{"id":6057,"date":"2009-10-20T19:18:02","date_gmt":"2009-10-20T22:18:02","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6057"},"modified":"2025-08-23T00:38:40","modified_gmt":"2025-08-23T00:38:40","slug":"a-alquimia-medieval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6057","title":{"rendered":"A Alquimia medieval"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><!--more-->ngg_shortcode_0_placeholderALQUIMIA vem de &#8220;AL&#8221;, do \u00c1rabe e de &#8220;KYMEIA&#8221; do Grego e significa fus\u00e3o ou mistura e sua principal meta era a transforma\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias por processos qu\u00edmicos e a transmuta\u00e7\u00e3o dos metais. Encerrados em seus sombrios laborat\u00f3rios, os alquimistas praticavam uma &#8220;ci\u00eancia&#8221; que pretendia concretizar os anseios fundamentais dos homens:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\"><strong><em>&#8220;Os que se encontram na mis\u00e9ria, n\u00e3o se desesperem, porque conseguiremos, um dia, transformar o metal mais comum em ouro; nem esmore\u00e7am os velhos e doentes: em breve bastar\u00e1 um pouco do nosso \u2018elixir da longa vida\u2019 para lhes devolver a juventude e o vigor. Tudo isso ser\u00e1 poss\u00edvel, quando descobrirmos a \u2018pedra filosofal\u2019, esta subst\u00e2ncia miraculosa capaz de provocar toda sorte de transforma\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com estas cren\u00e7as e com suas experi\u00eancias os alquimistas abriram os caminhos que, com o passar do tempo, conduziram \u00e0 Ci\u00eancia dos nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Alquimia foi praticada desde a mais remota antig\u00fcidade. Com efeito, a transforma\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias por processos qu\u00edmicos j\u00e1 fazia parte dos conhecimentos legados pelas civiliza\u00e7\u00f5es arcaicas da China e \u00cdndia aos imp\u00e9rios Persa e Eg\u00edpcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os eg\u00edpcios a utilizavam para efeitos pr\u00e1ticos como curtir couro, preparar ligas de metais comuns, fabricar corantes e cosm\u00e9ticos, os persas se interessaram por esse novo tipo de conhecimento e o difundiram entre os povos que conquistaram. Atrav\u00e9s deles chegou a alquimia \u00e0 Gr\u00e9cia, onde foi incorporada aos conhecimentos te\u00f3ricos dos gregos sobre os mist\u00e9rios da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_1_placeholderContudo, o grande centro alquimista da antig\u00fcidade foi a cidade de Alexandria no Egito. Nela se deu a fus\u00e3o entre as pr\u00e1ticas eg\u00edpcias e as teorias gregas, mais tarde desenvolvida pelos \u00e1rabes que dominaram a cidade em 642d.C.. Dos \u00c1rabes conquistadores, nasceu um dos maiores alquimistas de todos os tempos &#8211; JABIR IBN HAYYAN<span style=\"font-family: Algerian;\">, <\/span>nascido em 721 e falecido em 813d. C., conhecido na Europa como GEBER<span style=\"font-family: Algerian;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_2_placeholderNo in\u00edcio do s\u00e9culo VIII, quando os \u00e1rabes chegaram \u00e0 Espanha, levaram consigo toda a sua sabedoria e, atrav\u00e9s das universidades mouras de C\u00f3rodoba, Barcelona e Toledo, a alquimia foi difundida por toda a Europa, onde alcan\u00e7ou um desenvolvimento sem precedentes. Tanto assim, que os s\u00e9culos XV e XVI foram a <strong><em>idade do ouro<\/em> <\/strong>dessa atividade precursora da Ci\u00eancia. Muitos estudiosos se dedicaram \u00e0 sua pr\u00e1tica, mas ela foi tamb\u00e9m um campo aberto para charlat\u00f5es e curandeiros que iludiam os ing\u00eanuos com promessas de fortuna, sa\u00fade e vida eterna. At\u00e9 que a lucidez e objetividade dos pensadores da Renascen\u00e7a come\u00e7aram a duvidar dos elixires e da decantada &#8220;Pedra Filosofal&#8221;. Pois, na realidade, ela jamais fora encontrada e, portanto, n\u00e3o se conseguira transformar nenhum metal em ouro. Entretanto, dessas pesquisas malogradas a humanidade p\u00f4de usufruir muitos benef\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teoria do Arist\u00f3teles, fil\u00f3sofo grego que viveu no s\u00e9culo IV a. D., de que as subst\u00e2ncias eram compostas dos quatro elementos fundamentais, a terra, o fogo, o ar e a \u00e1gua, foi a id\u00e9ia b\u00e1sica da alquimia. Assim, uma subst\u00e2ncia se distingue da outra pelas diferentes propor\u00e7\u00f5es que cont\u00e9m desses elementos ou outros introduzidos mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_3_placeholderPara Geber, todos os metais seriam formados apenas de merc\u00fario e enxofre, sendo que desses elementos se deveriam extrair as <strong><em>ess\u00eancias<\/em> <\/strong>que transformariam todo o metal em &#8220;ouro mais puro que o das minas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Admitindo que todas as subst\u00e2ncias t\u00eam uma \u00fanica raiz, parecia poss\u00edvel, para os alquimistas, transformar os corpos, entre os quais os metais, em ouro. Este \u00e9 o s\u00edmbolo do sol, da luz, do poder criativo, da revela\u00e7\u00e3o divina. O ouro \u00e9 um sinal concreto da for\u00e7a que serve para comprar a gl\u00f3ria e a felicidade neste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca por um solvente universal &#8211; o <strong><em>&#8220;Alkahest&#8221;<\/em> <\/strong>&#8211; foi tamb\u00e9m uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos alquimistas, embora eles n\u00e3o soubessem responder em que recipiente poderiam colocar uma subst\u00e2ncia que dissolveria tudo. Por outro lado, acreditando na influ\u00eancia dos astros sobre os homens, admitiam que eles tamb\u00e9m influenciariam e transformariam os metais. Por isso, a cada metal, faziam corresponder um astro: <strong><em>ouro = Sol; prata = Lua; cobre = V\u00eanus; chumbo = Saturno; ferro = Marte; estanho = J\u00fapiter; merc\u00fario = Merc\u00fario. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas e outra cren\u00e7as guiaram os alquimistas atrav\u00e9s dos s\u00e9culos na esperan\u00e7a de atingir, em seus laborat\u00f3rios, os segredos fundamentais do universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Idade M\u00e9dia, o laborat\u00f3rio de um alquimista era um vast\u00edssimo sal\u00e3o muito escuro com v\u00e1rias mesas cobertas de tubos, filtros, funis, retortas, ampolas de v\u00e1rios tamanhos. No centro da sala havia uma ampla estufa atulhada de recipientes de formatos esquisitos, cheios de subst\u00e2ncias malcheirosas. Nas paredes, v\u00e1rias estantes com numerosos frascos hermeticamente fechados. Seus r\u00f3tulos indicavam os nomes das subst\u00e2ncias t\u00e3o bem guardadas: <strong><em>&#8220;Lua &#8211; vermelha&#8221;, &#8220;Aquiles de cobre&#8221;, &#8220;Asterita&#8221;&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pe\u00e7a mais importante desse estranho equipamento seria provavelmente a fornalha ou caldeira, onde o alquimista colocava o cadinho no qual queimava ou &#8220;calcinava&#8221; os min\u00e9rios. Na fornalha, chamada <strong><em>atanor<\/em><\/strong>, as subst\u00e2ncias eram aquecidas utilizando-se tr\u00eas tipos de calor: o <strong><em>fogo \u00famido<\/em><\/strong>, ou banho-maria, o <strong><em>fogo sobrenatural<\/em><\/strong>, obtido adicionado-se \u00e0 chama um \u00e1cido qualquer, e o <strong><em>fogo natural<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fornalha tamb\u00e9m servia para destila\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos que ferviam em vasilhas chamadas alambiques, com detalhes engenhosos e em cujos cabe\u00e7otes (<strong><em>kerotakis<\/em><\/strong><em>)<\/em> se dava a condensa\u00e7\u00e3o do vapor. A preciosa subst\u00e2ncia destilada caia gota-a-gota num recipiente, o <strong><em>pelicano<\/em><\/strong>, formado de dois tubos que depois se uniam, onde os l\u00edquidos destilados circulavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes aparelhos muitas experi\u00eancias foram feitas na esperan\u00e7a de se conseguir a sonhada transforma\u00e7\u00e3o dos metais em ouro. Considerava-se que o primeiro est\u00e1gio dessa transforma\u00e7\u00e3o era a obten\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia de cor preta, que conseguiam misturando chumbo e cobre no <strong><em>kerotakis<\/em> <\/strong>e adicionando enxofre para produzir vapor. Teoricamente, a colora\u00e7\u00e3o preta ou <strong><em>melanosis<\/em><\/strong> da subst\u00e2ncia deveria ser seguida da colora\u00e7\u00e3o branca ou <strong><em>leukosis<\/em><\/strong>, depois <strong><em>xantosis<\/em> <\/strong>ou colora\u00e7\u00e3o amarela e, num est\u00e1gio muito avan\u00e7ado, de <strong><em>iosis<\/em> <\/strong>ou colora\u00e7\u00e3o roxa. Um bom alquimista deveria usar tamb\u00e9m o pil\u00e3o para triturar os min\u00e9rios e reduzi-los a p\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de toda a aparelhagem, sobressaem os grossos livros, empilhados a esmo, que numa <strong><em>esot\u00e9rica<\/em> <\/strong>e <strong><em>simb\u00f3lica <\/em><\/strong>linguagem registravam as f\u00f3rmulas e receitas que custaram aos alquimistas tantas medita\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ngg_shortcode_4_placeholder<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6057"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30960,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6057\/revisions\/30960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}