; governa&shy;do por Deus, a vontade por um
anjo e o corpo pelas estrelas&rdquo; (Parte 1, Quest&atilde;o
1). E porque as estrelas s&atilde;o inferiores aos
esp&iacute;ritos e o dem&ocirc;nio &eacute; um
esp&iacute;rito superior, s&oacute; lhe resta o corpo para
dominar.</p>
<p style="text-align: justify;">3)
E este dom&iacute;nio lhe vem atrav&eacute;s do controle e da
manipula&ccedil;&atilde;o dos atos sexuais. Pela sexualidade o
dem&ocirc;nio pode apropriar-se do corpo e da alma dos homens. Foi
pela sexualidade que o primeiro homem pecou e, portanto, a sexualidade
&eacute; o ponto mais vulner&aacute;vel de todos os homens.</p>
<p style="text-align: justify;">4)
E como as mulheres est&atilde;o essencialmente ligadas &agrave;
sexualidade, elas se tornam as agentes por excel&ecirc;ncia do
dem&ocirc;nio (as feiticeiras). E as mulheres t&ecirc;m mais
coniv&ecirc;ncia com o dem&ocirc;nio &ldquo;porque Eva
nasceu de uma costela torta de Ad&atilde;o, portanto nenhuma mulher
pode ser reta&rdquo; (1,6).</p>
<p style="text-align: justify;">5)
A primeira e maior caracter&iacute;stica, aquela que d&aacute;
todo o poder &agrave;s feiticeiras, &eacute; copular com o
dem&ocirc;nio. Sat&atilde; &eacute;, portanto, o senhor do
prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">6)
Uma vez obtida a intimidade com o dem&ocirc;nio, as feiticeiras
s&atilde;o capazes de desencadear todos os males, especialmente a
impot&ecirc;ncia masculina, a impossibilidade de livrar-se de
paix&otilde;es desordenadas, abortos, oferendas de
crian&ccedil;as a Satan&aacute;s, estrago das colheitas,
doen&ccedil;as nos animais etc.</p>
<p style="text-align: justify;">7)
E esses pecados eram mais hediondos ao que os pr&oacute;prios
pecados de L&uacute;cifer quando da rebeli&atilde;o dos anjos e
dos primeiros pais por ocasi&atilde;o da queda, porque agora as
bruxas pecam contra Deus e o Redentor (Cristo), e portanto este crime
&eacute; imperdo&aacute;vel e por isso s&oacute; pode ser
resgatado com a tortura e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Vemos
assim que na mesma &eacute;poca em que o mundo est&aacute;
entrando na Renascen&ccedil;a, que vir&aacute; a dar na Idade
das Luzes, processa-se a mais delirante
persegui&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres e ao prazer.
Tudo aquilo que j&aacute; es&shy;tava em embri&atilde;o no
Segundo Cap&iacute;tulo do G&ecirc;nesis torna-se agora
sinistramente concreto. Se nas culturas de coleta as mulheres eram
quase sagradas por poderem ser f&eacute;rteis e, portanto, eram as
grandes estimuladoras da fecundidade da natureza, agora elas
s&atilde;o, por sua capacidade org&aacute;stica, as causadoras
de todos os flagelos a essa mesma natureza. Sim, porque as feiticeiras
se encontram apenas entre as mulheres org&aacute;sticas e
ambiciosas (1, 6), isto &eacute;, aquelas que n&atilde;o tinham
a sexualidade ainda normatizada e procuravam impor-se no
dom&iacute;nio p&uacute;blico, exclusivo dos homens.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
o Malleus Maleficarum, por ser a continua&ccedil;&atilde;o
popular do Segundo Cap&iacute;tulo do G&ecirc;nesis, torna-se a
testemunha mais importante da estrutura do patriarcado e de como esta
estrutura funciona concretamente sobre a repress&atilde;o da mulher
e do prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">De
doadora da vida, s&iacute;mbolo da fertilidade para as colheitas e
os animais, agora a situa&ccedil;&atilde;o se inverte: a mulher
&eacute; a primeira e a maior pecadora, a origem de todas as
a&ccedil;&otilde;es nocivas ao homem, &agrave; natureza e
aos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante
tr&ecirc;s s&eacute;culos o Malleus foi a b&iacute;blia dos
Inquisidores e esteve na banca de todos os julgamentos. Quando cessou a
ca&ccedil;a &agrave;s bruxas, no s&eacute;culo XVIII, houve
grande transforma&ccedil;&atilde;o na
condi&ccedil;&atilde;o feminina. A sexualidade se normatiza e
as mulheres se tornam fr&iacute;gidas, pois orgasmo era coisa do
diabo e, portanto, pass&iacute;vel de
puni&ccedil;&atilde;o. Reduzem se exclusivamente ao
&acirc;mbito dom&eacute;stico, pois sua
ambi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m era pass&iacute;vel
de castigo. O saber feminino popular cai na clandestinidade, quando
n&atilde;o &eacute; assimilado como pr&oacute;prio pelo
poder m&eacute;dico masculino j&aacute; solidificado. As
mulheres n&atilde;o t&ecirc;m mais acesso ao estudo como na
Idade M&eacute;dia e passam a transmitir voluntariamente a seus
filhos valores patriarcais j&aacute; ent&atilde;o totalmente
introjetados por elas.</p>
<p style="text-align: justify;">&Eacute;
com a ca&ccedil;a &agrave;s bruxas que se normatiza o
comportamento de homens e mulheres europeus, tanto na &aacute;rea
p&uacute;blica como no dom&iacute;nio do privado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E
assim se passam os s&eacute;culos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A
sociedade de classes que j&aacute; est&aacute;
constru&iacute;da nos fins do s&eacute;culo XVIII &eacute;
composta de trabalhadores d&oacute;ceis que n&atilde;o
questionam o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As
Bruxas do S&eacute;culo XX </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora,
mais de dois s&eacute;culos ap&oacute;s o t&eacute;rmino da
ca&ccedil;a &agrave;s bruxas, &eacute; que podemos ter uma
no&ccedil;&atilde;o das suas dimens&otilde;es. Neste final
de s&eacute;culo e de mil&ecirc;nio, o que se nos apresenta
como avalia&ccedil;&atilde;o da sociedade industrial? Dois
ter&ccedil;os da humanidade passam fome para o ter&ccedil;o
restante superalimentar-se; al&eacute;m disto h&aacute; a
possibilidade concreta da destrui&ccedil;&atilde;o
instant&acirc;nea do planeta pelo arsenal nuclear j&aacute;
colocado e, principalmente, a destrui&ccedil;&atilde;o lenta
mas cont&iacute;nua do meio ambiente, j&aacute; chegando ao
ponto do n&atilde;o-retorno. A acelera&ccedil;&atilde;o
tecnol&oacute;gica mostra-se, portanto, muito mais louca dos
inquisidores.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda
neste fim de s&eacute;culo outro fen&ocirc;meno est&aacute;
acontecendo: na mesma jovem rompem-se dois tabus que causaram a morte
das feiticeiras: a inser&ccedil;&atilde;o no mundo
p&uacute;blico e a procura do prazer sem repress&atilde;o. A
mulher jovem hoje liberta-se porque o controle da sexualidade e a
reclus&atilde;o ao dom&iacute;nio privado formam
tamb&eacute;m os dois pilares da opress&atilde;o feminina.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
hoje as bruxas s&atilde;o legi&atilde;o no s&eacute;culo
XX. E s&atilde;o bruxas que n&atilde;o podem ser queimadas
vivas, pois s&atilde;o elas que est&atilde;o trazendo pela
primeira vez na hist&oacute;ria do patriarcado, para o mundo
masculino, os valores femininos. Esta reinser&ccedil;&atilde;o
do feminino na hist&oacute;ria, resgatando o prazer, a
solidariedade, a n&atilde;o-competi&ccedil;&atilde;o, a
uni&atilde;o com a natureza, talvez seja a &uacute;nica chance
que a nossa esp&eacute;cie tenha de continuar viva.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio
que com isso as nossas bruxinhas da Idade M&eacute;dia podem se
considerar vingadas!</p>
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