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<TITLE>HERO�NA E OUTROS OPI�CEOS</TITLE>
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<P><A NAME="_Toc426543413"></P>
<P><HR></P>
<B><FONT SIZE=2><P ALIGN="CENTER">[</B></FONT><A HREF="#_Toc426636400"><B><FONT SIZE=2>HEROÍNA E OUTROS OPIÁCEOS</B></FONT></A><B><FONT SIZE=2>]</P>
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</B></FONT><P><HR></P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="CENTER"><A NAME="_Toc426636400">Heroína e outros opiáceos</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Embora a heroína seja a mais conhecida de todos os opiáceos que <B>induzem vícios</B>, outras drogas que possuem muitas de suas propriedades farmacológicas também podem estar sujeitas ao abuso. Centenas de milhares de doses de <B>morfina</B> são administradas diariamente com fins terapêuticos, com poucos problemas de abuso. Drogas sintéticas semelhantes aos opiáceos, são representadas de maneira fundamental pela <B>Petidina </B>(também chamada de Meperidina), <B>Pentazocina, Metadona </B>e <B>propoxifeno.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Por razões a serem mencionadas mais tarde, a heroína é a droga preferida pelo uso popular. Embora a morfina pareça ser, na maior parte dos seus efeitos, um equivalente perfeito, pois é sua a precursora, uma espécie de crendice sobre a heroína a torna preferida. A <B>codeína</B> não é uma droga de abuso muito difundido, visto que doses grandes causam muitos efeitos adversos e indesejáveis, tais como o prurido pela liberação da histamina.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A maioria dos opiáceos sintéticos foi introduzida como narcóticos menos propensos a causar vício. No caso da petidina esta idéia foi rapidamente abandonada, embora o seu uso tenha sido bastante restringido àqueles com acesso fácil à droga, tais como médicos, enfermeiros e outras pessoas ligadas à saúde. A pentazocina representa o resultado básico de uma longa pesquisa de drogas com ações mistas agonista-antagonista, que apresenta um menor potencial de abuso. Até certo ponto esta expetativa foi confirmada; grandes doses da droga tendem a produzir reações desagradáveis do tipo alucinógenas; os poucos casos de dependência da pentazocina têm sido moderados. A metadona é um narcótico potente, bastante útil como substituto da morfina quando os pacientes são intolerantes a esta última droga. Ela é altamente viciante. O propoxifeno é muito semelhante, em termos químicos, à metadona. A despeito de um merecido uso clínico generalizado, casos de abuso são bastante raros e são, indubitavelmente, causados pela sua extrema falta de potência.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636401"><A NAME="_Toc426543414">Histórico.</A></A> </P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Na mitologia grega, existem referências a uma bebida parecida com o ópio. Até recentemente, ele era mais difundido e usado no Oriente e no Ocidente Próximo. Por muitos anos, a China liberou o uso do ópio, embora, de todas as informações disponíveis, o seu uso na China Continental sob o atual regime político, tenha diminuído até o ponto de desaparecimento. A Indochina não foi somente um dos líderes na produção de ópio, como também por muitos anos Saigon foi o porto principal para exportação do ópio. Portanto, não foi um fato inesperado o grande uso de ópio das tropas norte-americanas no Vietnã. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">O uso difundido do ópio no tratamento de ferimentos durante a guerra civil norte-americana (a guerra de sesseção) levou à primeira de muita epidemias de seu uso. Foi estimado que 4% dos norte-americanos usou ópio durante o período pós-guerra civil. No período imediatamente anterior à primeira guerra mundial, a estimativa tinha diminuído em 1 usuário para cada grupo de 400 pessoas adultas (0,0025%); mas este índice ainda foi considerado tão alarmante a ponto de merecer a aprovação do <B>Tratado de Narcóticos de Harrison</B>. A permanência do uso de heroína foi relativamente constante do fim da segunda guerra mundial até 1964, mas uma nova epidemia seguiu o despertar do aumento no uso, sem finalidades clínicas, de muitas drogas. Em 1972, a heroína estava sendo usada por um número estimado de 700.000 pessoas, só nos Estados Unidos.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636402"><A NAME="_Toc426543415">Propriedades químicas físicas.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">O <B>diacetato de (5-<FONT FACE="Symbol">a</FONT> ,6-<FONT FACE="Symbol">a</FONT> )-7,8-diidro-4,5-epoxi-17-metilmorfina-3,6-diol</B>, usualmente chamado de <B><I>acetomorfina, diamorfina, diacetilmorfina </B></I>ou <B><I>heroína</B></I>, é um éster de fórmula empírica <B>C<SUB>21</SUB>H<SUB>23</SUB>NO<SUB>5</SUB>; </B>de peso molecular <B>369,40</B>; de abundância relativa: <B>C=68,28%; H=6,28%; N=3,79% </B>e <B>O=21,66%</B> e constituído de cristais ortorrômbicos de ponto de fusão <B>173<SUP>o</SUP>C </B>e ponto de ebulição <B>272-274<SUP>o</SUP> C</B>. Um grama (<B>1g </B>) se dissolve em 1,5 ml de <B>clorofórmio</B>; 31 ml de <B>etanol</B>; 100 ml de <B>éter sulfúrico</B> e 1.700 ml de <B>água</B>. Pouco solúvel em <B>amônia</B> e em solução de <B>carbonato de sódio</B>, decompõe-se por ebulição em água. A dose letal mediana (<B>DL<SUB>50</B></SUB>) é de 50<FONT FACE="Symbol">m</FONT> mol/kg ou 1,85 X 10<SUP>-4</SUP>g/kg.</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp30.GIF" WIDTH=332 HEIGHT=307></P>
<B><P ALIGN="CENTER">Fórmula estrutural da Heroína (diacetil-morfina)</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A morfina foi isolada do ópio pela primeira vez no princípio do século <B>XIX</B>, um pouco menos do que um século atrás foi descoberto que um derivado diacetilado podia ser produzido pela exposição ao <B>anidrido acético.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A heroína é obtida por esterificação da <B>morfina,</B> esta por sua vez é extraída do <B>ópio</B>, sendo este nada mais além do exudato gomo-resinoso retirado das cápsulas imaturas da <I>Papaver somniferum</I>, especialmente da variedade <B>album.</B> </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A morfina é colocada em <B>piridina </B>à qual é adicionada solução de <B>anidrido acético</B>. O anidrido é protonado por dois prótons (<B>2H<SUP>+</B></SUP>) advindos da piridina, convertendo-se em duas moléculas de acetato que vão esterificar as hidroxilas da morfina (uma fenólica e a outra alcoólica), em uma reação simultânea e lenta, pois leva de vinte e quatro a quarenta e oito horas para se completar.</P>
<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="imagens/fcomp31.GIF" WIDTH=532 HEIGHT=294></P>
<B><P ALIGN="CENTER">Mecanismo esquemático da reação de obtenção da heroína.</P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">Heroína foi, na verdade, uma marca da <B>Bayer</B>, assim como a aspirina, mas ambas são hoje, definitivamente termos genéricos. Após o ópio ter sido colhido em áreas de cultivo como a Turquia e o Líbano, ela era convertida em morfina em um dos pontos mais próximos de embarque, como Beirute. A conversão da morfina em heroína ocorre, na maioria das vezes na França, particularmente em Marselha. Da conversão de 12 kg de ópio de primeira qualidade espera-se 1 kg de heroína de 90-98% de pureza. Muito raramente este tipo puro de material chega às mãos do consumidor; em geral ele é primeiramente diluído com outras substâncias como <B>talco, </B>ou com outras drogas, tais como <B>lacton</B>, a <B>quinina </B>ou os <B>barbitúricos.</P>
</B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636403"><A NAME="_Toc426543416">Toxicocinética.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">A heroína é cerca de três vezes mais potente que a morfina; portanto, ela pode ser contrabandeada com facilidade, e é uma das drogas ilícitas mais aceitas. Ela também é mais solúvel em água, e possui uma ação mais rápida quando injetada endovenosamente. A monoacetilmorfina, assim como a própria morfina, é um metabólito ativo, que atinge o cérebro com rapidez, sendo, possivelmente, responsável por sua maior potência. A droga é excretado como morfina, conjugada ou não, que é a substância medida , de fato, nos testes de urina. Assim como a maioria das drogas, a duração da ação depende até certo ponto da dose, sendo que as doses populares duram de 3 a 5 horas. Assim, o viciado nunca está muito distante dos sintomas da síndrome de abstinência. </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A tolerância a opiáceos é bem conhecida. Muito dos sintomas da síndrome de abstinência a opiáceos assemelham-se àqueles de atividade adrenérgica aumentada. Embora a abstinência à droga possa ser bastante desconfortável, ela muito raramente traz ameaças à vida. A necessidade de quantidades cada vez maiores da droga, para manter o efeito de euforia esperado, assim como o mal-estar causado pela abstinência, apresentam, como devida conseqüência, o reforço intenso do vício, uma vez que ele seja iniciado. A crença geral é de que tanto a <B>recompensa</B> imediata (na forma de alívio das dores físicas ou psíquicas), como o ato de auto-administração da droga, são fatores que reforçam enfaticamente o vício de tomar opiáceos.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Primeiramente, a heroína sofre uma desacetilação, dando a monoacetilmorfina e imediatamente acontece a outra desacetilação, dando a morfina, que é o metabólito ativo. Depois é feita a desmetilação da morfina, sendo esta eliminada como <B>nor-morfina</B>, pura ou conjugada com ácido glicurônico na forma de um <B>glicuronato de morfina</B>, pelos rins, apesar de este não ser a principal fração excretada, pois cerca de 80% da droga é eliminada na forma livre.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">A heroína se distribui por todo o organismo de forma rápida e apresenta um <B>tropismo </B>pela musculatura esquelética, rins, pulmões, intestinos e fígado onde é biotransformado pelas enzimas microssomais hepáticas. A maior concentração se dá no intestino e no sistema nervoso central, entretanto, as concentrações são bem inferiores em relação aos outros órgãos.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636404"><A NAME="_Toc426543417">Toxicodinâmica</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Não se sabe exatamente o local de ação da heroína, mas pensa-se que ela atua nas zonas subcorticais do girus pós-central (o centro de decodificação dos estímulos dolorosos, nos quais estão localizados os receptores para as endorfinas e encefalinas), devido a inibição do tremor labial eliciado por estímulo elétrico sobre um dente e ainda, pelo aumento ou elevação do limiar da dor. Tanto a morfina quanto a heroína apresentam homologia estrutural às endorfinas e encefalinas e ainda, a heroína parece atuar no centro límbico e nas áreas coligadas, regiões responsáveis pelo processamento das emoções, comportamentos, sensações, pensamentos, sonhos e outros processos e mecanismos mentais que serão estudados mais a frente.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636405"><A NAME="_Toc426543418">Ações sobre o sistema nervoso central</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">a - elevação do limiar da dor, o que dá ao toxicômano a <B><I>"coragem"</B></I> necessária para enfrentar tudo o que for preciso para dar seus <B>"vôos"</B>.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">b - Alterações psíquicas, fazendo desaparecer o medo, ansiedade e apreensão.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">c - De acordo com a dose, pode produzir desde sono, até insônia pronunciada.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636406"><A NAME="_Toc426543419">Aparelho circulatório</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">pode ser observado alterações nos traçados eletrocardiográficos, traduzidos por inversão da onda <B>T</B>, provavelmente em virtude de anóxia miocárdica, decorrente da ação depressora da respiração do miocárdio, e nunca devido à ação vasoconstritora coronariana. Também pode ser observada hipotensão arterial, provavelmente devido à liberação de histamina.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636407"><A NAME="_Toc426543420">Aparelho respiratório</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">parece ser este o local de maior evidência da ação da heroína, onde inicialmente se observa diminuição na freqüência respiratória, seguida de aumento da amplitude para compensar a baixa freqüência, comprometendo, com isso, o volume-minuto respirado.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636408"><A NAME="_Toc426543421">Aparelho digestivo</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">neste, a heroína exerce uma ação intensa. Retarda o tempo de esvaziamento gástrico, diminui as secreções do estômago, do pâncreas, da bile e dos intestinos. Exerce ação espamogênica, aumentando o tônus dos esfíncteres do tubo digestivo e também da musculatura lisa gastrointestinal, acompanhado de diminuição dos movimentos propulsores intestinais (peristálticos).</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636409"><A NAME="_Toc426543422">Aparelho urinário</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">aqui também há comprometimento da fibra muscular lisa devido a ação da heroína, observando-se um aumento no tônus , nas contrações do ureter e do músculo detrusor da bexiga, responsável pela retenção urinária.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636410"><A NAME="_Toc426543423">Visão</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">a principal conseqüência, ou melhor dizendo, o principal e mais acentuado efeito é a <B>miose</B> que, quando do uso da heroína, a pupila fica do tamanho da cabeça de um alfinete. Além da miose, se pode observar também ligeira hipotensão ocular, evidenciável por tonometria direta da córnea.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636411"><A NAME="_Toc426543424">Metabolismo:</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">a heroína age sobre o metabolismo basal, deprimindo-o levemente ou, de acordo com a dose, a depressão metabólica pode chegar até à 50% e esta ação pode ser explicada pelo efeito central deste narcótico, produzindo redução do tônus muscular e conseqüente diminuição no consumo de oxigênio. Doses muito exageradas ou elevadas, são responsáveis pela diminuição acentuada da temperatura corpórea, devido à depressão dos centros termo-reguladores, a vasodilatação periférica e a baixa do metabolismo.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636412"><A NAME="_Toc426543425">Aparelho reprodutor:</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">o único efeito passível de ser atribuído à heroína nesta esfera é um prolongamento no tempo do trabalho de parto. O problema da heroína não está no aumento ou diminuição da libido, mas sim na despersonalização tão pronunciada, que permite ao usuário sujeitar-se a qualquer tipo de relação sexual, bissexual, heterossexual, grupal, perversões, e outros, devido à necessidade que a droga lhe impõe e à perda do senso de limite, de moral e do seu valor pessoal; do valor que tem o seu corpo; da sua liberdade e da sua dignidade. Uma vez viciados, nada mais tem valor. Usam seu corpo, seus sentidos e sentimentos como ferramenta de trabalho par conseguir os meios necessários para a obtenção da droga.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Na Alemanha, dois jornalistas entrevistaram uma jovem viciada em heroína que contou-lhes sua vida. O depoimento dessa jovem que, na época em que se colheu a história, tinha 14 anos e se estivesse viva, estaria hoje com 36, deu origem ao livro chamado <B>"Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada, prostituída, ..."</B>. Nele a protagonista conta tudo o que fez, tudo a que se sujeitou para poder conseguir a droga. É uma história verídica e a menina se suicidou em 1988 com uma overdose de heroína, aos 26 anos de idade.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636413"><A NAME="_Toc426543426">Interações.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">A heroína interage com <B>analgésicos narcóticos, sedativos, hipnóticos, ansiolíticos, fenotiazínicos (clorpromazina, levomepromazina, prometazina), ÁLCOOL</B>, <B>anestésicos gerais, inibidores da monoamino-oxidase e antidepressivos tricíclicos</B>. Aumenta a depressão normalmente produzida por estes agentes, reduzindo a dose de um ou de todos, se utilizados concomitantemente, ou em caso de uso sucessivo.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Com anticolinérgicos, pode aumentar o risco de paralisia motora devido ao sinergismo da heroína sobre os fármacos desta categoria.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636414"><A NAME="_Toc426543427">Toxicidade.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">A morte causada por uma dose excessiva é uma possibilidade sempre presente quando se usa a droga injetada intravenosamente, em especial quando o usuário muda de <B>"vendedor"</B> (traficante, mesmo!) e deve-se geralmente a uma depressão respiratória aguda acompanhada por um edema pulmonar agudo com um fluido protéico altamente viscoso. Tais mortes aparecem, em grandes proporções no grupo de idades entre 15 e 25 anos, em cidades como Nova Iorque. Na Alemanha se registrou, em 1978 a morte de uma adolescente de 14 anos, filha de um pianista famoso e, ao que se sabe e de acordo com o relato, foi por overdose devido à heroína desconhecida.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">No Brasil as autoridades sanitárias e policiais não dispõe ainda de dados sobre o consumo de heroína, pois a droga é muito cara e por isso pouco utilizada em terras nacionais, apesar de já ser encontrada em algumas cidades grandes.</P>
<FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636415"><A NAME="_Toc426543428">Diagnóstico do vício.</A></A></P>
</FONT><P ALIGN="JUSTIFY">Freqüentemente, o indivíduo admite ser viciado e necessitar da droga. Se negar o vício, o diagnóstico pode, às vezes, ser feito com base nas marcas das constantes agulhadas, a insensibilidade e cicatrizes nos locais de injeção. A miose é sugestiva, mas não constitui um sinal definitivo. Períodos de vigília (insônia), irritabilidade e ansiedade, seguidos subitamente de euforia, alívio aparente e contentamento devem ser observados com acurácia, pois podem indicar ou sugerir a toxicomania.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Muitas vezes o único método de diagnóstico é o isolamento do usuário da fonte fornecedora de drogas, seguido da observação de sinais de abstinência. O toxicômano pode ser excepcionalmente inteligente para esconder o suprimento de droga. Pode ser admitido em um hospital com o propósito de curar-se do vício, ao mesmo tempo em que esconde habitualmente seus suprimentos entre os artigos pessoais e até mesmo em cavidades corporais (nariz, anus, vagina, etc.).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Um teste diagnóstico de considerável sensibilidade está sendo desenvolvido e consiste em precipitar a síndrome de abstinência por injeção parenteral de <B>N-alilnor-morfina</B> (<B>Nalline<FONT FACE="Symbol">Ò</FONT> </B>), um antagonista da morfina. Antes de levar avante esse teste, é recomendável obter-se permissão escrita do viciado ou de seu responsável legal. Esse teste é conseguido pela injeção subcutânea de mg de <B>N-alilnor-morfina</B>. Em menos de 20 minutos após a injeção podem ser observados os sinais e sintomas característicos de abstinência em viciados que usam de 5 a mais miligramas de heroína por dia. Um problema deste teste é que ele não é específico para heroína, podendo dar resultado positivo também em usuários de 60 ou mais miligramas de morfina por dia e ainda, para usuários de <B>diidromorfina, metadona, codeína</B> e <B>levodromoran.</P>
</B><FONT FACE="Arial"><P ALIGN="JUSTIFY"><A NAME="_Toc426636416"><A NAME="_Toc426543429">Tratamento.</A></A></P>
</FONT><B><P ALIGN="JUSTIFY">Intoxicações agudas. </P>
</B><P ALIGN="JUSTIFY">A heroína em dose elevada pode provocar um quadro agudo caracterizado por profunda depressão respiratória que pode produzir cianose, levar ao coma e até à morte. No caso de uma overdose e se houver tempo ou socorro disponível, pode-se proceder ao tratamento. Primeiramente é preciso combater a hipóxia pelo uso de antagonistas da morfina que também são eficazes na overdose por heroína. Entre os antagonistas são encontrados a <B>nalorfina, naloxona</B> e <B>levalorfan</B>, os quais após administração endovenosa, produzem acentuada melhora da respiração com repercussão sobre o aparelho circulatório. Entretanto, outras medidas de tratamento não devem ser esquecidas, tais como: ressucitação cardiovascular, desobstrução das vias aéreas, ventilação artificial (entubamento traqueal com balão de oxigênio ligado), massagem cardíaca e vasopressores.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">No caso de ingestão de heroína, deve ser fazer lavagem gástrica usando-se carvão ativado, pois este tem ação quelante sobre os opiáceos.</P>
<B><P ALIGN="JUSTIFY">Intoxicações crônicas ou dependência.</B> </P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Dois tipos contrastantes de tratamento têm sido usados para as pessoas com dependência à heroína ou outros opiáceos. A abordagem mais utilizada é a manutenção com <B>metadona</B>. Este tratamento baseia-se no fato de que a metadona, dada uma vez ao dia por via oral é mais ativa, e seu efeito mais prolongado que a heroína. A necessidade do uso da droga pelo viciado é mantida sem interferência nas suas atividades. Ele não se descontrola nem é obrigado a manter a sua dependência através de uma atividade ilícita ou criminal. O tratamento antidroga nunca é administrado sozinho, mais acompanhado de esforços de reabilitação social e vocacional. O custo deste tratamento para cada paciente corresponde, de forma geral, a algumas centenas de reais por ano. Surgiram certos problemas com mudanças na "administração caseira da dose de metadona", e com a dificuldade na manutenção da freqüência de atendimento clínico, uma vez que a reabilitação tivesse sido atingida. As objeções moralistas a este tipo de tratamento dizem respeito ao fato de ser ou não desejável a manutenção da dependência à droga; mesmo assim, o tratamento por metadona é geralmente preferível à manutenção da dependência à heroína.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Os programas de abstinência à droga são variações do tema <B>Comunidades Terapêuticas</B>, como foi originalmente iniciado por <B>Synamon</B> para viciados em opiáceos. Eles baseiam-se no conceito geral de que o uso de drogas é resultado de alguns distúrbios emocionais ou de uma incapacidade de se ajustar adequadamente à vida. A técnica mais comum utiliza-se de pressões de um grupo paralelo, e enfatiza a confrontação. Outras técnicas incluem variações na psicoterapia individual ou de grupo. Aqui, tanto a <B>terapia comportamental</B>, quanto o <B>psicodrama</B> encontram ampla aplicação e com um grande percentual de cura ou regeneração e recuperação dos viciados. São ainda, utilizados enfoques didáticos, estilos alternativos de vida através do trabalho ou de vida comunitária, e uma variedade de técnicas de meditação, tais como a <B>transcendental, Zen </B>ou até a <B>hapta-yoga.</B>. O tratamento pode estender-se por meses ou anos e os custos vão depender do grau de utilização do pessoal profissional (<B>psicólogos</B>, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, pedagogo, médicos, etc.).</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Como cada tipo de tratamento tem uma clientela auto-seletiva, torna-se difícil comparar os resultados. Tem-se a impressão de que a maioria dos viciados crônicos em heroína preferem a manutenção com metadona, enquanto aqueles com exposição menor ao uso da droga preferem o enfoque de abstinência à mesma. Infelizmente os defensores de cada tipo de tratamento adotam posições radicais.</P>
<P ALIGN="JUSTIFY">Tratamentos adicionais e que ainda estão sendo investigados incluem o uso de antagonistas de narcóticos ou de técnicas imunológicas para reforçar negativamente o uso de opiáceos. Estão sendo também investigadas formas de metadona ou de um antagonista específico para narcóticos.</P></BODY>
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