{"id":6265,"date":"2009-10-21T12:43:52","date_gmt":"2009-10-21T15:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6265"},"modified":"2025-08-23T00:38:35","modified_gmt":"2025-08-23T00:38:35","slug":"manuel-joaquim-henriques-de-paiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6265","title":{"rendered":"Manuel Joaquim Henriques de Paiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nome aureolado, permanece esquecido no nosso meio. Leu Carvalho, certa vez, que tomou parte na Academia Cient\u00edfica do Rio de Janeiro, de 1772, quando devia ter menos de 20 anos. Seria filho de Ant\u00f4nio Ribeiro de Paiva?<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tese de Carvalho j\u00e1 estava preparada desde 1951 e havia sido aconselhada para o Congresso M\u00e9dico &#8211; Social Brasileiro, quando apareceu no &#8220;Jornal do Com\u00e9rcio&#8221; do Rio de Janeiro, de 29 (domingo) de mar\u00e7o do corrente ano, p\u00e1gina 3, um substancioso artigo de <strong>O. Carneiro Giffoni<\/strong>, baseado especialmente em <strong>Silva Carvalho<\/strong>, sobre o bicenten\u00e1rio de <strong>Manoel Joaquim Henriques de Paiva<\/strong>. Segundo <strong>O. Carneiro Giffoni<\/strong>, Paiva era filho do <strong>botic\u00e1rio Ant\u00f4nio Ribeiro de Paiva <\/strong>e de <strong>Isabel Aires Henriques <\/strong>e que em 1769 embarcou para o Rio de Janeiro em companhia do pai, com quem se iniciou no estudo da Hist\u00f3ria Natural, Qu\u00edmica e Farm\u00e1cia, assim como tomou aproveitadas li\u00e7\u00f5es do irm\u00e3o mais velho, o doutor <strong>Jos\u00e9 Henriques Ferreira<\/strong>, m\u00e9dico de renome, comiss\u00e1rio do F\u00edsico-Mor do Reino, segundo informa\u00e7\u00e3o da fonte consultada; que em 16 de junho de 1770, quando tinha 17 anos e 6 meses de idade, obteve a <strong>carta de botic\u00e1rio, <\/strong>o mesmo que o diploma de <strong>Farmac\u00eautico <\/strong>de hoje, sendo examinado por uma junta composta dos <strong>botic\u00e1rios Jo\u00e3o Pereira da Silva, Domingos Ant\u00f4nio de Souza <\/strong>e <strong>Dami\u00e3o Cosme da Costa<\/strong>; que regressou a Portugal para estudar medicina em Coimbra, onde em 14 de julho de 1781 recebeu o diploma de m\u00e9dico. Quanto a ter sido disc\u00edpulo de <strong>frei Jos\u00e9 Mariano da Concei\u00e7\u00e3o Veloso<\/strong>, \u00e9 discut\u00edvel, pois, a princ\u00edpio este se dedicava \u00e0 filosofia e segundo <strong>Carlos Stellfeld<\/strong>, <strong><em>&#8220;l\u00e1 pelos anos de 1770 e 1771 frei Vellozo passou a residir em S\u00e3o Paulo, onde a 27 de julho de 1771 foi nomeado repetidor ou passante de geometria, e a 8 de maio de 1779 lente de eloq\u00fc\u00eancia sacra no convento de S\u00e3o Francisco de S\u00e3o Paulo&#8221; <\/em><\/strong>(&#8220;Os dois Velozzo&#8221;, p\u00e1gina 27, Rio de Janeiro, 1952).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carvalho n\u00e3o encontrou a \u00e1rvore geneal\u00f3gica do not\u00e1vel m\u00e9dico, que figura como <strong>Botic\u00e1rio<\/strong> de 1772. Pelo lado paterno, consta ter sido sobrinho do grande m\u00e9dico portugu\u00eas <strong>Ant\u00f4nio Nunes Ribeiro Sanches<\/strong>. Condenado em Portugal, veio para a Bahia em 1809.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo alimentou Carvalho, a esperan\u00e7a de estudar a vida de Manuel Joaquim Henriques de Paiva no Estado da Bahia, a fim de escrever um trabalho igual aos sobre <strong>Eduardo J\u00falio Janvrot, Eug\u00eanio Marques de Holanda<\/strong> e <strong>Ezequiel Correia dos Santos<\/strong>. Impossibilitado de comparecer ao <strong>Congresso Farmac\u00eautico da Bahia <\/strong>(1950), esperou que os historiadores de nossa Farm\u00e1cia se preocupassem com a figura do primeiro professor da especialidade em terras baianas. <strong>Von Spix <\/strong>e <strong>Von Martius <\/strong>falam da estima em que era tido o doutor Paiva, que ensinava, antigamente, qu\u00edmica e hist\u00f3ria natural. No trabalho <strong><em>&#8220;Porque a Farm\u00e1cia Brasileira Tem Falhado no Meio M\u00e9dico e Social&#8221;,<\/em> <\/strong>Carvalho<strong> <\/strong>focalizou a personalidade do doutor Paiva, com o aux\u00edlio do <strong>historiador Rodolfo Garcia<\/strong>; mas n\u00e3o conhecia a sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica, nem sabia de que havia morrido e se contra\u00edra n\u00fapcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Folheou v\u00e1rios livros seus, podendo avaliar o talento que possu\u00eda. <strong>M. Ferreira Mira <\/strong>cita-o v\u00e1rias vezes e eis aqui uma das suas passagens:<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><strong><em>&#8220;Manuel Joaquim Henriques de Paiva exerceu indiscut\u00edvel influ\u00eancia na medicina portuguesa do tempo pela sua atividade como divulgador das doutrinas m\u00e9dicas que no estrangeiro se formavam e prevaleciam. Estudou em Coimbra e exerceu a profiss\u00e3o em Lisboa. Foi preso por se ter mostrado afeto ao governo de Junot. Anos mais tarde foi nomeado professor da escola m\u00e9dica da Bahia, vindo a falecer, em 1829, nesta cidade. Nos trabalhos que traduziu de Plenck e de Cullen, cuja orienta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica \u00e9 a mesma, colheu a doutrina do seu \u2018Bosquejo de Fisiologia\u2019. Traduziu muitos outros livros estrangeiros, os mais importantes dos quais se vai fazendo men\u00e7\u00e3o, e publicou tamb\u00e9m algumas obras originais, uma sobre o tratamento das asfixias ou mortes aparentes, outra sobre o m\u00e9todo de curar as feridas de pelouros.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Querendo obter dados mais positivos, recorreu o historiador ao Laborat\u00f3rio Torres S.A., de S\u00e3o Paulo, cujo Departamento Social merece louvores da classe m\u00e9dica. Gra\u00e7as ao doutor J. Pires d\u2019\u00c1vila, que tudo fez para ser \u00fatil, a sec\u00e7\u00e3o baiana do Laborat\u00f3rio Torres S.A. vasculhou os arquivos e enviou as informa\u00e7\u00f5es que se seguem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><strong><em>&#8220;At\u00e9 o presente momento, pesquisamos minuciosamente em conjunto a v\u00e1rios historiadores, a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia nos seus documentos, onde foi instalada a sala de estudos e exames cir\u00fargicos desde 1816 at\u00e9 1833 e nesta sala trabalhou o doutor Manuel Joaquim Henriques de Paiva, depois revisamos a documenta\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina, da qual, devido ao grande inc\u00eandio de 1905, nada ficou livre da infeliz cat\u00e1strofe, perdemos as mais c\u00e9lebres mem\u00f3rias da ci\u00eancia m\u00e9dica brasileira e lusitana.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasceu em Castelo-Branco, Portugal, a 23 de dezembro de 1752, falecendo em Salvador a 10 de mar\u00e7o de 1829. Filho de um <strong>botic\u00e1rio portugu\u00eas <\/strong>senhor <strong>Ant\u00f4nio Ribeiro de Paiva<\/strong>, que lhe ensinou farm\u00e1cia, qu\u00edmica e hist\u00f3ria natural. Mo\u00e7o, ainda, viajou para o Rio, vindo em 1771, fundando com outros companheiros a <strong>Academia de Ci\u00eancias do Rio de Janeiro<\/strong>. Tendo, por\u00e9m, de completar os seus estudos, voltou a Portugal, formando-se em medicina em 1776 pela Universidade de Coimbra. Depois, viajou pela Fran\u00e7a, praticando no <strong>Laborat\u00f3rio de Gay-Lussac<\/strong>. Comprometido com os invasores de Junot, foi demitido dos seus cargos em Lisboa e desterrado para o Brasil, residindo, ent\u00e3o, na cidade de Salvador, onde clinicou e lecionou a princ\u00edpio em cursos particulares de qu\u00edmica e hist\u00f3ria natural. Em 1818 um decreto r\u00e9gio reintegrou-o na honra e prerrogativa que gozava. Nesse mesmo ano \u00e9 encontrado em Salvador por Spix e Martius. Segundo <strong>Piraj\u00e1 da Silva<\/strong>, o doutor <strong>Manuel Joaquim Henriques de Paiva <\/strong>foi professor de <strong>Farm\u00e1cia <\/strong>na <strong>Universidade de Coimbra <\/strong>at\u00e9 que por decreto de 12 de fevereiro de 1820 foi removido para o Col\u00e9gio Cir\u00fargico da Bahia com exerc\u00edcio de igual cadeira. Em 1824 ensinava j\u00e1 a cadeira de Mat\u00e9ria M\u00e9dica e Farm\u00e1cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se casou e o seu atestado de \u00f3bito n\u00e3o foi encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos, agora, os t\u00edtulos do famoso professor de Farm\u00e1cia e Qu\u00edmica: Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Doutor em Medicina pela Universidade de Coimbra, M\u00e9dico da Real C\u00e2mara, Deputado da Real Junta do Protomedicato, Censor R\u00e9gio da Mesa do Desembargo do Pa\u00e7o, S\u00f3cio da Academia Real de Ci\u00eancias de Lisboa, da de Stokolmo, da de Madrid e da Sociedade Econ\u00f4mica de Harlem. Aqui terminam as informa\u00e7\u00f5es do prestimoso Departamento Social do Laborat\u00f3rio Torres S.A.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro, Carvalho repetiu um trecho de sua Tese de 1945, para que as futuras gera\u00e7\u00f5es conhecessem bem o not\u00e1vel tradutor de obras cient\u00edficas e comentarista, que morreu aos 77 anos de idade e como cidad\u00e3o brasileiro:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\"><em><strong>&#8220;Reintegrado nos cargos e honrarias por decreto de 6 de fevereiro de 1818 (Visconde de Porto Seguro), solicitou permiss\u00e3o para continuar na Bahia e por carta r\u00e9gia de 29 de novembro de 1819 lhe foi concedida a reg\u00eancia da cadeira de farm\u00e1cia, podendo admitir alunos do Curso M\u00e9dico-Cir\u00fargico.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A princ\u00edpio, a cadeira n\u00e3o fazia parte da Escola; mas em maio de 1824, por ordem de D. Pedro I, foi anexada \u00e0 Mat\u00e9ria M\u00e9dica e do doutor Manoel Joaquim Henriques de Paiva nomeado professor da Mesma, inaugurando-se o ensino oficial da farm\u00e1cia na Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carvalho deixou patente que o ensino da Farm\u00e1cia e da Qu\u00edmica, tanto no Rio de Janeiro como na Bahia, foi iniciado pelos m\u00e9dicos portugueses Jos\u00e9 Maria Bomtempo e Manuel Joaquim Henriques de Paiva, no ano de 1809.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bomtempo ensinava na Escola Anat\u00f4mica, Cir\u00fargica e M\u00e9dica, e Paiva o fazia fora dos estabelecimentos oficiais, pois, somente em 1824 D. Pedro I mandou anexar a cadeira de Farm\u00e1cia \u00e0 Mat\u00e9ria M\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m esclarecer que ambos morreram como brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome aureolado, permanece esquecido no nosso meio. Leu Carvalho, certa vez, que tomou parte na Academia Cient\u00edfica do Rio de Janeiro, de 1772, quando devia ter menos de 20 anos. 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