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<TITLE>ANALG�SICOS E ANTIT�RMICOS</TITLE>
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<P><A NAME="_Toc371097025"><A NAME="_Toc386730477"><A NAME="_Toc402522275"><A NAME="_Toc435950562"></P>
<P><HR></P>
<TABLE CELLSPACING=0 BORDER=0 CELLPADDING=5 WIDTH=714>
<TR><TD VALIGN="TOP">
<P ALIGN="CENTER"><B>[</B><A HREF="#_Toc436659544"><B>ANALG&Eacute;SICOS E ANTIT&Eacute;RMICOS</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659545"><B>CONCEITOS</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659546"><B>Dor</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659547"><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659548"><B>Anatomia e fisiologia da nocicep&ccedil;&atilde;o</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659549"><B>Nociceptores perif&eacute;ricos</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659550"><B>Modula&ccedil;&atilde;o Sin&aacute;ptica do Impulso Doloroso</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659551"><B>Os Sistemas End&oacute;genos de Analgesia</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659552"><B>Receptores Opi&oacute;ides e Opi&oacute;ides End&oacute;genos</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659553"><B>DOR: Classifica&ccedil;&atilde;o</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659554"><B>Tratamento da Dor</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659555"><B>Tratamento n&atilde;o farmacol&oacute;gico</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659556"><B>Tratamento farmacol&oacute;gico</B></A><B>] </P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659557"><B>Analg&eacute;sicos Perif&eacute;ricos</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659558"><B>Analg&eacute;sicos centrais</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659559"><B>Prostaglandina</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659560"><B>Bradicinina</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659561"><B>Febre</B></A><B>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659562"><B>Contus&otilde;es Cranianas</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659563"><B>Infec&ccedil;&otilde;es Bacterianas</B></A><B>] </P>
<P ALIGN="CENTER">[</B><A HREF="#_Toc436659564"><B>Infec&ccedil;&otilde;es por Parasitas Intestinais ou Macroparasitas</B></A><B>] [</B><A HREF="#_Toc436659565"><B>Insola&ccedil;&atilde;o</B></A><B>]</B></TD>
</TR>
</TABLE>

<P><HR></P>
<B><I><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc436659544">ANALG&Eacute;SICOS E ANTIT&Eacute;RMICOS.</A></A></A></A></A></P>
</I></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc371097026"><A NAME="_Toc386730478"><A NAME="_Toc402522276"><A NAME="_Toc435950563"><A NAME="_Toc436659545">CONCEITOS</A></A></A></A></A></P>

<UL>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Agentes medicamentosos utilizados no al&iacute;vio das manifesta&ccedil;&otilde;es al&eacute;rgicas dolorosas e febris.</LI></P></UL>

<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522277"><A NAME="_Toc435950564"><A NAME="_Toc436659546">Dor</A></A></A></P>
</B></FONT><P>&nbsp;</P>
<B><P><A NAME="_Toc435950565"><A NAME="_Toc436659547">Introdu&ccedil;&atilde;o</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A dor &eacute; um dos sintomas mais freq&uuml;entes na pr&aacute;tica cl&iacute;nica e um dos problemas de tratamento mais importantes. Em algumas situa&ccedil;&otilde;es, pode ceder com simples sugest&atilde;o e, em outras, pode ser objeto de dif&iacute;cil terap&ecirc;utica. De tal maneira que, na realidade, a dor transcendeu seu conceito sintom&aacute;tico para ser considerada uma entidade patol&oacute;gica pr&oacute;pria.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A <B>nocicep&ccedil;&atilde;o</B> &eacute; um termo neurofisiol&oacute;gico que se refere aos mecanismos neurol&oacute;gicos atrav&eacute;s dos quais se detecta um est&iacute;mulo lesivo. Dor e nocicep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o termos sin&ocirc;nimos, j&aacute; que a dor &eacute; um estado subjetivo. Assim, uma vez ativada as vias nociceptivas que originar&atilde;o a dor, outros fatores, tais como os sistemas end&oacute;genos de analgesia, o contexto no qual se produz a nocicep&ccedil;&atilde;o e o estado afetivo pr&eacute;vio do indiv&iacute;duo, influem poderosamente na forma de sentir a dor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Por isso, apesar do limiar de nocicep&ccedil;&atilde;o ser constante na maioria dos indiv&iacute;duos, a percep&ccedil;&atilde;o da dor e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, a capacidade para suport&aacute;-la, varia muito de um indiv&iacute;duo para outro.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A "sensa&ccedil;&atilde;o constante " da dor foi separada em dois componentes, um que localiza e discrimina e outro de car&aacute;ter afetivo e de alerta. O primeiro, que funciona como uma modalidade de sensa&ccedil;&atilde;o som&aacute;tica, proporciona informa&ccedil;&otilde;es sobre a natureza, intensidade e localiza&ccedil;&atilde;o da dor, o que pode orientar o diagn&oacute;stico do processo patol&oacute;gico que a produz.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Por outro lado e como conseq&uuml;&ecirc;ncia do componente afetivo, a dor altera o comportamento e a atividade do indiv&iacute;duo, desviando sua aten&ccedil;&atilde;o. Sua natureza provoca avers&atilde;o e gera uma forte motiva&ccedil;&atilde;o para aprender a evitar as atividades que a provocam.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Estes aspectos afetivos da dor t&ecirc;m um valor importante para a sobreviv&ecirc;ncia. Mas, quando a dor adquire um car&aacute;ter cr&ocirc;nico e n&atilde;o responde ao tratamento da les&atilde;o ou patologia presumivelmente causal, pode produzir, no paciente, incapacidade, medo e depress&atilde;o. Ainda mais, quando as provas diagn&oacute;sticas sucessivas n&atilde;o revelam uma explica&ccedil;&atilde;o fisiopatol&oacute;gica para a gravidade da dor, ocorre a frustra&ccedil;&atilde;o do terapeuta e o desespero do paciente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Todo este conjunto de aspectos afetivos da percep&ccedil;&atilde;o dolorosa se resume, com freq&uuml;&ecirc;ncia, no temos "sofrimento" e transforma a dor em um grave problema cl&iacute;nico, que demanda uma resposta terap&ecirc;utica eficaz, r&aacute;pida e segura.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Como j&aacute; foi dito, a nocicep&ccedil;&atilde;o e um termo neurofisiol&oacute;gico, que se refere aos mecanismos neurol&oacute;gicos mediante os quais se detecta um est&iacute;mulo lesivo. A nocicep&ccedil;&atilde;o ocorre em dois passos: a transdu&ccedil;&atilde;o do est&iacute;mulo lesivo nas termina&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas e a transmiss&atilde;o destes sinais ao sistema nevoso central.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950566"><A NAME="_Toc436659548">Anatomia e fisiologia da nocicep&ccedil;&atilde;o</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Como j&aacute; foi dito, a nocicep&ccedil;&atilde;o &eacute; um termo neurofisiol&oacute;gico, que se refere aos mecanismos neurol&oacute;gicos mediantes os quais se detecta um est&iacute;mulo lesivo nas termina&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas e a transmiss&atilde;o destes sinais ao sistema nervoso central.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<B><P><A NAME="_Toc435950567"><A NAME="_Toc436659549">Nociceptores perif&eacute;ricos</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A dor pode surgir como conseq&uuml;&ecirc;ncia do est&iacute;mulo dos receptores da dor - <B>nociceptores -</B> que se localizam na pele nas estruturas m&uacute;sculo-esquel&eacute;ticas e nas v&iacute;sceras.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os receptores cut&acirc;neos (termina&ccedil;&otilde;es nervosas livres) envolvidos na nocicep&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os neur&ocirc;nios menos diferenciados de todos os que interv&ecirc;m na sensibilidade som&aacute;tica. Estes receptores convertem est&iacute;mulos mec&acirc;nicos, t&eacute;rmicos ou qu&iacute;micos em um conjunto de potenciais de a&ccedil;&atilde;o (transdu&ccedil;&atilde;o), que transmitem por seus ax&ocirc;nios para a medula espinhal. Os corpos celulares destes nociceptores perif&eacute;ricos, como o de outros neur&ocirc;nios aferentes envolvidos na sensibilidade som&aacute;tica, se localizam na raiz dorsal. No corno posterior da medula, os neur&ocirc;nios nociceptivos fazem sinapse tanto com os interneur&ocirc;nios locais como com os neur&ocirc;nios que transmitem informa&ccedil;&atilde;o nociceptiva ao tronco encef&aacute;lico e ao t&aacute;lamo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A sensibilidade dolorosa se transmite em fun&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas epec&iacute;ficas das diferentes fibras de condu&ccedil;&atilde;o, com velocidades diferentes, dando lugar ao fen&ocirc;meno conhecido como <B><I>"dor com demora"</B></I>, que se deve &agrave; percep&ccedil;&atilde;o subjetiva das v&aacute;rias velocidades de condu&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Assim, quando h&aacute; um est&iacute;mulo intenso, duas sensa&ccedil;&otilde;es dolorosas diferentes ocorrem: uma breve, r&aacute;pida e aguda, chamada <B><I>"primeira dor"</B></I>, como conseq&uuml;&ecirc;ncia da transmiss&atilde;o por fibras <B>A-delta</B>, seguida de uma sensa&ccedil;&atilde;o mais desagrad&aacute;vel, conhecida como <B><I>"segunda dor"</B></I>, por transmiss&atilde;o das fibras <B>C.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Os nociceptores respondem &agrave; est&iacute;mulos mec&acirc;nicos, t&eacute;rmicos e qu&iacute;micos. Entre os mediadores qu&iacute;micos se encontram os liberados como conseq&uuml;&ecirc;ncia do dano tissular, como o pot&aacute;ssio e os produtos da inflama&ccedil;&atilde;o, como a bradicinina, histamina, serotonina e prostaglandinas. Estas &uacute;ltimas parecem sensibilizar a todos os nociceptores perante est&iacute;mulos lesivos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os mediadores qu&iacute;micos da nocicep&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m n&atilde;o apenas dos tecidos lesados e das c&eacute;lulas inflamat&oacute;rias, mas tamb&eacute;m dos pr&oacute;prios neur&ocirc;nios nociceptivos, que liberam subst&acirc;ncias algog&ecirc;nicas para os tecidos, atuando sobre nociceptores adjacentes e contribuindo tanto para a dor como para a inflama&ccedil;&atilde;o. Um destes mediadores &eacute; a denominada <B>subst&acirc;ncia P</B>, neuropept&iacute;deo com 11 amino&aacute;cidos, que pode produzir vasodilata&ccedil;&atilde;o, edema e, presumivelmente, dor. </P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950568"><A NAME="_Toc436659550">Modula&ccedil;&atilde;o Sin&aacute;ptica do Impulso Doloroso</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">O impulso doloroso pode ser modulado ao longo da via ascendente em tr&ecirc;s diferentes n&iacute;veis: na medula espinhal, no tronco encef&aacute;lico e no t&aacute;lamo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">As fibras aferentes (<B>A-delta </B>e <B>C</B>) entram no corno posterior da medula e ali realizam sinapses com interneur&ocirc;nios locais e com neur&ocirc;nios de segunda ordem. As fibras aferentes da cabe&ccedil;a e da face realizam sinapse com interneur&ocirc;nios na parte caudal do n&uacute;cleo do trig&ecirc;meo, o equivalente ao corno posterior na regi&atilde;o cef&aacute;lica.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Assim, no corno posterior, os nociceptores prim&aacute;rios terminam projetando sobre neur&ocirc;nios, que recolhem informa&ccedil;&otilde;es e as conduzem ao tronco encef&aacute;lico e t&aacute;lamo, e sobre interneur&ocirc;nios excitadores e inibidores.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">N&atilde;o se conhecem completamente as subst&acirc;ncias transmissores excitadoras que se liberam perante os est&iacute;mulos nociceptivos aferentes; o glutamato parece ter papel importante, bem como a subst&acirc;ncia P, que pode ser um transmissor excitador nos 10 - 20%dos aferentes nociceptivos prim&aacute;rios.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Outros interneur&ocirc;nios do corno posterior, interneur&ocirc;nios inibidores, se ocupam em bloquear a nocicep&ccedil;&atilde;o. Estes interneur&ocirc;nios se ativam localmente, quer por impulsos nociceptivos aferentes ou por vias descendentes analg&eacute;sicas, liberando pept&iacute;deos opi&oacute;ides end&oacute;genos com atividade analg&eacute;sica. Neste sentido, os efeitos inibit&oacute;rios da estimula&ccedil;&atilde;o das fibras aferentes <B>A-delta</B> podem explicar o efeito analg&eacute;sico da acupuntura e da estimula&ccedil;&atilde;o nervosa transcut&acirc;nea.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Esta inibi&ccedil;&atilde;o dos neur&ocirc;nios nociceptivos no corno posterior se correlaciona estreitamente com a teoria do <B><I>"port&atilde;o da dor"</B></I>, proposta por <I>Melzac </I>e <I>Wall</I>, em 1965, onde postulavam que a ativa&ccedil;&atilde;o das fibras <B>A-delta</B> fechava as portas da transmiss&atilde;o da dor. Apesar da controv&eacute;rsia desta teoria, na realidade n&atilde;o se considera a dor como resultado da transmiss&atilde;o n&atilde;o modificada de uma sensa&ccedil;&atilde;o som&aacute;tica desde a periferia at&eacute; o c&oacute;rtex, mas sim que tal transmiss&atilde;o pode ser modulada no corno posterior, por mecanismos de controles inibidores ou amplificadores, locais ou gerados &agrave; dist&acirc;ncia no tronco encef&aacute;lico, no sistema l&iacute;mbico ou no c&oacute;rtex. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Estes feixes alcan&ccedil;am o tronco encef&aacute;lico, especialmente a forma&ccedil;&atilde;o reticular e a subst&acirc;ncia cinzenta periductal e, a partir destas forma&ccedil;&otilde;es, o t&aacute;lamo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">As proje&ccedil;&otilde;es do feixe neoespino-tal&acirc;mico, organizado de forma somatot&oacute;pica, permitem localizar e discriminar os diferentes tipos de dor, enquanto que as do paleoespino-tal&acirc;mico, participam especialmente em aspectos afetivos e de alerta da dor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os n&uacute;cleos tal&acirc;micos que recebem informa&ccedil;&atilde;o do feixe neoespino-tal&acirc;mico se projetam de forma restrita ao c&oacute;rtex som&aacute;tico sensorial; por outro lado, o n&uacute;cleo intralaminar do t&aacute;lamo, receptor da informa&ccedil;&atilde;o do feixe paleoespino-tal&acirc;mico, se projeta amplamente ao c&oacute;rtex, principalmente aos l&oacute;bulos frontais (&aacute;reas do comportamento).</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950569"><A NAME="_Toc436659551">Os Sistemas End&oacute;genos de Analgesia</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Como j&aacute; foi dito, a informa&ccedil;&atilde;o nociceptiva aferente pode ser modificada significativamente por vias nervosas descendentes. <I>Reynolds</I> (1969) demonstrou que se pode obter analgesia estimulando eletricamente a subst&acirc;ncia cinzenta periductal. Com este procedimento foi poss&iacute;vel realizar uma laparotomia exploradora em um rato acordado, sem a utiliza&ccedil;&atilde;o de anestesia adicional. Tamb&eacute;m se conseguiu analgesia com a microinje&ccedil;&atilde;o de morfina na subst&acirc;ncia cinzenta periductal e, em humanos, por estimula&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Ainda mais, o fato de a naloxona, um antagonista opi&oacute;ide espec&iacute;fico, inibir, ao menos parcialmente, a analgesia, sugere que a estimula&ccedil;&atilde;o da subst&acirc;ncia cinzenta periductal &eacute; capaz de liberar subst&acirc;ncias end&oacute;genas com atividade sobre receptores opi&oacute;ides.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Um dos aspectos mais interessantes tanto da analgesia produzida por estimula&ccedil;&atilde;o como da microinje&ccedil;&atilde;o de morfina &eacute; que ambas apenas suprimem a nocicep&ccedil;&atilde;o; o tato, a propriocep&ccedil;&atilde;o e a sensa&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica n&atilde;o se modificam.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<B><P><A NAME="_Toc435950570"><A NAME="_Toc436659552">Receptores Opi&oacute;ides e Opi&oacute;ides End&oacute;genos</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Numerosos estudos demostram que os opi&oacute;ides produzem seus efeitos ao interagirem com receptores espec&iacute;ficos do sistema nervoso central. Em 1973, utilizando t&eacute;cnicas de iodo radioativo marcado, tr&ecirc;s grupos de investigadores, <I>Pert CB et al, Simon E. J. et al, Terenius L. et al</I>, descobriram, quase simultaneamente, receptores opi&oacute;ides no tecido nervoso. Posteriormente, outros investigadores evidenciaram subst&acirc;ncias end&oacute;genas que se ligam a esses receptores, identificando dois pentapept&iacute;deos com atividade opi&oacute;ide no c&eacute;rebro de cobaia, que foram chamados de encefalinas. Desde ent&atilde;o foram encontrados pelo menos 18 pept&iacute;deos end&oacute;genos com atividade opi&oacute;ide, classificados em tr&ecirc;s grupos: encefalinas, endorfinas e dinorfinas.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">"Endorfina"</B> &eacute; tamb&eacute;m o termo gen&eacute;rico que define uma fam&iacute;lia de oligopept&iacute;deos end&oacute;genos com propriedades farmacol&oacute;gicas semelhantes &agrave; morfina, produzidas como rea&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o de <I>stress</I>. Sua estrutura semelhante &agrave; morfina e sua capacidade para ligar-se a receptores opi&oacute;ides explicam porque, como a morfina, as endorfinas s&atilde;o capazes de ativar mecanismos inibidores da dor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O termo receptor opi&oacute;ide deriva de sua capacidade para unir-se seletivamente com todas as drogas, naturais ou sint&eacute;ticas, com atividade semelhante &agrave; morfina. Na atualidade o termo opi&oacute;ide se refere a todas as subst&acirc;ncias que atuam diretamente sobre receptores opi&oacute;ides produzindo efeitos que s&atilde;o antagonizados esteroespecificamente pela naloxona.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Atualmente, a informa&ccedil;&atilde;o mais detalhada sobre receptores opi&oacute;ides se refere aos receptores <I>mu </I>(<B><FONT FACE="Symbol">m</B>), </FONT><I>kappa</I><FONT FACE="Symbol"> (<B>k</B>) </FONT>e <I>delta</I> (<B><FONT FACE="Symbol">d</B>)</FONT>. Estes receptores opi&oacute;ides se localizam em diferentes pontos das vias de condu&ccedil;&atilde;o da dor. Aos diversos tipos de receptores foram atribu&iacute;dos empiricamente diferentes fun&ccedil;&otilde;es, resumidos na tabela abaixo.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Tabela 1: <I><U>Receptores opi&oacute;ides</I></U> </P></B>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=5 WIDTH=767>
<TR><TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P>&nbsp;</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Mu</B></I></TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Kappa</B></I></TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Delta</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Localiza&ccedil;&atilde;o preferencial</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>subst&acirc;ncia cinzenta periductal</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>bulbo</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>t&aacute;lamo medial</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>corno posterior</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>corno posterior</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>c&oacute;rtex</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>outras regi&otilde;es do enc&eacute;falo</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>corno posterior</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>sistema l&iacute;mbico</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>regi&otilde;es cerebrais sem rela&ccedil;&atilde;o com a dor.</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Analgesia</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>espinhal</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>supra-espinhal</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>espinhal</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>espinhal</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Outros efeitos</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>depress&atilde;o respirat&oacute;ria</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>toler&acirc;ncia</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>miose</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>euforia</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>depend&ecirc;ncia</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>depress&atilde;o respirat&oacute;ria</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>toler&acirc;ncia</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>miose</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>seda&ccedil;&atilde;o</TD>
<TD WIDTH="25%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>depress&atilde;o respirat&oacute;ria</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>toler&acirc;ncia</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>miose</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>constipa&ccedil;&atilde;o</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>hipotens&atilde;o</UL>
</TD>
</TR>
</TABLE>

<P ALIGN="JUSTIFY">O reconhecimento sobre a bioqu&iacute;mica e a farmacologia das subst&acirc;ncias end&oacute;genas que participam na modula&ccedil;&atilde;o da dor tem trazido aux&iacute;lios para o tratamento da dor, baseados na inibi&ccedil;&atilde;o de sua condu&ccedil;&atilde;o. A conseq&uuml;&ecirc;ncia l&oacute;gica &eacute; o desenvolvimento de subst&acirc;ncias que, ligando-se a certos receptores opi&oacute;ides mantenham o efeito analg&eacute;sico completo, mas sem induzir alguns dos efeitos colaterais dos opi&oacute;ides que, freq&uuml;entemente, limitam o seu uso.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522278"><A NAME="_Toc435950571"><A NAME="_Toc436659553">DOR: Classifica&ccedil;&atilde;o</A></A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Apesar de freq&uuml;entemente utilizada, a palavra dor n&atilde;o tem uma defini&ccedil;&atilde;o ideal, sendo que a proposta pela <B>ISAP </B><I>(International Association of the Study of Pain)</I> se aproxima bastante. Esta associa&ccedil;&atilde;o descreve a dor como <B><I>"uma desagrad&aacute;vel experi&ecirc;ncia sensorial e emocional que se relaciona a uma les&atilde;o atual ou potencial dos tecidos".</B></I> A dificuldade para definir exatamente a sensa&ccedil;&atilde;o dolorosa est&aacute; no fato da dor apresentar sempre, al&eacute;m dos aspectos anat&ocirc;micos e neurofisiol&oacute;gicos, um componente ps&iacute;quico de car&aacute;ter emocional.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A dor pode ser classificada de m&uacute;ltiplas maneiras, em fun&ccedil;&atilde;o de sua localiza&ccedil;&atilde;o, origem, intensidade, dura&ccedil;&atilde;o, etc. Mas, com uma finalidade cl&iacute;nica, parece de mais utilidade aceitar a classifica&ccedil;&atilde;o que a diferencia em aguda e cr&ocirc;nica.</P>
<B><I><P ALIGN="JUSTIFY">Bonica</B></I> (1953), <B><I>Leriche</B></I> (1957) e <B><I>Sternbach</B></I> (1974) foram os primeiros a chamar a aten&ccedil;&atilde;o sobre a oposi&ccedil;&atilde;o sintoma doloroso/doen&ccedil;a, agudo/cr&ocirc;nico. O fator tempo permite, freq&uuml;entemente distinguir dois tipos esquem&aacute;ticos de dor, que apresentam mais diferen&ccedil;as que semelhan&ccedil;as em seus mecanismos fisiopatol&oacute;gicos e sua finalidade biol&oacute;gica.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Tabela 2 - <I><U>Compara&ccedil;&atilde;o entre dor aguda e cr&ocirc;nica</P></B></I></U>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=5 WIDTH=767>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P>&nbsp;</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Dor aguda</B></I></TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Dor cr&ocirc;nica</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Caracter&iacute;sticas</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sintoma </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">S&iacute;ndrome </TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Finalidade biol&oacute;gica</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">&Uacute;til, protetora</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">In&uacute;til, destrutiva</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Mecanismo gerador</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Unifatorial </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Multifatorial </TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Rea&ccedil;&otilde;es somatovegetativas</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Reativas </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">H&aacute;bito ou manuten&ccedil;&atilde;o</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Componente afetivo</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Ansiedade </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Depress&atilde;o </TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Comportamento </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Reativo </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Refor&ccedil;ado </TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Modelo </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Cl&iacute;nico cl&aacute;ssico</TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Pluridimensional </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Somato-psico-social</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Objetivo terap&ecirc;utico </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Curativo </TD>
<TD WIDTH="33%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Readaptador </TD>
</TR>
</TABLE>

<P ALIGN="JUSTIFY">&Eacute; cl&aacute;ssico fixar, de maneira convencional, o limite que separa a dor aguda da cr&ocirc;nica, entre 3 e 6 meses. Esta divis&atilde;o arbitr&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo, deve-se ao fato de que, em face da persist&ecirc;ncia de uma dor rebelde suspeitaremos de uma s&iacute;ndrome dolorosa cr&ocirc;nica.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A dor aguda de instala&ccedil;&atilde;o recente, pode ser considerada como um sinal de alarme &uacute;til, evidenciando a presen&ccedil;a de uma altera&ccedil;&atilde;o na homeostasia que pode ser grave.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Se devida a fatores externos, a dor concentrar&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o sobre a regi&atilde;o lesada e, limitando a motilidade, impedir&aacute; dano tissular posterior.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A s&iacute;ndrome da dor cr&ocirc;nica &eacute; um conjunto de manifesta&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas, do comportamento e sociais que tendem a considerar a dor persistente, seja qual for a sua etiologia inicial, mais como uma doen&ccedil;a por si s&oacute; que como um simples sinal de uma desordem fisiopatol&oacute;gica subjacente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A preval&ecirc;ncia da dor cr&ocirc;nica, pelas in&uacute;meras patologia de diferentes etiologia, n&atilde;o permite um &uacute;nico mecanismo para explic&aacute;-la. A hiperatividade simp&aacute;tica cont&iacute;nua pode produzir dano celular, com libera&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica de neuromoduladores, que sensibilizam os nociceptores aos est&iacute;mulos nocivos. Este fato, por sua vez, pode produzir uma atividade persistente das fibras <B>A-delta</B> e <B>C</B>, ou uma altera&ccedil;&atilde;o da descarga neuronal nos circuitos espinais fechados, com uma resposta cl&iacute;nica de dor-reflexa e aumento da dor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Independentemente destas e outras teorias neuroanat&ocirc;micas ou fisiol&oacute;gicas, temos que ressaltar o importante papel dos fatores ps&iacute;quicos, que n&atilde;o podem separar-se facilmente dos fatores org&acirc;nicos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Diferente da dor aguda, que pode ser um sinal de advert&ecirc;ncia para algum dano fisiol&oacute;gico iminente, a dor cr&ocirc;nica tem uma fun&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica de utilidade m&iacute;nima. Sua presen&ccedil;a restringe de forma importante as atividades produtivas e tamb&eacute;m se acompanha de altera&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas e psicol&oacute;gicas consider&aacute;veis.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Por tudo isso, a dor cr&ocirc;nica de qualquer etiologia tem um consider&aacute;vel interesse social e individual, j&aacute; que afeta quase um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o e incapacita mais de 50 milh&otilde;es de pessoas s&oacute; nos Estados Unidos, levando &agrave; perda de mais de 700 milh&otilde;es de dias de trabalho e uma cifra superior aos 60 milh&otilde;es de d&oacute;lares.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522279"><A NAME="_Toc435950572"><A NAME="_Toc436659554">Tratamento da Dor</A></A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">A dor constitui o sintoma mais freq&uuml;ente das doen&ccedil;as, de maneira que, aproximadamente , a metade dos pacientes que procuram o m&eacute;dico o fazem por apresentarem dor. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia, o al&iacute;vio da dor &eacute;, em muitas patologias, um dos aspectos mais importantes do tratamento.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950573"><A NAME="_Toc436659555">Tratamento n&atilde;o </A></A>farmacol&oacute;gico</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Entre os m&eacute;todos n&atilde;o farmacol&oacute;gicos para o tratamento da dor se incluem, entre outros procedimentos neurocir&uacute;rgicos, radioterapia, estimula&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica transcut&acirc;nea (TENS), <I>biofeedback,</I><B> </B>acupuntura, psicoterapia, auto-sugest&atilde;o, hipnose, massagens, fisioterapia, etc.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A <B>TENS </B>e a <B>ACUPUNTURA</B> s&atilde;o duas t&eacute;cnicas que tem recebido uma aten&ccedil;&atilde;o especial nos &uacute;ltimos tempos. As duas se baseiam no princ&iacute;pio de competi&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos. Desta forma, as fibras grossas <B>A-delta</B> s&atilde;o estimuladas seletivamente mediante impulsos el&eacute;tricos breves e isolados. Quando estes est&iacute;mulos alcan&ccedil;am a medula espinhal, ativam o sistema de controle da dor do corno posterior; ali, atrav&eacute;s de um mecanismo presumivelmente mediado por endorfinas <B><I>"fecha a porta"</B></I> ao impulsos dolorosos que chegam depois.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O efeito da TENS tem, geralmente, uma vida m&eacute;dia curta; est&aacute; contra-indicada nos pacientes com marca-passos, uma vez que pode induzir arritmias e n&atilde;o deve ser utilizado em pacientes com pr&oacute;teses met&aacute;licas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; acupuntura, a inser&ccedil;&atilde;o de agulhas, mediante esta t&eacute;cnica, induz est&iacute;mulos que viajam ao corno posterior da medula espinhal, onde provavelmente liberam endorfinas, que ativam receptores opi&oacute;ides, bloqueando a passagem da informa&ccedil;&atilde;o dolorosa.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os efeitos analg&eacute;sicos da sugest&atilde;o tamb&eacute;m resultam da ocupa&ccedil;&atilde;o de receptores opi&oacute;ides, o que se demonstra pelo fato de que o efeito analg&eacute;sico dos placebos pode ser abolido pela administra&ccedil;&atilde;o de um antagonista da morfina, como a naloxona.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O mesmo princ&iacute;pio pode operar provavelmente tamb&eacute;m na psicoterapia, embora os efeitos analg&eacute;sicos da hipnose devam ter mecanismos diferentes.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950574"><A NAME="_Toc436659556">Tratamento farmacol&oacute;gico</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">O tratamento farmacol&oacute;gico da dor engloba um amplo arsenal de medicamentos de pot&ecirc;ncias diversas e diferentes mecanismos de a&ccedil;&atilde;o. Esta amplo aparato de possibilidades terap&ecirc;uticas n&atilde;o significa que todos os tipos de dores sejam facilmente control&aacute;veis. &Eacute; apenas o resultado de esfor&ccedil;os realizados para otimizar a terapia ant&aacute;lgica e reduzir os riscos da administra&ccedil;&atilde;o de alguns agentes analg&eacute;sicos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Entre os agentes farmacol&oacute;gicos utilizados no tratamento da dor se encontram analg&eacute;sicos, psicotr&oacute;picos, anest&eacute;sicos locais, antiepil&eacute;pticos, antiespasm&oacute;dicos, antiinflamat&oacute;rios (AINEs), antagonistas do c&aacute;lcio e beta-bloqueadores.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Considerando apenas os analg&eacute;sicos, se estabeleceu uma primeira classifica&ccedil;&atilde;o destas, em analg&eacute;sicos fracos e potentes. Depois de conhecidos diferentes mecanismos de a&ccedil;&atilde;o destes dois grupos de subst&acirc;ncias, j&aacute; n&atilde;o se justificava mais o uso desta classifica&ccedil;&atilde;o, pois, em determinadas ocasi&otilde;es, um analg&eacute;sico fraco pode ser bastante eficaz no tratamento da dor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Por conseguinte, parece mais adequada a classifica&ccedil;&atilde;o que distingue entre analg&eacute;sicos perif&eacute;ricos, que atuam sobre o nociceptor, e analg&eacute;sicos centrais, que atuam sobre o sistema nervoso central, bloqueando a transmiss&atilde;o da nocicep&ccedil;&atilde;o.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Tabela 3: <I><U>Analg&eacute;sicos perif&eacute;ricos</P></B></I></U>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=5 WIDTH=767>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="CENTER"><B><I>Grupo farmacol&oacute;gico</B></I></TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Princ&iacute;pio ativo (nome gen&eacute;rico)</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Salicilatos</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>&Aacute;cido Acetilsalic&iacute;lico</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Acetilsalicilato de lisina</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Diflunisal </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Pirazolonas e Pirazolidinas </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Fenilbutazona </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Dipirona magnesiana</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Para-aminofen&oacute;is</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Paracetamol</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Ind&oacute;is </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Indometacina </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Sulindaco </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">&Aacute;cido Fenil Ac&eacute;tico</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Diclofenaco </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">&Aacute;cido Propi&ocirc;nico e derivados (fenilalcal&oacute;ico)</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Ibuprofeno </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Naproxeno </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Cetoprofeno</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Fenoprofeno </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">&Aacute;cido Antran&iacute;lico</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>&Aacute;cido Mefen&acirc;mico</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Glafenina </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Oxicans </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Piroxicam </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Tenoxicam </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Droxicam </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Outros </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Tolmetin </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Zomepiraco</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Cetorolaco </UL>
</TD>
</TR>
</TABLE>

<B><U><P ALIGN="JUSTIFY">Tabela 4:</B></U> <B><I>efeitos adversos dos analg&eacute;sicos perif&eacute;ricos.</P></B></I>
<TABLE BORDER CELLSPACING=1 CELLPADDING=5 WIDTH=767>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="CENTER"><B><I>&Oacute;rg&atilde;o ou Sistema</B></I></TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<B><I><P ALIGN="CENTER">Efeito adverso</B></I></TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Aparelho Gastrointestinal</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Eros&otilde;es, &uacute;lcera, hemorragia da mucosa digestiva (est&ocirc;mago e intestino), constipa&ccedil;&atilde;o, n&aacute;useas, diarr&eacute;ia.</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">F&iacute;gado </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Hipoprotrombinemia, hipoalbuminemia, hepatotoxicidade (TGO e TGP).</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>S&iacute;ndrome de Reye.</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sangue </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Anemia, agranulocitose, trombocitopenia, pancitopenia, altera&ccedil;&otilde;es da coagula&ccedil;&atilde;o (agrega&ccedil;&atilde;o plaquet&aacute;ria).</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Cardiovascular </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Angina por vasoespasmo coronariano.</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sistema Nervoso</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Encefalopatia (S&iacute;ndrome de Reye)</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Convuls&otilde;es </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sistema Respirat&oacute;rio</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Precipita&ccedil;&atilde;o de crise asm&aacute;tica</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Edema pulmonar</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Depress&atilde;o respirat&oacute;ria (Paracetamol)</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sistema end&oacute;crino / Metab&oacute;lico</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Diminui&ccedil;&atilde;o da glicemia por aumento da libera&ccedil;&atilde;o de insulina</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Aparelho Urin&aacute;rio</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Diminui&ccedil;&atilde;o do fluxo sang&uuml;&iacute;neo renal</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Diminui&ccedil;&atilde;o da filtra&ccedil;&atilde;o glomerular</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Altera&ccedil;&otilde;es t&uacute;bulo-intersticiais</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Necrose papilar</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Nefropatia </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Pele e anexos</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Urtic&aacute;ria </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Angiodermia (rea&ccedil;&otilde;es al&eacute;rgicas)</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Eritema nodoso</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Fototoxicidade </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>S&iacute;ndrome de Stevens-Johnson </LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>S&iacute;ndrome de Lyell</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">&Oacute;rg&atilde;os dos sentidos</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Ototoxicidade, vertigem, ac&uacute;fenos, cofose, miopia</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Sistema m&uacute;sculo-esquel&eacute;tico</TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Les&atilde;o da cartilagem articular</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Miopatia </UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Gesta&ccedil;&atilde;o </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Gesta&ccedil;&atilde;o prolongada por atraso no parto</UL>
</TD>
</TR>
<TR><TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">
<P ALIGN="JUSTIFY">Gerais </TD>
<TD WIDTH="50%" VALIGN="TOP">

<UL>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Rea&ccedil;&atilde;o de hipersensibilidade</LI></P>
<P ALIGN="JUSTIFY"><LI>Intoxica&ccedil;&otilde;es, n&aacute;useas, v&ocirc;mitos, acidose metab&oacute;lica com alcalose respirat&oacute;ria, hiperpirexia, hipopotassemia e desidrata&ccedil;&atilde;o, letargia, confus&atilde;o</UL>
</TD>
</TR>
</TABLE>

<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950575"><A NAME="_Toc436659557">Analg&eacute;sicos Perif&eacute;ricos</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">O termo analg&eacute;sicos perif&eacute;ricos designa um grupo de f&aacute;rmacos, heterog&ecirc;neo do ponto de vista farmacol&oacute;gico, que se caracteriza por um efeito bioqu&iacute;mico comum, a inibi&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ntese de prostaglandinas, parcialmente envolvido nas suas a&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas. Alguns deles, inclusive, apresentam atividade antipir&eacute;tica (salicilatos, derivados do para-aminofenol e das Pirazolonas), e propriedades antiinflamat&oacute;rias mais importantes no grupo dos salicilatos e dos antiinflamat&oacute;rios n&atilde;o ester&oacute;ides (AINEs).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os analg&eacute;sicos perif&eacute;ricos t&ecirc;m uma dose analg&eacute;sica <B><I>"teto"</B></I>, n&atilde;o conseguindo-se efeito maior com o aumento de uma determinada dose, e um efeito m&aacute;ximo inferior ao dos analg&eacute;sicos centrais. S&atilde;o, portanto, utilizadas no tratamento da dor de intensidade leve ou moderada, de etiologia principalmente inflamat&oacute;ria.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Todos estes produtos t&ecirc;m praticamente a mesma efic&aacute;cia analg&eacute;sica, sendo as diferen&ccedil;as relatadas em alguns estudo, de acordo com o produto e tipo da dor, menos importantes que as varia&ccedil;&otilde;es interindividuais.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Por outro lado, os agentes analg&eacute;sicos que inibem a s&iacute;ntese de prostaglandinas exercem seus efeitos n&atilde;o apenas a n&iacute;vel local, na supress&atilde;o do est&iacute;mulo doloroso, como tamb&eacute;m a n&iacute;vel sist&ecirc;mico. Este fato leva a uma constela&ccedil;&atilde;o de efeitos secund&aacute;rios associados ao AINEs, ao interferir nas &aacute;reas nas quais as prostaglandinas cumprem importantes fun&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas, como a prote&ccedil;&atilde;o da mucosa g&aacute;strica ou a manuten&ccedil;&atilde;o do fluxo sang&uuml;&iacute;neo renal.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950576"><A NAME="_Toc436659558">Analg&eacute;sicos centrais</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Caracterizam-se por uma a&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica cerebral e medular, o que explica sua denomina&ccedil;&atilde;o de analg&eacute;sicos opi&oacute;ides espec&iacute;ficos, das subst&acirc;ncias end&oacute;genas e sint&eacute;ticas que se ligam a eles e de sua localiza&ccedil;&atilde;o no c&eacute;rebro e medula espinhal tem permitido ampliar suas formas de administra&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os analg&eacute;sicos centrais, como as endorfinas, exercem sua fun&ccedil;&atilde;o ligando-se especificamente a receptores opi&oacute;ides, atuando em diversos n&iacute;veis. Na medula espinhal, ao ocupar os receptores opi&oacute;ides pr&eacute; e p&oacute;s-sin&aacute;pticos, conseguem uma modula&ccedil;&atilde;o precoce do impulso doloroso. O mesmo bloqueio sin&aacute;ptico tem lugar no tronco encef&aacute;lico na forma&ccedil;&atilde;o reticular e no t&aacute;lamo. Tamb&eacute;m atuam a n&iacute;vel de modula&ccedil;&atilde;o sin&aacute;ptica das vias de proje&ccedil;&atilde;o, que transmitem o impulso doloroso para o c&oacute;rtex cerebral.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A uni&atilde;o do analg&eacute;sico central ao seu receptor opi&oacute;ide (<I>mu, kappa </I>e <I>delta</I>), produz uma modifica&ccedil;&atilde;o espacial na membrana neuronal que provoca um bloqueio da libera&ccedil;&atilde;o de neurotransmissores, como a <B>subst&acirc;ncia P</B>, impedindo a transmiss&atilde;o do impulso doloroso.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Assim, conseguem uma analgesia de forma seletiva, respeitando outras modalidades sensoriais, tais como tato, propriocep&ccedil;&atilde;o, sensibilidade t&eacute;rmica, audi&ccedil;&atilde;o, vis&atilde;o, etc..</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Para induzir efeitos farmacol&oacute;gicos, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio apenas que estas mol&eacute;culas se acoplem adequadamente ao receptor, como tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio e com maior import&acirc;ncia, que produzam uma altera&ccedil;&atilde;o estrutural do receptor. Esta capacidade para modificar estruturalmente o receptor se denomina <B><I>"atividade intr&iacute;nseca"</B></I>, que define a afinidade pelo receptor.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Em fun&ccedil;&atilde;o de suas particulares atividades <B><I>"extr&iacute;nseca"</B></I> e <B><I>"intr&iacute;nseca"</B></I>, estas subst&acirc;ncias com afinidade pelos receptores opi&oacute;ides podem ser classificadas em agonistas, antagonistas e agonistas-antagonistas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os agonistas s&atilde;o aqueles que, ao se unirem especificamente aos receptores opi&oacute;ides, modificam a estrutura espacial dos mesmos e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, est&atilde;o dotadas de potente efeito analg&eacute;sico.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os antagonistas como a naloxona, possuem uma grande afinidade pelos receptores e um baixo coeficiente de dissocia&ccedil;&atilde;o, pelo que s&atilde;o capazes de deslocar os agonistas, com remiss&atilde;o de seus efeitos. Estes agentes s&atilde;o dotados de atividade intr&iacute;nseca, n&atilde;o tendo em conseq&uuml;&ecirc;ncia, efeito analg&eacute;sico.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os agonistas-antagonistas s&atilde;o aqueles que tem caracter&iacute;sticas que os capacitam para deslocar os agonistas puros de sues receptores (efeito antagonista) mas que, por sua vez, s&atilde;o capazes de induzir uma altera&ccedil;&atilde;o estrutural moderada do receptor respons&aacute;vel pela a&ccedil;&atilde;o analg&eacute;sica. Os analg&eacute;sicos centrais reduzem ou suprimem a dor, independentemente do processo algog&ecirc;nico, aumentando o limiar da percep&ccedil;&atilde;o da dor. S&atilde;o os produtos mais eficazes no tratamento da dor, j&aacute; que atuam tanto sobre a nocicep&ccedil;&atilde;o como sobre a esfera psicoafetiva. De tal maneira &eacute; assim que quando a dor n&atilde;o evoca as respostas habituais de temor, ansiedade, p&acirc;nico e sofrimento, se pode aumentar enormemente a capacidade do paciente para tolerar a dor, inclusive nas situa&ccedil;&otilde;es nas quais n&atilde;o se consiga um controle absoluto da percep&ccedil;&atilde;o dolorosa.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522280"><A NAME="_Toc435950577"><A NAME="_Toc436659559">Prostaglandina</A></A></A> </P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&Eacute; um composto org&acirc;nico constitu&iacute;do de vinte &aacute;tomos de carbono. Est&aacute; presente no sistema nervoso central, na circula&ccedil;&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea e, em maiores dosagens nos &oacute;rg&atilde;os genitais feminino e no esperma masculino. No sistema genital feminino &eacute; respons&aacute;vel pelas contra&ccedil;&otilde;es espasm&oacute;dicas do miom&eacute;trio, cujo resultado &eacute; um aumento de cininas plasm&aacute;ticas que aumentar&atilde;o a secre&ccedil;&atilde;o de bradicinina por parte da c&eacute;lula endometrial.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522281"><A NAME="_Toc435950578"><A NAME="_Toc436659560">Bradicinina</A></A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&Eacute; um polipept&iacute;deo que cont&eacute;m nove res&iacute;duos de amino&aacute;cidos liberados por uma alfa-globulina, o <B>bradicinog&ecirc;nio</B>. A bradicinina uma vez liberada nos espa&ccedil;os intercelulares, ir&aacute; impressionar os receptores sensitivos, nos quais os est&iacute;mulos qu&iacute;micos s&atilde;o convertidos em est&iacute;mulos el&eacute;tricos e conduzidos at&eacute; os centros de decodifica&ccedil;&atilde;o da sensibilidade dolorosa no giro p&oacute;s-central. Al&eacute;m de atuar no sistema nervoso, este neurotransmissor tamb&eacute;m atua aumentando a permeabilidade capilar e produzindo os edemas. Existem outros neurotransmissores envolvidos na condu&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos dolorosos, mas estes dois s&atilde;o os mais importantes.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P><A NAME="_Toc402522282"><A NAME="_Toc435950579"><A NAME="_Toc436659561">Febre</A></A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">A febre caracteriza-se por um estado de aumento na temperatura corporal, esta elevando-se a n&uacute;meros acima da casa dos trinta e sete graus C&eacute;lcius, sendo considerada padr&atilde;o de normalidade uma temperatura m&eacute;dia de trinta e seis graus e quatro d&eacute;cimos na escala C&eacute;lcius, para uma temperatura ambiente de vinte e cinco graus na mesma escala.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">V&aacute;rias podem ser as causas da febre, mas as principais s&atilde;o as contus&otilde;es cranianas, as infec&ccedil;&otilde;es bacterianas, vir&oacute;ticas, por macroparasitas e estados de instabilidade emocional, especialmente em crian&ccedil;as.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950580"><A NAME="_Toc436659562">Contus&otilde;es Cranianas</A></A> </P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">S&atilde;o resultantes de pancadas, mudan&ccedil;as bruscas de formas de movimento, in&eacute;rcia cin&eacute;tica e as corriqueiramente ditas "batidas de cabe&ccedil;a", que podem levar a irrita&ccedil;&otilde;es do tecido cerebral e at&eacute; mesmo les&otilde;es teciduais. Na contus&atilde;o craniana a febre constitui-se em sintoma principal e de alerta da ocorr&ecirc;ncia de danos neuro-histopatog&ecirc;nicos (les&otilde;es cerebrais).</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950581"><A NAME="_Toc436659563">Infec&ccedil;&otilde;es Bacterianas</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Quando microorganismos invadem o corpo, os leuc&oacute;citos imediatamente atravessam as paredes dos vasos e art&eacute;rias por um processo denominado de <B>diapedese</B> e v&atilde;o combater as bact&eacute;rias fagocitando-as e as destruindo. Simultaneamente, os leuc&oacute;citos emitem impulsos eletr&ocirc;nicos ou secretam alguma subst&acirc;ncia na corrente sang&uuml;&iacute;nea, a qual &eacute; levada at&eacute; o centro termo-regulador e ativando com isso os sistemas ligados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de energia, eliciando o aumento na produ&ccedil;&atilde;o de calor, fazendo com que os linf&oacute;citos <B>T<SUB>4</B></SUB> transformem-se em linf&oacute;citos <B>B</B> e iniciem a produ&ccedil;&atilde;o de anticorpos espec&iacute;ficos contra aquele agente patog&ecirc;nico infectante. Os linf&oacute;citos <B>T<SUB>4</B></SUB> transmutam-se em linf&oacute;citos <B>B</B> apenas &agrave; temperatura corporal acima de trinta e sete graus c&eacute;lcius e por isso os m&eacute;dicos recomendam n&atilde;o administrar medicamentos antit&eacute;rmicos em estados febris abaixo de trinta e oito graus C&eacute;lcius.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950582"><A NAME="_Toc436659564">Infec&ccedil;&otilde;es por Parasitas Intestinais ou Macroparasitas</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Estado febril determinado por uma concentra&ccedil;&atilde;o excessiva de helmintos no intestino, especialmente no caso de infec&ccedil;&otilde;es por <I>Ascaris Lumbricoides</I>, vulgarmente chamadas de lombrigas ou "bichas". O Ascaris tende a se enovelar na luz intestinal produzindo formas arredondadas como "bolos", obstruindo o fluxo fecal e podendo, de acordo com o tamanho e a densidade do novelo, ocasionar obstru&ccedil;&atilde;o total arriscando fatalizar o indiv&iacute;duo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O Ascaris vive basicamente dos nutrientes ingeridos pelo indiv&iacute;duo, mas a <I>Taenia solium</I>, <I>Taenia saginatta</I>, <I>Schistosoma mansoni</I>, <I>Giardia lamblia </I>e outros vivem da ingest&atilde;o de sangue retirado atrav&eacute;s de suas ventosas da parede intestinal. Ao fixarem-se na parede intestinal, os leuc&oacute;citos dos capilares iniciam imediatamente o processo de defesa, produzindo com isso, a febre.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">At&eacute; pouco tempo atr&aacute;s, considerava-se infesta&ccedil;&atilde;o ao ataque de vermes macroparasitos no intestino mas existe uma falha no conceito de infesta&ccedil;&atilde;o, pois nas parasitoses intestinais h&aacute; preju&iacute;zos org&acirc;nicos ao hospedeiro, enquanto nas infesta&ccedil;&otilde;es puras ou propriamente ditas n&atilde;o h&aacute; preju&iacute;zo ao indiv&iacute;duo infestado, sendo cl&aacute;ssico aqui o exemplo na <I>Enthamoeba coli </I>e muitos outros microorganismos que infestam nossos intestinos sem nos causar danos ou males.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<P><A NAME="_Toc435950583"><A NAME="_Toc436659565">Insola&ccedil;&atilde;o</A></A></P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">&Eacute; o nome dado &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o excessiva aos raios ultravioletas da radia&ccedil;&atilde;o solar. A epiderme absorve a onda luminosa e acumula o seu calor nos tecidos da mesoderme e da hipoderme, induzindo com isso o aparecimento da febre. Tanto nos processos dolorosos quanto os febris, podem ter implica&ccedil;&otilde;es emocionais como desencadeantes. &Eacute; comum ao adulto utilizar processos dolorosos como mecanismo de defesa e nas crian&ccedil;as &eacute; comum encontrarmos estados febris utilizados inconscientemente para exprimir seus desejos e medos.</P>
<P ALIGN="CENTER"><A HREF="http://www.antonini.com.br/fcomp/fcomp38.htm"><IMG SRC="imagens/aas.GIF" BORDER=0 WIDTH=231 HEIGHT=204></A></P>
<P ALIGN="CENTER">O mais antigo dos analg&eacute;sicos industrializados.</P>
<P ALIGN="CENTER"><A HREF="http://www.antonini.com.br/fcomp/fcomp38.htm"><B>DROGAS PRINCIPAIS</B></A></P></BODY>
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