{"id":7514,"date":"2009-11-05T08:30:53","date_gmt":"2009-11-05T08:30:53","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=7514"},"modified":"2022-02-15T03:27:36","modified_gmt":"2022-02-15T03:27:36","slug":"prova-da-excrecao-da-d-xilose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=7514","title":{"rendered":"Prova da excre\u00e7\u00e3o da D-xilose"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os monossacar\u00eddeos s\u00e3o s\u00f3lidos cristalinos, incolores, muito sol\u00faveis em \u00e1gua e insol\u00faveis em solventes n\u00e3o polares. A\u00a0 D-xilose \u00e9 um monossacar\u00eddeo do grupo das aldoses que cont\u00e9m 3 carbonos assim\u00e9tricos e, assim, tem formas isom\u00e9ricas oticamente ativas. Como muitas aldoses tem dois ou mais centros quirais, os prefixos\u00a0 D e\u00a0 L\u00a0 s\u00e3o usados em refer\u00eancia \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do carbono quiral mais distante do \u00e1tomo de carbono da carbonila. Quando o grupo hidroxila desse \u00e1tomo de carbono mais distante projeta-se para a direita na f\u00f3rmula de proje\u00e7\u00e3o, ela designa um\u00a0 D-a\u00e7\u00facar.<!--more--><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">F\u00f3rmula estrutural de cadeia aberta da\u00a0 D-xilose:<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-15559\" alt=\"xilose30\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/xilose30.gif\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A D-xilose \u00e9 utilizada para estudar a capacidade de absor\u00e7\u00e3o intestinal.A\u00a0 D-xilose \u00e9 uma pentose absorvida no duodeno e jejuno proximal por difus\u00e3o passiva e difus\u00e3o facilitada na propor\u00e7\u00e3o de 70 % da quantidade ingerida; sendo que 60 % \u00e9 metabolizado, independente de qualquer regula\u00e7\u00e3o hormonal, e o restante \u00e9 eliminado na urina\u00a0 na propor\u00e7\u00e3o relativamente constante de 40 % da quantidade ingerida.\u00a0 Ap\u00f3s a absor\u00e7\u00e3o, uma pequena parte \u00e9 metabolizada, sendo a maior parte excretada na urina nas primeiras cinco horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de n\u00e3o se encontrar normalmente xilose no sangue, bem como o de apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o ser metabolizada pelo f\u00edgado, constituem vantagens sobre as outras provas de absor\u00e7\u00e3o de carboidratos. A t\u00e9cnica da prova consiste em administrar ao paciente, pela manh\u00e3, ap\u00f3s jejum de 12 horas e tendo esvaziado previamente a bexiga, 25 gramas de xilose dissolvida em 250 ml de \u00e1gua, seguida imediatamente da ingest\u00e3o de volume id\u00eantico de \u00e1gua ( total: 500 ml), para garantir diurese satisfat\u00f3ria. Colhe-se toda a urina formada nas cinco horas que se seguem \u00e0 ingest\u00e3o, dosando-se a xilose excretada naquele intervalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A elimina\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria da xilose varia de acordo com o autor, alguns consideram normal de 5 a 8 g, sendo um pouco mais baixa no indiv\u00edduo idoso e outros autores consideram normal a excre\u00e7\u00e3o de 4,5g. Abaixo de 4 g indica m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o intestinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de resultados falsamente positivos atinge, entretanto, 35 % o que d\u00e1 ao teste maior interesse no estudo etiol\u00f3gico de uma m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o j\u00e1 conhecida que em sua evidencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interferentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns fatores podem modificar os resultados e dificultar a interpreta\u00e7\u00e3o, como a acelera\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito, que diminui a absor\u00e7\u00e3o duodenal ( exemplo: gastrectomia); a insufici\u00eancia renal, a reten\u00e7\u00e3o de urina, os problemas do metabolismo hidro-eletrol\u00edtico, que retardam a elimina\u00e7\u00e3o; a infec\u00e7\u00e3o intestinal; as bact\u00e9rias intestinais podem metabolizar a xilose, mas devem ser em grande n\u00famero, em vista da curta dura\u00e7\u00e3o do teste; finalmente, a insufici\u00eancia hep\u00e1tica, na qual a elimina\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dosagem paralela da xilosemia relaciona que na associa\u00e7\u00e3o de baixa excre\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria e xilosemia baixa significaria m\u00e1-absor\u00e7\u00e3o, ao passo que o achado de valores urin\u00e1rios baixos da pentose com n\u00edveis sang\u00fc\u00edneos altos significaria baixa elimina\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia renal. Entende-se que o exame de urina de rotina, mostrando boa densidade urin\u00e1ria, bem como os valores de ur\u00e9ia e a creatinina normais no sangue, atestam a boa capacidade funcional do rim, dispensando a dosagem da xilosemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta prova \u00e9 de grande utilidade \u00a0para\u00a0 o diagn\u00f3stico da m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, visto que os resultados s\u00e3o patologicos em mais de 90 % dos casos, enquanto costumam ser normais na insufici\u00eancia pancre\u00e1tica. Al\u00e9m disso, podem-se observar achados patol\u00f3gicos na insufici\u00eancia card\u00edaca, insufici\u00eancia renal e estenose pil\u00f3rica &#8211; constituindo uma causa de erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sintomatologia da m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sintomas associados com a m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o\u00a0 s\u00e3o os que acompanham a m\u00e1 digest\u00e3o. Muitos destes sintomas se devem\u00a0 \u00e0\u00a0 produ\u00e7\u00e3o excessiva de gases obtida pela a\u00e7\u00e3o bacteriana sobre o alimento n\u00e3o digerido. A diarr\u00e9ia \u00e9 o resultado\u00a0 de uma diurese osm\u00f3tica que impede a reabsor\u00e7\u00e3o\u00a0 necess\u00e1ria dos l\u00edquidos gastrointestinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando estes sintomas s\u00e3o causados pela produ\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o insuficientes das enzimas digestivas pancre\u00e1ticas se trata de uma s\u00edndrome de m\u00e1 digest\u00e3o. Quando os sintomas se observam junto com uma fun\u00e7\u00e3o ex\u00f3crina normal, se trata de um problema de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o pode ser devida a diversos agentes pat\u00f3genos como v\u00edrus ou bact\u00e9rias capazes de atacar os microvilosidades do intestino delgado, impedindo uma boa absor\u00e7\u00e3o. No caso de certas infec\u00e7\u00f5es bacterianas, isto pode ser o resultado da a\u00e7\u00e3o de suas toxinas. Uma resposta quase imunol\u00f3gica de certos componentes dos alimentos, por exemplo o gl\u00faten, tamb\u00e9m pode causar enfermidade cel\u00edaca e m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o. Os processos inflamat\u00f3rios do intestino de causa desconhecida, como a doen\u00e7a de Crohn tamb\u00e9m podem levar a m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o. Outros casos menos freq\u00fcentes de\u00a0 m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o se devem a diminui\u00e7\u00e3o de certas enzimas intestinais, sendo as mais comuns a falta de lactase como tamb\u00e9m a falta de outras dissacaridases. A incapacidade para hidrolisar os dissacar\u00eddeos faz com que os alimentos n\u00e3o sejam absorvidos e a diurese osm\u00f3tica resultante produz v\u00e1rios sintomas de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A xilos\u00faria \u00e9 uma prova bioqu\u00edmica usada para o diagn\u00f3stico e acompanhamento da s\u00edndrome de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o que avalia a capacidade do duodeno e do intestino delgado proximal. Como este exame tem o inconveniente de ter um n\u00famero elevado de falsos positivos, ele \u00e9 mais \u00fatil para o acompanhamento de s\u00edndromes de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e3o caracterizadas como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os monossacar\u00eddeos s\u00e3o s\u00f3lidos cristalinos, incolores, muito sol\u00faveis em \u00e1gua e insol\u00faveis em solventes n\u00e3o polares. A\u00a0 D-xilose \u00e9 um monossacar\u00eddeo do grupo das aldoses que cont\u00e9m 3 carbonos assim\u00e9tricos e, assim, tem formas isom\u00e9ricas oticamente ativas. 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