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<TITLE>COCA�NA</TITLE>
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<P><A NAME="_Toc426543440"><HR></P>
<B><FONT SIZE=2><P ALIGN="CENTER">[</B></FONT><A HREF="#_Toc426636948"><B><FONT SIZE=2>COCA&Iacute;NA</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B></FONT><A HREF="#_Toc426636949"><B><FONT SIZE=2>Hist&oacute;rico</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>] [</B></FONT><A HREF="#_Toc426636950"><B><FONT SIZE=2>Propriedades f&iacute;sicas e qu&iacute;micas</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>] [</B></FONT><A HREF="#_Toc426636951"><B><FONT SIZE=2>Toxicocin&eacute;tica</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B></FONT><A HREF="#_Toc426636952"><B><FONT SIZE=2>ASPECTO TOXICOL&Oacute;GICO DA OVERDOSE DE COCA&Iacute;NA</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>]</P>
<P ALIGN="CENTER">[</B></FONT><A HREF="#_Toc426636953"><B><FONT SIZE=2>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>] [</B></FONT><A HREF="#_Toc426636954"><B><FONT SIZE=2>Generalidades</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>] [</B></FONT><A HREF="#_Toc426636955"><B><FONT SIZE=2>Toxicocin&eacute;tica</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>] [</B></FONT><A HREF="#_Toc426636956"><B><FONT SIZE=2>Toxicodin&acirc;mica</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>]</P>
</B></FONT><P><HR></P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426636948">COCA&Iacute;NA</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636949"><A NAME="_Toc426543441">Hist&oacute;rico</A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Os efeitos estimulantes derivados de se mascar folhas de coca forma descobertos por farmacologistas de folclore nos Andes, s&eacute;culos atr&aacute;s. O componente ativo <B>coca&iacute;na</B>, descoberto em 1860, &eacute; um anest&eacute;sico local. Embora a coca&iacute;na tenha pouca semelhan&ccedil;a qu&iacute;mica com as anfetaminas e outros estimulantes mais modernos, as suas a&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas s&atilde;o bastante parecidas.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;</B>Os problemas relacionados ao abuso de coca&iacute;na emergiram durante a &uacute;ltima d&eacute;cada e s&atilde;o atribu&iacute;dos ao aumento da produ&ccedil;&atilde;o il&iacute;cita, &agrave; expans&atilde;o do tr&aacute;fico e &agrave; popularidade crescente do t&oacute;xico. Parte deste recrudescimento deve-se ao conceito infundado de seguran&ccedil;a no seu uso recreacional, em uma sociedade com valores e padr&otilde;es que admitem a cren&ccedil;a de que a altera&ccedil;&atilde;o do humor atrav&eacute;s de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas &eacute; correta, aceit&aacute;vel e faz parte da vida.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A intensidade dos efeitos prazeirosos - euforia e estimula&ccedil;&atilde;o geral - propiciados pela coca&iacute;na s&atilde;o de tal ordem que apresentam alto potencial para a depend&ecirc;ncia e a <B><I>overdose</B></I>, pois o per&iacute;odo de euforia &eacute; seguido por altera&ccedil;&otilde;es de humor caracterizada por disforia intensa e depress&atilde;o que levam ao uso repetido e compulsivo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A toxicodepend&ecirc;ncia em coca&iacute;na constitui complexo problema de sa&uacute;de p&uacute;blica e necessita de interven&ccedil;&atilde;o psicoterap&ecirc;utica, legal e social para estabelecer delineamento de estrat&eacute;gias de tratamento.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Data de 1982 a primeira refer&ecirc;ncia de &oacute;bito relacionado &agrave; intoxica&ccedil;&atilde;o por overdose de coca&iacute;na na cidade de S&atilde;o Paulo. Segundo registros do Servi&ccedil;o T&eacute;cnico de Toxicologia Forense - STTF, do Instituto de Criminal&iacute;stica, o n&uacute;mero de casos vem crescendo no decorrer dos anos e atualmente acha-se por volta de trinta mensais.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O aumento do n&uacute;mero de mortes atribu&iacute;das &agrave; intoxica&ccedil;&atilde;o por superdose de coca&iacute;na resulta da maior incid&ecirc;ncia de uso, bem como de mudan&ccedil;as nas formas de administra&ccedil;&atilde;o, potencialmente perigosas, podendo, portanto, funcionar como indicador indireto da preval&ecirc;ncia e incid&ecirc;ncia do uso de coca&iacute;na em determinada popula&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Para se estabelecer a <I>causa-mortis</I> &eacute; necess&aacute;rio que haja interpreta&ccedil;&atilde;o cuidadosa dos resultados das an&aacute;lises toxicol&oacute;gicas, em conjunto com os achados de necropsia e os eventos do &oacute;bito.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A interpreta&ccedil;&atilde;o adequada pressup&otilde;e um estudo sobre a toxicocin&eacute;tica e toxicodin&acirc;mica da coca&iacute;na, que possibilite, atrav&eacute;s do conhecimento dos n&iacute;veis encontrados em material biol&oacute;gico, a infer&ecirc;ncia sobre a realidade da morte.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636950"><A NAME="_Toc426543442">Propriedades f&iacute;sicas e qu&iacute;micas.</A></A></P>
</B></FONT><P>A <B>Benzoilmetilecgonina</B>, vulgarmente chamada de coca&iacute;na devido &agrave; sua origem, as folhas da <B><I>Erytroxylum coca</B></I>, em especial, &eacute; um alcal&oacute;ide <B>trop&acirc;nico</B>, derivado da <B>ornitina</B>, um amino&aacute;cido que as plantas do g&ecirc;nero <B><I>Erytroxylum</B></I> degradam e d&atilde;o como metab&oacute;litos secund&aacute;rios diversos alcal&oacute;ides, sendo 14 conhecidos atualmente, dentre eles o mais importante &eacute; a <B>coca&iacute;na.</B> A <B>ornitina</B> d&aacute;, al&eacute;m do grupo de alcal&oacute;ides trop&acirc;nicos, tamb&eacute;m outros grupos de alcal&oacute;ides como os <B>nicot&iacute;nicos</B>, produzidos pelas folhas do <B>tabaco</B>, e os <B>pirrolizid&iacute;nicos.</P>
</B><P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp32.GIF" WIDTH=281 HEIGHT=238></P>
<P ALIGN="CENTER">&nbsp;A benzoilmetilecgonina tem a f&oacute;rmula estrutural acima e f&oacute;rmula emp&iacute;rica <B>C<SUB>17</SUB>H<SUB>21</SUB>NO<SUB>4</SUB>.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Ao g&ecirc;nero <B><I>Erytroxylum</B></I> tamb&eacute;m apresenta outras esp&eacute;cies de plantas com interesse industrial. A <B><I>Erytroxylum novogranatense</B></I>, variedade <B>trujjilo</B>, &eacute; cultivada legalmente no Peru e sua produ&ccedil;&atilde;o se destina &agrave; industria farmac&ecirc;utica, sendo que as folhas remanescentes, descocainizadas, s&atilde;o utilizadas como flavorizantes (d&atilde;o o sabor) de refrigerantes do tipo <B>Coca-cola<FONT FACE="Symbol">&Ograve;</FONT> , Pepsi-cola<FONT FACE="Symbol">&Ograve;</FONT> </B>e muitos outros, vindo da&iacute; o sufixo <B>cola </B>que integra os nomes fantasia desses refrigerantes conhecidos no mundo inteiro. As folhas dessa variedade tamb&eacute;m comercializadas sob a forma de "ervas" acondicionadas em embalagens individuais de cerca de 5g destinadas ao preparo de ch&aacute;s, referidos como estimulante. Cada por&ccedil;&atilde;o dessas folhas cont&eacute;m aproximadamente mg de coca&iacute;na, quantidade suficiente para produzir altera&ccedil;&otilde;es de humor e aumento na freq&uuml;&ecirc;ncia card&iacute;aca.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A <B><I>Erytroxylum coca</B></I> &eacute; composta por folhas pequenas de aproximadamente cm de comprimento, que cont&eacute;m entre 0,5 e 2,0% de coca&iacute;na, e constitui a principal fonte do tr&aacute;fico il&iacute;cito. As folhas s&atilde;o maceradas e o fluido e as folhas descartados, deixando uma pasta grossa marrom (pasta de coca), que cont&eacute;m coca&iacute;na em forma b&aacute;sica na propor&ccedil;&atilde;o de 70 a 85%. Esta constitui a forma de tr&aacute;fico para laborat&oacute;rios clandestinos. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A pasta &eacute; refinada, fornecendo um s&oacute;lido cristalino fragmentado transparente, geralmente na forma de <B>cloridrato de coca&iacute;na</B> que &eacute; dilu&iacute;do com v&aacute;rios adulterantes, compondo-se assim a <B>"droga de rua"</B>. Os adulterantes mais comuns s&atilde;o a&ccedil;&uacute;cares, talco, anest&eacute;sicos locais e sais de baixo custo, como bicarbonato de s&oacute;dio e sulfato de magn&eacute;sio, sendo os teores de coca&iacute;na vari&aacute;veis entre 15 e 90%.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A coca&iacute;na tamb&eacute;m pode ser obtida sinteticamente em laborat&oacute;rios clandestinos e seu reconhecimento qu&iacute;mico pode ser feito pela presen&ccedil;a do dextroenanti&ocirc;mero, uma vez que a planta biossintetiza apenas o is&ocirc;mero lev&oacute;giro (-).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O cloridrato de coca&iacute;na &eacute; um s&oacute;lido cristalino fragmentado higrosc&oacute;pico que d&aacute; a impress&atilde;o de ser um p&oacute; branco e constitui a formula&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na legal e, geralmente da il&iacute;cita tamb&eacute;m. Apresenta ponto de fus&atilde;o de aproximadamente 197<SUP>o</SUP> C com decomposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sol&uacute;vel em &aacute;gua e praticamente insol&uacute;vel em &eacute;ter et&iacute;lico e pouco sol&uacute;vel em clorof&oacute;rmio. Esta forma &eacute; termol&aacute;bil e se decomp&otilde;e rapidamente quando fumada.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A forma b&aacute;sica da coca&iacute;na, chamada <B>"base livre"</B> ou <B>coca&iacute;na alcaloidal</B>, &eacute; uma subst&acirc;ncia cristalina, branca ou transparente, inodora, levemente vol&aacute;til e com ponto de fus&atilde;o entre 96 e 98<SUP>o</SUP> C. N&atilde;o se decomp&otilde;e &agrave;s temperaturas requeridas para sua vaporiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sol&uacute;vel em etanol, acetona, &eacute;ter et&iacute;lico e praticamente insol&uacute;vel em &aacute;gua. Em virtude destas propriedades, a coca&iacute;na na forma b&aacute;sica, ao contr&aacute;rio do cloridrato, presta-se para ser inalada (fumada), h&aacute;bito que surgiu os &uacute;ltimos anos. Atualmente, &eacute; comercializada ilicitamente na forma de massa s&oacute;lida, em pequenos peda&ccedil;os cristalinos que recebem o nome gen&eacute;rico de <B>CRACK</B>.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636951"><A NAME="_Toc426543443">Toxicocin&eacute;tica</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Vias de introdu&ccedil;&atilde;o e absor&ccedil;&atilde;o</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">As vias pelas quais pode ocorrer a auto-administra&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na podem ser divididas de acordo com suas caracter&iacute;sticas de absor&ccedil;&atilde;o, em intranasal, oral, intravenosa e respirat&oacute;ria, sendo predominante a via intranasal, no caso do <B>cloridrato de coca&iacute;na</B>, e mais recentemente aparecendo a via respirat&oacute;ria, no caso do <B>crack.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A utiliza&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na pela via intranasal, por aspira&ccedil;&atilde;o, ou pela mucosa bucal, propicia absor&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das membranas naso-orofar&iacute;ngeas, com baixa velocidade de absor&ccedil;&atilde;o devido &agrave;s propriedades vasoconstritoras do t&oacute;xico.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A despeito disso, esta pr&aacute;tica denominada popularmente de <B>"cafungar"</B>, &eacute; a mais utilizada recreacionalmente. Consiste em se dispor dos cristais de cloridrato de coca&iacute;na enfileirados em superf&iacute;cie lisa. Cada fileira de cristais tem aproximadamente de 10 a 30 mg e s&atilde;o aspirados de tal forma que a absor&ccedil;&atilde;o ocorre pela mucosa nasal. A m&eacute;dia de uso, por toxic&ocirc;manos &eacute; de 4 a 5 g por semana. A pr&aacute;tica &eacute; geralmente feita em grupos, em m&eacute;dia tr&ecirc;s vezes por reuni&atilde;o e em intervalos de 20 a 30 minutos, tempo que geralmente duram os efeitos relacionados &agrave; euforia.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico, ap&oacute;s a aspira&ccedil;&atilde;o intranasal, ocorre em tempos vari&aacute;veis de 35 a 120 minutos. Estes dados foram obtidos em dois estudos que utilizaram doses compar&aacute;veis de coca&iacute;na (2 mg.kg<SUP>-1</SUP>) em volunt&aacute;rios. Existem refer&ecirc;ncia ainda sobre este tempo estar entre 15 e 60 minutos e haver varia&ccedil;&otilde;es dependendo da dose ou da forma utilizada (tempo menor para cristais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; solu&ccedil;&atilde;o).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os motivos que explicam esta varia&ccedil;&atilde;o relacionam-se a diferentes graus de vasoconstri&ccedil;&atilde;o induzidos pela coca&iacute;na, processos de biotransforma&ccedil;&atilde;o ocorrendo na pr&oacute;pria mucosa nasal, diferen&ccedil;as interindividuais de velocidades de hidr&oacute;lise plasm&aacute;tica ou diferen&ccedil;as na efetividade da t&eacute;cnica de auto-administra&ccedil;&atilde;o, levando &agrave; degluti&ccedil;&atilde;o parcial da dose. A coca&iacute;na pode ser encontrada na mucosa nasal at&eacute; tr&ecirc;s horas ap&oacute;s a aspira&ccedil;&atilde;o. Doses de aproximadamente 0,4 mg.kg<SUP>-1</SUP> de peso corp&oacute;reo (30 a 40 mg) s&atilde;o associados &agrave; concentra&ccedil;&otilde;es plasm&aacute;ticas de pico de 50 ng.ml<SUP>-1</SUP>, enquanto aquelas correspondentes a 1 a 2 mg.kg<SUP>-1</SUP> est&atilde;o associadas a 100 a 200 ng.ml<SUP>-1</SUP>.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A biodisponibilidade para a via intranasal foi em m&eacute;dia de 80%, significativamente maior que os 60 e 25% encontrados em diversos outros experimentos do g&ecirc;nero.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A via oral, a despeito da popularidade da coca&iacute;na como constituinte de vinhos e t&ocirc;nicos no in&iacute;cio do s&eacute;culo, foi at&eacute; bem pouco tempo questionada como efetiva em termos da estabilidade do t&oacute;xico e de sua biodisponibilidade. Ap&oacute;s uma fase de aproximadamente 30 minutos, onde n&atilde;o h&aacute; detec&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica, a absor&ccedil;&atilde;o gastrintestinal &eacute; r&aacute;pida e a concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico geralmente ocorre entre 45 e 90 minutos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O retardamento da absor&ccedil;&atilde;o pela via oral, em rela&ccedil;&atilde;o ao que ocorre na mucosa naso-orofar&iacute;ngea, &eacute; explicada pela ioniza&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na no meio &aacute;cido do est&ocirc;mago e a demora em atingir o meio menos &aacute;cido do intestino delgado, local onde a forma n&atilde;o-ionizada prevalece, ocorrendo maior velocidade de absor&ccedil;&atilde;o. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Dados relativos a experimentos, onde a coca&iacute;na &eacute; ingerida em c&aacute;psulas podendo assim afastar a possibilidade de absor&ccedil;&atilde;o pela mucosa bucal, mostram que a porcentagem de absor&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco - calculada pela &aacute;rea sob a curva - AUC - &eacute; compar&aacute;vel &agrave;quela obtida na administra&ccedil;&atilde;o nasal, com efeitos fisiol&oacute;gicos equivalentes. Ambas apresentam biodisponibilidade de 60%.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A biodisponibilidade relativa similar entre as vias intranasal e oral mostra uma aparente "falta" do efeito de primeira passagem hep&aacute;tico, o que pode ser explicado pelo fato, conforme se ver&aacute; adiante, de que a via hep&aacute;tica tem pequena contribui&ccedil;&atilde;o na biotransforma&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A administra&ccedil;&atilde;o de coca&iacute;na na forma de base livre, fumada, pode ser comparada em termos de velocidade de absor&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico, &agrave; via intravenosa. A base livre ou "craque" &eacute; fumada em cachimbos ou em cigarros de maconha ou tabaco. A pasta de coca, na forma bruta, cont&eacute;m teores significativos de coca&iacute;na b&aacute;sica e, por isso, tamb&eacute;m se presta para este uso.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A extensa &aacute;rea de superf&iacute;cie dos pulm&otilde;es favorece a efetiva absor&ccedil;&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o &eacute; r&aacute;pida e os efeitos intensos, compar&aacute;veis aos que se seguem &agrave; administra&ccedil;&atilde;o intravenosa, ocorrem em 1 a 2 minutos, com concentra&ccedil;&otilde;es plasm&aacute;ticas de pico de 300 a 900 ng.ml<SUP>-1</SUP>. A meia-vida de absor&ccedil;&atilde;o para a coca&iacute;na inalada &eacute; muito r&aacute;pida - da ordem de 1,1 minutos. As curvas, em termos de tempo para se atingir a concentra&ccedil;&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea m&aacute;xima e elimina&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o indistingu&iacute;veis para essa via e aquelas referentes &agrave; via intravenosa, sendo a dura&ccedil;&atilde;o dos efeitos considerada curta para as duas vias, o que requer a utiliza&ccedil;&atilde;o de novas quantidades para manter o estado de intoxica&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O ato de fumar, por consistir via de administra&ccedil;&atilde;o "socialmente" aceita, posto que n&atilde;o necessita da parafern&aacute;lia associada a drogas il&iacute;citas (agulhas, seringas, e etc.), propicia a busca imediata de doses adicionais do t&oacute;xico. Estas propriedades farmacol&oacute;gicas tornam o ato de fumar "base livre" um componente particular do refor&ccedil;o, associado ao uso compulsivo e mais intenso, que contribui para acelerar o desenvolvimento da depend&ecirc;ncia psicof&iacute;sica.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Distribui&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A despeito das varia&ccedil;&otilde;es encontradas nos v&aacute;rios trabalhos relativos ao assunto, pode-se concluir que a coca&iacute;na apresenta uma velocidade de distribui&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida que dificulta at&eacute; mesmo o estabelecimento de modelos t&oacute;xico e/ou toxicocin&eacute;ticos para seu estudo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A meia-vida de distribui&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s administra&ccedil;&atilde;o intravenosa &eacute; de 11 minutos e a meia vida plasm&aacute;tica de elimina&ccedil;&atilde;o &eacute; de aproximadamente 50 minutos para a via oral e 75 minutos para a via intranasal, quando da administra&ccedil;&atilde;o de doses equivalentes, o que reflete a absor&ccedil;&atilde;o nasal cont&iacute;nua.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A liga&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&iacute;na plasm&aacute;tica ocorre com a albumina e <FONT FACE="Symbol">a</FONT> -1-glicoprote&iacute;na &aacute;cida e apresenta porcentagem de liga&ccedil;&atilde;o t&atilde;o baixa que deve ter efeitos insignificantes na toxicocin&eacute;tica da coca&iacute;na. Os valores dos volumes de distribui&ccedil;&atilde;o aparente variam entre 1,5 e 2,7 L.kg<SUP>-1</SUP> e indicam uma moderada liga&ccedil;&atilde;o do t&oacute;xico aos tecidos. O <B><I>clearence</B></I> renal da coca&iacute;na (26,5 ml.min<SUP>-1</SUP>) &eacute; bem pequeno quando comparado ao <B><I>clearence</B></I> total (2.096 ml.min<SUP>-1</SUP>) mostrando que a elimina&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na &eacute;, predominantemente, controlada pela sua biotransforma&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Como um alcal&oacute;ide que apresenta dois grupos &eacute;steres (metil-carboxil e benzoato) e um grupo N-metila, a coca&iacute;na &eacute; suscet&iacute;vel &agrave; biotransforma&ccedil;&atilde;o muito intensa.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A hidr&oacute;lise das liga&ccedil;&otilde;es &eacute;steres ocorre espontaneamente e enzimaticamente. A via enzim&aacute;tica de hidr&oacute;lise ocorre no grupo benzoato atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o de enzimas plasm&aacute;ticas e hep&aacute;ticas e o produto resultante &eacute; o &eacute;ster metilecgonina, que constitui 32 a 49% da excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria da coca&iacute;na. A colinesterase plasm&aacute;tica, respons&aacute;vel pela hidr&oacute;lise da coca&iacute;na, &eacute; tamb&eacute;m denominada pseudocolinesterase, cujo substrato principal &eacute; a benzoilcolina. Esta enzima &eacute; inibida por v&aacute;rias subst&acirc;ncias, dentre elas a eserina e o fluoreto.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426636952"><A NAME="_Toc426543444">ASPECTO TOXICOL&Oacute;GICO DA OVERDOSE DE COCA&Iacute;NA.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636953"><A NAME="_Toc426543445">Introdu&ccedil;&atilde;o</A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os problemas relacionados ao abuso de coca&iacute;na emergiram durante a &uacute;ltima d&eacute;cada e s&atilde;o atribu&iacute;dos ao aumento da produ&ccedil;&atilde;o il&iacute;cita, &agrave; expans&atilde;o do tr&aacute;fico e &agrave; popularidade crescente do f&aacute;rmaco. Parte deste recrudescimento deve-se ao conceito infundado de seguran&ccedil;a no seu uso recreacional, em uma sociedade com valores e padr&otilde;es que admitem a cren&ccedil;a de que a altera&ccedil;&atilde;o do humor atrav&eacute;s de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas &eacute; correta, aceit&aacute;vel e faz parte da vida.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A intensidade dos efeitos prazeirosos, euforia e estimula&ccedil;&atilde;o geral, propiciados pela coca&iacute;na s&atilde;o de tal ordem que apresentam alto potencial para a depend&ecirc;ncia e a overdose, pois o per&iacute;odo de euforia &eacute; seguido por altera&ccedil;&atilde;o de humor, caracterizada por disforia intensa e depress&atilde;o que levam ao uso repetido e compulsivo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A farmacodepend&ecirc;ncia em coca&iacute;na constitui complexo problema de Sa&uacute;de P&uacute;blica e necessita de interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, legal e social para estabelecer delineamento de estrat&eacute;gias de tratamento.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Data de 1982 a primeira refer&ecirc;ncia de &oacute;bito relacionado &agrave; intoxica&ccedil;&atilde;o por overdose de coca&iacute;na na cidade de S&atilde;o Paulo. Segundo registros do Servi&ccedil;o T&eacute;cnico de Toxicologia Forense - STTF do Instituto M&eacute;dico Legal - IML sede, o n&uacute;mero de casos vem crescendo no decorrer dos anos e atualmente acha-se por volta de trinta mensais.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O aumento do n&uacute;mero de mortes atribu&iacute;das &agrave; intoxica&ccedil;&atilde;o por overdose de coca&iacute;na resulta da maior incid&ecirc;ncia de uso, bem como de mudan&ccedil;as nas formas de administra&ccedil;&atilde;o, potencialmente perigosas, podendo, portanto, funcionar como indicador indireto da preval&ecirc;ncia e incid&ecirc;ncia do uso de coca&iacute;na em determinada popula&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Para se estabelecer a "<B>causa mortis</B>" &eacute; necess&aacute;rio que haja interpreta&ccedil;&atilde;o cuidadosa dos resultados das an&aacute;lises toxicol&oacute;gicas, em conjun&ccedil;&atilde;o com os achados de necr&oacute;psia e os eventos do &oacute;bito.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A interpreta&ccedil;&atilde;o adequada pressup&otilde;e um estudo sobre a toxicocin&eacute;tica e toxicodin&acirc;mica da coca&iacute;na, que possibilite, atrav&eacute;s do conhecimento dos n&iacute;veis encontrados em material biol&oacute;gico, a interfer&ecirc;ncia sobre a realidade da morte.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636954"><A NAME="_Toc426543446">Generalidades</A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;<B>Aspecto toxicol&oacute;gico da coca&iacute;na: ocorr&ecirc;ncia e propriedade das suas formas de uso. &#9;</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A coca&iacute;na (benzoilmetilecgonina) - COC, &eacute; um f&aacute;rmaco que pertence juntamente com a atropina e a escopolamina, &agrave; fam&iacute;lia dos alcal&oacute;ides naturais tipo tropano. Tem f&oacute;rmula emp&iacute;rica C<SUB>17</SUB>H<SUB>21</SUB>NO<SUB>4</SUB>.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Ocorre naturalmente nas folhas de plantas provenientes de duas esp&eacute;cies do g&ecirc;nero <I>Erytroxylum sp.</I>, vulgarmente denominado coca, origin&aacute;rio da Am&eacute;rica do Sul, e integra um conjunto de pelo menos 14 alcal&oacute;ides biossintetizados por essas folhas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A <I>Erytroxylum novogranatense</I>, variedade <I>trujjilo</I>, &eacute; cultivada legalmente no Peru e sua produ&ccedil;&atilde;o &eacute; destinada &agrave; ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, sendo que as folhas remanescentes, descocainizadas, s&atilde;o utilizadas como flavorizante de refrigerantes. As folhas dessa variedade s&atilde;o tamb&eacute;m comercializadas sob a forma de "ervas", acondicionadas em embalagens individuais de cerca de 5,0 g e se destinam &agrave; feitura de ch&aacute;, referido como estimulante. Cada por&ccedil;&atilde;o dessas folhas cont&eacute;m aproximadamente 5,0 mg de COC, quantidade suficiente para produzir altera&ccedil;&atilde;o do humor e aumento da freq&uuml;&ecirc;ncia card&iacute;aca.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A <I>Erytroxylum</I> <I>coca </I>&eacute; composta por folhas pequenas de 5,0 cm de comprimento, que cont&eacute;m entre 0,5 e 2,0% de COC, e constitui a principal fonte do tr&aacute;fico il&iacute;cito. As folhas s&atilde;o maceradas e o fluido e as folhas descartados, deixando uma pasta grossa marrom (pasta de coca), que cont&eacute;m coca&iacute;na em forma b&aacute;sica na propor&ccedil;&atilde;o de 70 a 85%. Esta constitui a forma de tr&aacute;fico para laborat&oacute;rios clandestinos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A pasta &eacute; refinada, fornecendo p&oacute; branco, cristalino, geralmente na forma de cloridrato de coca&iacute;na, que &eacute; dilu&iacute;do com v&aacute;rios adulterantes, compondo-se assim a "droga de rua". Os adulterantes mais comuns s&atilde;o a&ccedil;&uacute;cares, talco, anest&eacute;sicos locais e sais de baixo custo, como bicarbonato de s&oacute;dio e sulfato de magn&eacute;sio, sendo os teores de COC vari&aacute;veis entre 15 a 90%.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A coca&iacute;na pode tamb&eacute;m ser obtida sinteticamente em laborat&oacute;rios clandestinos e o seu reconhecimento qu&iacute;mico ser feito pela presen&ccedil;a do dextroenanti&ocirc;mero, uma vez que a planta biossintetiza apenas o is&ocirc;mero levorotat&oacute;rio (-) coca&iacute;na.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O cloridrato de coca&iacute;na &eacute; um p&oacute; branco, cristalino, ou cristais higroc&oacute;picos transparentes, e constitui a formula&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na legal e, geralmente, da il&iacute;cita. Apresenta ponto de fus&atilde;o de aproximadamente 197<FONT FACE="Symbol">�</FONT> C com decomposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sol&uacute;vel em &aacute;gua e praticamente insol&uacute;vel em &eacute;ter et&iacute;lico e pouco sol&uacute;vel em clorof&oacute;rmio. Esta forma &eacute; termol&aacute;bil e se decomp&otilde;e rapidamente quando fumada.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A forma b&aacute;sica da COC, chamada de "base livre" ou coca&iacute;na alcaloidal, &eacute; subst&acirc;ncia cristalina, branca ou transparente, inodora, levemente vol&aacute;til e com ponto de fus&atilde;o entre 96 e 98<FONT FACE="Symbol">�</FONT> C. N&atilde;o se decomp&otilde;e &agrave;s temperaturas requeridas para sua vaporiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; sol&uacute;vel em etanol, acetona, &eacute;ter et&iacute;lico e praticamente insol&uacute;vel em &aacute;gua. Em virtude destas propriedades, a COC na forma b&aacute;sica, ao contr&aacute;rio da forma cloridrato, presta-se a ser inalada (fumada), h&aacute;bito que surgiu nos &uacute;ltimos anos. Atualmente, &eacute; comercializada ilicitamente nesta forma de massa s&oacute;lida, em pequenos peda&ccedil;os cristalinos que recebem o nome de "craque"("crack" ou "rock").</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; refer&ecirc;ncias de que existem, dispon&iacute;veis no mercado, dispositivos para extra&ccedil;&otilde;es simples atrav&eacute;s de dissolu&ccedil;&atilde;o do cloridrato de coca&iacute;na, em solu&ccedil;&atilde;o alcalina como bicarbonato de s&oacute;dio e separa&ccedil;&atilde;o com solvente vol&aacute;til, geralmente &eacute;ter, que ap&oacute;s evapora&ccedil;&atilde;o resulta no "craque". Durante o processo de prepara&ccedil;&atilde;o dessa forma de uso, adulterantes como os anest&eacute;sicos locais s&atilde;o extra&iacute;veis junto com a coca&iacute;na, por&eacute;m os a&ccedil;&uacute;cares e as subst&acirc;ncias inorg&acirc;nicas n&atilde;o o s&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636955"><A NAME="_Toc426543447">Toxicocin&eacute;tica</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Vias de administra&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&otilde;es plasm&aacute;ticas de pico.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;As vias pelas quais pode ocorrer a auto-administra&ccedil;&atilde;o de coca&iacute;na podem ser divididas, por suas caracter&iacute;sticas de absor&ccedil;&atilde;o, em intranasal, oral, intravenosa e respirat&oacute;ria, sendo a mais referida e intranasal e, mais recentemente, a via respirat&oacute;ria.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A utiliza&ccedil;&atilde;o da COC pela via intranasal (aspira&ccedil;&atilde;o nasal), ou pela mucosa bucal, propicia a absor&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das membranas naso-orofar&iacute;ngeas, com baixa velocidade de absor&ccedil;&atilde;o devido &agrave;s propriedades vasoconstritoras do f&aacute;rmaco.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A despeito disso, esta pr&aacute;tica denominada popularmente de "cafungar", &eacute; a mais utilizada recreacionalmente. Consiste em se dispor os cristais de cloridrato de coca&iacute;na enfileirados em superf&iacute;cie lisa. Cada fileira de cristais tem aproximadamente 10 a 30 mg e s&atilde;o aspirados de tal forma que a absor&ccedil;&atilde;o ocorre pela mucosa nasal. A m&eacute;dia de uso, por farmacodependentes, &eacute; de 4 a 5 g por semana. A pr&aacute;tica &eacute; geralmente feita em grupos, em m&eacute;dia tr&ecirc;s vezes por reuni&atilde;o e em intervalos de 20 a 30 min, tempo que geralmente duram os efeitos relacionados &agrave; euforia.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico, ap&oacute;s a aspira&ccedil;&atilde;o intranasal, ocorre em tempos vari&aacute;veis de 35 a 120 minutos. Estes dados foram obtidos em dois estudos que utilizaram doses compar&aacute;veis de COC (2 mg/kg) em volunt&aacute;rios. H&aacute; refer&ecirc;ncias ainda sobre este tempo estar entre 15 e 60 minutos e haver varia&ccedil;&otilde;es dependendo da dose ou da forma utilizada (tempo menor para cristais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; solu&ccedil;&atilde;o).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os motivos que explicam esta varia&ccedil;&atilde;o relacionam-se a diferentes graus de vasoconstri&ccedil;&atilde;o induzidos pela COC, processos de biotranforma&ccedil;&atilde;o ocorrendo na pr&oacute;pria mucosa nasal, diferen&ccedil;as interindividuais de velocidades de hidr&oacute;lise plasm&aacute;tica ou diferen&ccedil;as na efetividade da t&eacute;cnica de auto-administra&ccedil;&atilde;o, levando &agrave; degluti&ccedil;&atilde;o parcial da dose. A coca&iacute;na pode ser encontrada na mucosa nasal at&eacute; tr&ecirc;s horas ap&oacute;s a aspira&ccedil;&atilde;o. Doses de aproximadamente 0,4 mg/kg de peso corp&oacute;reo (30 a 40 mg) s&atilde;o associados &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico de 50 mg/ml, enquanto aquelas correspondentes a 1-2 mg/kg est&atilde;o associadas a 100-200 ng/ml.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A biodisponibilidade referida por JEFFCOAT e cols. para a via intranasal foi em m&eacute;dia de 80%, significativamente maior que os 60 e 25% encontrados por outros autores. BUSTO e cols. referem que a biodisponibilidade parece ser dose-dependente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A via oral, a despeito da popularidade da coca&iacute;na como constituinte de vinhos e t&ocirc;nicos no in&iacute;cio do s&eacute;culo, foi at&eacute; bem recentemente questionada como efetiva em termos da estabilidade do f&aacute;rmaco e de sua biodisponibilidade. Ap&oacute;s uma fase de aproximadamente 30 minutos, onde n&atilde;o h&aacute; detec&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica, a absor&ccedil;&atilde;o gastrintestinal &eacute; r&aacute;pida e a concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico geralmente ocorre entre 45 e 90 minutos. BUSTO e cols. referem experimento onde, ap&oacute;s administra&ccedil;&atilde;o oral de 2,0 mg/kg, a concentra&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima ocorreu entre 50 e 90 minutos e variou de 120 a 474 ng/ml.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O retardamento da absor&ccedil;&atilde;o pela via oral, em rela&ccedil;&atilde;o ao que ocorre na mucosa naso-orofar&iacute;ngea, &eacute; explicado pela ioniza&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na no meio &aacute;cido do est&ocirc;mago e a demora em atingir e meio menos &aacute;cido do intestino delgado, local onde a forma n&atilde;o-ionizada prevalece, ocorrendo maior velocidade de absor&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Dados relativos a experimentos, onde a COC &eacute; ingerida em c&aacute;psulas podendo assim afastar a possibilidade de absor&ccedil;&atilde;o pela mucosa bucal, mostram que a porcentagem de absor&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco, calculada pela &aacute;rea sob a curva- AUC, &eacute; compar&aacute;vel &agrave;quela obtida na administra&ccedil;&atilde;o nasal, com efeitos fisiol&oacute;gicos equivalentes. Ambas apresentam biodisponibilidade de 60%. A biodisponibilidade relativa similar entre as vias intranasal e oral mostra uma aparente falta do efeito de primeira passagem hep&aacute;tico, o que pode ser explicado pelo fato, conforme se ver&aacute; mais adiante, de que a via hep&aacute;tica tem pequena contribui&ccedil;&atilde;o na biotransforma&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A administra&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na na forma de base livre, fumada, pode ser comparada em termos de velocidade de absor&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o plasm&aacute;tica de pico, &agrave; via intravenosa. A base livre ou "craque" &eacute; fumada em cachimbos ou em cigarros de maconha ou tabaco. A pasta de coca, na forma bruta, cont&eacute;m teores significativos de coca&iacute;na b&aacute;sica e, por isso, tamb&eacute;m se presta a este uso.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A extensa &aacute;rea de superf&iacute;cie dos pulm&otilde;es favorece a efetiva absor&ccedil;&atilde;o. A a&ccedil;&atilde;o &eacute; r&aacute;pida e os efeitos intensos, compar&aacute;veis aos que se seguem &agrave; administra&ccedil;&atilde;o intravenosa, ocorrem em 1 a 2 minutos, com concentra&ccedil;&otilde;es plasm&aacute;ticas de pico de 300 a 900 ng/ml. A meia-vida de absor&ccedil;&atilde;o para a coca&iacute;na inalada &eacute; muito r&aacute;pida, da ordem de 1,1 minuto. As curvas, em termos de tempo para se atingir a concentra&ccedil;&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea m&aacute;xima e elimina&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o indistingu&iacute;veis para essa via e aquelas referentes &agrave; via intravenosa, sendo a dura&ccedil;&atilde;o dos efeitos considerada curta para as duas vias, o que requer a utiliza&ccedil;&atilde;o de novas quantidades para manter o estado de intoxica&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O ato de fumar, por constituir via de administra&ccedil;&atilde;o socialmente aceita, posto que n&atilde;o necessita da parafern&aacute;lia associada a drogas il&iacute;citas (agulhas, seringas, etc.), propicia a busca imediata de doses adicionais do f&aacute;rmaco. Estas propriedades farmacol&oacute;gicas tornam o ato de fumar "base livre" um componente particular do refor&ccedil;o, associado ao uso compulsivo e mais intenso, que contribui para acelerar o desenvolvimento de farmacodepend&ecirc;ncia.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;SNYDER e cols. referem experimentos que simulam os cachimbos usados para fumar coca&iacute;na e concluem que, na realidade, o que se forma &eacute; um aerossol de COC, sendo apenas 6,5% vapores da subst&acirc;ncia. Os riscos decorrentes desta forma de uso incluem aparecimento de broqueolite obstrutiva, hemorragias e edema pulmonar que podem levar a les&otilde;es de tecidos da superf&iacute;cie pulmonar, prejudicando a capacidade de trocas gasosas nos pulm&otilde;es.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;<B>Distribui&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A despeito das varia&ccedil;&otilde;es encontradas nos v&aacute;rios trabalhos relativos ao assunto, pode-se concluir que a COC apresenta uma velocidade de distribui&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, que dificulta at&eacute; mesmo o estabelecimento de modelos f&aacute;rmaco e/ou toxicocin&eacute;ticos para seu estudo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;CHOW e cols. referem que se pode adotar o modelo bicompartimental para o estudo da cin&eacute;tica da coca&iacute;na e que os estudos que preconizam a utiliza&ccedil;&atilde;o dos modelos monocompartimentais s&atilde;o devidos &agrave; rapidez com que a distribui&ccedil;&atilde;o ocorre, ap&oacute;s a administra&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na. WILKINSON e cols. , por sua vez, referem que a rapidez na velocidade de distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; tal que se pode adotar o modelo monocompartimental para se tratar os dados de estudos relativos &agrave;s vias intravenosa e pulmonar.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A meia-vida de distribui&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s administra&ccedil;&atilde;o intravenosa &eacute; de 11 minutos e a meia-vida plasm&aacute;tica de elimina&ccedil;&atilde;o &eacute; de aproximadamente 50 minutos para a via oral e 75 minutos para a vida intranasal, quando da administra&ccedil;&atilde;o de doses equivalentes, o que reflete a absor&ccedil;&atilde;o nasal cont&iacute;nua.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A liga&ccedil;&atilde;o &agrave; prote&iacute;na plasm&aacute;tica ocorre com a albumina e <FONT FACE="Symbol">a</FONT> -1 glicoprote&iacute;na &aacute;cida e apresenta porcentagem de liga&ccedil;&atilde;o t&atilde;o baixa que deve ter efeitos insignificantes na toxicocin&eacute;tica da coca&iacute;na. Os valores dos volumes de distribui&ccedil;&atilde;o aparente (Vd) variaram, nos trabalhos consultados entre 1,5 e 2,7 L/kg e indicam uma moderada liga&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco aos tecidos. O "clearance" renal da coca&iacute;na (26,5 mL/min) &eacute; bem pequeno quando comparado ao "clearance" total (2096 mL/min) mostrando que a elimina&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na &eacute;, predominantemente, controlada pela sua biotransforma&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Como um alcal&oacute;ide que apresenta dois grupos &eacute;steres (metil-carboxil e benzoato) e um grupo N-metila, a COC &eacute; suscet&iacute;vel &agrave; biotransforma&ccedil;&atilde;o muito extensa.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A hidr&oacute;lise das liga&ccedil;&otilde;es &eacute;steres ocorre espont&acirc;nea e enzimaticamente. A via enzim&aacute;tica de hidr&oacute;lise ocorre no grupo benzoato atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o de enzimas plasm&aacute;ticas e hep&aacute;ticas e o produto resultante &eacute; o &eacute;ster metilecgonina - EME, que constitui 32 a 49% da excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria da coca&iacute;na. A colinesterase plasm&aacute;tica, respons&aacute;vel pela hidr&oacute;lise da COC, &eacute; a EC, tamb&eacute;m denominada pseudocolinesterase, cujo substrato principal &eacute; a benzoilcolina. Esta enzima &eacute; inibida por v&aacute;rias subst&acirc;ncias, dentre elas a eserina e o fluoreto.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A biotransforma&ccedil;&atilde;o da coca&iacute;na em experimentos "<B>in vitro</B>", nos quais se utilizam plasma humano, &eacute; r&aacute;pida. Entretanto, isso n&atilde;o ocorre em plasma de indiv&iacute;duos com colinesterase at&iacute;pica, os chamados "n&uacute;meros baixos de dibuca&iacute;na", e &eacute; de se esperar que nestes casos de idiossincrasia a meia-vida biol&oacute;gica seja anormalmente alta. Por&eacute;m, se estes indiv&iacute;duos apresentam ou n&atilde;o aumento de distribui&ccedil;&atilde;o da COC ou se s&atilde;o mais suscet&iacute;veis &agrave; sua toxicidade, ainda n&atilde;o est&aacute; estabelecido.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Al&eacute;m dos indiv&iacute;duos idiossincr&aacute;ticos, sens&iacute;veis a succinilcolina a atividade colinester&aacute;sica plasm&aacute;tica &eacute; muito menor em fetos, crian&ccedil;as, idosos, gestantes e pessoas com doen&ccedil;as hep&aacute;ticas, ou que sofreram infarto do mioc&aacute;rdio, o que potencialmente pode aumentar o efeito do f&aacute;rmaco nesta popula&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;STEWART e cols. referem que as esterases hep&aacute;ticas tamb&eacute;m hidrolisam a COC &agrave; EME e atrav&eacute;s de medi&ccedil;&atilde;o dos par&acirc;metros cin&eacute;ticos da hidr&oacute;lise, verificaram que a esterase hep&aacute;tica tem menor afinidade pela COC, por&eacute;m maior capacidade, ou seja, em altas concentra&ccedil;&otilde;es a COC &eacute; hidrolisada com velocidade menor no plasma do que no f&iacute;gado.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;N&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias de atua&ccedil;&atilde;o enzim&aacute;tica no grupo metil &eacute;ster da coca&iacute;na e do que ocorre nessa posi&ccedil;&atilde;o da mol&eacute;cula &eacute; a hidr&oacute;lise espont&acirc;nea da COC.. Segundo STEWART e cols., ap&oacute;s incuba&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco em solu&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica tamponada em pH 7,4, apresenta 42% de convers&atilde;o &agrave; benzoilecgonina - BEC, o que de acordo com esses autores j&aacute; seria suficiente para explicar a excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria desse produto, que geralmente constitui 29 a 45% do total excretado.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A BEC e EME compreendem 80 a 90% da dose total excretada na urina e a coca&iacute;na inalterada apenas 2 a 14%. INABA e cols. referem que a excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria verificada atrav&eacute;s da radioatividade, variou entre 65 a 75% ap&oacute;s 28 horas da administra&ccedil;&atilde;o oral de coca&iacute;na marcada com C.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A meia-vida de elimina&ccedil;&atilde;o da COC (t � <FONT FACE="Symbol">b</FONT> ) encontra-se entre 30 e 80 minutos para as vias de administra&ccedil;&atilde;o intravenosa, intranasal e respirat&oacute;ria e entre 40 e 110 minutos para via oral, enquanto para a BEC &eacute; referido estar entre 5 e 8 horas e para a EME, 3 e 6 horas. AMBRE desenvolveu nomograma que permite, atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es de concentra&ccedil;&otilde;es urin&aacute;rias de BEC, EME e COC, estabelecer uma estimativa entre o intervalo de tempo decorrido entre a exposi&ccedil;&atilde;o e a colheita da amostra.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Uma outra poss&iacute;vel via de biotransforma&ccedil;&atilde;o em humanos &eacute; a N-desmetila&ccedil;&atilde;o da COC &agrave; norcoca&iacute;na - NOC, mediada pelo citocromo P-450, &agrave; semelhan&ccedil;a da aminopirina, suja presen&ccedil;a inibe competitivamente o aparecimento da NOC a partir da COC. A NOC &eacute; o &uacute;nico produto de biotransforma&ccedil;&atilde;o referido como farmacologicamente ativo "<B>in vivo</B>" e "<B>in vitro</B>".</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A NOC &eacute;, &agrave; semelhan&ccedil;a da COC, rapidamente biotransformada por hidr&oacute;lise, o que possivelmente explica sua baixa concentra&ccedil;&atilde;o no plasma. INABA e cols. referem que em pacientes anestesiados com baixa atividade colinester&aacute;sica a rela&ccedil;&atilde;o EME/NOC &eacute; menor que a verificada em indiv&iacute;duos normais. Refere ainda que 2,4 a 6,2% da dose de COC excretada como CO<SUB>2</SUB> no ar expirado representa a porcentagem de norcoca&iacute;na na biotransforma&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Embora a concentra&ccedil;&atilde;o de NOC seja baixa, sua hidroxila&ccedil;&atilde;o pelo sistema P-450 como via de biotransforma&ccedil;&atilde;o pode ser importante, em termos toxicol&oacute;gicos, pois leva ao aparecimento de um composto denominado N-hidroxinorcoca&iacute;na, cuja oxida&ccedil;&atilde;o resulta em compostos relacionados com sua hepatotoxicidade devido &agrave; possibilidade de se ligar covalentemente a prote&iacute;nas, com conseq&uuml;ente morte celular. Esses produtos foram detectados em c&eacute;rebros de animais de experimenta&ccedil;&atilde;o e podem levar a conjecturas sobre seu papel na neurotoxicidade apresentada pela COC.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; ainda a possibilidade de haver hidr&oacute;lise enzim&aacute;tica da BEC e espont&acirc;nea da EME e resultar no aparecimento da ecgonina, que pode contribuir com 1 a 8% da excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria de COC.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A cin&eacute;tica de elimina&ccedil;&atilde;o da COC &eacute; de primeira ordem para n&iacute;veis plasm&aacute;ticos relacionados &agrave; farmacodepend&ecirc;ncia (doses entre 0,2 e 2,0 mg/kg para as vias intranasal e oral no homem), e de ordem zero para n&iacute;veis plasm&aacute;ticos acima de 1,0 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL, o que sugere uma satura&ccedil;&atilde;o do processo de biotransforma&ccedil;&atilde;o ou inibi&ccedil;&atilde;o do mesmo por algum metab&oacute;lito.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os par&acirc;metros toxicol&oacute;gicos podem diferir totalmente quando se trata de overdose devido &agrave;s mudan&ccedil;as na velocidade e extens&atilde;o da absor&ccedil;&atilde;o, biodisponibilidade, satura&ccedil;&atilde;o das principais vias de biotransmiss&atilde;o e import&acirc;ncia de outras vias n&atilde;o significativas em doses usuais. Dados espec&iacute;ficos desses par&acirc;metros com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; overdose de COC n&atilde;o foram encontrados na literatura consultada, por&eacute;m podemos inferir, pelo anteriormente exposto, que maior porcentagem de excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria da COC inalterada com certeza ser&aacute; observada.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O car&aacute;ter lipof&iacute;lico da coca&iacute;na faz com que atravesse prontamente as barreiras biol&oacute;gicas. Os dados dos experimentos de CONE e WEDDINGTON dentre outros, sugerem que a COC se acumula nos tecidos adiposos e no sistema nervoso central - SNC, resultando em concentra&ccedil;&otilde;es at&eacute; quatro vezes maiores que as plasm&aacute;ticas, com sua posterior libera&ccedil;&atilde;o desses s&iacute;tios de armazenamento.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A COC atravessa prontamente a barreira hematencef&aacute;lica - BHE, sendo que nos picos m&aacute;ximos de concentra&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;s intoxica&ccedil;&atilde;o aguda, a rela&ccedil;&atilde;o entre concentra&ccedil;&atilde;o c&eacute;rebro/sangue &eacute; de aproximadamente quatro. Os n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos caem mais rapidamente que os cerebrais e possibilitam relacionar concentra&ccedil;&otilde;es de forma a se inferir sobre a natureza da intoxica&ccedil;&atilde;o. Em contraste com o percursos lipof&iacute;lico, o produto de hidr&oacute;lise BEC dada sua polaridade, tem sua passagem dificultada pela BHE e apresenta rela&ccedil;&atilde;o de concentra&ccedil;&atilde;o c&eacute;rebro/sangue menor do que um. A combina&ccedil;&atilde;o desses dois elementos possibilita a estimativa do intervalo de tempo que precedeu o &oacute;bito.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Em an&aacute;lises toxicol&oacute;gicas realizadas com tecidos provenientes de necr&oacute;psias, em casos de overdose as concentra&ccedil;&otilde;es mais elevadas de COC s&atilde;o encontradas na urina e nos rins, seguidas pelas concentra&ccedil;&otilde;es no c&eacute;rebro, sangue, f&iacute;gado e bile.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; tamb&eacute;m refer&ecirc;ncias sobre transfer&ecirc;ncia placent&aacute;ria, com detec&ccedil;&atilde;o inclusive de produtos de biotransforma&ccedil;&atilde;o em urina, mec&ocirc;nio e cabelo de neonatos. A presen&ccedil;a de coca&iacute;na na secre&ccedil;&atilde;o l&aacute;ctea &eacute; discut&iacute;vel enquanto na estomacal, embora poss&iacute;vel por ser a coca&iacute;na uma base fraca, n&atilde;o foi referida nos trabalhos consultados.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A coca&iacute;na &eacute; eliminada na saliva, j&aacute; que nela o valor de pH &eacute; ligeiramente menor do que no plasma, o que resulta numa concentra&ccedil;&atilde;o maior do f&aacute;rmaco ionizado neste material. Estudos mostram haver correla&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis encontrados na saliva e no plasma, e a porcentagem de 2 a 47% maior na saliva aponta a import&acirc;ncia deste material como amostra biol&oacute;gica em estudos toxicocin&eacute;ticos ou para o diagn&oacute;stico laboratorial da farmacodepend&ecirc;ncia.</P>
<B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636956"><A NAME="_Toc426543448">Toxicodin&acirc;mica</A></A></P>
</B></FONT><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A coca&iacute;na &eacute; um anest&eacute;sico local com propriedades simpatomim&eacute;ticas. &Eacute; um potente estimulante do SNC, efeito pelo qual &eacute; utilizada como f&aacute;rmaco de abuso.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O exato mecanismo fisiopatol&oacute;gico pelo qual ocorre esta a&ccedil;&atilde;o estimulante central n&atilde;o &eacute; claro, por&eacute;m, parece estar relativamente bem estabelecida a interfer&ecirc;ncia com os s&iacute;tios de atua&ccedil;&atilde;o da dopamina, norepinefrina e serotonina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A poderosa capacidade de produzir refor&ccedil;o positivo (efeito desejado) &eacute; atribu&iacute;da &agrave; sua a&ccedil;&atilde;o nas vias dopamin&eacute;rgicas dos neur&ocirc;nios mesocorticais e mesol&iacute;mbicos. Segundo modelos experimentais com animais, essas vias parecem estar envolvidas com os mecanismos da euforia e do comportamento compulsivo de busca ao f&aacute;rmaco, respons&aacute;vel pela auto-administra&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Aceita-se que a euforia produzida pela COC se d&ecirc; pelo ac&uacute;mulo de dopamina nos receptores p&oacute;s-sin&aacute;pticos D<SUB>1</SUB> e D<SUB>2</SUB>, devido ao bloqueio de recaptura pr&eacute;-sin&aacute;ptica desse neurotransmissor, observado na presen&ccedil;a do f&aacute;rmaco.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O mecanismo exato pelo qual ocorre esse bloqueio n&atilde;o est&aacute; totalmente estabelecido. Por&eacute;m, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que a COC se liga a s&iacute;tios nos transportadores de dopamina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Para compensar essa intensifica&ccedil;&atilde;o da atividade da dopamina, o neur&ocirc;nio pr&eacute;-sin&aacute;ptico diminui a libera&ccedil;&atilde;o e a s&iacute;ntese do neurotransmissor. Estudos "<B>in vitro</B>" em receptores e tecidos "<B>post-mortem</B>" t&ecirc;m confirmado a hip&oacute;tese de haver deple&ccedil;&atilde;o da dopamina ap&oacute;s o aumento que ocorre no in&iacute;cio da exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; COC, o que constitui a base bioqu&iacute;mica do ciclo euforia/disforia, ou seja, refor&ccedil;o/comportamento de busca, que caracteriza a farmacodepend&ecirc;ncia. A cronicidade deste fen&ocirc;meno leva &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da dopamina cerebral e pode resultar em anormalidade destas vias, levando a complica&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; refer&ecirc;ncias de que a sintomatologia relacionada &agrave; s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia - exaust&atilde;o, irritabilidade, hipersonol&ecirc;ncia e depress&atilde;o - esteja relacionada &agrave; deple&ccedil;&atilde;o aguda deste neurotransmissor. Foi comprovado que durante a abstin&ecirc;ncia h&aacute; uma diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de dopamina no corpo estriado em rela&ccedil;&atilde;o aos do cerebelo, &agrave; semelhan&ccedil;a do que ocorre na doen&ccedil;a de Parkinson. Isto indica que o uso abusivo de COC prejudica a atividade funcional nesta parte do SNC, o que pode estar relacionado com a toxicidade que se expressa a n&iacute;vel comportamental.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Da mesma forma, os mecanismos relacionados ao bloqueio da recaptura da norepinefrina e serotonina n&atilde;o est&atilde;o bem estabelecidos. Sabe-se apenas que, &agrave; semelhan&ccedil;a da dopamina, h&aacute; interfer&ecirc;ncia nos s&iacute;tios transportadores e, com o uso cr&ocirc;nico, h&aacute; diminui&ccedil;&atilde;o na bioss&iacute;ntese da serotonina. Este mecanismo pode potencializar a a&ccedil;&atilde;o excitat&oacute;ria da dopamina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A BEC e o EME n&atilde;o apresentam a capacidade de bloquear a recaptura de monoaminas nos neur&ocirc;nios pr&eacute;-sin&aacute;pticos, conforme atestam experimentos "<B>in vitro</B>" e em animais. A norcoca&iacute;na no entanto, &eacute; biologicamente ativa. Apresenta pot&ecirc;ncia anest&eacute;sica superior &agrave; coca&iacute;na e capacidade de inibir a recaptura da norepinefrina em c&eacute;rebros de ratos. segundo RITZ e cols., a norcoca&iacute;na possui uma maior capacidade de bloquear a recaptura da norepinefrina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A estereoqu&iacute;mica &eacute; muito importante para se determinar a pot&ecirc;ncia da COC em n&iacute;vel de interfer&ecirc;ncia nos transportadores monoamin&eacute;rgicos: a) (-) coca&iacute;na &eacute; 200 vezes mais potente que a (+) coca&iacute;na em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade de bloqueio da recaptura da dopamina; 146 vezes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; norepinefrina e 478 vezes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; serotonina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A paralisia muscular causada pela COC &eacute; fato conhecido h&aacute; mais de um s&eacute;culo. &Eacute; poss&iacute;vel que essa paralisia deva-se &agrave; a&ccedil;&atilde;o da COC nos receptores nicot&iacute;nicos p&oacute;s-sin&aacute;pticos e n&atilde;o &agrave; inibi&ccedil;&atilde;o (que tamb&eacute;m ocorre) da permeabilidade da membrana celular aos &iacute;ons de s&oacute;dio.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Embora a a&ccedil;&atilde;o anest&eacute;sica local n&atilde;o seja respons&aacute;vel pela paralisia sabe-se que esta a&ccedil;&atilde;o ocorre e parece ser preponderante na presen&ccedil;a de n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos altos. A semelhan&ccedil;a de outras subst&acirc;ncias usadas clinicamente como anest&eacute;sicos locais, o bloqueio do potencial de a&ccedil;&atilde;o das membranas excit&aacute;veis se d&aacute; por inibi&ccedil;&atilde;o da permeabilidade da membrana celular aos &iacute;ons de s&oacute;dio (Na<SUP>+</SUP>) durante a despolariza&ccedil;&atilde;o, impedindo assim a inicia&ccedil;&atilde;o e condu&ccedil;&atilde;o do impulso nervoso.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A condut&acirc;ncia do pot&aacute;ssio (K<SUP>+</SUP>) s&oacute; se altera com concentra&ccedil;&otilde;es de anest&eacute;sico local maiores do que as necess&aacute;rias para o bloqueio da condu&ccedil;&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel que o anest&eacute;sico local desloque o c&aacute;lcio (Ca<SUP>2+</SUP>) dos locais em que este se une aos fosfolip&iacute;dios da membrana para abrir os canais de s&oacute;dio. Assim, o bloqueio dos poros seria mec&acirc;nico, atrav&eacute;s da competi&ccedil;&atilde;o com o c&aacute;lcio, o que evita o aparecimento do potencial de a&ccedil;&atilde;o por diminui&ccedil;&atilde;o da permeabilidade aos &iacute;ons s&oacute;dio (Na<SUP>+</SUP>).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A coca&iacute;na interage com subst&acirc;ncias bloqueadoras dos canais de c&aacute;lcio. O antagonismo a estas subst&acirc;ncias, sugere que um prov&aacute;vel mecanismo de a&ccedil;&atilde;o da COC seja o de aumentar o fluxo de c&aacute;lcio (Ca<SUP>2+</SUP>) atrav&eacute;s das membranas celulares. Esta constata&ccedil;&atilde;o embasa a indica&ccedil;&atilde;o destes f&aacute;rmacos, a exemplo da nifedipina, como ant&iacute;dotos na intoxica&ccedil;&atilde;o aguda por coca&iacute;na.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute;, tamb&eacute;m, estudos demonstrando que a COC inibe os receptores muscar&iacute;nicos nos tecidos card&iacute;aco e cerebral, o que poderia explicar o aparente antagonismo da atropina na auto-administra&ccedil;&atilde;o da COC. Esse antagonismo leva a crer que haja tamb&eacute;m envolvimento dos mecanismos colin&eacute;rgicos centrais nas propriedades de refor&ccedil;o da COC. Vale aqui ressaltar que o (+) enanti&ocirc;mero &eacute; significativamente mais potente que o (-) anati&ocirc;mero natural, e que esta estereosseletividade &eacute; oposta, como j&aacute; vimos, &agrave;quela verificada pela COC no bloqueio da recaptura da dopamina. Entretanto, &eacute; poss&iacute;vel que esta a&ccedil;&atilde;o antimuscar&iacute;nica possa ter algum papel na cardiotoxicidade demonstrada pela COC.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;<B>Sinais e sintomas da intoxica&ccedil;&atilde;o aguda.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;S&iacute;ndrome t&oacute;xica e letalidade.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os f&aacute;rmacos e as drogas de abuso provenientes do com&eacute;rcio il&iacute;cito inclusive a COC, podem, por vezes, apresentar sintomatologia diferente daquela estabelecida em experimentos controlados. Explica este fato a presen&ccedil;a dos adulterantes que eventualmente ocorram nas drogas de rua, detect&aacute;veis ou n&atilde;o em procedimentos anal&iacute;ticos de triagem, mas que, com certeza, contribuir&atilde;o na toxicidade. Al&eacute;m desse fato de dif&iacute;cil predi&ccedil;&atilde;o, h&aacute; a dificuldade, mesmo em situa&ccedil;&otilde;es controladas, de se mimetizar em animais, as vias de administra&ccedil;&atilde;o potencialmente de maior risco, como a intranasal ou a inalat&oacute;ria (ato de fumar).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Assim, a sintomatologia aguda pode ser diversa e at&eacute; de dif&iacute;cil caracteriza&ccedil;&atilde;o, e cada exposi&ccedil;&atilde;o pode se constituir num evento isolado. Normalmente, por&eacute;m, as complica&ccedil;&otilde;es que adv&eacute;m do uso da COC ocorrem dentro de um espectro de efeitos de uma intoxica&ccedil;&atilde;o aguda, embora tamb&eacute;m possam ocorrer como efeitos isolados em determinados &oacute;rg&atilde;os ou sistemas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A potente atividade simpatomim&eacute;tica da COC produz resposta fisiol&oacute;gica estimulat&oacute;ria. Durante a fase inicial, acompanhando os efeitos euf&oacute;ricos esperados, h&aacute; progressivas mudan&ccedil;as no SNC, sistemas cardiovascular e respirat&oacute;rio.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Modifica&ccedil;&otilde;es no estado mental podem ser sinal precoce da intoxica&ccedil;&atilde;o e consistem em sensa&ccedil;&atilde;o de confus&atilde;o e paran&oacute;ia intensa que pode ser acompanhada de p&acirc;nico, ansiedade, alucina&ccedil;&otilde;es e comportamento suicida ou homicida.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Pode ocorrer hipertermia grave, que excede 40<FONT FACE="Symbol">�</FONT> C, como resultado da estimula&ccedil;&atilde;o do centro hipotal&acirc;mico regulador da temperatura e hiperatividade motora em combina&ccedil;&atilde;o com vasoconstri&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica que diminui a dissipa&ccedil;&atilde;o do calor. Essa hipertermia pode levar a convuls&otilde;es secund&aacute;rias.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Outro sinal neurol&oacute;gico &eacute; a midr&iacute;ase com hiper-reflexia, decorrente do efeito central e local (<FONT FACE="Symbol">a</FONT> -adren&eacute;rgico) nos m&uacute;sculos radiais da &iacute;ris. Podem ainda ocorrer n&aacute;useas e v&ocirc;mitos por estimula&ccedil;&atilde;o dos centros de v&ocirc;mito no bulbo e diarr&eacute;ias e c&oacute;licas devido &agrave; a&ccedil;&atilde;o simpatomim&eacute;tica na parede intestinal.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Doses excessivas, inclusive aquelas relacionadas com fatalidades, s&atilde;o freq&uuml;entemente associadas a convuls&otilde;es t&ocirc;nico-cl&ocirc;nicas, referidas como precedentes da parada respirat&oacute;ria. TARR &amp; MACKLIN ressaltam que o que ocorre n&atilde;o &eacute; verdadeiramente uma convuls&atilde;o do tipo grande mal, mas sim um tremor corp&oacute;reo, que &eacute; reportado incorretamente pois, geralmente, a testemunha n&atilde;o &eacute; um profissional capacitado para a diferencia&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Outros autores, entretanto, referem que realmente ocorrem mudan&ccedil;as nos sistemas neuroqu&iacute;micos, que culminam em convuls&otilde;es t&ocirc;nico-cl&ocirc;nicas e que s&atilde;o decorrentes da administra&ccedil;&atilde;o repetida da coca&iacute;na. O aumento da probabilidade de gerar convuls&otilde;es, apresentado pela COC, foi comparado ao fen&ocirc;meno denominado "<B>kindling</B>", que consiste no desenvolvimento de predisposi&ccedil;&atilde;o a convuls&otilde;es epileptiformes devido &agrave; repetida estimula&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica focal no sistema l&iacute;mbico. Assim, est&iacute;mulos el&eacute;tricos que inicialmente n&atilde;o t&ecirc;m efeito aparente, podem, ap&oacute;s a chamada sensibiliza&ccedil;&atilde;o, ser suficientes para desencadear a convuls&atilde;o, at&eacute; semanas ap&oacute;s o &uacute;ltimo evento.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Esse fen&ocirc;meno parece ocorrer tamb&eacute;m com outros f&aacute;rmacos e d&aacute;-se o nome de "<B>kindling</B>" farmacol&oacute;gico. Devido &agrave; administra&ccedil;&atilde;o repetida, h&aacute; diminui&ccedil;&atilde;o do limiar convuls&iacute;geno levando ao aparecimento de convuls&otilde;es mesmo em doses n&atilde;o compat&iacute;veis com a intoxica&ccedil;&atilde;o aguda. Entretanto, esse efeito &eacute; considerado como sendo decorrente da intoxica&ccedil;&atilde;o a longo prazo, e h&aacute; comprova&ccedil;&atilde;o experimental em animais, onde as convuls&otilde;es s&atilde;o desencadeadas com doses sub-convulsivantes, sem que haja altera&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos ou cerebrais da coca&iacute;na. Este fen&ocirc;meno pode explicar a toler&acirc;ncia reversa relacionada a esse f&aacute;rmaco.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A COC inicialmente estimula os centros bulbares da respira&ccedil;&atilde;o, resultando num aumento da velocidade e profundidade da respira&ccedil;&atilde;o, que caracteriza a hiperpn&eacute;ia. Na estimula&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada ocorre cianose, dispn&eacute;ia, fal&ecirc;ncia respirat&oacute;ria e apn&eacute;ia, decorrentes da depress&atilde;o dos centros bulbares.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Durante muito tempo se creditou o &oacute;bito &agrave; depress&atilde;o respirat&oacute;ria, por&eacute;m sabe-se atualmente que os efeitos letais da coca&iacute;na s&atilde;o devidos, principalmente, &agrave;s suas a&ccedil;&otilde;es no sistema cardiovascular e ocorrem independentemente da via de administra&ccedil;&atilde;o pela qual se d&ecirc; a exposi&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A cardiotoxicidade apresentada pela coca&iacute;na pode resultar em infarto agudo do mioc&aacute;rdio, arritmias e cardiomiopatias.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O efeito inicial a n&iacute;vel card&iacute;aco &eacute; uma bradicardia que rapidamente evolui para taquicardia. Essa taquicardia &eacute; resultante tanto de efeitos perif&eacute;ricos, por aumento da estimula&ccedil;&atilde;o dos receptores <FONT FACE="Symbol">b</FONT> -adren&eacute;rgicos no mioc&aacute;rdio, como por estimula&ccedil;&atilde;o central hipotal&acirc;mica. O est&iacute;mulo se d&aacute; por excesso de epinefrina no hipot&aacute;lamo posterior e explica por que baixas doses de COC que produzem taquicardia n&atilde;o produzem aumento da press&atilde;o arterial. AMBRE e cols. referem que, &agrave; semelhan&ccedil;a do que ocorre com os efeitos subjetivos, h&aacute; toler&acirc;ncia aos efeitos cardiovasculares.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;O cora&ccedil;&atilde;o pode responder &agrave; intensa estimula&ccedil;&atilde;o ventricular ect&oacute;pica com taquicardia, fibrila&ccedil;&atilde;o ventricular e parada card&iacute;aca. Podem ocorrer convuls&otilde;es secund&aacute;rias aos eventos card&iacute;acos, como a taquicardia ventricular.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; refer&ecirc;ncias de casos de morte s&uacute;bita associados a infartos do mioc&aacute;rdio devido a arritmias ventriculares. Referem os autores que essas arritmias n&atilde;o devem ser prim&aacute;rias, mas sim resultar de modifica&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas substanciais que ocorrem nas convuls&otilde;es generalizadas ou de s&iacute;ndromes isqu&ecirc;micas agudas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito entre a isquemia do mioc&aacute;rdio e a coca&iacute;na n&atilde;o &eacute; estabelecida, devido &agrave; dificuldade de se relacionar temporalmente o uso e os sintomas que ocorrem. Segundo relatos, esses sintomas aparecem de 30 minutos at&eacute; 11 horas ap&oacute;s o uso, enquanto a meia-vida biol&oacute;gica da COC acha-se entre 30 e 90 minutos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Pode ocorrer uma intensa hipertens&atilde;o no sistema vascular ocasionada pela estimula&ccedil;&atilde;o adren&eacute;rgica. Essa hipertens&atilde;o pode levar a um infarto ou uma hemorragia cerebral.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;H&aacute; refer&ecirc;ncias de aumento na incid&ecirc;ncia de acidente vascular cerebral associado &agrave; COC, principalmente em adulto jovem, e cujo desenvolvimento parece estar associado a anormalidades c&eacute;rebro-vasculares, incluindo aneurismas. Um estudo sobre 13 casos de isquemias e hemorragias cerebrais associadas &agrave; COC, mostra que, al&eacute;m da atividade simpatomim&eacute;tica, contribui para a eleva&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o arterial o aumento dos n&iacute;veis de serotonina, sabidamente um potente vasoconstritor para art&eacute;rias de m&eacute;dio e grosso calibre. H&aacute; tamb&eacute;m refer&ecirc;ncia de infarto cerebral, relacionado &agrave; COC, em neonato nascido a termo de m&atilde;e que fez uso do f&aacute;rmaco 72 horas antes do parto.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Evid&ecirc;ncias sugerem que em baixas concentra&ccedil;&otilde;es predominam as a&ccedil;&otilde;es simpatomim&eacute;ticas com estimula&ccedil;&atilde;o adren&eacute;rgica que, juntamente com a dopamin&eacute;rgica e serotonin&eacute;rgica nas sinapses do SNC, resultam em aumento do t&ocirc;nus simp&aacute;tico perif&eacute;rico com conseq&uuml;ente taquicardia e vasoconstri&ccedil;&atilde;o. Em altas concentra&ccedil;&otilde;es, parece haver predomin&acirc;ncia das propriedades de anest&eacute;sico local e o que se observa &eacute; a vasodilata&ccedil;&atilde;o, decr&eacute;scimo da press&atilde;o arterial, diminui&ccedil;&atilde;o da excitabilidade el&eacute;trica, velocidade de condu&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a de contra&ccedil;&atilde;o do mioc&aacute;rdio.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;<B>Correla&ccedil;&atilde;o entre doses, n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos e letalidade. </P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A intoxica&ccedil;&atilde;o letal por coca&iacute;na tem sido referida como acidental e como decorrente tanto do uso recreacional, resultante de todas as formas e vias de administra&ccedil;&atilde;o, quanto da chamada s&iacute;ndrome "<B>body-packer</B>". Esta s&iacute;ndrome ocorre quando indiv&iacute;duos que ingerem pacotes de coca&iacute;na, feitos com diferentes tipos de pl&aacute;sticos com a finalidade de tr&aacute;fico, s&atilde;o acometidos de intoxica&ccedil;&atilde;o aguda e freq&uuml;entemente letal, devido &agrave; ruptura dos pacotes no trato gastrintestinal.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Como j&aacute; vimos, a sintomatologia terminal da intoxica&ccedil;&atilde;o letal por COC geralmente envolve hipertermia, arritmia ventricular, midr&iacute;ase, convuls&otilde;es e parada respirat&oacute;ria. Pode ocorrer tamb&eacute;m um estado psiqui&aacute;trico caracterizado por del&iacute;rio, com comportamento homicida ou suicida. SPERRY e SWEENEY referem que o uso cr&ocirc;nico pode precipitar epis&oacute;dios psic&oacute;ticos com id&eacute;ias suicidas, por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncias da ocorr&ecirc;ncia de suic&iacute;dio em que a COC tenha sido escolhida como agente de letalidade pelo farmacodependente que, ao inv&eacute;s disso, recorre a outras subst&acirc;ncias ou meios, como disparo com arma de fogo ou precipita&ccedil;&atilde;o de alturas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A sintomatologia terminal acontece rapidamente, geralmente entre os 30 primeiros minutos ap&oacute;s o uso, embora a administra&ccedil;&atilde;o oral ou nasal possa retardar a convuls&atilde;o terminal por at&eacute; uma hora ap&oacute;s exposi&ccedil;&atilde;o. SMART e ANGLIN referem que "a morte relacionada com a coca&iacute;na &eacute; s&uacute;bita... e pacientes sobrevivem se chegam com vida aos hospital."</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Exceto pelas marcas deixadas por agulhas e les&otilde;es do l&aacute;bio inferior resultantes da convuls&atilde;o terminal, a aut&oacute;psia mostra sinais inespec&iacute;ficos de &oacute;bito por asfixia, isto &eacute;, edema pulmonar, congest&atilde;o visceral e pet&eacute;quias. S&atilde;o referidas evid&ecirc;ncias de infarto mioc&aacute;rdico e acidente vascular cerebral elucidados em exames "<B>post-mortem</B>". Esses achados, &agrave;s vezes s&atilde;o conclusivos na determina&ccedil;&atilde;o da "<B>causa mortis</B>" por COC, mesmo quando os n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos encontrados est&atilde;o abaixo daqueles normalmente relacionados com overdose. Muitas mortes que ocorrem por coca&iacute;na n&atilde;o s&atilde;o reportadas, provavelmente, porque se apresentam como quadro cl&iacute;nico de parada card&iacute;aca, sem que haja suspei&ccedil;&atilde;o de envolvimento de drogas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Nos casos de fatalidade por ruptura de pacotes de coca&iacute;na no l&uacute;men gastrintestinal s&atilde;o observados locais de engurgitamento vascular, sugerindo necrose isqu&ecirc;mica aguda, devido &agrave;s altas concentra&ccedil;&otilde;es do f&aacute;rmaco liberadas.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;V&aacute;rios autores t&ecirc;m enfatizado a variabilidade dos n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos encontrados nos casos fatais. Entretanto, s&atilde;o esparsas as refer&ecirc;ncias que relacionam esses n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos com as respectivas doses de exposi&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o de dif&iacute;cil determina&ccedil;&atilde;o.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A dificuldade de se estabelecer as doses t&oacute;xicas, e mesmo letais, deriva das varia&ccedil;&otilde;es relacionadas com a exposi&ccedil;&atilde;o e as caracter&iacute;sticas individuais de velocidade de biotransforma&ccedil;&atilde;o e de excre&ccedil;&atilde;o e com a possibilidade de pequenas varia&ccedil;&otilde;es de dose serem suficientes para levar a aumentos desproporcionalmente altos nos n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Isso se deve a caracter&iacute;sticas cin&eacute;ticas que, como j&aacute; vimos, passa de elimina&ccedil;&atilde;o de primeira ordem para ordem zero com conseq&uuml;ente aumento do risco de ocorr&ecirc;ncia do efeito t&oacute;xico. Outro fator, como j&aacute; vimos, &eacute; o grau de pureza da droga de rua e a natureza da a&ccedil;&atilde;o dos eventuais adulterantes.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;&Agrave; parte as limita&ccedil;&otilde;es dos experimentos com animais, a DL 100 para ratos, por diversas vias, est&aacute; entre 75 e 100 mg/kg e para c&atilde;es, por via intravenosa, encontra-se abaixo de 20 mg/kg. Estudos com primatas n&atilde;o humanos mostram que as concentra&ccedil;&otilde;es sang&uuml;&iacute;neas neste mam&iacute;fero s&atilde;o muito menores que as encontradas no homem, quando h&aacute; simula&ccedil;&atilde;o da dose usada por um indiv&iacute;duo de 70 kg (15 mg/kg ou 1 g leva &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea, no macaco, de 0,7 a 1,0 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL). Sup&otilde;e-se ent&atilde;o que a quantidade que caracteriza uma overdose seria em torno de 0,5 g, ou seja, por volta de duas vezes o que os usu&aacute;rios geralmente utilizam e estudos indicam que a morte ocorre ap&oacute;s o uso de 0,8 a 1,2 g.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os n&iacute;veis sang&uuml;&iacute;neos determinados em amostras "<B>post- mortem</B>", n&atilde;o podem ser interpretados como aqueles que levaram ao &oacute;bito, pois h&aacute; remo&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea ou enzim&aacute;tica da COC, pr&eacute; e p&oacute;s morte. Servem, entretanto, como indicadores, pois n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncias de n&iacute;veis acima de 1,0 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL relacionados com efeitos de euforia, ou seja, concentra&ccedil;&otilde;es desta ordem constituem alto ind&iacute;cio de que houve intoxica&ccedil;&atilde;o por overdose. De fato, geralmente concentra&ccedil;&otilde;es referidas como letais est&atilde;o entre 1 e 25 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL, embora valores t&atilde;o altos, quanto 211 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL tenham sido reportados, geralmente nas s&iacute;ndromes "<B>body packer</B>", ou t&atilde;o baixos quanto 26 e 94 ng/mL relacionados &agrave; intoxica&ccedil;&atilde;o aguda em crian&ccedil;a, onde os achados an&aacute;tomo-patol&oacute;gicos evidenciaram a COC como agente do &oacute;bito, ou ainda valores de 30 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL, n&atilde;o associados &agrave; "<B>causa mortis</B>" em usu&aacute;rios com toler&acirc;ncia desenvolvida.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Algumas possibilidades de intera&ccedil;&otilde;es que possam potencializar o efeito da COC devem ser consideradas. MITTLEMAN e WETLI referem a m&eacute;dia letal encontrada em an&aacute;lises, que evidenciaram a presen&ccedil;a de COC como f&aacute;rmaco &uacute;nico, foi de 6,2 <FONT FACE="Symbol">m</FONT> g/mL naquelas onde outras subst&acirc;ncias foram detectadas concomitantemente.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;Os farmacodependentes em COC freq&uuml;entemente s&atilde;o fumadores habituais de maconha. O fato da COC, assim como o tetrahidrocanabiol, apresentar efeitos cardiovasculares indica haver uma possibilidade de potencializa&ccedil;&atilde;o entre os dois agentes, como de fato observaram FOLTIN e cols., em experimento onde foi demonstrado haver aumento adicional na freq&uuml;&ecirc;ncia card&iacute;aca e press&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea em rela&ccedil;&atilde;o aos efeitos observados com cada um dos agentes em separado.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A intera&ccedil;&atilde;o entre a coca&iacute;na, o halotano e a quetamina &eacute; relatada em caso considerado "acidente anest&eacute;sico", que refere a morte de um indiv&iacute;duo devido a utiliza&ccedil;&atilde;o desta mistura em cirurgia de urg&ecirc;ncia, sem que tenha havido verifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da presen&ccedil;a de COC. A quetamina potencializa a a&ccedil;&atilde;o da COC devido &agrave; similaridade da natureza do efeito, pois tamb&eacute;m age por bloqueio de neurotransmissores nas termina&ccedil;&otilde;es adren&eacute;rgicas, enquanto os anest&eacute;sicos vol&aacute;teis, como o halotano, podem desencadear ou agravar arritmias card&iacute;acas e hipertens&atilde;o arterial.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&#9;A potencializa&ccedil;&atilde;o com outros anest&eacute;sicos locais tamb&eacute;m podem ocorrer. Pode advir dessa intera&ccedil;&atilde;o colapso cardiovascular com assistolia e &oacute;bito. A intera&ccedil;&atilde;o com &aacute;lcool et&iacute;lico, tamb&eacute;m freq&uuml;ente, pode resultar em efeitos cardiovasculares (freq&uuml;&ecirc;ncia card&iacute;aca e press&atilde;o sang&uuml;&iacute;nea) mais acentuados que os observados com cada condi&ccedil;&atilde;o em separado, o que sugere que, em indiv&iacute;duos suscet&iacute;veis, essa intera&ccedil;&atilde;o pode contribuir para a toxicidade, referida como espor&aacute;dica, mas que ocorre e se relaciona com a utiliza&ccedil;&atilde;o de dose &uacute;nica de COC.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</P></BODY>
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