{"id":6238,"date":"2009-10-21T11:32:43","date_gmt":"2009-10-21T14:32:43","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6238"},"modified":"2025-08-23T00:38:36","modified_gmt":"2025-08-23T00:38:36","slug":"a-farmacia-brasileira-e-paula-candido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6238","title":{"rendered":"Os prim\u00f3rdios da Farm\u00e1cia Atual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A vinda da <strong>Fam\u00edlia Real <\/strong>portuguesa, juntamente com toda sua corte ao Brasil, covardemente refugiada ap\u00f3s sua expuls\u00e3o de Portugal pelas tropas de Napole\u00e3o Bonaparte, todavia, iria modificar este estado de coisas e eis que a 2 de abril de 1808 o Pr\u00edncipe Regente <strong>D. Jo\u00e3o VI<\/strong> (filho de D<sup>a<\/sup>. Maria I-a Louca) nomeia <strong>JOAQUIM DA ROCHA MAZAR\u00c9M<\/strong> para o cargo de <strong>lente<\/strong> das cadeiras de <strong>anatomia<\/strong> e <strong>cirurgia<\/strong> do Hospital Militar (o lente daquelas \u00e9pocas \u00e9 o mesmo que o professor titular de hoje).<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como conseq\u00fc\u00eancia, essas cadeiras de anatomia e cirurgia acabaram dando origem \u00e0 <strong>Faculdade de Medicina<\/strong>, em 1832.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em><strong>&#8220;A psycatura foi extincta em 1782, mas ressurgiu em 1809. Durante o periodo transitorio, foi o proto-medicato o supremo tribunal de saude publica. As habilita\u00e7\u00f5es exigidas aos que pretendiam obter o diploma de pharmaceutico, limitaram-se, primeiro, a simples no\u00e7\u00f5es theoricas colhidas n\u2019um livro denominado EXAMES DE BOTICARIOS do padre Estev\u00e3o de Villas, monge de Burgos, livro traduzido para portuguez em 1736; e depois na PHARMACOP\u00c9A GERAL do dr. Tavares, e na pratica de alguns annos n\u2019uma pharmacia. Emilio Fragoso in O ENSINO E EXERC\u00cdCIO DA PHARMACIA EM PORTUGAL E OUTRAS NA\u00c7\u00d5ES. Lisboa, 1878, pag. 1-2.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao iniciar-se o s\u00e9culo XIX, o Brasil, imenso e despovoado, permanecia sob a vigil\u00e2ncia da Coroa Portuguesa. Era uma Col\u00f4nia e como tal, sujeita \u00e0s leis da Metr\u00f3pole. O que acontecia em Portugal no s\u00e9culo XVIII? Ou\u00e7amos a palavra autorizada de um historiador da medicina, em livro escrito em 1947: &#8220;O verdadeiro guia dos farmac\u00eauticos portugueses durante a segunda metade do s\u00e9culo XVIII e ainda parte do seguinte foi, por\u00e9m, a <strong><em>Farmacop\u00e9ia tubalense<\/em><\/strong>, de Manuel Rodrigues Coelho. \u00c9 uma compila\u00e7\u00e3o de todas as farmacop\u00e9ias e tratados de farm\u00e1cia conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o, incluindo uma quantidade prodigiosa de f\u00f3rmulas e informando com verdade sobre a origem e proveni\u00eancia dos s\u00edmplices. Apresenta, evidentemente, os defeitos da \u00e9poca: a tend\u00eancia para a polifarm\u00e1cia gal\u00eanica e a inclus\u00e3o de f\u00f3rmulas emp\u00edricas, n\u00e3o raramente rid\u00edculas. Como havia charlat\u00f5es entre a classe m\u00e9dica e os pr\u00f3prios m\u00e9dicos de maior categoria e saber n\u00e3o eram isentos desse pecado, assim acontecia na classe farmac\u00eautica. Um dos que mais rapidamente e com mais proveito conquistaram Lisboa, foi Alberto Konig que, em 1724, se anunciou na Gazeta como oficial maior da botica imperial de Viena de \u00c1ustria, que viera a Lisboa para assistir, como provisor, \u00e0 botica da rainha; e acrescentava que trazia consigo muitos segredos medicinais da august\u00edssima casa de \u00c1ustria para a rainha e sua fam\u00edlia, e muitos s\u00edmplices e medicinas \u00fateis e frescas. Enfim, o desaforo do exerc\u00edcio ilegal da medicina e da venda de medicamentos chegou a ponto de se anunciar no mesmo ano, que quem quisesse um rem\u00e9dio eficaz contra <strong><em>&#8220;almorreimas, cursos de sangue e de dor de &#8220;cadeiras&#8221; se entendesse com Manuel Correia, ferrador, \u00e0s portas de Santo Ant\u00e3o.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00edlio Fragoso \u00e9 mais expl\u00edcito: <strong><em>&#8220;As habilita\u00e7\u00f5es exigidas aos que pretendiam obter o diploma de pharmaceutico, limitaram-se, a simples no\u00e7\u00f5es the\u00f3ricas n\u2019um livro denominado Exame de Botic\u00e1rios do padre Estev\u00e3o de Villas&#8230;&#8221; <\/em><\/strong>e mais adiante, tratando dos exames, escreveu <strong><em>&#8220;que n\u00e3o passavam, em geral, de pretexto para lan\u00e7ar nas algibeiras dos delegados do famoso tribunal do proventos que ele pr\u00f3prio marcou no seu alvar\u00e1 de 1800.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando as tropas do general<strong> Napole\u00e3o Bonaparte<\/strong> penetraram no territ\u00f3rio portugu\u00eas, a fam\u00edlia real transportou-se para o Brasil e o pr\u00edncipe regente, aconselhado pelo doutor <strong>Jos\u00e9 Correia Pican\u00e7o<\/strong>, houve por bem instruir na Col\u00f4nia um curso M\u00e9dico-Cir\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 18 de fevereiro de 1808, resolveu o pr\u00edncipe regente criar uma <strong><em>Escola de Cirurgia <\/em><\/strong>na Bahia, que funcionaria no Real Hospital Militar, e, em 5 de novembro do mesmo ano a <strong><em>Escola Anat\u00f4mica, Cir\u00fargica e M\u00e9dica<\/em> <\/strong>no Rio de janeiro. Um laborat\u00f3rio farmac\u00eautico foi estabelecido no hospital militar do Rio de Janeiro em 21 de maio de 1808, que seria, facultativamente, dirigido por um botic\u00e1rio, sendo nomeado <strong>Joaquim Jos\u00e9 Leite Carvalho<\/strong>. Em 12 de abril de 1809, ordenava o pr\u00edncipe <strong>D. Jo\u00e3o<\/strong> que no hospital militar do Rio de Janeiro funcionasse a cadeira de mat\u00e9ria M\u00e9dica e <strong>Farmac\u00eautica<\/strong>, anexa \u00e0 Escola Anat\u00f4mica, Cir\u00fargica e M\u00e9dica e para lente da mesma, foi escolhido o doutor <strong>Jos\u00e9 Maria Bomtempo<\/strong>, m\u00e9dico da Real C\u00e2mara, debaixo de cujas ordens ficava o <strong>Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Pr\u00e1tico<\/strong>, criado em 25 de janeiro de 1812.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o havia livros que tratassem dos assuntos relacionados com a sua cadeira, teve o doutor Bomtempo de escrever um especial, que denominou de <strong><em>&#8220;Comp\u00eandio de Mat\u00e9ria M\u00e9dica&#8221;<\/em><\/strong><em>. <\/em>Para isso, tomou <strong><em>&#8220;por modelo o trabalho do incans\u00e1vel doutor Tavares de eterna mem\u00f3ria para os m\u00e9dicos portugueses&#8221;<\/em><\/strong><em>.<\/em> S\u00e3o do pref\u00e1cio estas palavras:<strong><em> &#8220;Quando o Pr\u00edncipe Regente Nosso Senhor, por seu Real Decreto de doze de Abril de 1809, creou a Cadeira de Materia Medica, ordenou que ella fosse dirigida para complemento do curso cir\u00fargico j\u00e1 estabelecido; e que os seus fins fossem os de instruir os Cirurgi\u00f5es do Exercito, e da Real Armada, nos princ\u00edpios gerais desta ci\u00eancia, que mais rela\u00e7\u00f5es tivessem com as inten\u00e7\u00f5es facultativas.&#8221;<\/em> <\/strong>Publicado na R\u00e9gia Oficina Tipogr\u00e1fica do Rio de Janeiro, apareceu em 1814. Somente na terceira parte do livro \u00e9 que se refere \u00e0 Farm\u00e1cia. Ia o doutor Bomtempo ensinar Farm\u00e1cia aos futuros botic\u00e1rios? Os botic\u00e1rios estavam em plano secund\u00e1rio e o fim primordial da cadeira era instruir os cirurgi\u00f5es do ex\u00e9rcito e da real armada. Por isso mesmo o ensino da Farm\u00e1cia foi rudimentar e irregular. O doutor <strong>Manoel Luiz Alves de Carvalho<\/strong>, que <strong>Fernando Magalh\u00e3es <\/strong>chamou de Manoel Luiz \u00c1lvares de Carvalho, nomeado diretor dos Estudos M\u00e9dicos da Corte e Estados do Brasil, prop\u00f4s um plano de estudos m\u00e9dicos e a 1\u00ba de abril de 1813 a Escola Anat\u00f4mica, Cir\u00fargica e M\u00e9dica do Rio de Janeiro ficou sendo a Academia M\u00e9dico-Cir\u00fargica. O doutor Bomtempo continuava com a sua cadeira; mas Fernando Magalh\u00e3es cita as den\u00fancias da \u00e9poca, segundo as quais a situa\u00e7\u00e3o da academia era prec\u00e1ria, sem aulas de Medicina Pr\u00e1tica, de Opera\u00e7\u00f5es, de Mat\u00e9ria M\u00e9dica, etc. Em 3 de outubro de 1832, foram criadas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, com um curso de Farm\u00e1cia anexo. Somente em 6 de mar\u00e7o de 1833 \u00e9 que se reunia a primeira congrega\u00e7\u00e3o de professores. Justamente nesse ano de 1833 \u00e9 que se empossa na c\u00e1tedra de Mat\u00e9ria M\u00e9dica e Farm\u00e1cia o doutor <strong>Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Carvalho<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De mistura com Mat\u00e9ria M\u00e9dica e Farm\u00e1cia, ia o doutor Bomtempo, tamb\u00e9m, ministrando no\u00e7\u00f5es de qu\u00edmica, naquele come\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Brasil, quando os homens j\u00e1 se tinham esquecido dos exemplos admir\u00e1veis do administrador severo, que passou \u00e0 hist\u00f3ria como <strong><em>&#8220;O on\u00e7a&#8221;<\/em><\/strong><em>.<\/em> (Governador Vahia Monteiro). Em 1948, escreveu o ilustre historiador <strong>Coriolano de Carvalho<\/strong> para o Primeiro Congresso Pan-americano de Farm\u00e1cia:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\"><em><strong>&#8220;A farm\u00e1cia cient\u00edfica teve in\u00edcio no Brasil, de modo irregular, no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX e gra\u00e7as \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da convulsionada Europa. O que havia sobre botica, vinha do obsoleto Regimento do Cirurgi\u00e3o M\u00f3r dos Ex\u00e9rcitos, de 12 de dezembro de 1631, pois, at\u00e9 17 de junho de 1782, quando foi institu\u00edda a Junta do Protomedicato, vigorava a Fisicatura, que ressurgiu em 1809 e ainda deu grandes desgostos \u00e0 Reg\u00eancia, porque se encastelava nos famosos privil\u00e9gios dos formados em Coimbra e com isto perturbava nossos meios escolares e levava a desmoraliza\u00e7\u00e3o aos institutos de ensino superior. Os candidatos tinham de praticar dois anos no Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico de Lisboa, para serem matriculados no Dispens\u00e1rio, onde deviam trabalhar igual n\u00famero de anos. Depois de praticarem quatro anos \u00e9 que requeriam exame perante o lente de Mat\u00e9ria M\u00e9dica, e, se aprovados, recebiam o t\u00edtulo de Botic\u00e1rio Aprovado. Somente ao Botic\u00e1rio Aprovado era permitido possuir Botica.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impossibilitados de freq\u00fcentar o Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico de Lisboa, tiveram o Laborat\u00f3rio Qu\u00edmico Pr\u00e1tico do Rio de Janeiro, o lente de Mat\u00e9ria M\u00e9dica, a Fisicatura e o Protomedicato, perante os quais eram submetidos a exames complacentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo depois de proclamada a Independ\u00eancia, os formados em Coimbra ainda reclamavam sua prioridade. Viviam da tradi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se conformavam com os diplomas expedidos no Rio de Janeiro e na Bahia. Vejamos o que a respeito dos doutores de Coimbra escreveu M. Ferreira de Mira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><strong><em>&#8220;Os graduados de Coimbra n\u00e3o se avantajavam, portanto, aos outros m\u00e9dicos que exerciam a sua profiss\u00e3o no pa\u00eds, sen\u00e3o no conhecimento dos antigos textos e nas min\u00facias e delicadezas da sua aprecia\u00e7\u00e3o; e isso n\u00e3o teria grande influ\u00eancia na pr\u00e1tica da arte de curar, nem a que tivesse seria facilmente reconhecida pela grande massa da popula\u00e7\u00e3o. Ao alcance desta ficavam, portanto, os m\u00e9dicos que tinham estudado em universidades estrangeiras ou que n\u00e3o tinham at\u00e9 seguido quaisquer cursos universit\u00e1rios e se habilitavam ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o cl\u00ednica com um exame perante o F\u00edsico-Mor. Deve tamb\u00e9m supor-se que havia quem curasse sem carta de exame.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passava-se isto antes da reforma pombalina. Entretanto, n\u00e3o faltavam m\u00e9dicos competentes em Portugal e a Universidade de Coimbra sempre gozou de merecida fama, principalmente depois de 1772.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o de Alfredo Nascimento, abalizado historiador da Academia Nacional de Medicina, as refer\u00eancias que se seguem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em><strong>&#8220;A 26 de fevereiro desse mesmo ano de 1812, creou-se o cargo de Diretor dos estudos medicos e cirurgicos no Brasil, sendo nelle provido Manoel Luiz Alves de Carvalho, medico da real camara, por cuja iniciativa se reformavam, a 1\u00ba de abril de 1813, o curso desta capital, e, a 29 de dezembro de 1815, o da Bahia, dando-se-lhes maior desenvolvimento. Apezar disto, os diplomas conferidos n\u00e3o correspondiam aos obtidos em Coimbra; e, continuando insuficientes os que assim se diplomavam, prosseguiu-se na concess\u00e3o de licen\u00e7a aos pr\u00e1ticos que se habilitassem perante as autoridades sanit\u00e1rias. Ora, estas eram outra vez representadas pelo Fisico-m\u00f3r, restabelecidos por decreto de 27 de fevereiro de 1808 com a conseq\u00fcente extin\u00e7\u00e3o, a 7 de janeiro do ano seguinte, da Real Junta do Protomedicato. Para o primeiro cargo f\u00f4ra nomeado Manoel Vieira da Silva, futuro Bar\u00e3o de Alvaiz\u00e9re, e para o segundo o mesmo Jos\u00e9 Corr\u00eaa Pican\u00e7o, agraciado mais tarde com o t\u00edtulo de Bar\u00e3o de Goyana.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do Brasil, falou-se na import\u00e2ncia do <strong>botic\u00e1rio Francisco de Paula Pires ou Peres<\/strong>, pouco antes da Independ\u00eancia; mas nada foi encontrado, at\u00e9 agora, que justificasse a fama que lhe deram. Quanto ao <strong>botic\u00e1rio Jos\u00e9 Caetano de Barros <\/strong>que, segundo <strong>Jos\u00e9 Ramos Bandeira<\/strong>, fora disc\u00edpulo do c\u00e9lebre <strong>Thom\u00e9 Rodrigues Sobral<\/strong>, \u00e9 fato incontest\u00e1vel que ensinou qu\u00edmica em sua botica do Rio de Janeiro. Mas <strong>Oliveira Lima <\/strong>tinha absoluta raz\u00e3o, quando afirmava:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em><strong>&#8220;O mais grave, era o lado espiritual, a for\u00e7osa eleva\u00e7\u00e3o de um meio onde a aus\u00eancia do sentimento de respeitabilidade c\u00edvica tinha determinado uma verdadeira anarquia moral.<\/strong><\/em>&#8220;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O doutor <strong>Jos\u00e9 Francisco Xavier Sigaud<\/strong>, como presidente da Sociedade de Medicina, leu um trabalho na sess\u00e3o de 25 de fevereiro de 1832, que denominou de Discurso Sobre o Estado Atual da Farm\u00e1cia no Rio de Janeiro e que, em folheto, chegou at\u00e9 nossos dias. Encontramos o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><strong><em>&#8220;O ensino da Farmacia na Capital do Imperio data da funda\u00e7\u00e3o da Academia Medico-Cirurgica. N\u00e3o sei se existiu antes algum lente ou Professor regio incumbido de ensinar este ramo da ciencia medica. Cumpre dizer que foi na epoca desta funda\u00e7\u00e3o, que o ensino da Farmacia tomou uma ordem regular. Sem duvida seria curioso observar seus primeiros vestigios no ber\u00e7o, acompanha-los no seu desenvolvimento, mas, Gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o sou o historiador, nem o Secretario, e nem mesmo o arquivista dessa Academia.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Querem mais clareza? Seria poss\u00edvel admitir que um dos fundadores da Sociedade de Medicina de 1829, ignorasse a situa\u00e7\u00e3o exata da Farm\u00e1cia na Capital do Imp\u00e9rio? Estamos em face dos depoimentos precisos, que n\u00e3o podem ser alterados pela imagina\u00e7\u00e3o dos modernos historiadores. Por mais estranho que pare\u00e7a, os trabalhos de pesquisas hist\u00f3ricas e de restabelecimento dos valores de nossa Farm\u00e1cia, que o <strong>Dr. J. Coriolano de Carvalho<\/strong> publicou, n\u00e3o convenceram as nossas elites de que a Hist\u00f3ria exige provas e de que devemos edificar um monumento s\u00f3lido para as novas gera\u00e7\u00f5es. Quem seria o primeiro professor da Farm\u00e1cia no Rio de Janeiro, sobre o qual escreveram tantas lendas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro professor de Farm\u00e1cia no Rio de Janeiro chamava-se Jos\u00e9 Maria Bomtempo. Nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1774 e faleceu no Rio de Janeiro em 2 de janeiro de 1843 como brasileiro, porque adotou a Constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio. Afamado historiador escreveu ao <strong>Dr. Coriolano de Carvalho<\/strong>, em certa ocasi\u00e3o, dizendo que os ossos de Bomtempo estavam numa urna de jacarand\u00e1 no Convento da Ordem do Ter\u00e7o, \u00e0 rua dos Passos. Qual n\u00e3o foi a decep\u00e7\u00e3o do ilustre historiador Dr. Carvalho, quando o Superior da Ordem me informou n\u00e3o ser exata a not\u00edcia, pelo motivo muito simples de Bomtempo n\u00e3o fazer parte da Ordem. Como esta, outras lendas correm pelo Brasil a respeito do nosso passado. Depois de muito rebuscar, constatou-se que <strong>Lu\u00eds Vicente de Simoni<\/strong>, secret\u00e1rio geral da Academia Imperial de Medicina havia pronunciado um discurso no claustro sepulcral de S\u00e3o Francisco de Paula, quando do sepultamento de Bomtempo. Carvalho correu \u00e0 igreja de S\u00e3o Francisco de Paula e mostraram-lhe o relat\u00f3rio da <strong>Vener\u00e1vel Ordem Terceira dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Francisco de Paula<\/strong>, de 1892 a 1897, apresentado pelo irm\u00e3o corretor Visconde de Duprat. L\u00e1, estava a verdade. Bomtempo, como irm\u00e3o, fora enterrado nas catacumbas da Igreja de S\u00e3o Francisco de Paula, de onde, mais tarde, foi trasladado para o cemit\u00e9rio de S\u00e3o Francisco de Paula. Infelizmente, s\u00f3 depois do <strong>Congresso Farmac\u00eautico de La Habana <\/strong>\u00e9 que Carvalho descobriu o erro cometido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bomtempo nada tinha de botic\u00e1rio. Formado em Coimbra, foi nomeado F\u00edsico-Mor em Angola e Juiz Comiss\u00e1rio do Protomedicato at\u00e9 1808. M\u00e9dico da Real C\u00e2mara, fidalgo da Casa Real e titular da Academia Imperial de Medicina, lente de Mat\u00e9ria M\u00e9dica e Farm\u00e1cia, seu elogio f\u00fanebre foi feito pelo doutor Jos\u00e9 Mariano de Noronha Feital. Segundo o depoimento pessoal do doutor <strong>Alfredo Nascimento<\/strong>, a esposa do doutor Bomtempo chamava-se Rosa Maria da Silveira Bomtempo. O m\u00e9dico ilustre, que exerceu tanta influ\u00eancia no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, publicou os seguintes trabalhos:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\">Comp\u00eandios de Mat\u00e9ria M\u00e9dica. Rio de Janeiro, 1814.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Esbo\u00e7o de um sistema de medicina pr\u00e1tica.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Exposi\u00e7\u00e3o ao respeit\u00e1vel p\u00fablico.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Mem\u00f3rias sobre algumas enfermidades do Rio de Janeiro.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Trabalhos m\u00e9dicos oferecidos \u00e0 Majestade do Senhor D. Pedro I, Imperador do Brasil.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Regulamento interino para a fisicatura-m\u00f3r do Imp\u00e9rio do Brasil.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Plano interino para os exerc\u00edcios da Academia M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Rio de Janeiro.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, este m\u00e9dico de valor, autor do primeiro livro de Mat\u00e9ria M\u00e9dica publicado no Brasil, n\u00e3o se preocupava com o futuro de nossa farm\u00e1cia e por isso foi irregular e rudimentar. Nele predominou sempre a preocupa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. O que se n\u00e3o justifica, por\u00e9m, \u00e9 a indiferen\u00e7a com que as elites farmac\u00eauticas citam absurdos sobre o primeiro professor de Farm\u00e1cia no Rio de Janeiro e nem procuraram conhecer o seu retrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vinda da Fam\u00edlia Real portuguesa, juntamente com toda sua corte ao Brasil, covardemente refugiada ap\u00f3s sua expuls\u00e3o de Portugal pelas tropas de Napole\u00e3o Bonaparte, todavia, iria modificar este estado de coisas e eis que a 2 de abril de &hellip; <a href=\"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6238\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6238"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29872,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6238\/revisions\/29872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}