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  <title>Voar como os
p&aacute;ssaros</title>
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<center><font class="option" color="#000000"><b><br>
</b></font></center>
<br>
<h2 style="text-align: center;" class="art-PostHeader">Voar
como os p&aacute;ssaros</h2>
<div style="text-align: justify;"><br>
<p style="text-align: justify;"><img
 style="border: 0px solid ; width: 275px; height: 335px; float: left;"
 src="../img/santos1.jpg" alt=""><strong></strong></p>
As conquistas de Santos Dumont
beneficiaram-se de trabalhos anteriores e deixaram legado para
desenvolvimento de naves para futuras viagens espaciais.Por
improv&aacute;vel que possa parecer tudo talvez tenha
come&ccedil;ado com a inclina&ccedil;&atilde;o do eixo da
Terra. A sucess&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es, quase
sempre, restringia a oferta de alimentos. Com isso, manadas
deslocavam-se para regi&otilde;es mais promissoras e, no rastro de
animais em migra&ccedil;&atilde;o, seguiram os primeiros bandos
de ca&ccedil;adores humanos.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;">Os
obst&aacute;culos de rios e lagos, ainda hoje vencidos por rebanhos
migrat&oacute;rios em determinadas regi&otilde;es da
&Aacute;frica, foram transpostos por ca&ccedil;adores
primitivos sobre troncos de &aacute;rvores, as primeiras
embarca&ccedil;&otilde;es.<span id="more-1874"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A
perspectiva do v&ocirc;o, no entanto, certamente foi vista sempre
como a mais promissora. Mesmo barreiras como montanhas,
&aacute;reas alagadi&ccedil;as e bra&ccedil;os de mar
seriam transpostas com facilidade. Mas, para elevarem-se no ar, os
humanos deveriam esperar o fluxo do tempo, observar pacientemente o
v&ocirc;o de aves, insetos e morcegos e, como eles, ser capazes de
abrir trilhas e rotas pela fina atmosfera da Terra.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Perspectiva
Hist&oacute;rica</strong><br>
Evocar a perspectiva do v&ocirc;o, al&eacute;m de localizar
essa conquista como parte de um processo hist&oacute;rico, um
avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia sustentado sobre os ombros de
in&uacute;meros homens, &eacute; tamb&eacute;m uma forma de
evitar simplifica&ccedil;&otilde;es. O que n&atilde;o
significa ignorar o talento de g&ecirc;nios, literalmente os homens
que deram asas &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">O
s&oacute;brio, elegante, generoso e inventivo Santos Dumont
construiu o primeiro avi&atilde;o da hist&oacute;ria e com ele
voou &ndash; em 23 de outubro de 1906 &ndash; uma
dist&acirc;ncia de 60 metros, a 3 metros de altura, mais baixo que
um poste de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.
Pilotou a m&aacute;quina que havia concebido para voar como um
p&aacute;ssaro ruidoso, mas n&atilde;o fez um trabalho
solit&aacute;rio. Seu 14-Bis teve os desafios de estrutura das asas
resolvidos pela contribui&ccedil;&atilde;o do australiano
Lawrence Hargrave (1850-1915), conhecido pelas
c&eacute;lulas-caixas capazes de garantir rigidez e estabilidade a
essas estruturas.</p>
<p style="text-align: justify;">E
havia o motor, que Santos Dumont obteve de seu amigo, L&eacute;on
Levavasseur (1863-1922), que, j&aacute; em 1902, havia patenteado
um motor de 8 cilindros. Na conquista do ar faz pleno sentido a
observa&ccedil;&atilde;o do antrop&oacute;logo,
fil&oacute;sofo da ci&ecirc;ncia e escritor americano Loren
Eiseley (1907-1977) sobre a impossibilidade de um &uacute;nico
homem &ldquo;contar toda a hist&oacute;ria&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont iniciou seus v&ocirc;os em bal&otilde;es, mas
n&atilde;o foi o primeiro nem o &uacute;ltimo a recorrer aos
aer&oacute;statos para elevar-se do solo. E mesmo os primeiros
balonistas n&atilde;o foram, rigorosamente, os pioneiros do ar.
Quando voaram, tiveram a companhia de &Iacute;caro e
D&eacute;dalo, inventores mitol&oacute;gicos de asas
constru&iacute;das com penas para escapar do confinamento de Creta.
&Iacute;caro entusiasmou-se com o v&ocirc;o e aproximou-se do
Sol o suficiente para derreter a cera que prendia as penas de suas
asas. Assim, mergulhou para a morte, met&aacute;fora dos primeiros
tempos da avia&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">A
hist&oacute;ria registra in&uacute;meros casos de homens
dispostos a voar e que para isso n&atilde;o hesitaram em arriscar a
vida confiando na vers&atilde;o ing&ecirc;nua de movimentar
bra&ccedil;os alados pela for&ccedil;a de seus
pr&oacute;prios m&uacute;sculos. Milhares de outros,
an&ocirc;nimos para sempre, fizeram a mesma tentativa frustrada.
Saltos de pontes, edif&iacute;cios e do topo de outras
eleva&ccedil;&otilde;es que asas desajeitadas n&atilde;o
permitiram o v&ocirc;o de um p&aacute;ssaro ou de uma borboleta.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre
os fracassados est&aacute; o nono rei da Bretanha. Em 863 a.C.,
equipado com um par de asas inoperantes, o rei morreu ao saltar do alto
do templo de Apolo, em Trinavantum, antigo nome de Londres. Em 1020, o
monge, matem&aacute;tico e astr&oacute;logo Oliver de
Malmesbury n&atilde;o perdeu a vida, mas quebrou as duas pernas
numa frustrada tentativa de voar.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Previs&atilde;o
de Roger Bacon</strong><br>
Em 1250, Roger Bacon (1214-1292) conclui seu livro Secrets of art and
Nature, onde faz a primeira refer&ecirc;ncia registrada a um
v&ocirc;o mec&acirc;nico. Fil&oacute;sofo e religioso
franciscano, Roger Bacon justifica a alcunha de Doctor Mirabilis como
precursor do moderno pensamento cient&iacute;fico, defesa da
matem&aacute;tica para a fundamenta&ccedil;&atilde;o da
ci&ecirc;ncia e valoriza&ccedil;&atilde;o precoce da
experi&ecirc;ncia para o avan&ccedil;o do conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Suspeito
de p&ocirc;r em xeque as concep&ccedil;&otilde;es
aristot&eacute;licas que governaram o Ocidente por quase 20
s&eacute;culos, Bacon esteve encarcerado durante 15 anos, entre
1277 e 1292. Pagou caro por enxergar o futuro, quando seus
contempor&acirc;neos mal distinguiam o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Roger
Bacon foi um antecipador dos v&ocirc;os mec&acirc;nicos, mas
quem concebe as primeiras an&aacute;lises cient&iacute;ficas
para sustentar essas possibilidades &eacute; o vers&aacute;til
Leonardo da Vinci. Observou p&aacute;ssaros em v&ocirc;o,
analisou a aerodin&acirc;mica desses movimentos e previu que um dia
os homens iriam voar como fazem os praticantes de asa-delta.</p>
<p style="text-align: justify;">Acalentado
havia muito, o sonho do v&ocirc;o s&oacute; tomaria forma no
s&eacute;culo XVIII, com contribui&ccedil;&otilde;es de um
brasileiro, o jesu&iacute;ta Bartolomeu Louren&ccedil;o de
Gusm&atilde;o (1685-1724). Conhecido como &ldquo;O Padre
Voador&rdquo;, Bartolomeu de Gusm&atilde;o fez sua primeira
demonstra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de um engenho
voador, em 8 de agosto de 1709, no p&aacute;tio da Casa da
&Iacute;ndia, em Portugal. Diante do rei D. Jo&atilde;o V, seu
bal&atilde;o movido a ar quente e por isso mais leve que o ar
exterior, atingiu a altura de cerca de 4 metros e deslocou-se em
diferentes dire&ccedil;&otilde;es para surpresa dos
observadores.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Intoler&acirc;ncia
da F&eacute;</strong><br>
Em 7 de abril de 1707 Bartolomeu de Gusm&atilde;o j&aacute;
havia surpreendido com a inven&ccedil;&atilde;o de uma bomba
hidr&aacute;ulica para esgotar os por&otilde;es de navios. Dois
anos depois, em 17 de abril de 1709, pede
autoriza&ccedil;&atilde;o para voar com o Passarola, como
batizou seu bal&atilde;o de ar quente. A aeronave deveria ter porte
suficiente para cumprir esta miss&atilde;o. A permiss&atilde;o
veio logo, mas os recursos para viabilizar a id&eacute;ia nunca
chegaram. Como Roger Bacon, Bartolomeu de Gusm&atilde;o
tamb&eacute;m foi perseguido religioso. A falta de recursos
combinada ao cerceamento de liberdade em curto espa&ccedil;o de
tempo levou suas id&eacute;ias para o esquecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Bartolomeu
de Gusm&atilde;o morreu jovem, aos 39 anos, mas sua descoberta do
ar quente como fonte promissora de ascens&atilde;o para
bal&otilde;es sobreviveu para permitir o primeiro v&ocirc;o
tripulado. Os irm&atilde;os &Eacute;tienne e Joseph
Montgolfier, nascidos na cidade de Annonay, sul da Fran&ccedil;a,
retomaram este princ&iacute;pio e fizeram do 4 de junho de 1783 a
data que marca a Idade do V&ocirc;o. No entanto, o
epis&oacute;dio ainda tem controv&eacute;rsias n&atilde;o
resolvidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma
vers&atilde;o assegura que &Eacute;tienne e Joseph brincavam
com um saco de papel aberto, com a boca voltada para uma fogueira, o
que fez com que flutuasse e atra&iacute;sse a
aten&ccedil;&atilde;o para a perspectiva do v&ocirc;o.
Outra abordagem, com sustenta&ccedil;&atilde;o na imprensa
francesa do in&iacute;cio do s&eacute;culo, caso da revista
L&rsquo;Aeron, garante que os irm&atilde;os apossaram-se, sem
dar cr&eacute;dito, das id&eacute;ias do padre brasileiro. Ao
fugir para a Espanha, &ldquo;O Padre Voador&rdquo; teria
deixado seus planos com o irm&atilde;o, Alexandre de
Gusm&atilde;o, secret&aacute;rio de D. Jo&atilde;o V. Em
Paris, Alexandre fez contatos com pessoas relacionadas a Montgolfier
pai, um tradicional fabricante de papel, da&iacute; os planos terem
chegado &agrave;s m&atilde;os dos irm&atilde;os.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>A
Gl&oacute;ria dos Montgolfier</strong><br>
Inquestion&aacute;vel &eacute; que em 5 de junho de 1783 os
Montgolfier exibiram publicamente um bal&atilde;o com 32 metros de
circunfer&ecirc;ncia, constru&iacute;do em linho e inflado com
ar quente a partir de uma fogueira alimentada por palha seca. O
bal&atilde;o elevou-se a 300 metros e deslocou-se por 3 km, numa
viagem de dez minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
19 de setembro de 1783 os irm&atilde;os fizeram voar o
R&eacute;veillon levando a bordo tr&ecirc;s passageiros
incapazes de relatar a experi&ecirc;ncia: um pato, um galo e um
carneiro. No in&iacute;cio da era espacial, com as primeiras naves
em &oacute;rbita, c&atilde;es e chimpanz&eacute;s
tamb&eacute;m substitu&iacute;ram seres humanos como cobaias.
No caso dos passageiros do R&eacute;veillon, havia o temor de que
n&atilde;o sobrevivessem sem contato com seu elemento natural, a
superf&iacute;cie da Terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto
os Montgolfier embarcam animais em bal&otilde;es de ar quente, o
f&iacute;sico tamb&eacute;m franc&ecirc;s Jacques Alexander
C&eacute;sar Charles (1746-1823) utiliza hidrog&ecirc;nio,
rec&eacute;m-descoberto, para inflar e fazer ascender um
bal&atilde;o. O aer&oacute;stato de Charles sobe em 27 de
agosto de 1783. Mas o primeiro v&ocirc;o tripulado por humanos
&eacute; feito com bal&otilde;es tradicionais de ar quente e
leva dois passageiros: Pil&acirc;tre de Rozier e o
marqu&ecirc;s d&rsquo;Arlandes. Quando Santos Dumont voou pela
primeira vez em um bal&atilde;o, em 23 de mar&ccedil;o de 1898,
esses equipamentos j&aacute; estavam consagrados pela diversidade
de uso.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
22 de outubro de 1797, o franc&ecirc;s Andr&eacute; Jacques
Garnerin faz o primeiro salto de p&aacute;ra-quedas do cesto de um
bal&atilde;o, a 975 metros de altitude. Foguetes j&aacute;
haviam sido lan&ccedil;ados pelos ingleses sobre Copenhague em 1807
e em 1852 o tamb&eacute;m franc&ecirc;s Henri Giffard havia
dirigido com alguma dificuldade um bal&atilde;o alongado usando
motor a vapor. Dez anos depois, o bal&atilde;o Intrepid, a
hidrog&ecirc;nio, &eacute; utilizado em
observa&ccedil;&otilde;es militares na guerra civil americana.
Na guerra do Paraguai, o Brasil usa bal&otilde;es para
observa&ccedil;&otilde;es entre 1870/76. E, em 1897,
tr&ecirc;s exploradores suecos tentaram conquistar o
P&oacute;lo Norte pelo ar.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ensaios
de Lilienthal</strong><br>
Entre 1890/96 os v&ocirc;os planados ensaiam os primeiros
movimentos com o alem&atilde;o Otto Lilienthal (1848-1896). Ele
investigou a sustenta&ccedil;&atilde;o das asas e a
estabilidade desses equipamentos e publicou os resultados no livro O
v&ocirc;o dos p&aacute;ssaros como base da arte de voar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
1894 Lilienthal desenvolve asas mec&acirc;nicas com
apar&ecirc;ncia de um desajeitado morcego, acionadas por um pequeno
motor, numa tentativa frustrada de voar. Pouco antes, o brasileiro
J&uacute;lio Cezar Ribeiro de Souza (1843-1887) havia feito
experi&ecirc;ncias bem-sucedidas com um bal&atilde;o fusiforme,
com encomendas na mesma Casa Lachambre que atenderia Santos Dumont. Sem
ajuda oficial, lamentou ter tido as id&eacute;ias roubadas na
Fran&ccedil;a e deixou, num curto relato, o resumo de suas
decep&ccedil;&otilde;es: &ldquo;O mundo inteiro
est&aacute; impressionado pelos felizes plagi&aacute;rios do
meu invento para quem chovem milh&otilde;es para bal&otilde;es
colossais do meu sistema, enquanto s&oacute; tive migalhas no
pa&iacute;s dos grandes esbanjamentos, onde a ci&ecirc;ncia
est&aacute; completamente mistificada&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">O
primeiro v&ocirc;o custou a Santos Dumont 400 francos. De volta
&agrave; terra, ele confessou que nunca se esqueceria &ldquo;do
genu&iacute;no prazer de minha primeira
ascens&atilde;o&rdquo;. Leitor de J&uacute;lio Verne,
apaixonado pela mec&acirc;nica que havia conhecido na fazenda de
caf&eacute; paterna, em Ribeir&atilde;o Preto, equipada com
estrada de ferro, a experi&ecirc;ncia inicial cativa Santos Dumont
para o v&ocirc;o.</p>
<p style="text-align: justify;">&Agrave;s
v&eacute;speras do s&eacute;culo XX a
ilumina&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica afugenta as
sombras da noite e Paris justifica o t&iacute;tulo de
&ldquo;Cidade Luz&rdquo;. Em 1898 Santos Dumont apresenta
&agrave; Lachambre &amp; Machuron, em Paris, um
bal&atilde;o esf&eacute;rico e de pequeno porte que utiliza
hidrog&ecirc;nio para ascens&atilde;o. Na aeronave, batizada de
Brasil, tudo &eacute; leve: seda japonesa, cesto de vime, a rede de
3,5 kg, e o corpo do inventor &ldquo;51 kg sem sapatos,
cal&ccedil;ando luvas&rdquo;.<br>
Por essa &eacute;poca, SCIENTIFIC AMERICAN, concebida em 1845 como
publica&ccedil;&atilde;o voltada para a
prote&ccedil;&atilde;o de patentes, acompanha atentamente os
acontecimentos no ar. Em 1908 a revista ofereceria um pr&ecirc;mio
que leva seu nome ao aviador americano Glenn Curtis (1878-1930) por ter
coberto em v&ocirc;o uma dist&acirc;ncia de 1,6 km com o seu
June Bug. Santos Dumont seria assunto constante em suas
p&aacute;ginas, a cada uma das constantes
evolu&ccedil;&otilde;es de suas m&aacute;quinas de voar.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
V&ocirc;o de Santos Dumont</strong><br>
Em 4 de julho Santos Dumont faz o primeiro v&ocirc;o com o Brasil
e, em seguida, constr&oacute;i um segundo modelo, o
L&rsquo;Am&eacute;rique. Os experimentos com planadores
desenvolvidos por Lilienthal, na interpreta&ccedil;&atilde;o de
Santos Dumont, apontam para a necessidade de dirigibilidade do
&uacute;nico ve&iacute;culo que at&eacute; ent&atilde;o
voa de fato. E &eacute; disso que ele ir&aacute; ocupar-se. As
tentativas de dirigibilidade para bal&otilde;es acumulam fracassos,
com motores el&eacute;tricos leves, mas inconvenientes pela
exig&ecirc;ncia de baterias. Ou pesados engenhos a vapor, mais
indicados para locomotivas.</p>
<p style="text-align: justify;">A
solu&ccedil;&atilde;o de Santos Dumont &eacute; um
bal&atilde;o em forma de charuto e equipado com motor a
combust&atilde;o e canos de exaust&atilde;o voltados para o
solo, evitando a proximidade com o hidrog&ecirc;nio
inflam&aacute;vel.</p>
<p style="text-align: justify;">O
dirig&iacute;vel no 1 voa em 18 de setembro de 1898 e tem queda
provocada pelo mau funcionamento de uma v&aacute;lvula interna para
garantir press&atilde;o constante do g&aacute;s. Em maio de
1899, o no 2 j&aacute; estava pronto para voar, com a dificuldade
da v&aacute;lvula resolvida. Mas nessa data &eacute; o tempo
ruim, n&atilde;o a v&aacute;lvula, a raz&atilde;o da
frustra&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">O
dirig&iacute;vel no 3 voa em 13 de novembro de 1899 com
modifica&ccedil;&otilde;es. O hidrog&ecirc;nio foi
substitu&iacute;do por g&aacute;s de
ilumina&ccedil;&atilde;o, menos inflam&aacute;vel, com
volume quase cinco vezes superior ao do no 1. &ldquo;Foi a
ascens&atilde;o mais feliz que fiz at&eacute; esta
data&rdquo;, comemora Santos Dumont ap&oacute;s o v&ocirc;o
inaugural, seguido por outros sobre os telhados de Paris. Para
n&atilde;o desperdi&ccedil;ar g&aacute;s nem trabalho,
Santos Dumont constr&oacute;i um hangar no terreno do
rec&eacute;m-fundado Aeroclube da Fran&ccedil;a. O zumbido
mec&acirc;nico do seu novo engenho &eacute; incorporado
&agrave; sonoridade de Paris e as formas alongadas do
bal&atilde;o integram-se ao c&eacute;u da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont faz aperfei&ccedil;oamentos ao final de cada v&ocirc;o e
em 1900 decola com o no 4, novamente preenchido com
hidrog&ecirc;nio e com motor de 7 cavalos instalado na proa. Voa
montado num selim. O v&ocirc;o impressiona, entre outros, o
astr&ocirc;nomo e inventor americano Samuel Pierpont Langley
(1834-1906). Mas os testes em terra, com o vento frio da
h&eacute;lice, afetam a sa&uacute;de de Santos Dumont e ele
&eacute; obrigado a suspender temporariamente o trabalho. Ao menos
o trabalho f&iacute;sico, porque sua
imagina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o p&aacute;ra. No
intervalo para tratamento, decide utilizar cordas de piano em
substitui&ccedil;&atilde;o aos cabos pesados para prender o
cesto ao bal&atilde;o.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
Pr&ecirc;mio de La Meurthe</strong><br>
O petr&oacute;leo entra em cena como mat&eacute;ria-prima
estrat&eacute;gica, fonte de energia aos motores de
combust&atilde;o que se propagavam. Deutsch de La Meurthe, uma das
fortunas nessa &aacute;rea, estabelece um pr&ecirc;mio para
quem for capaz de contornar a Torre Eiffel, saindo da localidade de
Saint-Cloud e retornando ao ponto de partida no tempo de 30 minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont avalia a dificuldade do desafio, mas est&aacute; disposto a
conquistar o pr&ecirc;mio. Para isso desenvolve o esguio no 5, que
decola experimentalmente em 12 de julho de 1901. Com motor de 4
cilindros e 12 cavalos ele rapidamente conquista a confian&ccedil;a
do p&uacute;blico. Mas, em 8 de agosto, com a presen&ccedil;a
da comiss&atilde;o do Aeroclube o no 5 sobe e, ao contornar a
torre, entra em pane e faz o pouso mais acidentado at&eacute;
ent&atilde;o. O bal&atilde;o em queda e perdendo
g&aacute;s, explode a 32 metros de altura e o que sobrou dele
est&aacute; enganchado no edif&iacute;cio do Hotel
Trocad&eacute;ro, com Santos Dumont suspenso a 15 metros de altura.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando
os bombeiros chegam, Santos Dumont j&aacute; havia escapado,
agarrado a uma corda lan&ccedil;ada do topo do edif&iacute;cio.
Na noite do mesmo dia, ele anuncia que construiria um novo
bal&atilde;o para retomar o v&ocirc;o em 22 dias.<br>
No prazo previsto o no 6 est&aacute; em
condi&ccedil;&otilde;es de voar, mas novamente Santos Dumont
tem dificuldades, como um pouso for&ccedil;ado sobre as
&aacute;rvores do Bois de Boulogne. Mas em 19 de outubro de 1901
bal&atilde;o e piloto est&atilde;o prontos para a batalha
final. Santos Dumont decola &agrave;s 14h42 de Saint-Cloud e na
presen&ccedil;a da comiss&atilde;o do Aeroclube enfrenta tanto
a dificuldade de ventos contr&aacute;rios como uma pane
tempor&aacute;ria do motor. Quando sobrevoa a pista de corrida de
d&rsquo;Auteuil, pode ouvir os aplausos da multid&atilde;o que
o segue.</p>
<p style="text-align: justify;">Gritos
de alarme e temor ainda ecoam pelo trajeto, enquanto o bal&atilde;o
sobe abrupto ou inclina-se para baixo, conseq&uuml;&ecirc;ncia
do mau funcionamento do motor. Mas o trajeto &eacute; cumprido, a
n&atilde;o ser por um atraso de 30 segundos no retorno, o que
motiva discuss&otilde;es entre os membros da comiss&atilde;o.
Como havia anunciado, Santos Dumont abre m&atilde;o dos 100 mil
francos &ldquo;em benef&iacute;cio dos pobres de Paris e dos
homens que me ajudaram&rdquo;. A recusa ao pr&ecirc;mio
impressiona o p&uacute;blico, mas s&oacute; em 4 de novembro a
comiss&atilde;o do Aeroclube reconhece a conquista oficialmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><img
 style="border: 0px solid ; width: 300px; height: 431px; float: right;"
 src="../img/santos2.jpg" alt=""><strong></strong></p>
<strong>Perdas
Pessoais</strong><span style="font-weight: bold;"></span>
<br>
<span style="font-weight: bold;"></span>A
resist&ecirc;ncia da comiss&atilde;o do Aeroclube decepciona
Santos Dumont, que pede afastamento da entidade. &Eacute; o
in&iacute;cio de um per&iacute;odo de dificuldades e
desapontamentos. Santos Dumont viaja para os Estados Unidos,
encontra-se com Thomas Edison e com o presidente Theodore Roosevelt.
<p style="text-align: justify;">Mas
de volta &agrave; Fran&ccedil;a, v&ecirc; seu amigo,
Augusto Severo, morrer com a explos&atilde;o do seu Pax. Severo,
deputado brasileiro, era entusiasta do v&ocirc;o e um dos maiores
incentivadores de Santos Dumont. Em 22 de junho outra
not&iacute;cia tr&aacute;gica: a m&atilde;e de Santos
Dumont suicida-se em Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nova
viagem aos Estados Unidos, agora com o no 7, mas o bal&atilde;o
chega ao destino destru&iacute;do, supostamente por sabotagem.
Santos Dumont afasta-se da imprensa e, recluso, desenvolve o no 9, que
vende nos Estados Unidos. Por algum tempo os bal&otilde;es 7, 9 e
10 dividem espa&ccedil;o em seu abrigo para aeronaves em
Neuilly-Saint James. O primeiro &eacute; um bal&atilde;o de
corrida, o segundo um modelo compacto e &aacute;gil e o terceiro
uma vers&atilde;o para passageiros.</p>
<p style="text-align: justify;">O
no 9 &eacute; um enorme sucesso. A edi&ccedil;&atilde;o de
setembro de 1902 de SCIENTIFIC AMERICAN, em meio a novos modelos de
gramofones e um ex&oacute;tico modelo de violino, abre fotos
generosas do modelo ainda em constru&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont voa com o Balladeuse, como o no 9 &eacute; conhecido, em 23
de junho de 1903 e deixa suas impress&otilde;es:
&ldquo;Levantei-me &agrave;s duas horas&hellip; A noite
estava escura e os mec&acirc;nicos dormiam&hellip; Pude erguer
o v&ocirc;o, franquear o muro e transpor o rio antes que o dia
clareasse&hellip; Quando encontrava &aacute;rvores,
&lsquo;saltava&rsquo; sobre elas&hellip; Atingi a Porta
Dauphine e a entrada da grande Avenida Bois de Boulogne que conduz ao
Arco do Triunfo, encontro das eleg&acirc;ncias de Paris, e
ent&atilde;o decidi lan&ccedil;ar o cabo pendente sobre a
Avenida&hellip; Tive de descer t&atilde;o baixo quanto o
n&iacute;vel dos telhados&hellip; A isto eu chamo de
navega&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica&hellip; Fiz o
cabo pender sobre a avenida&hellip; Assim, algum dia, os
exploradores far&atilde;o sobre o P&oacute;lo Norte&hellip;
N&atilde;o se deve descer sobre o P&oacute;lo Norte logo na
primeira investida; mas que se fa&ccedil;a um v&ocirc;o
circular para registrar observa&ccedil;&otilde;es e estar de
volta &agrave; hora de sentar-se &agrave;
mesa&hellip;&rdquo;</p>
<p style="text-align: justify;">Ao
final do v&ocirc;o, Santos Dumont estaciona o Balladeuse em frente
a seu apartamento, nos Champs Elys&eacute;es e, sob o aplauso de
uma multid&atilde;o, toma o caf&eacute; da manh&atilde;. Na
noite seguinte voa com um potente farol e, em 26 de junho de 1903, leva
um passageiro, um garoto de 7 anos. Em seguida, ao final de
tr&ecirc;s li&ccedil;&otilde;es, quem pilota o no 9
&eacute; a bela cubana A&iacute;da d&rsquo;Acosta, primeira
mulher aeronauta da hist&oacute;ria. Em 11 de julho Santos Dumont
vai almo&ccedil;ar no La Cascade a bordo do Balladeuse. Encontra
oficiais do ex&eacute;rcito franc&ecirc;s que ficam fascinados
com a docilidade de manobras da aeronave.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
V&ocirc;o dos Irm&atilde;os Wright</strong><br>
Em dezembro de 1903 chegam a Paris rumores de que os irm&atilde;os
Wright haviam feito um v&ocirc;o com o mais pesado que o ar nos
Estados Unidos, no dia 17 daquele m&ecirc;s. Em outubro desse ano
Langley havia tentado um v&ocirc;o catapultado, mas caiu no rio
Potomac, em Washington. Dois meses depois, sob o comando de Charles
Manly, assistente de Langley, outra tentativa novamente termina no rio.</p>
<p style="text-align: justify;">Os
irm&atilde;os Wright tentaram um v&ocirc;o sobre trilhos, em 14
de dezembro de 1903, com um aeroplano semelhante a um planador, mas
equipado com motor de 12 cavalos, sem sucesso. A experi&ecirc;ncia
de 17 de dezembro foi feita na praia de Kill Devil Hills, em Kitty
Hank, na Carolina do Norte, mas toda documenta&ccedil;&atilde;o
envolvendo o v&ocirc;o, at&eacute; 1908, n&atilde;o passou
de um telegrama, sem nenhuma fotografia, al&eacute;m do relato de
cinco observadores ocasionais, homens que ajudaram a colocar o aparelho
nos trilhos, sob o vento intenso e cont&iacute;nuo da costa.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas
condi&ccedil;&otilde;es, incluindo vento suficiente para
levantar um planador, n&atilde;o atendem os requisitos exigidos
para um v&ocirc;o completo, com decolagem e pouso
aut&ocirc;nomos. Santos Dumont n&atilde;o se abala e, sem a
companhia do amigo Lachambre, morto em janeiro de 1904, continua
freq&uuml;entador do Maxim&rsquo;s e dos an&uacute;ncios
que o retratam com a eleg&acirc;ncia dos ternos riscados e do
chap&eacute;u de aba ca&iacute;da. Em 1904 ele &eacute;
homenageado com a Ordem de Cavalheiro da Legi&atilde;o de Honra da
Fran&ccedil;a, pensa num modelo de helic&oacute;ptero e, no ano
seguinte, segue o v&ocirc;o de seu amigo Gabriel Voisin com um
planador rebocado por lancha.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
fins de 1905, com a not&iacute;cia de que os irm&atilde;os
Wright haviam voado uma dist&acirc;ncia de 39 km, Deutsch de La
Meurthe anuncia um novo pr&ecirc;mio: 50 mil francos a quem
demonstrar um v&ocirc;o em circuito fechado, n&atilde;o de 39
km, medida anunciada pelos irm&atilde;os Wright, mas de um
&uacute;nico quil&ocirc;metro.<br>
Os irm&atilde;os Wright n&atilde;o respondem ao desafio. Os
franceses desconfiam que a raz&atilde;o disso foi que o
v&ocirc;o deles n&atilde;o atendeu &agrave;s
exig&ecirc;ncias formais como decolagem independente de catapultas.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont trabalha na concep&ccedil;&atilde;o do
helic&oacute;ptero e inicia a constru&ccedil;&atilde;o de
um modelo, al&eacute;m de esbo&ccedil;ar um monoplano equipado
com um &uacute;nico motor e duas h&eacute;lices, influenciado
pelo trabalho de lorde Cayley no in&iacute;cio do s&eacute;culo
anterior. Lorde Cayley, como reconheceu Wilbur Wright em 1909, fez
pesquisas b&aacute;sicas para um aparelho mais pesado que o ar, com
estudo de asas, leme e h&eacute;lice. Chegou a criar um pequeno
planador que em 1853 ensaiou um v&ocirc;o tripulado por seu
cocheiro.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>O
V&ocirc;o Acoplado do 14-Bis</strong><br>
Santos Dumont trabalha no no 13, uma mistura de ar quente e
hidrog&ecirc;nio perdido em fins de 1904. Mas o no 14 volta a
surpreender em demonstra&ccedil;&otilde;es em agosto de 1905 na
costa do canal da Mancha. Esse modelo &eacute; modificado em
seguida e ir&aacute; sustentar uma aeronave mais pesada que o ar,
da&iacute; o nome da famosa aeronave, 14-Bis. Com esse sistema
duplo s&atilde;o feitas experi&ecirc;ncias de estabilidade no
ar.</p>
<p style="text-align: justify;">Os
testes come&ccedil;am em 19 de julho de 1906 e estendem-se com a
aeronave presa a um cabo e puxada por um jumento. Em 21 de agosto
s&atilde;o feitos testes com a h&eacute;lice e em movimento e,
em 3 de setembro, o motor de 25 cavalos &eacute;
substitu&iacute;do por outro com o dobro de pot&ecirc;ncia.</p>
<p style="text-align: justify;">A
perspectiva do mais pesado que o ar &eacute; uma realidade
pr&oacute;xima e a Fran&ccedil;a j&aacute; oferecia dois
pr&ecirc;mios para essa realiza&ccedil;&atilde;o, desde que
decolando e pousando com meios pr&oacute;prios. Um para quem cobrir
uma dist&acirc;ncia de 25 metros. Outro, do Aeroclube da
Fran&ccedil;a, para quem superar os 100 metros, ambos sob
supervis&atilde;o de uma comiss&atilde;o de especialistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Santos
Dumont &eacute; um dos v&aacute;rios candidatos: Louis
Bl&eacute;riot, Gabriel Voisin, Louis Ferdinand Ferber e o romeno
Trajan Vuia. Todos sonham com a conquista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
13 de setembro, na fase de preparativos, o 14-Bis d&aacute; um
v&ocirc;o/salto de 7 metros, o bastante para surpreender os
competidores. Em 12 de novembro Bl&eacute;riot faz uma tentativa
fracassada e, em 23 de outubro, Santos Dumont faz um v&ocirc;o de
60 metros e conquista a Ta&ccedil;a Archdeacon. Pouco depois, em 12
de novembro de 1906 o 14-Bis faz o primeiro v&ocirc;o registrado da
hist&oacute;ria. Percorre 220 metros a uma altura de 6 metros, e
conquista o pr&ecirc;mio do Aeroclube da Fran&ccedil;a.</p>
<p style="text-align: justify;">Wilbur
Wright viu uma foto do 14-Bis e observou numa carta a Ferber que uma
catapulta poderia alivi&aacute;-lo do peso das rodas de decolagem,
oferecendo-se para uma exibi&ccedil;&atilde;o aos franceses
mediante US$ 50 mil pagos em moeda.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>A
Versatilidade do Demoiselle</strong><br>
Santos Dumont ainda trabalha numa vers&atilde;o modificada do
14-Bis, o 15-Bis que n&atilde;o evolui e ent&atilde;o dedica-se
ao projeto mais sedutor, o &ldquo;Demoiselle&rdquo;, invento de
n&uacute;mero 19, apresentado em novembro de 1907.</p>
<p style="text-align: justify;">No
Demoiselle avi&atilde;o e piloto fundem-se num sistema
&uacute;nico. Com motor de cilindros opostos de 25 cavalos,
&eacute; simples, seguro e barato. Al&eacute;m disso, ao
contr&aacute;rio dos irm&atilde;os Wright, Santos Dumont
colocou seu projeto &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de
quem estivesse interessado em constru&iacute;-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
1909 o Demoiselle &eacute; destaque da Primeira
Exposi&ccedil;&atilde;o Aeron&aacute;utica em Paris, quando
come&ccedil;a a ser copiado por outros inventores e produzido em
s&eacute;rie pelas ind&uacute;strias Clement Bayard e L.Dutheil
&amp; Chalmers. Esse modelo iniciar&aacute; muitos dos
interessados no v&ocirc;o, entre eles Roland Garros, mais tarde um
conhecido piloto de autom&oacute;veis.</p>
<p style="text-align: justify;">Em
8 de agosto de 1908, quando Wilbur Wright visita a Fran&ccedil;a
ainda decolando com catapulta, o avi&atilde;o j&aacute; integra
a paisagem urbana e in&uacute;meras conquistas haviam sido feitas.
Santos Dumont previu o uso de avi&otilde;es para transporte de
passageiros, ligando cidades e continentes, mas antes que isso pudesse
ser realidade, o avi&atilde;o transformou-se em arma, durante a
Primeira Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao
final do confronto, a oferta de avi&otilde;es e pilotos estimula os
correios a&eacute;reos e um incipiente transporte de passageiros.
Na Segunda Guerra Mundial o avi&atilde;o passa de recurso
t&aacute;tico a arma estrat&eacute;gica e a
tripula&ccedil;&atilde;o de um B-29, o &ldquo;Enola
Gay&rdquo; atira sobre o Jap&atilde;o a primeira bomba
at&ocirc;mica, em agosto de 1945. Pouco depois,
&ldquo;Chuck&rdquo; Yager quebra a barreira do som com o
pequeno X-1. Ent&atilde;o, os jatos comerciais cada vez maiores
transportam um n&uacute;mero crescente de passageiros, confirmando
a previs&atilde;o de Santos Dumont, posta em d&uacute;vida por
muitos de seus contempor&acirc;neos.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante
a Segunda Guerra Mundial os alem&atilde;es desenvolvem
vers&otilde;es com turbinas a jato que s&oacute; atuaram no
final do conflito, al&eacute;m das bombas voadoras V-2, ancestrais
dos foguetes para explora&ccedil;&atilde;o espacial. Os
foguetes, cria&ccedil;&atilde;o originalmente militar,
acabar&atilde;o materializando a previs&atilde;o do pai da
astron&aacute;utica, o russo Konstantin Tsiolkovski, para quem
&ldquo;a Terra &eacute; o ber&ccedil;o da humanidade, mas
ningu&eacute;m pode viver eternamente no
ber&ccedil;o&rdquo;.</p>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p style="text-align: justify; font-weight: bold;">Para
conhecer Mais:</p>
<ol style="text-align: justify;">
  <span class="content"><li><strong>Santos
Dumont e a Inven&ccedil;&atilde;o do v&ocirc;o.</strong>
Henrique Lins de Barros. Jorge Zahar Editor, 2003.</li>
  <li><strong>Conex&atilde;o
Wright-Santos Dumont, a verdadeira hist&oacute;ria da
inven&ccedil;&atilde;o do avi&atilde;o.</strong>
Salvador Nogueira. Record, 2006.</li>
  <li><strong>O
que eu vi, o que n&oacute;s veremos.</strong>
Alberto Santos Dumont. Edi&ccedil;&atilde;o do autor, 1918.</li>
  <li style="text-align: justify;"><strong>Eu
naveguei pelo ar.</strong>
Jo&atilde;o Luiz Musa e Marcelo Breda Mour&atilde;o. Nova
Fronteira, 2001.</li>
  </span>
</ol>
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<br>
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