{"id":6933,"date":"2009-10-24T21:48:33","date_gmt":"2009-10-25T00:48:33","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6933"},"modified":"2025-08-23T00:36:34","modified_gmt":"2025-08-23T00:36:34","slug":"freud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6933","title":{"rendered":"Freud"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"\/img\/738.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"383\"\/><strong>SIGMUND FREUD<\/strong> (1856-1939) iniciou uma revolu\u00e7\u00e3o intelectual hist\u00f3rica na vis\u00e3o que o homem tem do pr\u00f3prio homem com o desenvolvimento de sua teoria psicanal\u00edtica. Considerava que as for\u00e7as inconscientes eram altamente significativas como causa do dist\u00farbio mental e emocional. Ao desenvolver a psican\u00e1lise como um m\u00e9todo de tratamento e investiga\u00e7\u00e3o, deu grande relev\u00e2ncia \u00e0 sexualidade e \u00e0 amn\u00e9sia infantil; os princ\u00edpios do prazer e da realidade; a psicodin\u00e2mica; o complexo de \u00c9dipo, a inveja do p\u00eanis; as lembran\u00e7as ocultas, a rivalidade entre irm\u00e3os; a cena prim\u00e1ria; as bases do id, do ego e do superego; a teoria da libido; os mecanismos da repress\u00e3o e outros mecanismos de defesa; e o emprego terap\u00eautico do div\u00e3, a livre associa\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise dos sonhos, das parapraxis, a resist\u00eancia e as transfer\u00eancias.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viena d\u2019\u00c1ustria<\/strong>, fins do s\u00e9culo XIX. Perante um p\u00fablico composto quase inteiramente por m\u00e9dicos, <strong>Freud<\/strong> desenvolve sua teoria sobre sexualidade infantil. Imbu\u00eddos dos preconceitos da \u00e9poca, os ouvintes n\u00e3o admitem que as rea\u00e7\u00f5es infantis tenham liga\u00e7\u00f5es com o sexo e, ap\u00f3s violenta discuss\u00e3o com o orador, saem indignados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realmente, poucos personagens do mundo da ci\u00eancia suscitam t\u00e3o acirrada pol\u00eamica quanto <strong>Freud<\/strong>, o criador da psican\u00e1lise. E poucas pessoas se entregam de maneira t\u00e3o completa e apaixonada \u00e0 pesquisa do mist\u00e9rio que \u00e9 a alma humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 06 de maio de 1856, nasce <strong>Freud<\/strong> em Freiberg, na Mor\u00e1via, \u00c1ustria, hoje Pribor, Tchecoslov\u00e1quia. Filho de Jakob Freud e Amalie Natanshon, modestos comerciantes judeus. Aos 4 anos de idade, Freud muda-se com a fam\u00edlia para Viena, onde passar\u00e1 a maior parte de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro da classe desde o in\u00edcio de sua vida escolar, o jovem Freud revela-se extraordinariamente dotado para a qu\u00edmica e a bot\u00e2nica. Atra\u00eddo pelos trabalhos de Darwin, interessa-se pela pesquisa cient\u00edfica. Influenciado pela obra <strong><em>A Natureza<\/em><\/strong>, de Goethe, ingressa na Faculdade de Medicina de Viena, em 1873.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas no meio universit\u00e1rio encontra obstinada rea\u00e7\u00e3o anti-sem\u00edtica. No entanto, o fato n\u00e3o o abala: <strong><em>&#8220;Jamais aceitarei que devesse ter vergonha de minha origem ou, como diziam, de minha ra\u00e7a&#8221; &#8211; <\/em><\/strong>afirmara num trecho de sua autobiografia. Al\u00e9m de ter que enfrentar o preconceito, o jovem estudante vive momentos dif\u00edceis em fam\u00edlia. Com a quebra da bolsa de valores de Viena, Jakob Freud ficou falido. Para sobreviver, sua fam\u00edlia \u00e9 obrigada a aceitar a ajuda de parentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o curso de medicina, Freud fez experi\u00eancias com a <strong>coca\u00edna<\/strong>. Usou-a, ofereceu \u00e0 sua noiva, \u00e0s suas irm\u00e3s e aos seus amigos, sendo respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia na pr\u00e1tica m\u00e9dica. Entusiasmado com ela, descobriu que a coca\u00edna curava sua depress\u00e3o e ajudava na indigest\u00e3o quase cr\u00f4nica. Freud estava convencido de Ter encontrado uma droga milagrosa que curaria da ci\u00e1tica ao enj\u00f4o mar\u00edtimo, e lhe daria a fama e o reconhecimento que ansiava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso n\u00e3o iria acontecer. Um dos colegas m\u00e9dicos de Freud, depois de ouvir suas conversas casuais sobre a droga, fez suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e descobriu que a coca\u00edna podia ser usada para anestesiar o olho humano, possibilitando pela primeira vez a cirurgia ocular. Freud publicou um artigo sobre os usos e benef\u00edcios da coca\u00edna em 1884, sendo esse trabalho considerado parcialmente respons\u00e1vel pela epidemia do uso de coca\u00edna que varreu a Europa e os Estados Unidos, durando at\u00e9 quase toda a d\u00e9cada de 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud foi criticado por defender o uso da coca\u00edna fora da cirurgia do olho e por difundir essa peste no mundo. Pelo resto da vida, ele tentou deliberadamente apagar toda lembran\u00e7a do seu endosso \u00e0 coca\u00edna, chegando a omitir refer\u00eancias ao seu trabalho em sua pr\u00f3pria bibliografia. Por muitos anos, acreditava-se que Freud parara de usar a coca\u00edna dos dias de escola m\u00e9dica, mas descobriu-se recentemente que ele usou a droga por mais dez anos, at\u00e9 aproximadamente sua meia idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1876, ainda estudante, Sigmund come\u00e7a a interessar-se por neurologia, e a trabalhar com pesquisas sobre o assunto, com o <strong>Professor Ernst Br\u00fccke. <\/strong>A\u00ed conhece <strong>Joseph Breuer<\/strong>, que se tornar\u00e1 mais tarde seu grande amigo e colaborador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1881, conclui seu curso de medicina. Sua tese de doutoramento versa sobra o sistema nervoso. E resolve seguir por esse caminho, especializando-se em neurologia. Durante v\u00e1rios anos, trabalha numa cl\u00ednica para crian\u00e7as, onde descobre um tipo de paralisia cerebral e escreve um ensaio sobre a afasia &#8211; problema de fala proveniente de dist\u00farbios psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Freud <\/strong>j\u00e1 \u00e9 quase independente. N\u00e3o recebe mais ajuda da fam\u00edlia, mas sim de m\u00e9dicos amigos, em particular de <strong>Joseph Breuer<\/strong>, com quem passou a trabalhar. Breuer transmite-lhe o resultado de certas experi\u00eancias que fizera no campo neurol\u00f3gico e conhece sua experi\u00eancia em um caso de histeria que havia melhorado ap\u00f3s tratamento pela hipnose. <strong>Sigmund<\/strong> entusiasma-se com a experi\u00eancia. Dedica-se com afinco a estudar o assunto, n\u00e3o s\u00f3 em teoria mas principalmente na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditando ser a hipnose a solu\u00e7\u00e3o para as perturba\u00e7\u00f5es mentais, muda-se para Paris, em 1885, a fim de estudar com <strong>Jean Martin Charcot<\/strong>. A t\u00e9cnica do grande neurologista, que aplica o hipnotismo nos pacientes de sua cl\u00ednica, torna-se motivo de debate nos meios m\u00e9dicos, mas influencia, ao mesmo tempo, muitos deles. Como Sigmund Freud e Breuer, Charcot tamb\u00e9m acreditava que a histeria deve ser tratada sob o ponto de vista psicol\u00f3gico e n\u00e3o como doen\u00e7a org\u00e2nica. S\u00e3o raros os que pensam assim. A maioria dos m\u00e9dicos ainda prefere seguir o lema: <strong><em>mens sana in corpore sano<\/em><\/strong> &#8211; um corpo s\u00e3o significa, obrigatoriamente, a presen\u00e7a de mente tamb\u00e9m sadia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril de 1886, Freud retorna a Viena, onde retoma seu trabalho ao lado de Breuer. E abre seu pr\u00f3prio consult\u00f3rio para clientes particulares. Em setembro do mesmo ano, casa-se com <strong>Martha Bernays<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu consult\u00f3rio, Freud aplica o sistema da hipnose aliado ao m\u00e9todo da <strong><em>catarse<\/em><\/strong>: libertando-se da emo\u00e7\u00e3o reprimida, o paciente revive, no sono hipn\u00f3tico, as experi\u00eancias que motivaram sua ang\u00fastia; revelam-se, assim, as &#8220;bases&#8221; do seu desajuste. Preciosas informa\u00e7\u00f5es sobre os conflitos inconscientes surgem desse trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa informa\u00e7\u00f5es colhidas na pr\u00e1tica ser\u00e3o mais tarde descritas no livro elaborado em colabora\u00e7\u00e3o com Breuer: <strong><em>Estudos Sobre a Histeria.<\/em><\/strong> Aos poucos, surgem dificuldades. Os resultados da hipnose s\u00e3o muito relativos: os problemas mais profundos permanecem impenetr\u00e1veis. Freud substitui o sistema da hipnose pelo da <strong><em>associa\u00e7\u00e3o livre<\/em><\/strong>: o paciente \u00e9 levado a dizer livremente tudo o que lhe ocorre, \u00e0 medida que o m\u00e9dico faz perguntas ou menciona certas frases ou eventos. Por essa t\u00e9cnica, o indiv\u00edduo muitas vezes acaba relatando fatos que ocorreram h\u00e1 muito tempo e permaneciam &#8220;guardados&#8221; em seu subconsciente. E, segundo Freud, muitos desses acontecimentos remotos teriam sido esquecidos justamente como um mecanismo de defesa, por serem origem de fortes choques emocionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Freud, ainda, a personalidade estaria composta de tr\u00eas camadas: o <strong><em>Id, <\/em><\/strong>o <strong><em>Ego<\/em><\/strong> e o <strong><em>Superego<\/em><\/strong>. O Id \u00e9 concebido como sendo a parte mais antiga da mente, inteiramente inconsciente e voltada para a forma\u00e7\u00e3o dos impulsos, sendo por isso o seu reposit\u00f3rio e por isso n\u00e3o apresenta conflitos. O Ego corresponde aproximadamente ao sistema executor das demanda do Id, sendo que \u00e9 ele o organizador das defesas, assegura a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade , regula os conflitos, faz a censura e representa a raz\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria. O superego \u00e9 o representante dos aspectos restritivos da psique, ou seja, \u00e9 quem regula as demandas do Id e a sua execu\u00e7\u00e3o pelo Ego. Seria as conseq\u00fc\u00eancias das regras impostas pelos pais e conven\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo que poderia ser chamado de &#8220;prim\u00f3rdios da psican\u00e1lise&#8221;, Freud observou e deteve-se a analisar o que entrevia no inconsciente de seus pacientes. Chegou \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que todos os problemas psicol\u00f3gicos que se manifestam na vida adulta tem ra\u00edzes na inf\u00e2ncia. Suas teorias originam ferrenhas pol\u00eamicas nos meios intelectuais; ganhou inimigos exaltados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Psican\u00e1lise seguia seu caminho. Ap\u00f3s esses passos iniciais, Freud come\u00e7ou a entrever uma nova chave para desvendar o mundo oculto da mente. Muitas vezes em seus relatos a respeito das experi\u00eancias vividas, os pacientes discorriam sobre sonhos que haviam causado impress\u00e3o profunda. Se inconsciente estava a raiz dos problemas, o sonho poderia ser um caminho para trazer \u00e0 tona os sentimentos e emo\u00e7\u00f5es reprimidos. Imaginou que o sonho poderia funcionar como uma esp\u00e9cie de &#8220;v\u00e1lvula&#8221; para liberar o choque entre a vontade (do consciente, o Ego) e o instinto (do inconsciente, o Id).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud foi o primeiro a interessar-se cientificamente pelos sonhos. considerava o estudo e a interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos como um passo important\u00edssimo no sentido de transformar a psicologia em verdadeira ci\u00eancia. At\u00e9 ent\u00e3o, o assunto s\u00f3 preocupara feiticeiros, astr\u00f3logos e adivinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprofundou-se no assunto, passou a considerar a interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos como um dos melhores m\u00e9todos para vasculhar o mundo subconsciente dos indiv\u00edduos. Os conflitos entre o consciente e o inconsciente &#8220;escapam&#8221; durante o sono, por meio de s\u00edmbolos, na maioria das vezes surrealistas. A aparente incoer\u00eancia de determinados sonhos, as seq\u00fc\u00eancias absurdas, os s\u00fabitos cortes e mudan\u00e7as davam a chave de sua significa\u00e7\u00e3o, quando interpretados por meio e <strong>s\u00edmbolos<\/strong> e da <strong>&#8220;<em>livre associa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse estudo, formulou a sua teoria para explicar as neuroses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os dez anos em que trabalhou na elabora\u00e7\u00e3o de suas principais teorias, Freud esteve s\u00f3. Em 1906, juntaram-se a ele alguns colegas e disc\u00edpulos que iriam posteriormente complementar e continuar a sua obra: <strong>Alfred Adler, Carl Gustav Jung, Sandor Ferenczi, Wilhelm Steckel, Otto Rank.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1908, reuniram-se no primeiro <strong>Congresso Internacional de Psican\u00e1lise.<\/strong> Pouco depois fundaram a <strong>Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Psican\u00e1lise<\/strong>, com sucursais em v\u00e1rios pa\u00edses. Come\u00e7aram a editar revistas especializadas, e divulgar os resultados obtidos em Viena para o mundo inteiro. A fama das novas teorias logo alcan\u00e7a outros continentes. O renome de Freud chega aos Estados Unidos; em 1909, ele pronuncia uma s\u00e9rie de confer\u00eancias na Universidade de Worcester, em Massachusetts, as c\u00e9lebres <strong><em>Cinco Li\u00e7\u00f5es em Psican\u00e1lise<\/em><\/strong>. \u00c9 o primeiro reconhecimento acad\u00eamico internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1912, seu colaborador <strong>Adler<\/strong> se separa dele, em 1913, <strong>Jung<\/strong> e a seguir <strong>Steckel<\/strong>. Os caminhos seguidos no estudo e na pesquisa j\u00e1 come\u00e7am a divergir, embora o ponto de partida tenha sido o mesmo. Mas as novas teorias n\u00e3o tiravam o m\u00e9rito de Freud. Ao contr\u00e1rio, valorizaram-no: foi a partir das id\u00e9ias dele que elas puderam surgir. E a partir dele, o interesse pelo homem e por seus problemas mais profundos intensificou-se e aperfei\u00e7oou-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a eclos\u00e3o da <strong>Primeira Guerra Mundial<\/strong>, Freud enfrenta um ambiente hostil, carregado de \u00f3dio contra os judeus. Os \u00faltimos anos de sua vida coincidem com a expans\u00e3o <strong>Nazista<\/strong> na Europa. E h\u00e1 j\u00e1 dezesseis anos ele sofre de c\u00e2ncer no maxilar. Al\u00e9m da doen\u00e7a, \u00e9 atrozmente perseguido por causa de suas id\u00e9ias. Seus livros s\u00e3o queimados em pra\u00e7a p\u00fablica, junto com muitos outros de autores judeus. A alega\u00e7\u00e3o era a de serem perniciosos por conterem &#8220;uma pornografia especialmente judaica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"\/img\/739.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"424\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus bens s\u00e3o confiscados e sua biblioteca \u00e9 queimada. Est\u00e1 com 81 anos quando <strong>Hitler<\/strong> invade a \u00c1ustria. Seus amigos insistem para que abandone o pa\u00eds. Mas aquela \u00e9 sua p\u00e1tria, n\u00e3o quer deix\u00e1-la. Retiram-lhe o passaporte e pro\u00edbem-no de trabalhar. Gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, consegue deixar o pa\u00eds e chegar ileso \u00e0 Inglaterra. Mas morre um ano depois, vitimado pelo c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, \u00e9 certo que suas teorias revolucion\u00e1rias para a \u00e9poca abriram novas perspectivas para a explora\u00e7\u00e3o dos problemas do homem. Sua teoria e sua terapia psicanalista foram desenvolvidas e modificadas pelos seus seguidores, enriquecendo-as. Passou a constituir um instrumento obrigat\u00f3rio de pesquisa e interpreta\u00e7\u00e3o em todos os dom\u00ednios das ci\u00eancias humanas. Al\u00e9m disso, as aplica\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise \u00e0 cr\u00edtica art\u00edstica e liter\u00e1ria s\u00e3o extremamente amplas e fecundas.<\/p>\n<h4>Principais obras de Freud<\/h4>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos &#8211; 1900;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Psicopatologia da Vida Cotidiana &#8211; 1904;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Recorda\u00e7\u00e3o Infantil de Leonardo da Vinci &#8211; 1910;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Totem e Tabu &#8211; 1912;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Psican\u00e1lise &#8211; 1916-17;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Psican\u00e1lise e Teoria da Libido &#8211; 1918;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Mais Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer &#8211; 1920;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Psicologia das Massas e An\u00e1lise do Ego &#8211; 1921;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O Ego e o Id &#8211; 1923;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Neurose e Psicose &#8211; 1923;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Minha Vida e a Psican\u00e1lise &#8211; 1925;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ang\u00fastia &#8211; 1926.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, as obras de Freud foram organizadas em uma enciclop\u00e9dia de 28 volumes publicados pela <strong>Editora<\/strong> <strong>Imago<\/strong>, na qual s\u00e3o encontrados todos os trabalhos do <strong>Mestre<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande m\u00e9rito de <strong>Freud<\/strong> foi abordar temas considerados tabus e imorais em sua \u00e9poca, como por exemplo a sexualidade e ainda, atribuir \u00e0 ela, grande parte dos problemas ps\u00edquicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise, como afirmara <strong>Bleuler,<\/strong> corretamente, diga-se de passagem, acabou se transformando em dogma, n\u00e3o por obra do pr\u00f3prio <strong>Freud<\/strong>, pois ele mesmo afirmava que <strong><em>&#8220;algum dia a ci\u00eancia ter\u00e1 m\u00e1quinas e m\u00e9todos que descobrir\u00e3o as causas e os mecanismos que levam aos dist\u00farbios mentais na pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do ser humano, mas por enquanto s\u00f3 posso explic\u00e1-los unicamente via minha percep\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e por isso o fa\u00e7o de acordo com minhas concep\u00e7\u00f5es cient\u00edficas&#8221;<\/em><\/strong> mas seus disc\u00edpulos e seguidores n\u00e3o entenderam o m\u00e1xima do <strong>Mestre Freud<\/strong> e acabaram por dogmatizar a psican\u00e1lise transformando uma teoria em uma <strong>m\u00e1xima cientificamente comprovada <\/strong>ou em uma <strong>ci\u00eancia exata<\/strong>, mas essa valendo unicamente para eles psicanalistas. A teoria do <strong>Complexo de \u00c9dipo <\/strong>\u00e9 vista de forma resumida em cap\u00edtulo mais a frente, enquanto a obra que serviu de inspira\u00e7\u00e3o para <strong>Freud <\/strong>criar sua teoria da forma\u00e7\u00e3o de personalidade, a qual chama-se <strong>\u00c9DIPO-REI<\/strong>, uma trag\u00e9dia <strong>grega<\/strong> escrita por <strong>S\u00d3FOCLES<\/strong>, por volta do ano 430a.C. est\u00e1 resumida aqui, como se segue.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00c9dipo-Rei<\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"\/img\/740.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa se inicia com o Rei \u00c9dipo recebendo, \u00e0 escadaria de seu pal\u00e1cio, um grupo de jovens e idosos, liderados pelo <strong>Sacerdote<\/strong>, vindo estes a suplicar-lhe que encontrasse uma forma de livrar <strong>Tebas<\/strong> do mal que afligia a cidade e causava a destrui\u00e7\u00e3o, a dor e a morte de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois eis que o Rei \u00c9dipo, j\u00e1 sabendo dos supl\u00edcios pelos quais passava seus s\u00faditos, estes lhe causando muita dor e provocando-lhe incontido choro, j\u00e1 havia ordenado que seu cunhado <strong>Creonte<\/strong> fosse ao templo do deus <strong>Apolo<\/strong> em <strong>Delfos<\/strong> consultar os or\u00e1culos do deus <strong>Sol<\/strong> a mister de descobrir qual a natureza do mal que se abatia sobre Tebas e como extirp\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando Creonte \u00e0 Tebas, trouxe este as determina\u00e7\u00f5es do deus: <strong>APOLO, indignado com o assass\u00ednio do rei LAIOS, exigia ou o sangue ou o desterro do criminoso, fosse ele quem o fosse.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ouvir Creonte, \u00c9dipo disse n\u00e3o ter conhecido o Rei Laios pois este j\u00e1 era morto quando chegou \u00e0 Tebas e, decifrando o terr\u00edvel enigma da <strong>Esfinge<\/strong>, derrotou-a e sendo por isso feito rei de Tebas e ainda, desposando a viuva de Laios, <strong>Jocasta<\/strong>, com a qual teve filhos e filhas e por isso, alienou-se no dever tanto moral quanto divino de elucidar esse assass\u00ednio e punir os culpados. Para isso, iniciou a investiga\u00e7\u00e3o, interpelando o Sacerdote, que tamb\u00e9m ouvira as ordens do deus, sobre o motivo de n\u00e3o se ter investigado a morte de seu antecessor e este lhe afirmou que devido \u00e0 amea\u00e7a da esfinge, todos eram obrigados a deixarem de lado as coisas duvidosas para se aterem unicamente \u00e0 rotina e a vida cotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente interrogou Creonte que afirmou ter o Rei Laios sucumbido nas m\u00e3os de salteadores (<em>assaltantes que se espreitam \u00e0 beira dos caminhos<\/em>) e que todos haviam sido mortos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do <strong>Pastor<\/strong> que conseguira fugir e veio ter \u00e0 cidade trazendo a nefasta not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Creonte<\/strong>, s\u00e1bio e profundo conhecedor do povo tebano, sugeriu ao Rei que mandasse chamar <strong>Tir\u00e9sias<\/strong>, o vidente cego para que esse adivinhasse quem era o assassino e onde se escondia, ao que consentiu \u00c9dipo. Chamado <strong>Tir\u00e9sias<\/strong>, este disse que o assassino era o pr\u00f3prio Rei \u00c9dipo, em cumprimento ao destino tra\u00e7ado a ele pelo deus ao nascer e que determinava: <strong>tu, \u00c9dipo, um dia matar\u00e1s teu pai e desposar\u00e1s tua m\u00e3e<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta profecia n\u00e3o era estranha \u00e0 \u00c9dipo que j\u00e1 a conhecia de muito e por isso mesmo fugiu de sua terra natal <strong>Corintos,<\/strong> para que ela n\u00e3o se cumprisse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discutiu \u00c9dipo com Tir\u00e9sias, expulsando-o do pal\u00e1cio e voltando-se, ap\u00f3s isso, contra Creonte, acusando-o de estar usando o vidente para destron\u00e1-lo e ficar com o poder. Ap\u00f3s acirrada discuss\u00e3o, \u00c9dipo sentencia Creonte ao desterro, por escolha deste, mas heis que <strong>Jocasta<\/strong>, a rainha interv\u00e9m e apazigua os \u00e2nimos, e quando \u00c9dipo aproveita para interrogar-lha sobre o local e o tempo da morte de Laios e esta lhe revela que este fora trucidado onde se bifurcam os caminhos de <strong>Delfos <\/strong>e <strong>D\u00e1ulia, <\/strong>e o tempo era o mesmo da apari\u00e7\u00e3o de \u00c9dipo em Tebas. Neste momento, \u00c9dipo foi tomado de horr\u00edvel pressentimento e perguntou como era o rei Laios e como era seu s\u00e9quito e, ap\u00f3s a descri\u00e7\u00e3o e Jocasta, teve o pressentimento de que ele pr\u00f3prio havia matado Laios devido a uma discuss\u00e3o que teve ao encontr\u00e1-lo com seu s\u00e9quito no local onde Jocasta havia descrito. Para ter a certeza de que n\u00e3o fora ele quem matara o Rei Laios, mandou chamar o servo sobrevivente para interrog\u00e1-lo e descobrir se fora um ou um bando que matara o s\u00e9quito do rei Laios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto aguarda a chegada do Pastor, Jocasta o interroga sobre o porque de sua afli\u00e7\u00e3o e \u00c9dipo lhe conta da profecia e diz que a ela que para n\u00e3o matar seu pai, o Rei <strong>Pol\u00edbio<\/strong>, de <strong>Corintos<\/strong> e n\u00e3o acabar por desposar <strong>M\u00e9rope<\/strong>, de <strong>D\u00f3rios<\/strong>, ele fugiu de sua cidade e vagou pelo mundo at\u00e9 que um dia, a caminho de Tebas encontrou um cortejo que, pela for\u00e7a o obrigou a sair do caminho, mas \u00c9dipo, ao reagir, matou a todos, menos o pastor e, para tirar essa imensa d\u00favida da cabe\u00e7a, apesar de que ainda n\u00e3o tenha se dado conta de que o homem que ele havia matado era seu pr\u00f3prio pai, pediu que lhe trouxessem o pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes que o pastor chegasse, apresentou-se no pal\u00e1cio um <strong>Emiss\u00e1rio<\/strong> de <strong>Corintos<\/strong>, que a procura de \u00c9dipo, apresentou-se \u00e0 <strong>Jocasta<\/strong>, trazendo a not\u00edcia de que, pela morte de seu pai <strong>Pol\u00edbio<\/strong>, o povo de<strong> Corintos<\/strong> o queria fazer <strong>Rei do Istmo. Jocasta<\/strong>, ao receber a not\u00edcia e sabendo da profecia, mandou a <strong>Aia<\/strong> chamar \u00c9dipo, imediatamente para vir ter com o emiss\u00e1rio. Chegando \u00e0 presen\u00e7a do emiss\u00e1rio e recebendo a not\u00edcia, \u00c9dipo o interrogou acerca das circunst\u00e2ncias da morte de seu pai. Morte completamente natural e ao ser interpelado por <strong>Jocasta <\/strong>sobre voltar para <strong>Corintos<\/strong>, \u00c9dipo perguntou ao emiss\u00e1rio se sua m\u00e3e ainda vivia e, com a resposta era afirmativa, disse \u00e0 <strong>Jocasta<\/strong> que ainda assim a profecia poderia ser cumprida e, ao ouvir isso, o emiss\u00e1rio perguntou a \u00c9dipo, como s\u00fadito que tamb\u00e9m o era, o porqu\u00ea de n\u00e3o voltar \u00e0 terra natal e \u00c9dipo dizendo-lhe que n\u00e3o era segredo nenhum, contou-lhe a profecia. Ao ouvir isso, o emiss\u00e1rio revelou-lhe que n\u00e3o era filho leg\u00edtimo de <strong>Pol\u00edbio <\/strong>e <strong>Mer\u00f3pe<\/strong>, mas sim adotivo, pois ambos n\u00e3o puderam gerar prole e, ouvindo isso, seu cora\u00e7\u00e3o se sobressaltou e, ainda ao chegar o <strong>Pastor,<\/strong> pelo qual \u00c9dipo esperava para interrog\u00e1-lo, o mesmo foi reconhecido pelo emiss\u00e1rio como o homem que entregou \u00c9dipo ainda crian\u00e7a para que o criasse. Neste momento, revelou-se todo o desfecho da profecia que havia h\u00e1 muito se cumprido: <strong>\u00c9dipo matara o pr\u00f3prio pai naquela bifurca\u00e7\u00e3o e, ao decifrar o enigma da esfinge, tomara o poder em Tebas e desposara sua pr\u00f3pria m\u00e3e, com quem teve filhos e filhas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jocasta<\/strong> sabendo que os deuses tramaram um destino infeliz para aquele filho, colocou em seus p\u00e9s um grampo e mandou que o <strong>Pastor <\/strong>o levasse para longe e o matasse, mas chegando ao <strong>Ciret\u00e3o<\/strong>, o Pastor ficou com pena daquela crian\u00e7a e o entregou ao <strong>emiss\u00e1rio<\/strong> que tamb\u00e9m pastoreava por aqueles lados \u00e0quelas \u00e9pocas e este o recebeu e entregou \u00e0 <strong>Pol\u00edbio <\/strong>e <strong>Mer\u00f3pe<\/strong>, por n\u00e3o terem filhos, o criaram e, quando o <strong>Pr\u00edncipe \u00c9dipo de Corintos<\/strong> soube da profecia, fugiu do pa\u00eds (a cidade-estado de Corintos) e seguiu-se enredo da narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao conhecer a narrativa do emiss\u00e1rio que disse ser \u00c9dipo filho adotivo de <strong>Pol\u00edbio<\/strong> e ao ouvi-lo contar a hist\u00f3ria do grampo, sendo que a cicatriz do grampo \u00e9 que deu o nome <strong>\u00c9dipo, <\/strong>que significa <strong>p\u00e9s inchados<\/strong>, <strong>Jocasta<\/strong> imediatamente se apercebeu da verdade e implorou para que \u00c9dipo deixasse o caso de lado e se esquecesse dele, antevendo a desgra\u00e7a que estava por vir, mas este, teimoso e at\u00e1vico quis ir at\u00e9 o fim e, por isso, <strong>Jocasta <\/strong>se suicidou por enforcamento e \u00c9dipo, quando descobriu seu crime, foi at\u00e9 o quarto de sua <strong>m\u00e3e-esposa<\/strong> e vendo-a morta, pegou seus alfinetes de ouro furando-se os olhos e amaldi\u00e7oando-se, pedindo \u00e0 <strong>Creonte <\/strong>que assumisse o governo, cuidasse de suas pobres e desgra\u00e7adas filhas e ainda, que <strong>Creonte<\/strong> o sentenciasse de acordo com a vontade do deus <strong>Apolo<\/strong>. E assim se fez. Creonte, a pedido do pr\u00f3prio <strong>\u00c9dipo<\/strong> o mandou embora em degredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que <strong>Freud, JUNG <\/strong>tamb\u00e9m buscou inspira\u00e7\u00e3o na mitologia grega para compor sua teoria da personalidade que ser\u00e1 vista mais a frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIGMUND FREUD (1856-1939) iniciou uma revolu\u00e7\u00e3o intelectual hist\u00f3rica na vis\u00e3o que o homem tem do pr\u00f3prio homem com o desenvolvimento de sua teoria psicanal\u00edtica. Considerava que as for\u00e7as inconscientes eram altamente significativas como causa do dist\u00farbio mental e emocional. 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