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<TITLE>ABSOR��O, DISTRIBUI��O E EXCRE��O DE DROGAS</TITLE>
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<P><A NAME="_Toc371097013"><A NAME="_Toc390797745"><A NAME="_Toc396752005"><A NAME="_Toc426543334"><HR></P>
<B><P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc426633864"><B>ABSOR&Ccedil;&Atilde;O, DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O E EXCRE&Ccedil;&Atilde;O DE DROGAS</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc426633865"><B>Propriedade das Mol&eacute;culas Org&acirc;nicas</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc426633866"><B>A Penetra&ccedil;&atilde;o de Membranas</B></A><B>]</P>
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<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc426633869"><B>Biodisponibilidade</B></A><B>]</P>
</B><P><HR></P>
<B><I><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426633864">ABSOR&Ccedil;&Atilde;O, DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O E EXCRE&Ccedil;&Atilde;O DE DROGAS</A></A></A></A></A> </P>
</B></I></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Os eventos n&atilde;o farmacol&oacute;gicos que ocorrem ap&oacute;s a administra&ccedil;&atilde;o de uma droga est&atilde;o descritos neste item. Uma droga &eacute; absorvida para a corrente sang&uuml;&iacute;nea, distribu&iacute;da atrav&eacute;s do organismo e, a seguir, &eacute; eliminada por meio de sua transforma&ccedil;&atilde;o em outro composto ou de sua excre&ccedil;&atilde;o. Esses eventos s&atilde;o importantes no que diz respeito &agrave; a&ccedil;&atilde;o farmacol&oacute;gica de uma droga, uma vez que determinam a quantidade da mesma que chega ao local de a&ccedil;&atilde;o e dura&ccedil;&atilde;o do efeito.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426543335"><A NAME="_Toc426633865">Propriedade das Mol&eacute;culas Org&acirc;nicas</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">O movimento de uma droga atrav&eacute;s do organismo &eacute; determinado por sua <B>polaridade </B>e caracter&iacute;sticas <B>i&ocirc;nicas.</B> A ioniza&ccedil;&atilde;o de muitas drogas &eacute; o resultado de rea&ccedil;&otilde;es &aacute;cido-b&aacute;sicas dos compostos org&acirc;nicos. Um &aacute;cido org&acirc;nico &eacute; um eletr&oacute;lito fraco que pode se ionizar dando um &iacute;on hidrog&ecirc;nio e a base conjugada:</P>
<B><P ALIGN="CENTER">CH<SUB>3</SUB><FONT FACE="Symbol">�</FONT>COOH <FONT FACE="Symbol">�</FONT> CH<SUB>3</SUB><FONT FACE="Symbol">�</FONT><SUB> </SUB>COO<SUP>- </SUP>+ H<SUP>+</P>
</B></SUP><P ALIGN="JUSTIFY">Analogamente, uma base org&acirc;nica &eacute; um eletr&oacute;lito fraco que se ioniza ao aceitar um pr&oacute;ton:</P>
<B><P ALIGN="CENTER">CH<SUB>3</SUB><FONT FACE="Symbol">�</FONT>NH<SUB>2</SUB> <FONT FACE="Symbol">�</FONT> CH<SUB>3</SUB><FONT FACE="Symbol">�</FONT>NH<SUB>2</SUB><SUP>+</SUP> + OH<SUP>-</P>
</B></SUP><P ALIGN="JUSTIFY">Quando compostos org&acirc;nicos s&atilde;o ionizados, tornam-se mais hidrossol&uacute;veis e, por esta raz&atilde;o, muitas drogas s&atilde;o administradas nas suas formas de sal ionizadas. Por exemplo, o <B>&aacute;cido acetilsalic&iacute;lico (I)</B> &eacute; geralmente administrado na sua forma de sal s&oacute;dico, e a <B>difenidramina (II)</B>, uma base org&acirc;nica, &eacute; administrada na forma de cloridrato. Nas formas neutras ou n&atilde;o-ionizadas, essas bases ou &aacute;cidos org&acirc;nicos s&atilde;o mais sol&uacute;veis em lip&iacute;deos ou material gorduroso, isto &eacute;, elas s&atilde;o <B>lipof&iacute;licas.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A <B>polaridade</B> de uma mol&eacute;cula org&acirc;nica &eacute; a medida de sua capacidade de dissolver-se em &aacute;gua, e sendo determinada pelo n&uacute;mero de grupos polares (por exemplo <B>OH, NH<SUB>2</SUB>, COOH)</B> que cont&eacute;m. Um composto como o <B>inositol (III) </B>seria muito mais polar que o <B>ciclohexanol (IV)</B>. A polaridade de uma mol&eacute;cula tamb&eacute;m determina a sua parti&ccedil;&atilde;o entre dois solventes imiss&iacute;veis. Assim, a rela&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o em equil&iacute;brio <B>(C) </B>do composto <B>inositol</B> em um sistema de duas fases, constitu&iacute;do por um solvente org&acirc;nico e &aacute;gua, ser&aacute; menor do que a rela&ccedil;&atilde;o correspondente do composto <B>ciclohexanol</B>, isto &eacute;:</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp5.gif" WIDTH=168 HEIGHT=75></P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A polaridade de um eletr&oacute;lito fraco &eacute; maior no estado ionizado, e esta &eacute; a base de sua solubilidade maior em um sistema aquoso e reduzida na maioria dos solventes org&acirc;nicos e lip&iacute;dicos. A passagem de um eletr&oacute;lito fraco de um sistema aquoso para um oleoso &eacute; m&aacute;xima quando o eletr&oacute;lito estiver em sua forma neutra.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426543336"><A NAME="_Toc426633866">A Penetra&ccedil;&atilde;o de Membranas</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Movimento de uma mol&eacute;cula da droga atrav&eacute;s do organismo depende de sua capacidade de passa atrav&eacute;s das membranas que separam os diferentes compartimentos de tecidos. H&aacute; v&aacute;rios mecanismos atrav&eacute;s dos quais ocorre esta passagem e o mais comum &eacute; a <B>difus&atilde;o passiva</B>. Na difus&atilde;o passiva, a droga passa atrav&eacute;s da membrana dissolvendo-se nela e atravessando-a numa velocidade proporcional ao gradiente de concentra&ccedil;&atilde;o ao longo da dire&ccedil;&atilde;o de difus&atilde;o. Para dissolver-se na membrana que &eacute; de car&aacute;ter lip&iacute;dico, a droga precisa ser lipossol&uacute;vel. Assim sendo, compostos neutros ou n&atilde;o-polares como, por exemplo, os anest&eacute;sicos vol&aacute;teis, difundem-se atrav&eacute;s das membranas muito mais facilmente que os compostos polares, como o <B>decamet&ocirc;nio.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;</B>Compostos polares, como o a&ccedil;&uacute;car e os amino&aacute;cidos, que s&atilde;o substratos fisiol&oacute;gicos, penetram nas membranas por um processo mediado por carregador, no qual o composto combina-se com um s&iacute;tio espec&iacute;fico da superf&iacute;cie externa da membrana celular e forma um complexo que atravessa a mesma. O complexo &eacute; inst&aacute;vel na parte interna da membrana e, assim, o material transportado &eacute; liberado e o carregador fica livre para voltar e ligar-se a outra mol&eacute;cula que ser&aacute; transportada. H&aacute; diferentes tipos de transportes mediados por carregadores (ou <B>carreadores</B>), transportes estes baseados no tipo de energia envolvida. Em alguns casos, o transporte &eacute; feito por <B>difus&atilde;o facilitada</B>, em que a for&ccedil;a de propuls&atilde;o &eacute; o gradiente de concentra&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da membrana. Em outros processos, o movimento op&otilde;e-se a um gradiente termodin&acirc;mico, sendo necess&aacute;rio energia para manter o transporte. Este segundo processo &eacute; chamado de <B>transporte ativo.</B> As drogas que entram nas c&eacute;lulas por mecanismos de carregadores s&atilde;o geralmente semelhantes aos substratos normais dos mesmos quanto &agrave; estrutura qu&iacute;mica e, assim, ligam-se a estes carregadores.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Outras subst&acirc;ncias polares de baixo peso molecular, isto &eacute;, a <B>&aacute;gua</B>, o <B>&aacute;lcool et&iacute;lico </B>e a <B>ur&eacute;ia</B>, penetram nas membranas atrav&eacute;s dos poros ou fendas da camada bimolecular de lip&iacute;deos. A absor&ccedil;&atilde;o de compostos de alto peso molecular, tais como as prote&iacute;nas e os agregados moleculares, &eacute; feita por <B>pinocitose</B>, na qual a c&eacute;lula toda envolve o material.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426543337"><A NAME="_Toc426633867">Absor&ccedil;&atilde;o, Distribui&ccedil;&atilde;o e Excre&ccedil;&atilde;o de Drogas</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">As drogas s&atilde;o geralmente introduzidas no organismo em locais distantes do seu s&iacute;tio de a&ccedil;&atilde;o e, a n&atilde;o ser que sejam administradas intravenosamente, elas precisam entrar na circula&ccedil;&atilde;o. Esse processo &eacute; chamado <B>absor&ccedil;&atilde;o</B>. Dois fatores importantes que afetam a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o s&atilde;o o <B>pH</B> do local de absor&ccedil;&atilde;o e a via escolhida para sua administra&ccedil;&atilde;o.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">O efeito do pH</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Quando h&aacute; uma diferen&ccedil;a substancial do pH entre o s&iacute;tio de absor&ccedil;&atilde;o e o sangue, como aquela existente no est&ocirc;mago e o sangue, a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o de eletr&oacute;litos fracos &eacute; marcadamente alterada. Por exemplo, o conte&uacute;do g&aacute;strico &eacute; bastante &aacute;cido (<B>pH ~ 1</B>), e assim o grau de ioniza&ccedil;&atilde;o de &aacute;cidos e bases no est&ocirc;mago ser&aacute; acentuadamente diferente daquele do plasma (<B>pH 7,4</B>). Se um eletr&oacute;lito fraco for introduzido em qualquer um dos lados da membrana, ele ir&aacute; difundir-se atrav&eacute;s da mesma na sua forma neutra ou n&atilde;o-polar e atingir&aacute; o equil&iacute;brio, ou a velocidade com a qual a droga mover-se-&aacute; de um compartimento a outro, depender&aacute; da concentra&ccedil;&atilde;o da forma difus&iacute;vel. Assim, condi&ccedil;&otilde;es que favorecem a forma neutra da droga aumentar&atilde;o a absor&ccedil;&atilde;o e vice-versa.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O est&ocirc;mago e o plasma podem ser considerados como dois compartimentos separados por uma membrana que pode ser atravessada somente pela forma neutra ou n&atilde;o-polar da droga. Em equil&iacute;brio, a concentra&ccedil;&atilde;o da forma neutra ou livremente perme&aacute;vel do &aacute;cido ser&aacute; igual, mas, como a forma i&ocirc;nica n&atilde;o atravessa a membrana, ir&atilde;o se estabelecer dois equil&iacute;brios separados em cada um dos dois lados da membrana. No plasma, a concentra&ccedil;&atilde;o relativa de mol&eacute;culas e &iacute;ons, calculada pela equa&ccedil;&atilde;o de <B>Henderson-Hasselbach</B>, &eacute;: </P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp11.GIF" WIDTH=348 HEIGHT=137></P>
<P ALIGN="JUSTIFY">a concentra&ccedil;&atilde;o de &acirc;nion <B>carboxilato </B>&eacute; 250 vezes maior do que a do <B>&aacute;cido livre.</B> Na grande acidez do est&ocirc;mago, a forma neutra predomina, e resulta uma rela&ccedil;&atilde;o de concentra&ccedil;&atilde;o de <B>1/10.000</B>. A raz&atilde;o de concentra&ccedil;&atilde;o do plasma &eacute; dada pela propor&ccedil;&atilde;o da quantidade total de &aacute;cido em cada um dos compartimentos, que &eacute; <B>251:1,001</B> a favor do plasma. A rela&ccedil;&atilde;o de concentra&ccedil;&atilde;o <B>plasma/est&ocirc;mago</B> &eacute; <B>1:2,5 X 10<SUP>6</SUP>. </B>Assim, os compostos b&aacute;sicos est&atilde;o mais concentrados no est&ocirc;mago devido &agrave; sua elevada acidez. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O equil&iacute;brio descrito acima, &eacute; raramente alcan&ccedil;ado, devido ao estado din&acirc;mico desses compartimentos. O aspecto importante dessa descri&ccedil;&atilde;o &eacute; o papel da ioniza&ccedil;&atilde;o na velocidade de absor&ccedil;&atilde;o. Quando uma droga como o <B>&aacute;cido salic&iacute;lico </B>&eacute; introduzida no est&ocirc;mago, sua velocidade de absor&ccedil;&atilde;o &eacute; proporcional &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o da forma n&atilde;o-ionizada, a qual, neste caso, &eacute; de <B>99,999%</B> do total presente no est&ocirc;mago. Essencialmente, o total da droga est&aacute; presente na forma difus&iacute;vel. Em contraste, haver&aacute; somente <B>0,00000148%</B> de uma base como a <B>anfetamina</B>, com um <B>pK<SUB>a</SUB> </B>de <B>9,83</B> no est&ocirc;mago, na forma molecular ou difus&iacute;vel. Segue-se que se a mesma quantidade das duas drogas for introduzida no est&ocirc;mago, a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o do &aacute;cido fraco ser&aacute; substancialmente maior. O <B>pH</B> intestinal &eacute; estimado em <B>5,3</B> e, nesse meio, a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o da anfetamina ser&aacute; aumentada em cem vezes.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Vias de administra&ccedil;&atilde;o de drogas.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Uma droga pode ser introduzida no organismo como um g&aacute;s, em solu&ccedil;&atilde;o, como uma suspens&atilde;o, ou como um s&oacute;lido. Nos dois &uacute;ltimos estados, a velocidade com que a droga &eacute; dissolvida ou extra&iacute;da nos <B>fluidos biol&oacute;gicos</B> &eacute; um fator significativo na velocidade de absor&ccedil;&atilde;o. Algumas drogas, como por exemplo os horm&ocirc;nios, s&atilde;o dadas em forma de suspens&atilde;o oleosa para diminuir sua velocidade de absor&ccedil;&atilde;o. O papel da velocidade de dissolu&ccedil;&atilde;o das drogas s&oacute;lidas na sua absor&ccedil;&atilde;o &eacute; explicado com freq&uuml;&ecirc;ncia, pelo grande n&uacute;mero de membranas. Em algumas formas de libera&ccedil;&atilde;o lenta, a droga &eacute; incorporada a subst&acirc;ncias de dissolu&ccedil;&atilde;o vagarosa. A velocidade de absor&ccedil;&atilde;o torna-se dependente da dissolu&ccedil;&atilde;o da subst&acirc;ncia incorporadora, que &eacute;, em geral, de um material semelhante &agrave; cera.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A vasculariza&ccedil;&atilde;o do local de administra&ccedil;&atilde;o e a superf&iacute;cie da &aacute;rea de absor&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m influenciam a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o. As drogas s&atilde;o absorvidas mais rapidamente em &aacute;reas ricamente vascularizadas, como por exemplo, os pulm&otilde;es, do que em regi&otilde;es subcut&acirc;neas. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">As vias de administra&ccedil;&atilde;o de drogas usadas para efeitos sist&ecirc;micos podem ser divididas em dois grandes grupos, <B>oral</B>, ou <B>"per-&oacute;s"</B> (no trato gastrintestinal), ou <B>parenteral,</B> em que &eacute; evitado o trato gastrintestinal por meio de inje&ccedil;&atilde;o ou por introdu&ccedil;&atilde;o nos pulm&otilde;es. A via oral &eacute; a mais comum na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, pois &eacute; a mais apropriada para a auto-administra&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">As mucosas ca cavidade oral t&ecirc;m um epit&eacute;lio fino e s&atilde;o ricamente vascularizadas. Isto contribui para uma r&aacute;pida absor&ccedil;&atilde;o, e as drogas s&atilde;o prescritas para administra&ccedil;&atilde;o sublingual e bucal. Uma vantagem dessas vias de administra&ccedil;&atilde;o &eacute; que, uma vez absorvida, a droga passa para a circula&ccedil;&atilde;o geral sem antes passar pelo f&iacute;gado. Quando absorvida a partir do est&ocirc;mago ou dos intestinos, a droga passa atrav&eacute;s do sistema portal hep&aacute;tico antes de entrar na circula&ccedil;&atilde;o geral. Visto que o f&iacute;gado &eacute; o local de maior metaboliza&ccedil;&atilde;o de drogas, uma quantidade substancial da droga pode ser metabolizada. Drogas neutras ou &aacute;cidas s&atilde;o absorvidas rapidamente no est&ocirc;mago. A mucosa g&aacute;strica disp&otilde;e de um vasto suprimento sang&uuml;&iacute;neo, e , em conseq&uuml;&ecirc;ncia de suas in&uacute;meras dobras, de uma grande &aacute;rea de superf&iacute;cie. O pH baixo impede a absor&ccedil;&atilde;o significativa de drogas b&aacute;sicas; elas s&atilde;o absorvidas mais efetivamente da cavidade oral (pH ~6,0) ou do intestino (pH ~ 5,0).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O papel fisiol&oacute;gico do intestino &eacute; absorver produtos finais da digest&atilde;o de alimentos. A grande &aacute;rea de superf&iacute;cie, a rica vasculariza&ccedil;&atilde;o, o pH praticamente neutro, o tempo gasto nos intestinos, tudo favorece a absor&ccedil;&atilde;o. As drogas tamb&eacute;m podem ser administradas via <B>retal.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Quando uma droga &eacute; administrada parenteralmente, ela pode ser introduzida diretamente na circula&ccedil;&atilde;o, intra-arterial ou intravenosamente (IV), em regi&otilde;es subcut&acirc;neas (SC) ou em m&uacute;sculos (IM). A administra&ccedil;&atilde;o intravenosa tem a vantagem da velocidade, precis&atilde;o e completa absor&ccedil;&atilde;o. Entretanto, inje&ccedil;&otilde;es IV podem causar efeitos cardiovasculares adversos, tais como a hipotens&atilde;o e irregularidades card&iacute;acas, e, por essa raz&atilde;o, em geral s&atilde;o feitas vagarosamente. Problemas adicionais que resultam da inje&ccedil;&atilde;o intramuscular e da conseq&uuml;ente concentra&ccedil;&atilde;o elevada que ela promove no plasma incluem rea&ccedil;&otilde;es anafilact&oacute;ides, que s&atilde;o em geral mais severas devido &agrave; r&aacute;pida e intensa rea&ccedil;&atilde;o ant&iacute;geno-anticorpo, e efeitos no SNC, como por exemplo, a estimula&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a proca&iacute;na.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A absor&ccedil;&atilde;o de drogas de regi&otilde;es subcut&acirc;neas e intramusculares depende da vasculariza&ccedil;&atilde;o local do tecido e da capacidade da droga em penetrar nas membranas dos capilares. Essa via de administra&ccedil;&atilde;o &eacute; importante especialmente para drogas como a insulina e algumas penicilinas que s&atilde;o metabolizadas no trato gastrintestinal. A absor&ccedil;&atilde;o de regi&otilde;es intramusculares e subcut&acirc;neas &eacute; geralmente r&aacute;pida. Modifica&ccedil;&otilde;es do estado f&iacute;sico das drogas s&atilde;o usadas para diminuir a velocidade de absor&ccedil;&atilde;o nessas regi&otilde;es. Por exemplo, p&iacute;lulas que cont&ecirc;m ester&oacute;ides s&atilde;o implantadas subcutaneamente, e drogas em ve&iacute;culos oleosos s&atilde;o administrados por inje&ccedil;&atilde;o IM profunda para formar um dep&oacute;sito. Uma abordagem mais farmacol&oacute;gica &eacute; injetar a droga com uma pequena quantidade de epinefrina, um vaso constritor que reduz o fluxo sang&uuml;&iacute;neo no local da administra&ccedil;&atilde;o.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Outras t&eacute;cnicas usadas para obter efeitos locais de drogas.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A infus&atilde;o direta intra-arterial &eacute; usada para se administrar agentes antineopl&aacute;sicos no local da &aacute;rea afetada. Esses compostos t&ecirc;m um baixo <B>&iacute;ndice terap&ecirc;utico</B> e n&atilde;o podem ser administrados sistemicamente em doses que ir&atilde;o afetar seletivamente o tecido maligno. Os efeitos locais de anti-histam&iacute;nicos, antibi&oacute;ticos e antiinflamat&oacute;rios s&atilde;o obtidos por administra&ccedil;&atilde;o direta na &aacute;rea desejada. Um resumo das vias de administra&ccedil;&atilde;o de drogas &eacute; dado na tabela abaixo:</P>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=9 WIDTH=774>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P><B><I>Para efeitos locais</B></I></TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="RIGHT">Para efeitos sist&ecirc;micos</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">T&oacute;pico</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="RIGHT">IV</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Oral</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">- (para compostos ativos no trato gastrintestinal)</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="RIGHT">Subcutaneamente</P>
<P ALIGN="RIGHT">Intrad&eacute;rmica</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">T&eacute;cnicas de inje&ccedil;&atilde;o direta</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">- (em tecidos espec&iacute;ficos ou em art&eacute;rias que suprem os tecidos espec&iacute;ficos)</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="RIGHT">Retal</P>
<P ALIGN="RIGHT">Inala&ccedil;&atilde;o</TD>
</TR>
</TABLE>

<B><P ALIGN="JUSTIFY">Distribui&ccedil;&atilde;o.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Quando uma droga &eacute; absorvida para a circula&ccedil;&atilde;o, &eacute; distribu&iacute;da para todos os &oacute;rg&atilde;os, inclusive aqueles que n&atilde;o s&atilde;o importantes para sua a&ccedil;&atilde;o farmacol&oacute;gica ou terap&ecirc;utica. A droga pode estar ligada reversivelmente a seu s&iacute;tio de a&ccedil;&atilde;o, a prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas e a tecidos que n&atilde;o est&atilde;o envolvidos em sua a&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">S&atilde;o tr&ecirc;s os fatores mais importantes que controlam a entre da droga em um &oacute;rg&atilde;o e sua reten&ccedil;&atilde;o: o fluxo sang&uuml;&iacute;neo ou taxa de perfus&atilde;o, a facilidade de penetra&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o e um mecanismo especial de reten&ccedil;&atilde;o da droga pelo tecido. A grande varia&ccedil;&atilde;o na taxa de perfus&atilde;o para os diferentes &oacute;rg&atilde;os &eacute; vista na pr&oacute;xima tabela, sendo que o rim e o pulm&atilde;o s&atilde;o os tecidos mais perfundidos. Os tecidos altamente perfundidos tendem a acumular mais drogas porque t&ecirc;m maior oportunidade de equilibrar-se com o plasma.</P>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=9 WIDTH=774>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<P><B><I>&Oacute;rg&atilde;o </B></I></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">%de d&eacute;bito</P>
<P ALIGN="CENTER">card&iacute;aco</B></I></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">% de peso</P>
<P ALIGN="CENTER">corporal</B></I></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">&iacute;ndice de <U>perfus&atilde;o</P>
</U><P ALIGN="CENTER">(ml.min<SUP>-1</SUP>100g tecido<SUP>-1</SUP>)</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>Pulm&otilde;es</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">100</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">1,5</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">400</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>Rins</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">20</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">0,5</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">350</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>F&iacute;gado</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">24</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">2,8</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">85</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>Cora&ccedil;&atilde;o</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">4</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">0,5</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">84</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>C&eacute;rebro</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">12</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">2,0</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">55</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>M&uacute;sculos</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">23</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">40,0</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">5</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>Pele</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">6</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">10,0</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">5</B></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="36%" VALIGN="TOP">
<B><P>Tecido adiposo</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">10</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">19,0</B></TD>
<TD WIDTH="21%" VALIGN="TOP">
<B><P ALIGN="CENTER">3</B></TD>
</TR>
</TABLE>

<P ALIGN="JUSTIFY">Essa barreira evita ou restringe a entrada e sa&iacute;da de mol&eacute;culas polares. Assim, mol&eacute;culas permanentemente carregadas como a <B>metilatropina</B> n&atilde;o penetram no c&eacute;rebro, enquanto que compostos lipossol&uacute;veis como a <B>petidina </B>(ou <B>meperidina</B>) e a <B>clorpromazina</B> s&atilde;o encontrados numa rela&ccedil;&atilde;o c&eacute;rebro/plasma aproximadamente igual &agrave;quela relativa dos pulm&otilde;es. Por essa raz&atilde;o, muitas drogas que t&ecirc;m efeito no SNC s&atilde;o compostos n&atilde;o-polares e lipof&iacute;licos, enquanto que aquelas cuja a&ccedil;&atilde;o &eacute; primariamente perif&eacute;rica, s&atilde;o geralmente polares ou carregadas. Por exemplo, a <B>metilatropina</B> &eacute; usada como anticolin&eacute;rgico perif&eacute;rico, enquanto que seu an&aacute;logo n&atilde;o-quatern&aacute;rio tem sido usado no tratamento da doen&ccedil;a de Parkinson porque pode penetrar no c&eacute;rebro e exercer a&ccedil;&atilde;o anticolin&eacute;rgica central.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A barreira hemato-cerebral impede, tamb&eacute;m, a entrada passiva de substratos fisiol&oacute;gicos polares, como os a&ccedil;&uacute;cares e os amino&aacute;cidos. Esses substratos devem penetrar no c&eacute;rebro atrav&eacute;s de um sistema de transporte mediado por carregador. Um desses sistemas de transporte &eacute; utilizado no tratamento do parkinsonismo. Pode-se conseguir uma melhora dessa doen&ccedil;a atrav&eacute;s de um aumento da <B>dopamina </B>(diidroxifeniletilamina) no c&eacute;rebro. Entretanto, a dopamina n&atilde;o atravessa a barreira hemato-cerebral e, portanto, sua administra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o produzir&aacute; efeitos nos n&iacute;veis cerebrais da dopamina. A solu&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica &eacute; administrar a <B>L-Dopa</B> (diidroxifenilalanina), um amino&aacute;cido que penetra no c&eacute;rebro devido &agrave; exist&ecirc;ncia de um carregador, e que, sob a a&ccedil;&atilde;o de uma descarboxilase presente no c&eacute;rebro, transforma-se em dopamina.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">A Barreira Placent&aacute;ria.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Na gravidez, a circula&ccedil;&atilde;o materna &eacute; separada da fetal por v&aacute;rias camadas de tecidos fetais na placenta, o que resulta numa barreira que restringe a difus&atilde;o passiva de compostos entre a circula&ccedil;&atilde;o materna e fetal. As subst&acirc;ncias que penetram na barreira placent&aacute;ria, semelhantes &agrave;quelas que penetram no SNC, s&atilde;o compostos lipof&iacute;licos n&atilde;o-polares. Assim, poder-se-ia esperar que anest&eacute;sicos usados em obstetr&iacute;cia tamb&eacute;m atingissem o feto. Felizmente, por&eacute;m, decorre um certo intervalo de tempo para que o equil&iacute;brio entre as duas circula&ccedil;&otilde;es se estabele&ccedil;a e, assim, os altos n&iacute;veis iniciais de depress&atilde;o do SNC encontrados no sangue materno n&atilde;o s&atilde;o imediatamente alcan&ccedil;ados no feto, e uma m&atilde;o sob a a&ccedil;&atilde;o de anestesia dar&aacute; &agrave; luz uma crian&ccedil;a forte. Entretanto, se a anestesia for prolongada por uma hora ou mais, e se drogas de a&ccedil;&atilde;o prolongada como a <B>petidina</B> tiverem oportunidade de equilibrar-se, pode ocorrer depress&atilde;o no neonato. O significado pr&aacute;tico desses achados &eacute; de que a prote&ccedil;&atilde;o do feto, em rala&ccedil;&atilde;o &agrave;s drogas dadas &agrave; m&atilde;e, &eacute; tempor&aacute;ria, e depende da velocidade de equil&iacute;brio entre os dois sistemas circulat&oacute;rios. Essa velocidade de equil&iacute;brio depende das propriedades f&iacute;sico-qu&iacute;micas da droga; por exemplo, compostos altamente lipof&iacute;licos, como o <B>tiopental</B>, podem alcan&ccedil;ar n&iacute;veis farmacologicamente efetivos no plasma fetal 7 minutos depois de serem administradas &agrave; m&atilde;e.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Liga&ccedil;&atilde;o com uma prote&iacute;na plasm&aacute;tica.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">As prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas afetam a distribui&ccedil;&atilde;o de algumas drogas atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de complexos droga-prote&iacute;na revers&iacute;veis. As drogas que s&atilde;o conjugadas comportam-se como macromol&eacute;culas e, portanto, n&atilde;o se equilibram com outros tecidos e nem interagem com seu s&iacute;tio de a&ccedil;&atilde;o. O complexo n&atilde;o &eacute; filtrado pelos glom&eacute;rulos, nem &eacute; metabolizado pelo f&iacute;gado e, assim, a sua taxa de elimina&ccedil;&atilde;o do organismo &eacute; reduzida. A albumina &eacute; a prote&iacute;na plasm&aacute;tica mais freq&uuml;entemente envolvida nesta intera&ccedil;&atilde;o, mas as globulinas tamb&eacute;m podem participar da mesma. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A liga&ccedil;&atilde;o de drogas e outras mol&eacute;culas menores &agrave;s prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas &eacute; um fen&ocirc;meno revers&iacute;vel que, em alguns casos, tem uma afinidade extremamente grande. O complexo droga-prote&iacute;na funciona como um dep&oacute;sito do organismo e, &agrave; medida que a droga livre &eacute; eliminada do plasma, uma quantidade equivalente de droga que se ligou a prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas &eacute; dissociada. Certos horm&ocirc;nios como a <B>cortisona </B>e a <B>tiroxina </B>tamb&eacute;m se ligam a globulinas espec&iacute;ficas do plasma e, assim, n&iacute;veis muito baixos de horm&ocirc;nios livres no plasma s&atilde;o mantidos como um suprimento facilmente dispon&iacute;vel. As drogas que se ligam a prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas s&atilde;o geralmente compostos lipossol&uacute;veis com peso molecular moderado; muitas delas ligam-se &agrave; albumina num mesmo s&iacute;tio. Quando mais de uma dessas drogas &eacute; introduzida no plasma, ocorre uma competi&ccedil;&atilde;o por s&iacute;tios de liga&ccedil;&atilde;o, e a quantidade final de droga livre aumenta. Quando isto ocorre, resulta num aumento da resposta farmacol&oacute;gica de cada droga. Talvez o exemplo mais comum seja a intera&ccedil;&atilde;o entre a bilirrubina, um metab&oacute;lito t&oacute;xico do heme, e as sulfonamidas.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Tecido Adiposo.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Embora o tecido adiposo tenha grande afinidade por drogas lipof&iacute;licas, ele &eacute; muito pouco perfundido e, portanto, a velocidade com a qual se equilibra com a droga no plasma &eacute; muito baixa. Uma vez acumulado na gordura, esse tecido age como um reservat&oacute;rio do qual a droga &eacute; liberada lentamente para a circula&ccedil;&atilde;o. Os inseticidas <B>organoclorados</B>, como o <B>DDT</B>, s&atilde;o compostos altamente lipof&iacute;licos, aos quais os indiv&iacute;duos ficam expostos por longos per&iacute;odos de tempo. O composto &eacute; acumulado lentamente na gordura, e a rela&ccedil;&atilde;o tecido/plasma de 306:1 tem sido encontrada em aut&oacute;psias. </P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Volume de Distribui&ccedil;&atilde;o.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Uma estimativa quantitativa da localiza&ccedil;&atilde;o de uma droga nos tecidos pode ser obtida atrav&eacute;s do seu volume de distribui&ccedil;&atilde;o. O volume de distribui&ccedil;&atilde;o (<B>V<SUB>d</B></SUB>) de uma droga &eacute; o volume no qual ela deveria dissolver-se para dar a concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica obtida se n&atilde;o houvesse elimina&ccedil;&atilde;o. &Eacute;, pois, um n&uacute;mero hipot&eacute;tico, sendo calculado atrav&eacute;s da dose total dada (<B>Q</B>) e da concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica inicial extrapolada (<B>C<SUB>o</B></SUB>).</P>
<P ALIGN="CENTER">&nbsp;</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp6.gif" WIDTH=206 HEIGHT=56></P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica (<B>SS </B>ou <B>Stead State</B>) inicial extrapolada &eacute; obtida experimentalmente de gr&aacute;ficos com concentra&ccedil;&atilde;o do plasma em oposi&ccedil;&atilde;o ao tempo. Quando o n&iacute;vel plasm&aacute;tico da droga cai segundo uma rea&ccedil;&atilde;o cin&eacute;tica de primeira ordem [log (C) versus tempo &eacute; uma linha reta], (<B>C<SUB>o</B></SUB>) pode ser prontamente extrapolado. Torna-se evidente, pela equa&ccedil;&atilde;o acima, que quanto mais baixa for a concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica, maior ser&aacute; o volume de distribui&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A albumina marcada &eacute; retida no volume plasm&aacute;tico, enquanto que o manitol s&oacute; entra no espa&ccedil;o extra-celular. O volume de distribui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua marcada &eacute; uma medida da &aacute;gua total do organismo. Os volumes de distribui&ccedil;&atilde;o das drogas apresentadas podem ser comparados com aqueles dos compostos de refer&ecirc;ncia. Assim, o decamet&ocirc;nio est&aacute; restrito ao espa&ccedil;o extra-celular, enquanto a clorpromazina est&aacute; localizada em tecidos diferentes, de maneira que resulta uma baixa concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O volume de distribui&ccedil;&atilde;o de uma droga varia entre indiv&iacute;duos, bem como com os estados patol&oacute;gicos, de maneira que uma determinada dose pode apresentar grande varia&ccedil;&atilde;o na concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica em pacientes diferentes. Essas diferen&ccedil;as podem resultar numa grande varia&ccedil;&atilde;o da resposta a uma determinada dose. Em estudos com o antidepressivo tric&iacute;clico, a <B>nortriptilina</B>, os pesquisadores encontraram uma diferen&ccedil;a de 10 vezes mais no n&iacute;vel plasm&aacute;tico da droga, em um grupo de 25 pacientes aos quais foi dada a mesma dose, e onde a doen&ccedil;a presumivelmente n&atilde;o alterava o volume de distribui&ccedil;&atilde;o. Os resultados terap&ecirc;uticos tamb&eacute;m foram vari&aacute;veis, mas correlacionados com os volumes plasm&aacute;ticos; n&iacute;veis baixos n&atilde;o apresentavam efeito e n&iacute;veis altos eram suficientes para causar efeitos adversos. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Estados patol&oacute;gicos tamb&eacute;m podem alterar o volume de distribui&ccedil;&atilde;o. Quando foi estudada a farmacocin&eacute;tica da <B>lidoca&iacute;na</B>, um agente antiarr&iacute;tmico, em pacientes com insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca, observou-se um decr&eacute;scimo significativo no volume de distribui&ccedil;&atilde;o, em compara&ccedil;&atilde;o com pacientes com outros problemas cardiovasculares. O resultado desse volume de distribui&ccedil;&atilde;o mais baixo seria uma concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica maior, o que levaria a uma alta incid&ecirc;ncia de efeitos colaterais da lidoca&iacute;na em pacientes com insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca. Pensa-se que essa altera&ccedil;&atilde;o no volume de distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; causada por um decr&eacute;scimo da taxa de perfus&atilde;o, resultante da insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Excre&ccedil;&atilde;o</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Excre&ccedil;&atilde;o Renal.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A via mais importante de excre&ccedil;&atilde;o de drogas &eacute; atrav&eacute;s dos rins, na urina. A urina &eacute; formada do plasma por processos de filtra&ccedil;&atilde;o glomerular, absor&ccedil;&atilde;o e excre&ccedil;&atilde;o que ocorrem no n&eacute;fron. A filtra&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo f&iacute;sico no qual o sangue &eacute; fracionado de acordo com o tamanho molecular de seus componentes. Muitas drogas t&ecirc;m <B>peso molecular</B> menor que 500 e, assim, s&atilde;o prontamente filtradas, a menos que estejam ligadas a prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas. O filtrado glomerular sofre influ&ecirc;ncia de mecanismos processados nos t&uacute;bulos proximal e distal, mecanismos estes que envolvem remo&ccedil;&atilde;o do filtrado de subst&acirc;ncias fisiologicamente &uacute;teis, como &iacute;ons inorg&acirc;nicos, a&ccedil;&uacute;cares, , amino&aacute;cidos e &aacute;gua. No t&uacute;bulo proximal, a glicose, os amino&aacute;cidos e os &iacute;ons s&oacute;dio s&atilde;o eliminados por um sistema de transporte mediado por carregador. &Iacute;ons cloreto s&atilde;o absorvidos passivamente, a fim de manter a neutralidade el&eacute;trica, e a &aacute;gua &eacute; absorvida para a manuten&ccedil;&atilde;o da isotonicidade da urina. A parede do t&uacute;bulo proximal tamb&eacute;m segrega subst&acirc;ncias para a ultrafiltra&ccedil;&atilde;o dos capilares peritubulares. Entre essas subst&acirc;ncias incluem-se os &acirc;nions org&acirc;nicos, como por exemplo os salicilatos e as penicilinas, e os c&aacute;tions como o am&ocirc;nio quatern&aacute;rio dos anticolin&eacute;rgicos. O sangue nos capilares peritubulares tem ampla oportunidade para equilibrar-se com o filtrado glomerular e, assim, os compostos n&atilde;o-polares podem mover-se livremente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Como o ultrafiltrado ou a urina procedem da al&ccedil;a de Henle, onde a &aacute;gua e os &iacute;ons s&oacute;dio s&atilde;o reabsorvidos, o conte&uacute;do torna-se mais concentrado naqueles componentes que n&atilde;o s&atilde;o reabsorvidos por sistemas de transporte. A reabsor&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua corresponde a 99% daquela que foi filtrada e, assim sendo, a concentra&ccedil;&atilde;o da droga na urina aumenta substancialmente &agrave; medida que ela procedo do n&eacute;fron. Isto provoca um gradiente de concentra&ccedil;&atilde;o da droga entre o plasma e a urina que &eacute; favor&aacute;vel &agrave; &uacute;ltima. Se a droga atravessar facilmente a barreira que separa os dois fluidos, ela difundir-se-&aacute; de volta para o plasma ao longo do seu gradiente de concentra&ccedil;&atilde;o. Os compostos lipof&iacute;licos s&atilde;o exclusivamente reabsorvidos por esse mecanismo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Quando uma droga &eacute; um eletr&oacute;lito fraco, sua reabsor&ccedil;&atilde;o &eacute; afetada pelo pH da urina, da mesma forma que diferen&ccedil;as de pH controlam gradientes de concentra&ccedil;&atilde;o entre o est&ocirc;mago e o plasma. A excre&ccedil;&atilde;o de uma droga est&aacute; favorecida numa urina alcalina. O pH da urina pode ser &aacute;cido ou alcalino, dependendo da dieta e da droga utilizada no tratamento. Por exemplo, doses grandes de &aacute;cido asc&oacute;rbico diminuem o pH da urina, enquanto que a ingest&atilde;o de <B>bicarbonato</B> o aumenta. Esse efeito &eacute; utilizado no tratamento de uma superdose de barbit&uacute;ricos. A excre&ccedil;&atilde;o de barbit&uacute;ricos, &aacute;cidos fracos com pK<SUB>a</SUB> de cerca de 7,0, &eacute; facilitada pela administra&ccedil;&atilde;o de bicarbonato de s&oacute;dio para alcalinizar a urina.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">A Excre&ccedil;&atilde;o Biliar.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">O f&iacute;gado segrega cerca de 0,5 a 1 litro de bile diariamente. N&iacute;veis significativos de compostos org&acirc;nicos est&atilde;o presentes neste fluido. Muitas subst&acirc;ncias presentes na bile s&atilde;o reabsorvidas no intestino delgado, mas certos compostos altamente polares n&atilde;o o s&atilde;o, e sua excre&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pelas fezes. H&aacute; tr&ecirc;s classes de subst&acirc;ncias presentes na bile: &iacute;ons org&acirc;nicos e sucrose presentes em concentra&ccedil;&otilde;es iguais &agrave;s do plasma, prote&iacute;nas e fosfolip&iacute;dios presentes em n&iacute;veis mais baixos do que aqueles do plasma e compostos org&acirc;nicos, com peso molecular de cerca de 400, compostos estes que est&atilde;o presentes na bile numa concentra&ccedil;&atilde;o de 10-100 vezes maior que aquela do plasma. A maioria das drogas excretadas atrav&eacute;s da bile est&atilde;o inclu&iacute;das nesta &uacute;ltima categoria. Essas drogas geralmente cont&ecirc;m grandes radicais hidrocarbonetos com um grupo funcional polar, e freq&uuml;entemente s&atilde;o drogas ou seus metab&oacute;litos conjugados.</P>

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Os compostos do terceiro grupo s&atilde;o concentrados na bile por processos de transporte: parecem existir no f&iacute;gado carregadores distintos para os &acirc;nions, c&aacute;tions e glicos&iacute;dios. Esses sistemas s&atilde;o respons&aacute;veis pela excre&ccedil;&atilde;o biliar de certas drogas como os barbit&uacute;ricos, antimuscar&iacute;nicos quatern&aacute;rios e os glicos&iacute;dios cardioativos. Conjugados de outras drogas como os fenotiaz&iacute;nicos, a morfina e os ester&oacute;ides, tamb&eacute;m s&atilde;o excretados em quantidades significativas pela bile, uma vez que esses compostos polares n&atilde;o s&atilde;o reabsorvidos imediatamente atrav&eacute;s dos intestinos.</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Outras vias de excre&ccedil;&atilde;o de menor import&acirc;ncia incluem a respira&ccedil;&atilde;o, a saliva, o suor e o leite. A excre&ccedil;&atilde;o de drogas para os fluidos depende muito da difus&atilde;o passiva e, no caso de eletr&oacute;litos fracos, da diferen&ccedil;a de pH entre o plasma e a secre&ccedil;&atilde;o. A excre&ccedil;&atilde;o de drogas pelo leite torna-se um aspecto importante a ser considerado no caso de m&atilde;es que amamentem, uma vez que a crian&ccedil;a pode receber as drogas tomadas pela m&atilde;e. Anest&eacute;sicos vol&aacute;teis e outros compostos de baixo peso molecular que aparecem pela degrada&ccedil;&atilde;o de drogas, podem ser eliminados atrav&eacute;s dos pulm&otilde;es.</LI></P></UL>

<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426543338"><A NAME="_Toc426633868">FARMACOCIN&Eacute;TICA</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">O n&iacute;vel da droga em qualquer tecido est&aacute; num estado de fluxo constante. A droga movimenta-se de um compartimento a outro via plasma, sendo simultaneamente eliminada do organismo por metabolismo ou excre&ccedil;&atilde;o. A rela&ccedil;&atilde;o quantitativa entre esses processos e a farmacocin&eacute;tica da droga, determina sua dosagem e controla o seu tempo de a&ccedil;&atilde;o. No caso de drogas que agem reversivelmente, a concentra&ccedil;&atilde;o de uma droga no seu s&iacute;tio de a&ccedil;&atilde;o &eacute; proporcional &agrave; sua concentra&ccedil;&atilde;o sob a forma livre no plasma. Quando o n&iacute;vel plasm&aacute;tico da forma livre diminui, a resposta da droga tamb&eacute;m deve diminuir. Embora existam algumas drogas de a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-revers&iacute;vel, a maioria age reversivelmente, e existe uma proporcionalidade entre o n&iacute;vel plasm&aacute;tico da droga e sua concentra&ccedil;&atilde;o no s&iacute;tio de a&ccedil;&atilde;o. O decl&iacute;nio inicial do n&iacute;vel plasm&aacute;tico reflete a r&aacute;pida distribui&ccedil;&atilde;o, a entrada nos tecidos e a taxa relativamente constante de elimina&ccedil;&atilde;o. Logo que o plasma e os tecidos entram em equil&iacute;brio, o decl&iacute;nio diminui. A inclina&ccedil;&atilde;o reflete mais a elimina&ccedil;&atilde;o por excre&ccedil;&atilde;o e/ou metaboliza&ccedil;&atilde;o em que h&aacute; transforma&ccedil;&atilde;o em outro composto. Quando a droga &eacute; administrada oralmente, a taxa de absor&ccedil;&atilde;o torna-se um fator significante de limita&ccedil;&atilde;o do processo, e um aumento lento do n&iacute;vel plasm&aacute;tico &eacute; visto juntamente com um decl&iacute;nio mais vagaroso. O ponto mais alto do n&iacute;vel plasm&aacute;tico tamb&eacute;m &eacute; o menor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Essas curvas podem ser usadas para a obten&ccedil;&atilde;o do volume de distribui&ccedil;&atilde;o e outras constantes farmacocin&eacute;ticas relevantes por t&eacute;cnicas de computa&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Mesmo sem an&aacute;lises sofisticadas, dados de n&iacute;veis plasm&aacute;ticos versus tempo s&atilde;o &uacute;teis para a compreens&atilde;o da farmacocin&eacute;tica das drogas, podendo-se obter alguns par&acirc;metros. Por exemplo, a fase de distribui&ccedil;&atilde;o inicial pode ser ignorada at&eacute; aproximadamente uma hora ap&oacute;s a administra&ccedil;&atilde;o IV. Depois desse tempo, a curva de decaimento do plasma reflete a elimina&ccedil;&atilde;o e aproxima-se de um processo de 1<SUP>a</SUP> ordem. Isto significa que a curva de decaimento do plasma, colocada em gr&aacute;fico de <B>log C</B> do plasma versus tempo, &eacute; uma reta. A extrapola&ccedil;&atilde;o dessa linha de volta ao tempo zero d&aacute; uma valor da concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica atrav&eacute;s da qual pode ser calculado o volume de distribui&ccedil;&atilde;o aparente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Outro par&acirc;metro farmacocin&eacute;tico que pode ser obtido desse gr&aacute;fico &eacute; a <B>meia-vida</B> plasm&aacute;tica, o tempo necess&aacute;rio para a concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica cair pela metade. A <B>meia-vida</B> &eacute; uma constante para todos os processos de 1<SUP>a </SUP>ordem, e pode ser usada em farmacocin&eacute;tica para predizer o tempo de a&ccedil;&atilde;o de uma droga e determinar a seq&uuml;&ecirc;ncia ideal de dosagem necess&aacute;ria para manter n&iacute;veis terap&ecirc;uticos da droga.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O objetivo desse regime &eacute; manter os n&iacute;veis plasm&aacute;ticos da droga numa faixa terap&ecirc;utica. Por&eacute;m, quando um dos par&acirc;metros que afetam essa curva &eacute; alterado, os n&iacute;veis plasm&aacute;ticos podem ser marcadamente afetados. Se, por exemplo, a taxa de elimina&ccedil;&atilde;o for diminu&iacute;da em 50%, por insufici&ecirc;ncia renal, ou inibi&ccedil;&atilde;o do metabolismo, os n&iacute;veis plasm&aacute;ticos atingem uma faixa t&oacute;xica. Al&eacute;m disto, uma vez que estes tamb&eacute;m s&atilde;o uma fun&ccedil;&atilde;o do volume de distribui&ccedil;&atilde;o, uma altera&ccedil;&atilde;o nesse par&acirc;metro, tamb&eacute;m alterar&aacute; os n&iacute;veis plasm&aacute;ticos. As drogas s&atilde;o geralmente usadas regimes terap&ecirc;uticos que duram v&aacute;rios dias. O objetivo deste plano de administra&ccedil;&atilde;o &eacute; obter um estado de equil&iacute;brio do n&iacute;vel plasm&aacute;tico da droga que n&atilde;o seja t&oacute;xico nem farmacologicamente ineficaz.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os par&acirc;metros farmacocin&eacute;ticos podem ser usados para calcular o equil&iacute;brio do n&iacute;vel plasm&aacute;tico (<B>C</B>) ap&oacute;s administra&ccedil;&atilde;o prolongada, com o aux&iacute;lio da equa&ccedil;&atilde;o:</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp7.gif" WIDTH=91 HEIGHT=56></P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;onde <B>D = <I>dose,</I> F = <I>fra&ccedil;&atilde;o da dose absorvida, </I>V<SUB>d</SUB> = <I>volume de distribui&ccedil;&atilde;o, </I>K = <I>velocidade constante de elimina&ccedil;&atilde;o <IMG SRC="imagens/fcomp12.GIF" WIDTH=71 HEIGHT=36></I>e T </B>&eacute; o <B><I>intervalo<SUP> </SUP>da dosagem.</P>
</B></I><P ALIGN="JUSTIFY">Uma droga administrada numa dose total de 50mg, tr&ecirc;s vezes ao dia, quando <B>F = 1, V<SUB>d</SUB> = 50, K = 0,11 </B>dias e <B>T = 0,333</B> dias, ter&aacute; no equil&iacute;brio, uma constante plasm&aacute;tica de:</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp8.GIF" WIDTH=270 HEIGHT=54></P>
<P ALIGN="JUSTIFY">dessa equa&ccedil;&atilde;o se pode tirar que a concentra&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio de uma droga administrada repetidamente depende de sua absor&ccedil;&atilde;o, da maneira como o tamanho do paciente reflete no volume de distribui&ccedil;&atilde;o e de sua meia-vida, a qual pode refletir diferen&ccedil;as individuais no metabolismo. Assim, a administra&ccedil;&atilde;o de uma droga atrav&eacute;s de um mesmo regime de doses m&uacute;ltiplas a pessoas diferentes poder&aacute; resultar em n&iacute;veis de equil&iacute;brio plasm&aacute;tico bastante vari&aacute;veis. N&atilde;o ser&aacute; surpreendente se, nessas condi&ccedil;&otilde;es, a droga for ineficaz para uns e t&oacute;xica para outros. Esse problema aparece com a administra&ccedil;&atilde;o de <B>gentamicina</B> e <B>digitoxina</B>, j&aacute; que estas drogas t&ecirc;m uma faixa terap&ecirc;utica muito estreita. A t&eacute;cnica comum &eacute; administrar uma "carga" inicial ou doses altas para conseguir-se rapidamente o efeito desejado. As doses subsequentes, de manuten&ccedil;&atilde;o, dependem do grau de plenitude com que o objetivo foi alcan&ccedil;ado, mas elas s&atilde;o geralmente muito menores. Essas doses subsequentes devem ser administradas em intervalos tais que os n&iacute;veis plasm&aacute;ticos m&aacute;ximos e m&iacute;nimos n&atilde;o estejam nem acima do t&oacute;xico e nem abaixo do eficaz.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426543339"><A NAME="_Toc426633869">Biodisponibilidade</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Biodisponibilidade &eacute; a fra&ccedil;&atilde;o biodispon&iacute;vel, ou seja, &eacute; a fra&ccedil;&atilde;o pronta para ser utilizada pelo organismo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Quando um f&aacute;rmaco entra no organismo, ele pode ficar em duas formas: a - livre ou 100% biodispon&iacute;vel; ou b - ligado &agrave; prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas. A grande maioria dos medicamentos possui as duas formas de biodisponibilidade, apresentando, geralmente, uma fra&ccedil;&atilde;o livre, que &eacute; aproveitada imediatamente pelo organismo, e uma fra&ccedil;&atilde;o ligada &agrave;s prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas que serve de reserva, sendo liberada &agrave; medida em que a fra&ccedil;&atilde;o livre &eacute; consumida e sua concentra&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a cair. A utilidade de se conhecer a biodisponibilidade de um f&aacute;rmaco reside principalmente no fato de, quando se administra dois medicamentos diferentes, saber se existe a possibilidade de um deslocar a liga&ccedil;&atilde;o do outro das prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas produzindo uma overdose, como por exemplo no caso da administra&ccedil;&atilde;o conjunta de um anticoagulante oral como a <B>cumarina</B> (Marcoumar<FONT FACE="Symbol">&Ograve;</FONT> ), juntamente com um antiinflamat&oacute;rio do tipo da <B>oxifenilbutazona </B>(Butazona<FONT FACE="Symbol">&Ograve;</FONT> ), sendo que esta vai se ligar &agrave;s prote&iacute;nas plasm&aacute;ticas, liberando a cumarina e provocando uma hemorragia intensa e severa por overdose ou ac&uacute;mulo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;<B>Classifica&ccedil;&atilde;o da biodisponibilidade.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">a - Sist&ecirc;mica: </B>quando o f&aacute;rmaco se distribui por todo o organismo. Tem que cair no plasma. Ex. antibi&oacute;ticos anest&eacute;sicos gerais etc.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">b - Biof&aacute;sico: </B>quando o f&aacute;rmaco atinge um determinado local<B> </B>ou regi&atilde;o. Por isso &eacute; dito <B>biof&aacute;sica</B> em vez de <B>bif&aacute;sica</B>, por que vem de <B>fase</B> ou <B>local</B>. Ex. anest&eacute;sicos locais.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">c - Ocusert: </B>a n&iacute;vel de mucosa local. Ex. col&iacute;rios num determinado olho.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Bioequival&ecirc;ncia Comparativa.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A mesma dose de um f&aacute;rmaco em indiv&iacute;duos diferentes apresentam equival&ecirc;ncias diferentes ou efeitos diferentes.</P></BODY>
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