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<title>Malleus Maleficarum</title>
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</b></font></center>
<br>
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Malleus Maleficarum
</h2>
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<div class="art-PostHeaderIcons art-metadata-icons"><a
href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/?author=1"
title="Posts de heinz" rel="author"><br>
</a>
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</div>
<p style="text-align: justify;">Traduz-se
por “O Martelo das Feiticeiras”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: rgb(0, 51, 153);"><strong><span
style="font-size: small;">Breve
Introdução Histórica</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Por:
<strong>Rose Marie Muraro</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img style="width: 351px; height: 285px;"
class="aligncenter size-full wp-image-13179"
title="Malleus Maleficarum" src="../img/620.jpg"
alt="Malleus Maleficarum"></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: rgb(0, 51, 153);"><span
style="font-size: xx-small;">Escrito em 1484 pelos
inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para
compreendermos a importância do Malleus é preciso
ter­mos uma visão ao menos mínima da
história da mulher no interior da história humana
em geral.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo
a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta
há mais de dois milhões de anos. Mais de
três quartos deste tempo a nossa espécie passou
nas culturas de coleta e caça aos peque­nos animais.
Nessas sociedades não havia necessidade de força
física para a sobrevivência, e nelas as mulheres
possuíam um lugar central.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
nosso tempo ainda existem remanescentes dessas culturas, tais como os
grupos mahoris (Indonésia), pigmeus e bosquímanos
(África Central). Estes são os grupos mais
primitivos que existem e ainda sobrevivem da coleta dos frutos da terra
e da pequena caça ou pesca. Nesses grupos, a mulher ainda
é considerada um ser sagrado, porque pode dar a vida e,
portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o
princípio masculino e o feminino governam o mundo juntos.
Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não
ha­via desigualdade. A vida corria mansa e
paradisíaca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas
sociedades de caça aos grandes animais, que sucedem a essas
mais primitivas, em que a força física
é essencial, é que se inicia a supremacia
masculina. Mas nem nas sociedades de coleta nem nas de caça
se conhecia função masculina na
procriação. Também nas sociedades de
caça a mulher era considerada um ser sagrado, que
possuía o privilégio dado pelos deuses de
reproduzir a espécie. Os homens se sentiam marginalizados
nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva inveja do
útero” dos homens é a antepassada da
moderna “inveja do pênis” que sentem as
mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.</p>
<p style="text-align: justify;">A
inveja do útero dava origem a dois ritos universalmente
encontrados nas sociedades de caça pelos
antropólogos e observados em partes opostas do mundo, como
Brasil e Oceania. O primeiro é o fenômeno da
couvade, em que a mulher começa a trabalhar dois dias depois
de parir e o homem fica de resguardo com o recém-nascido,
recebendo visitas e presentes… O segundo é a
iniciação dos homens. Na adolescência,
a mulher tem sinais exteriores que marcam o limiar da sua entrada no
mundo adulto. A menstruação a torna apta
à maternidade e representa um novo patamar em sua vida. Mas
os adolescentes homens não possuem esse sinal tão
óbvio. Por isso, na puberdade eles são arrancados
pelos homens às suas mães, para serem iniciados
na “casa dos homens”. Em quase todas essas
iniciações, o ritual é semelhante:
é a imitação cerimonial do parto com
objetos de madeira e instrumentos musicais. E nenhuma mulher ou
criança pode se aproximar da casa dos homens, sob pena de
morte. Desse dia em diante o homem pode “parir”
ritualmente e, portanto, tomar seu lugar na cadeia das
gerações…</p>
<p style="text-align: justify;">Ao
contrário da mulher, que possuía o
“poder biológico”, o homem foi
desenvolvendo o “poder cultural” à
medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as
sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma espécie
de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas
primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em
condições hostis, e portanto não havia
coerção ou centralização,
mas rodízio de lideranças, e as
relações entre homens e mulheres eram mais
fluidas do que viriam a ser nas futuras sociedades patriarcais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos
grupos matricêntricos, as formas de
associação entre homens e mulheres não
incluíam nem a transmissão do poder nem a da
heran­ça, por isso a liberdade em termos sexuais era
maior. Por outro lado, quase não existia guerra, pois
não havia pressão populacional pela conquista de
novos territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">E
só nas regiões em que a coleta é
escassa, ou onde vão se esgotando os recursos naturais
vegetais e os pequenos animais, que se inicia a caça
sistemática aos grandes animais. E aí
começam a se instalar a supremacia masculina e a
competitividade entre os grupos na busca de novos
territórios. Agora, para sobreviver, as sociedades
têm de competir entre si por um alimento escasso. As guerras
se tornam constantes e passam a ser mitificadas. Os homens mais
valorizados são os heróis guerreiros.
Começa a se romper a harmonia que ligava a
espécie humana à natureza. Mas ainda
não se instala definitivamente a lei do mais forte. O homem
ainda não conhece com precisão a sua
função reprodutora e crê que a mulher
fica grávida dos deuses. Por isso ela ainda conserva poder
de decisão. Nas culturas que vivem da caça,
já existe estratificação social e
sexual, mas não é completa como nas sociedades
que se lhes seguem.</p>
<p style="text-align: justify;">E
no decorrer do neolítico que, em algum momento, o homem
começa a dominar a sua função
biológica reprodutora, e, podendo controlá-la,
pode também controlar a sexualidade feminina. Aparece
então o casamento como o conhecemos hoje, em que a mulher
é propriedade do homem e a herança se transmite
através da descendência masculina. Já
acontece assim, por exemplo, nas sociedades pastoris descritas na
Bíblia. Nessa época, o homem já tinha
aprendido a fundir metais. Essa descoberta acontece por volta de 10000
ou 8000 a.C. E, à medida que essa tecnologia se
aperfeiçoa, começam a ser fabricadas
não só armas mais sofisticadas como
também instrumentos que permitem cultivar melhor a terra (o
arado, por ex.).</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje
há consenso entre os antropólogos de que os
primeiros hu­manos a descobrir os ciclos da natureza foram as
mulheres, porque podiam compará-los com o ciclo do
próprio corpo. Mulheres também devem ter sido as
primeiras plantadoras e as primeiras ceramistas, mas foram os homens
que, a partir da invenção do arado,
sistematizaram as atividades agrícolas, iniciando uma nova
era, a era agrária, e com ela a história em que
vivemos hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Para
poder arar a terra, os grupamentos humanos deixam de ser
nômades. São obrigados a se tornar
sedentários. Dividem a terra e for­mam as primeiras
plantações. Começam a se estabelecer
as primeiras aldeias, depois as cidades, as cidades-estado, os
primeiros Estados e os impérios, no sentido antigo do termo.
As sociedades, então, se tor­nam patriarcais, isto
é, os portadores dos valores e da sua transmissão
são os homens. Já não são
mais os princípios feminino e masculino que governam juntos
o mundo, mas, sim, a lei do mais forte. A comi­da era primeiro
para o dono da terra, sua família, seus escravos e seus
soldados. Até ser escravo era privilégio.
Só os párias nômades, os sem-terra,
é que pereciam no primeiro inverno ou na primeira escassez.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse
contexto, quanto mais filhos, mais soldados e mais
mão-de-obra barata para arar a terra. As mulheres tinham a
sua sexualidade rigidamente controlada pelos homens. O casamento era
monogâmico e a mulher era obrigada a sair virgem das
mãos do pai para as mãos do marido. Qualquer
ruptura desta norma podia significar a mor­te. Assim
também o adultério: um filho de outro homem viria
ameaçar a transmissão da herança que
se fazia através da descendência da mulher. A
mulher fica, então, reduzida ao âmbito
doméstico. Perde qualquer capacidade de decisão
no domínio público, que fica
inteira­mente reservado ao homem. A dicotomia entre o privado e
o público torna-se, então, a origem da
dependência econômica da mulher, e esta
dependência, por sua vez, gera, no decorrer das
gerações, uma sub­missão
psicológica que dura até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">E
nesse contexto que transcorre todo o período
histórico até os dias de hoje. De
matricêntrica, a cultura humana passa a patriarcal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E
o Verbo Veio Depois </strong></p>
<p style="text-align: justify;">“No
principio era a Mãe, o Verbo veio depois.” l~
assim que Marilyn French, uma das maiores pensadoras feministas
americanas, começa o seu livro Beyond Power (Summit Books,
Nova York, 1985). E não é sem razão,
pois podemos retraçar os caminhos da espécie
atra­vés da sucessão dos seus mitos. Um
mitólogo americano, em seu livro The Masks of God:
Occidental Mythology (Nova York, 1970), citado por French, divide em
quatro grupos todos os mitos conhecidos da
criação. E, surpreendentemente, esses grupos
correspondem às etapas cronológicas da
história humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Na
primeira etapa, o mundo é criado por uma deusa
mãe sem au­xílio de ninguém.
Na segunda, ele é criado por um deus andrógino ou
um casal criador. Na terceira, um deus macho ou toma o poder da deusa
ou cria o mundo sobre o corpo da deusa primordial. Finalmente, na
quarta etapa, um deus macho cria o mundo sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas
quatro etapas que se sucedem também cronologicamente
são testemunhas eternas da transição
da etapa matricêntrica da humanidade para sua fase
patriarcal, e é esta sucessão que dá
veracidade à frase já citada de Marilyn French.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns
exemplos nos farão entender as diversas etapas e a frase de
French. O primeiro e mais importante exemplo da primeira etapa em que a
Grande Mãe cria o universo sozinha é o
próprio mito grego. Nele a criadora primária
é Géia, a Mãe Terra. Dela nascem todos
as protodeuses: Urano, osTitãs e as protodeusas, entre as
quais Réia, que virá a ser a mãe do
futuro dominador do Olimpo, Zeus. Há também o
caso do mito Nagô, que vem dar origem ao
candomblé. Neste mito africano, é Nanã
Buruquê que dá à luz todos os
orixás, sem auxílio de ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos
do segundo caso são o deus andrógino que gera
todos os deuses, no hinduísmo, e o yin e o yang, o principio
feminino e o masculino que governam juntos na mitologia chinesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos
do terceiro caso são as mitologias nas quais reinam em
primeiro lugar deusas mulheres, que são, depois, destronadas
por deuses masculinos. Entre essas mitologias está a
sumeriana, em que primitivamente a deusa Siduri reinava num jardim de
delícias e cujo poder foi usurpado por um deus solar. Mais
tarde, na epopéia de Gilgamesh, ela é descrita
como simples serva. Ainda, os mitos primitivos dos astecas falam de um
mundo perdido, de um jardim paradisíaco governado por
Xoxiquetzl, a Mãe Terra. Dela nasceram os Huitzuhuahua, que
são os Titâs e os Quatrocentos Habitantes do Sul
(as estrelas). Mais tarde, seus filhos se revoltam contra ela e ela
dá à luz o deus que iria governar a todos,
Huitzilopochtli.</p>
<p style="text-align: justify;">A
partir do segundo milênio a.C., contudo, raramente se
registram mitos em que a divindade primária seja mulher. Em
muitos deles, estas são substituídas por um deus
macho que cria o mundo a partir de si mesmo, tais como os mitos persa,
meda e, principalmente e acima de todos, o nosso mito
cristão, que é o que será enfocado
aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Javé
é deus único todo-poderoso, onipresente, e
controla todos os seres humanos em todos os momentos da sua vida. Cria
sozinho o mundo em sete dias e, no final, cria o homem. E só
depois cria a mulher, assim mesmo a partir do homem. E coloca ambos no
Jardim das Delícias onde o alimento é abundante e
colhido sem trabalho. Mas, graças à
sedução da mulher, o homem cede à
tentação da serpente e o casal é
expulso do paraíso.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes
de prosseguir, procuremos analisar o que já se tem
até aqui em relação à
mulher. Em primeiro lugar, ao contrário das culturas
primitivas, Javé é deus único,
centralizador, dita rígidas regras de comportamento cuja
transgressão é sempre punida. Nas primitivas
mitologias, ao contrário, a Grande Mãe
é permissiva, amorosa e não­ coercitiva.
E como todos os mitos fundantes das grandes culturas tendem a
sacralizar os seus principais valores, Javé representa bem a
trans­formação do matricentrismo em
patriarcado.</p>
<p style="text-align: justify;">O
Jardim das Delícias é a lembrança
arquetípica da antiga harmonia entre o ser humano e a
natureza. Nas culturas de coleta não se trabalhava
sistematicamente. Por isso os controles eram frouxos e podia se viver
mais prazerosamente. Quando o homem começa a dominar a
natureza, ele começa a se separar dessa mesma natureza em
que até então vivia imerso.</p>
<p style="text-align: justify;">Como
o trabalho é penoso, necessita agora de poder central que
imponha controles mais rígidos e
punição para a transgressão.
É preciso usar a coerção e a
violência para que os homens sejam obrigados a trabalhar, e
essa coerção é localizada no corpo, na
repressão da sexualidade e do prazer. Por isso o pecado
original, a culpa máxima, na Bíblia, é
colocado no ato sexual (é assim que, desde
milênios, popular­mente se interpreta a
transgressão dos primeiros humanos).</p>
<p style="text-align: justify;">E
por isso que a árvore do conhecimento é
também a árvore do bem e do mal. O progresso do
conhecimento gera o trabalho e por isso o corpo tem de ser
amaldiçoado, porque o trabalho é bom. Mas
é interessante notar que o homem só consegue
conhecimento do bem e do mal transgredindo a lei do Pai. O sexo (o
prazer) doravante é mau e, portanto, proibido.
Praticá-lo é transgredir a lei. Ele é,
portanto, limitado apenas às funções
procriativas, e mesmo assim é uma culpa.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí
a divisão entre sexo e afeto, entre corpo e alma,
apanágio das civilizações
agrárias e fonte de todas as divisões e
fragmentações do homem e da mulher, da
razão e da emoção, das
classes…</p>
<p style="text-align: justify;">Tomam
ai sentido as punições de Javé. Uma
vez adquirido o conhecimento, o homem tem que sofrer, O trabalho o
escraviza. E por isso o homem escraviza a mulher. A
relação homem-mulher-natureza não
é mais de integração e, sim, de
dominação. O desejo dominante agora é
o do homem. O desejo da mulher será para sempre
carência, e é esta paixão que
será o seu castigo. Daí em diante, ela
será definida por sua sexualidade, e o homem, pelo seu
trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas
o interessante é que os primeiros capítulos do
Gênesis podem ser mais bem entendidos à luz das
modernas teorias psicológicas, especialmente a
psicanálise. Em cada menino nascido no sistema patriarcal
repete-se, em nível simbólico, a
tragédia primordial. Nos primeiros tempos de sua vida, eles
estão imersos no Jardim das Delícias, em que
to­dos os seus desejos são satisfeitos. E isto lhes
faz buscar o prazer que lhes dá o contato com a
mãe, a única mulher a que têm acesso.
Mas a lei do pai proíbe ao menino a posse da mãe.
E o menino é expulso do mundo do amor, para assumir a sua
autonomia e, com ela, a sua maturidade. Principalmente, a sua nudez, a
sua fraqueza, os seus limites. E à medida que o homem se
cinde do Jardim das Delícias proporcionadas pela
mulher-mãe que ele assume a sua
condição masculina.</p>
<p style="text-align: justify;">E
para que possa se tornar homem em termos simbólicos, ele
precisa passar pela punição maior que
é a ameaça de morte pelo pai. Co­mo
Adão, o menino quer matar o pai e este o pune, deixando-o
só.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
aquilo que se verifica no decorrer dos séculos, isto
é, a transição das culturas de coleta
para a civilização agrária mais
avançada, é relembrado simbolicamente na vida de
cada um dos homens do mundo de hoje. Mas duas
observações devem ser feitas. A primeira
é que o pivô das duas tragédias, a
individual e a coletiva, é a mulher; e a segunda, que o
conhecimento condenado não é o conhecimento
dissociado e abstrato que daí por diante será o
conhecimento dominante, mas sim o conhecimento do bem e do mal, que vem
da experiência concreta do prazer e da sexualidade, o
conhecimento totalizante que integra inteligência e
emoção, corpo e alma, enfim, aquele conhecimento
que é, especificamente na cultura patriarcal, o conhecimento
feminino por excelência.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud
dizia que a natureza tinha sido madrasta para a mulher por­que
ela não era capaz de simbolizar tão perfeitamente
como o homem. De fato, para podermos entender a misoginia que
daí por diante caracterizará a cultura
patriarcal, é preciso analisar a maneira como as
ciências psicológicas mais atuais apontam para uma
estrutura psíquica feminina bem diferente da masculina.</p>
<p style="text-align: justify;">A
mesma idade em que o menino conhece a tragédia da
castração imaginária, a menina resolve
de outra maneira o conflito que a conduzirá á
maturidade. Porque já vem castrada, isto é,
porque não tem pênis (o símbolo do
poder e do prazer, no patriarcado), quando seu desejo a leva para o pai
ela não entra em conflito com a mãe de maneira
tão trágica e aguda como o menino entra com o pai
por causa da mãe. Porque já vem castrada,
não tem nada a perder. E a sua
identificação com a mãe se resolve sem
grandes traumas. Ela não se desliga inteira­mente
das fontes arcaicas do prazer (o corpo da mãe). Por isso,
também, não se divide de si mesma como se divide
o homem, nem de suas emoções. Para o resto da sua
vida, conhecimento e prazer, emoção e
inteligência são mais integrados na mulher do que
no homem e, por isso, são perigosos e desestabilizadores de
um sistema que repousa inteiramente no controle, no poder e, portanto,
no conhecimento dissociado da emoção e, por isso
mesmo, abstrato.</p>
<p style="text-align: justify;">De
agora em diante, poder, competitividade, conhecimento, controle,
manipulação, abstração e
violência vem juntos. O amor, a
integração com o meio ambiente e com as
próprias emoções são os
elementos mais desestabilizadores da ordem vigente. Por isso
é preciso precaver-se de todas as maneiras contra a mulher,
impedi-la de inter­ferir nos processos decisórios,
fazer com que ela introjete uma ideologia que a convença de
sua própria inferioridade em relação
ao homem.</p>
<p style="text-align: justify;">E
não espanta que na própria Bíblia
encontremos o primeiro indício desta desigualdade entre
homens e mulheres. Quando Deus cria o homem, Ele o cria só e
apenas depois tira a companheira da costela deste. Em outras palavras:
o primeiro homem dá à luz (pare) a
primei­ra mulher. Esse fenômeno
psicológico de deslocamento é um mecanismo de
defesa conhecido por todos aqueles que lidam com a psique humana e
serve para revelar escondendo. Tirar da costela é menos
violento do que tirar do próprio ventre, mas, em outras
palavras, aponta para a mesma direção. Agora,
parir é ato que não está mais ligado
ao sagrado e é, antes, uma vulnerabilidade do que uma
força. A mulher se inferioriza pelo próprio fato
de parir, que outrora lhe assegurava a grandeza. A grandeza agora
pertence ao homem, que trabalha e do­mina a natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Já
não é mais o homem que inveja a mulher. Agora
é a mulher que inveja o homem e é dependente
dele. Carente, vulnerável, seu desejo é o centro
da sua punição. Ela passa a se ver com os olhos
do homem, isto é, sua identidade não
está mais nela mesma e sim em outro. O homem é
autônomo e a mulher é reflexa. Daqui em diante,
como o pobre se vê com os olhos do rico, a mulher se
vê pelo homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Da
época em que foi escrito o Gênesis até
os nossos dias, isto é, de alguns milênios para
cá, essa narrativa básica da nossa cultura
patriarcal tem servido ininterruptamente para manter a mulher em seu
devido lugar. E, aliás, com muita eficiência. A
partir desse texto, a mulher é vista como a tentadora do
homem, aquela que perturba a sua relação com a
transcendência e também aquela que conflitua as
relações entre os homens. Ela é ligada
à natureza, à carne, ao sexo e ao prazer,
domínios que têm de ser rigorosamente
normatizados: a serpente, que nas eras matricêntricas era o
símbolo da fertilidade e tida na mais alta estima como
símbolo máximo da sabedoria, se transforma no
demônio, no tentador, na fonte de todo pecado. E ao
demônio é alocado o pecado por
excelência, o pecado da carne. Coloca-se no sexo o pecado
supremo e, assim, o poder fica imune à crítica.
Apenas nos tempos modernos está se tentando deslocar o
pecado da sexualidade para o poder. Isto é, até
hoje não só o homem como as classes dominantes
tiveram seu status sacralizado porque a mulher e a sexualidade foram
penalizadas como causa máxima da
de­gradação humana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
Malleus como Continuação do Gênesis</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
</p>
<p style="text-align: justify;">
<span class="shutterset_singlepic623"><img
style="width: 176px; height: 216px; float: right;"
class="ngg-singlepic ngg-right" src="../img/623.jpg"
alt="Instituições Históricas" title="Instituições Históricas"></span>
Enquanto se escrevia o Gênesis no Oriente Médio,
as grandes culturas patriarcais iam se sucedendo. Na Grécia,
o status da mulher foi extremamente degradado. O homossexualismo era
prática comum entre os homens e as mulheres ficavam
exclusivamente reduzidas às suas
funções de mãe, prostituta ou
cortesã. Em Roma, embora durante certo período
tivessem bastante liberdade sexual, jamais chegaram a ter
po­der de decisão no Império. Quando o
Cristianismo se torna a religião oficial dos romanos no
século IV, tem início a Idade Média.
Algo novo acontece. E aqui nos deteremos porque é o
período que mais nos interessa.</p>
<p style="text-align: justify;">Do
terceiro ao décimo séculos, alonga-se um
período em que o Cristianismo se sedimenta entre as tribos
bárbaras da Europa. Nesse período de conflito de
valores, é muito confusa a situação da
mulher. Contudo, ela tende a ocupar lugar de destaque no mundo das
decisões, porque os homens se ausentavam muito e morriam nos
períodos de guerra. Em poucas palavras: as mulheres eram
jogadas para o domínio público quando havia
escassez de homens e voltavam para o domínio privado quando
os homens reassumiam o seu lugar na cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">Na
alta Idade Média, a condição das
mulheres floresce. Elas têm acesso às artes,
às ciências, à literatura. Uma monja,
por exemplo, Hrosvitha de Gandersheim, foi o único poeta da
Europa durante cinco séculos. Isso acontece durante as
cruzadas, período em que não só a
Igreja alcança seu maior poder temporal como,
também, o mundo se prepara para as grandes
transformações que viriam séculos mais
tarde, com a Renascença.</p>
<p style="text-align: justify;">E
é logo depois dessa época, no período
que vai do fim do século XIV até meados do
século XV III que aconteceu o fenômeno
generalizado em toda a Europa: a repressão
sistemática do feminino. Estamos nos referindo aos quatro
séculos de “caça às
bruxas”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<a
href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/wp-content/gallery/historia/621.JPG"
title="" class="shutterset_singlepic621"> </a><a
href="../paginas/hfar-malleus_maleficarum-imagem-1.html"><img
style="border: 0px solid ; width: 301px; height: 240px; float: left;"
class="ngg-singlepic ngg-left" src="../img/621__320x240_621.JPG"
alt="Clique para ampliar" title="Clique para ampliar"></a>Deirdre
English e Barbara Ehrenreich, em seu livro Witches, Nurses and Midwives
(The Feminist Press, 1973), nos dão estatísticas
aterradoras do que foi a queima de mulheres feiticeiras em fogueiras
durante esses quatro séculos. “A
extensão da caça às bruxas
é espantosa. No fim do século XV e no
começo do século XVI, houve milhares e milhares
de execuções – usualmente eram
queimadas vivas na fogueira – na Alemanha, na
Itália e em outros países. A partir de meados do
século XVI, o terror se espalhou por toda a Europa,
começando pela França e pela Inglaterra. Um
escritor estimou o número de execuções
em seiscentas por ano para certas cidades, uma média de duas
por dia, ‘exceto aos domingos’. Novecentas bruxas
foram executadas num único ano na área de
Wertzberg, e cerca de mil na diocese de Como. Em Toulouse, quatrocentas
foram assassinadas num único dia; no arcebispado de Trier,
em 1585, duas aldeias foram deixadas apenas com duas mulheres moradoras
cada uma. Muitos escritores estimaram que o número total de
mulheres executadas subia à casa dos milhões, e
as mulheres constituíam 85~Vo de todos os bruxos e bruxas
que foram executados.”</p>
<p style="text-align: justify;">Outros
cálculos levantados por Marilyn French, em seu já
citado livro, mostram que o número mínimo de
mulheres queimadas vivas é de cem mil.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde
a mais remota antiguidade, as mulheres eram as curadoras populares, as
parteiras, enfim, detinham saber próprio, que lhes era
transmitido de geração em
geração. Em muitas tribos primitivas eram elas as
xamãs. Na Idade Média, seu saber se intensifica e
aprofunda. As mulheres camponesas pobres não tinham como
cuidar da saúde, a não ser com outras mulheres
tão camponesas e tão pobres quanto elas. Elas (as
curadoras) eram as cultivadoras ancestrais das ervas que devolviam a
saúde, e eram também as melhores anatomistas do
seu tempo. Eram as parteiras que viajavam de casa em casa, de aldeia em
aldeia, e as médicas populares para todas as
doenças.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais
tarde elas vieram a representar uma ameaça. Em primeiro
lugar, ao poder médico, que vinha tomando corpo
através das universidades no interior do sistema feudal. Em
segundo, porque formavam organizações pontuais
(comunidades) que, ao se juntarem, formavam vastas confrarias, as quais
trocavam entre si os segredos da cura do corpo e muitas vezes da alma.
Mais tarde, ainda, essas mulheres vieram a participar das revoltas
camponesas que precederam a centralização dos
feudos, os quais, posteriormente, dariam origem às futuras
nações.</p>
<p style="text-align: justify;">O
poder disperso e frouxo do sistema feudal para sobreviver é
obrigado, a partir do fim do século XIII, a centralizar, a
hierarquizar e a se organizar com métodos
políticos e ideológicos mais modernos. A
noção de pátria aparece, mesmo nessa
época (Klausevitz).</p>
<p style="text-align: justify;">A
religião católica e, mais tarde, a protestante
contribuem de maneira decisiva para essa
centralização do poder. E o fizeram
através dos tribunais da Inquisição
que varreram a Europa de norte a sul, leste e oeste, torturando e
assassinando em massa aqueles que eram julga­dos
heréticos ou bruxos.</p>
<p style="text-align: justify;">Este
“expurgo” visava recolocar dentro de regras de
comporta­mento dominante as massas camponesas submetidas muitas
vezes aos mais ferozes excessos dos seus senhores, expostas
à fome, à peste e à guerra e que se
rebelavam. E principalmente as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Era
essencial para o sistema capitalista que estava sendo forjado no seio
mesmo do feudalismo um controle estrito sobre o corpo e a sexualidade,
conforme constata a obra de Michel Foucault, História da
Sexualidade. Começa a se construir ali o corpo
dócil do futuro trabalhador que vai ser alienado do seu
trabalho e não se rebelará. A partir do
século XVII, os controles atingem profundidade e
obsessividade tais que 05 menores, os mínimos detalhes e
gestos são normatizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos,
homens e mulheres, passam a ser, então, os
próprios controladores de si mesmos a partir do mais
íntimo de suas mentes. E assim que se instala o puritanismo,
do qual se origina, segundo Tawnwy e Max Weber, o capitalismo
avançado anglo-saxão. Mas até chegar a
esse ponto foi preciso usar de muita violência.
Até meados da Idade Média, as regras morais do
Cristianismo ainda não tinham penetrado a fundo nas massas
populares. Ainda existiam muitos núcleos de
“pa­ganismo” e, mesmo entre os
cristãos, os controles eram frouxos.</p>
<p style="text-align: justify;">As
regras convencionais só eram válidas para as
mulheres e homens das classes dominantes através dos quais
se transmitiam o poder e a herança. Assim, os quatro
séculos de perseguição às
bruxas e aos heréticos nada tinham de histeria coletiva,
mas, ao contrário, foram uma
perseguição muito bem calculada e planejada pelas
classes domi­nantes, para chegar a maior
centralização e poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Num
mundo teocrático, a transgressão da fé
era também transgressão política. Mais
ainda, a transgressão sexual que grassava solta entre as
massas populares. Assim, os inquisidores tiveram a sabedoria de ligar a
transgressão sexual à transgressão da
fé. E punir as mulheres por tudo isso. As grandes teses que
permitiram esse expurgo do femi­nino e que são as
teses centrais do Malleus Maleficarum são as seguintes:</p>
<p style="text-align: justify;">
<a
href="http://www.cienciasdasaude.org/portal/wp-content/gallery/historia/622.jpg"
title="" class="shutterset_singlepic622"> </a><a
href="../paginas/hfar-malleus_maleficarum-imagem-2.html"><img
style="border: 0px solid ; width: 239px; height: 240px; float: right;"
class="ngg-singlepic ngg-right" src="../img/622__320x240_622.jpg"
alt="Clique para ampliar" title="Clique para ampliar"></a>1)
O demônio, com a permissão de Deus, procura fazer
o máximo de mal aos homens a fim de apropriar-se do maior
número possível de almas.</p>
<p style="text-align: justify;">2)
E este mal é feito prioritariamente através do
corpo, único “lugar” onde o
demônio pode entrar, pois “o espírito
[do homem] é governa­do por Deus, a vontade por um
anjo e o corpo pelas estrelas” (Parte 1, Questão
1). E porque as estrelas são inferiores aos
espíritos e o demônio é um
espírito superior, só lhe resta o corpo para
dominar.</p>
<p style="text-align: justify;">3)
E este domínio lhe vem através do controle e da
manipulação dos atos sexuais. Pela sexualidade o
demônio pode apropriar-se do corpo e da alma dos homens. Foi
pela sexualidade que o primeiro homem pecou e, portanto, a sexualidade
é o ponto mais vulnerável de todos os homens.</p>
<p style="text-align: justify;">4)
E como as mulheres estão essencialmente ligadas à
sexualidade, elas se tornam as agentes por excelência do
demônio (as feiticeiras). E as mulheres têm mais
conivência com o demônio “porque Eva
nasceu de uma costela torta de Adão, portanto nenhuma mulher
pode ser reta” (1,6).</p>
<p style="text-align: justify;">5)
A primeira e maior característica, aquela que dá
todo o poder às feiticeiras, é copular com o
demônio. Satã é, portanto, o senhor do
prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">6)
Uma vez obtida a intimidade com o demônio, as feiticeiras
são capazes de desencadear todos os males, especialmente a
impotência masculina, a impossibilidade de livrar-se de
paixões desordenadas, abortos, oferendas de
crianças a Satanás, estrago das colheitas,
doenças nos animais etc.</p>
<p style="text-align: justify;">7)
E esses pecados eram mais hediondos ao que os próprios
pecados de Lúcifer quando da rebelião dos anjos e
dos primeiros pais por ocasião da queda, porque agora as
bruxas pecam contra Deus e o Redentor (Cristo), e portanto este crime
é imperdoável e por isso só pode ser
resgatado com a tortura e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Vemos
assim que na mesma época em que o mundo está
entrando na Renascença, que virá a dar na Idade
das Luzes, processa-se a mais delirante
perseguição às mulheres e ao prazer.
Tudo aquilo que já es­tava em embrião no
Segundo Capítulo do Gênesis torna-se agora
sinistramente concreto. Se nas culturas de coleta as mulheres eram
quase sagradas por poderem ser férteis e, portanto, eram as
grandes estimuladoras da fecundidade da natureza, agora elas
são, por sua capacidade orgástica, as causadoras
de todos os flagelos a essa mesma natureza. Sim, porque as feiticeiras
se encontram apenas entre as mulheres orgásticas e
ambiciosas (1, 6), isto é, aquelas que não tinham
a sexualidade ainda normatizada e procuravam impor-se no
domínio público, exclusivo dos homens.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
o Malleus Maleficarum, por ser a continuação
popular do Segundo Capítulo do Gênesis, torna-se a
testemunha mais importante da estrutura do patriarcado e de como esta
estrutura funciona concretamente sobre a repressão da mulher
e do prazer.</p>
<p style="text-align: justify;">De
doadora da vida, símbolo da fertilidade para as colheitas e
os animais, agora a situação se inverte: a mulher
é a primeira e a maior pecadora, a origem de todas as
ações nocivas ao homem, à natureza e
aos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante
três séculos o Malleus foi a bíblia dos
Inquisidores e esteve na banca de todos os julgamentos. Quando cessou a
caça às bruxas, no século XVIII, houve
grande transformação na
condição feminina. A sexualidade se normatiza e
as mulheres se tornam frígidas, pois orgasmo era coisa do
diabo e, portanto, passível de
punição. Reduzem se exclusivamente ao
âmbito doméstico, pois sua
ambição também era passível
de castigo. O saber feminino popular cai na clandestinidade, quando
não é assimilado como próprio pelo
poder médico masculino já solidificado. As
mulheres não têm mais acesso ao estudo como na
Idade Média e passam a transmitir voluntariamente a seus
filhos valores patriarcais já então totalmente
introjetados por elas.</p>
<p style="text-align: justify;">É
com a caça às bruxas que se normatiza o
comportamento de homens e mulheres europeus, tanto na área
pública como no domínio do privado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E
assim se passam os séculos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A
sociedade de classes que já está
construída nos fins do século XVIII é
composta de trabalhadores dóceis que não
questionam o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As
Bruxas do Século XX </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora,
mais de dois séculos após o término da
caça às bruxas, é que podemos ter uma
noção das suas dimensões. Neste final
de século e de milênio, o que se nos apresenta
como avaliação da sociedade industrial? Dois
terços da humanidade passam fome para o terço
restante superalimentar-se; além disto há a
possibilidade concreta da destruição
instantânea do planeta pelo arsenal nuclear já
colocado e, principalmente, a destruição lenta
mas contínua do meio ambiente, já chegando ao
ponto do não-retorno. A aceleração
tecnológica mostra-se, portanto, muito mais louca dos
inquisidores.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda
neste fim de século outro fenômeno está
acontecendo: na mesma jovem rompem-se dois tabus que causaram a morte
das feiticeiras: a inserção no mundo
público e a procura do prazer sem repressão. A
mulher jovem hoje liberta-se porque o controle da sexualidade e a
reclusão ao domínio privado formam
também os dois pilares da opressão feminina.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim,
hoje as bruxas são legião no século
XX. E são bruxas que não podem ser queimadas
vivas, pois são elas que estão trazendo pela
primeira vez na história do patriarcado, para o mundo
masculino, os valores femininos. Esta reinserção
do feminino na história, resgatando o prazer, a
solidariedade, a não-competição, a
união com a natureza, talvez seja a única chance
que a nossa espécie tenha de continuar viva.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio
que com isso as nossas bruxinhas da Idade Média podem se
considerar vingadas!</p>
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