{"id":6163,"date":"2009-10-21T09:34:45","date_gmt":"2009-10-21T12:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6163"},"modified":"2025-08-23T00:38:37","modified_gmt":"2025-08-23T00:38:37","slug":"louis-pasteur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6163","title":{"rendered":"Louis Pasteur"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Louis Pasteur,<\/strong> um dos grandes revolucion\u00e1rios das <strong>ci\u00eancias biol\u00f3gicas<\/strong>, nasceu em 1822 numa cidadezinha do leste da Fran\u00e7a chamada <strong>D\u00f4le<\/strong>. Seu pai era um curtidor que gostava muito de seu of\u00edcio de tal forma que desde cedo planejou a carreira do filho no mesmo ramo de peles de couros. Assim, quando Louis atingiu a idade escolar, o velho Pasteur mudou-se com a fam\u00edlia para a cidade de <strong>Arbois<\/strong> e ali alugou um curtume. T\u00e3o logo o filho terminasse os estudos prim\u00e1rios, seria iniciado nos mist\u00e9rios da arte de curtir.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_0_placeholderSem saber que j\u00e1 estava com seu futuro todo planejado, Louis foi para a escola. N\u00e3o se revelou aluno brilhante, mas cumpria seus deveres com tanta dedica\u00e7\u00e3o que o diretor da escola aconselhou seu pai a abandonar o projeto de fazer dele um artes\u00e3o: achava que valia a pena estimular o menino a cursar uma escola superior. E foi assim que um belo dia <strong>Louis Pasteur<\/strong> foi para Paris para estudar. A condi\u00e7\u00e3o de estudante lhe agradava e a cidade tamb\u00e9m, mas n\u00e3o conseguiria viver longe da fam\u00edlia: ao fim de algum tempo, a saudade venceu, e ele retornou a <strong>Arbois<\/strong>, interrompendo os estudos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a temporada em Paris fez com que <strong>Arbois <\/strong>parecesse a Pasteur muito pequena e acanhada. <strong>Besan\u00e7on<\/strong>, situada a 40 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia oferecia maiores possibilidades, com a vantagem de permitir-lhe manter o contato com os seus. Para l\u00e1 seguiu Pasteur.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matriculado no Col\u00e9gio Real, completou o curso de <strong>Letras <\/strong>em 1840, mas n\u00e3o demorou a concluir que o bacharelado e o cargo de professor de Col\u00e9gio n\u00e3o eram exatamente o que pretendia da vida. Da\u00ed sua decis\u00e3o: retomar os estudos e fazer um curso de <strong>Ci\u00eancias<\/strong>. Dois anos depois, j\u00e1 com o novo diploma em punho, foi outra vez a Paris, a fim de se especializar em qu\u00edmica na <strong>Escola Normal Superior,<\/strong> uma das mais famosas Universidades Francesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais dois anos e um avan\u00e7o importante: o universit\u00e1rio Pasteur torna-se <strong>doutor em ci\u00eancias<\/strong> e passa a trabalhar como assistente de <strong>Antonie Jerome Balard <\/strong>(1802-1876), grande qu\u00edmico da \u00e9poca, iniciando a carreira cient\u00edfica que celebrizaria seu nome no mundo inteiro.<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Pasteur, o ano de 1849 marcou dois acontecimentos importantes: seu casamento com <strong>Marie Laurent<\/strong> e sua nomea\u00e7\u00e3o para a supl\u00eancia da c\u00e1tedra de qu\u00edmica da Universidade de Estrasburgo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1854, com apenas 32 anos de idade, Pasteur deixou Estrasburgo para subir mais um degrau: assumiu a reitoria da <strong>Faculdade de Ci\u00eancias de Lille<\/strong>. Havia nessa cidade uma ind\u00fastria que vivia em apuros porque, durante o processo de fermenta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar de beterraba, freq\u00fcentemente se originava \u00e1cido l\u00e1ctico em vez de \u00e1lcool. E, enquanto o \u00e1lcool valia bom pre\u00e7o, o \u00e1cido l\u00e1ctico era praticamente in\u00fatil. Ningu\u00e9m entendia o que levava o a\u00e7\u00facar a &#8220;<strong><em>desandar&#8221;<\/em><\/strong> e o problema foi trazido a Pasteur, que come\u00e7ou a pesquisar o assunto. Ao mesmo tempo estudava a fermenta\u00e7\u00e3o do vinho e da cerveja. E as descobertas n\u00e3o demoraram. A fermenta\u00e7\u00e3o era causada por organismos microsc\u00f3picos que vivem nos l\u00edquidos. Examinando amostras de fermenta\u00e7\u00e3o normal de cerveja, Pasteur notou que os organismos que ali apareciam eram de formato esf\u00e9rico, enquanto na fermenta\u00e7\u00e3o <strong><em>&#8220;degenerada&#8221;<\/em><\/strong> os corp\u00fasculos tinham a forma de bastonetes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_1_placeholder\u00c9 claro que no decorrer dessas pesquisas Pasteur se interessou em saber se os min\u00fasculos seres eram encontrados permanentemente na atmosfera ou se eram gerados espontaneamente. E ent\u00e3o fez uma s\u00e9rie de experi\u00eancias, as quais lhe mostraram que, impedindo-se a entrada de micr\u00f3bios num recipiente contendo l\u00edquido n\u00e3o contaminado e enriquecido, como um caldo, este permanecia puro e se conservava por muito tempo. Logo, os microrganismos que causavam a fermenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se geraram espontaneamente, como se acreditava em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa foi a grande, se n\u00e3o a maior, contribui\u00e7\u00e3o de Pasteur as ci\u00eancias, pois atrav\u00e9s da c\u00e9lebre experi\u00eancia do frasco com pesco\u00e7o de cisne ele jogou por terra toda a teoria da gera\u00e7\u00e3o expont\u00e2nea defendida com unhas e dentes por renomados <strong>m\u00e9dicos,<\/strong> todo o <strong>clero<\/strong> e at\u00e9 muitos cientistas. Com essa experi\u00eancia do <strong><em>pesco\u00e7o de cisne<\/em><\/strong> ele descobriu mais: para combater os microrganismos bastava usar o calor, aquecendo os l\u00edquidos a uma certa temperatura. O processo de conserva\u00e7\u00e3o de alimentos que se tornou conhecido com o nome de <strong>Pasteuriza\u00e7\u00e3o<\/strong> foi aperfei\u00e7oado a partir dessas experi\u00eancias sobre a fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pasteur tornou-se conhecido como maior qu\u00edmico de sua \u00e9poca; em 1862, foi eleito membro da <strong>Academia Francesa de Ci\u00eancias<\/strong> e em 1863 passou a ensinar tamb\u00e9m f\u00edsica e geologia na Escola de Belas Artes. Em 1865, quando uma praga devastou as cria\u00e7\u00f5es de bicho-da-seda no Sul da Fran\u00e7a, o cientista foi enviado em miss\u00e3o oficial para solucionar o problema. Ap\u00f3s tr\u00eas anos isolou os microorganismos respons\u00e1veis pela doen\u00e7a e conseguiu desenvolver um sistema para evitar o cont\u00e1gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convencido de que as mol\u00e9stias infecciosas deviam ser provocadas por micr\u00f3bios, Pasteur come\u00e7ou a pesquisar a respeito com tanto afinco, que nem o fato de estar parcialmente paral\u00edtico desde 1868 o afastou do trabalho. Em 1881, finalmente, viu a confirma\u00e7\u00e3o de sua teoria: isolou o micr\u00f3bio de uma doen\u00e7a do gado bovino &#8211; o <strong>carb\u00fanculo<\/strong>. Com a colabora\u00e7\u00e3o de <strong>Pierre Paul Emile Roux <\/strong>e <strong>Charles E. Chamberland<\/strong> &#8211; outros dois grandes bacteriologistas franceses &#8211; criou uma vacina imunizante, cuja efic\u00e1cia lhe trouxe a gratid\u00e3o dos pecuaristas de toda a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolvido o problema do carb\u00fanculo, Pasteur se prop\u00f4s um novo desafio: derrotar a <strong>hidrofobia <\/strong>ou &#8220;<strong>raiva&#8221;<\/strong>. N\u00e3o existia na \u00e9poca nenhum meio de evitar a morte das pessoas e animais mordidos por c\u00e3es raivosos, e o cientista resolveu procur\u00e1-lo. Primeiro, injetou a saliva de animais contaminados em outros sadios, observando que o v\u00edrus se estabelecia nos centros nervosos. Depois extraiu material da medula de c\u00e3es hidr\u00f3fobos e inoculou-o em animais sadios. Resultado: estes tamb\u00e9m ficavam raivosos. Pasteur viu que estava no caminho certo. Submetendo o tecido medular de animais doentes a um tratamento especial de dessecamento por meio de calor, conseguiu atenuar bastante o grau de virul\u00eancia da subst\u00e2ncia. Ent\u00e3o, preparou com ela uma solu\u00e7\u00e3o que foi aplicada em c\u00e3es e coelhos. Estes ficaram perfeitamente imunizados e resistiram a todas as tentativas de cont\u00e1gio por meio de saliva de c\u00e3es hidr\u00f3fobos. A vacina contra a raiva estava criada. Faltava apenas test\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ocasi\u00e3o veio logo: no dia 6 de julho de 1885, um menino de 9 anos foi trazido por seu pai ao laborat\u00f3rio de Pasteur. Fora mordido por um c\u00e3o raivoso tr\u00eas dias antes e agora tinha a vida por um fio. Em vista disso, Pasteur n\u00e3o hesitou em aplicar-lhe sua vacina. O sucesso foi absoluto: o menino n\u00e3o adquiriu a mol\u00e9stia. J\u00e1 grande, o prest\u00edgio do cientista ficou maior ainda. Foi lan\u00e7ada uma subscri\u00e7\u00e3o para realizar o seu grande sonho: um centro de pesquisas inteiramente dedicado ao estudo de doen\u00e7as infecciosas. O projeto foi levado avante e, em 1888, o incans\u00e1vel pesquisador assistiu \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o do instituto que recebeu seu nome. Gra\u00e7as aos estudos de Pasteur e, posteriormente aos trabalhos realizados no Instituto Pasteur, a hidrofobia reduziu-se praticamente a uma lembran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1895 o grande e incans\u00e1vel <strong>Louis Pasteur<\/strong> passou ao Oriente Eterno, deixando a vida para entrar para a hist\u00f3ria como uma das mais belas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria das ci\u00eancias. Um detalhe curioso acerca deste baluarte das ci\u00eancias \u00e9 o fato de que ele era diplomado em <strong>letras <\/strong>e em <strong>ci\u00eancias <\/strong>e n\u00e3o em <strong>medicina<\/strong> como muitos querem lhe designar, especialmente a classe m\u00e9dica que tenta atrair para si os m\u00e9ritos de cientistas de outras classes profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Louis Pasteur, um dos grandes revolucion\u00e1rios das ci\u00eancias biol\u00f3gicas, nasceu em 1822 numa cidadezinha do leste da Fran\u00e7a chamada D\u00f4le. Seu pai era um curtidor que gostava muito de seu of\u00edcio de tal forma que desde cedo planejou a carreira &hellip; <a href=\"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6163\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6163"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6163\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29880,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6163\/revisions\/29880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}