{"id":6024,"date":"2009-10-20T13:07:25","date_gmt":"2009-10-20T16:07:25","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6024"},"modified":"2022-02-15T03:28:19","modified_gmt":"2022-02-15T03:28:19","slug":"as-cruzadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=6024","title":{"rendered":"As Cruzadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Durante os s\u00e9culos VII, VIII e IX os \u00e1rabes eram donos da Terra Santa, ou seja, a Palestina, onde ficam os lugares onde nasceu, viveu e morreu Jesus Cristo. Os \u00e1rabes, apesar de islamitas n\u00e3o criavam embara\u00e7os \u00e0s visitas dos crist\u00e3os a seus lugares santos. Anualmente, milhares de crist\u00e3os europeus seguiam em peregrina\u00e7\u00e3o para a Palestina e de l\u00e1 voltavam sem serem molestados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 1078 os turcos seldj\u00facidas, convertidos ao islamismo, tornam-se donos da Terra Santa. Ao contr\u00e1rio dos \u00e1rabes, eram intolerantes e fan\u00e1ticos e passam a maltratar os peregrinos crist\u00e3os. Tal fato \u00e9 narrado na Europa por v\u00e1rios sobreviventes que voltavam da Palestina, em especial por um frade, Pedro, o Eremita. Ele passa a percorrer a Europa, pregando a necessidade de libertar os lugares santos, dos turcos intolerantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Papa Urbano II, ap\u00f3s o conc\u00edlio de Clermont, exorta os nobres e o povo crist\u00e3o para formarem poderoso ex\u00e9rcito de liberta\u00e7\u00e3o da Terra Santa. Tal obra exigia tempo e prepara\u00e7\u00e3o. Os mais impacientes n\u00e3o quiseram esperar e lan\u00e7aram-se, juntamente com Pedro, o Eremita, em uma vanguarda totalmente desorganizada. Seu fim foi tr\u00e1gico, tendo todos perecido em combate e doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Cruzada saiu da Europa em 1096. Era formada por 1 milh\u00e3o de pessoas, 400 mil das quais combatentes. Partindo da Fran\u00e7a, atravessou a Europa Oriental chegando a Constantinopla. A seguir sitiou a poderosa cidade de Anti\u00f3quia, que caiu, ap\u00f3s um cerco de 8 meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s dif\u00edcil vit\u00f3ria contra os turcos, esgotados, famintos e sedentos, reduzidos a pouco mais de 40 mil soldados, os crist\u00e3os avistam Jerusal\u00e9m. Caem de joelhos. Muitos choram de contentamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a tomada de Jerusal\u00e9m foi dura. Sem \u00e1gua, sem v\u00edveres e reduzidos em n\u00famero, os crist\u00e3os combatem rua a rua, casa a casa. O sangue chega a atingir o tornozelo dos lutadores, tal a carnificina. Morrem 10 mil soldados crist\u00e3os, mas a cidade \u00e9 conquistada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cruzados resolvem estabelecer um reino em Jerusal\u00e9m. \u00c9 escolhido para chefi\u00e1-lo Godofredo de Bulh\u00e3o, que recusa o t\u00edtulo de rei, mas aceita o de duque, defensor da Terra Santa. A cidade foi tomada pelos crist\u00e3os numa 6.\u00aa<strong> <\/strong>feira, exatamente \u00e0 hora da morte de Cristo (15-7-1099).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os turcos, por\u00e9m, n\u00e3o saem das vizinhan\u00e7as, buscando uma oportunidade para retomar a cidade. \u00c9 o que ocorre anos ap\u00f3s (1187). Nessa campanha brilha o famoso sult\u00e3o Saladino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ngg_shortcode_0_placeholderExpulsos da Terra Santa, os crist\u00e3os tentam organizar novas Cruzadas. Merece men\u00e7\u00e3o a terceira, chefiada pelos reis Lu\u00eds e Filipe da Fran\u00e7a, Ricardo Cora\u00e7\u00e3o-de-Le\u00e3o, da Inglaterra e Frederico Barba-Roxa, Imperador da Alemanha. Este \u00faltimo morreu afogado num rio da \u00c1sia Menor. Caiu do cavalo dentro de um c\u00f3rrego e devido ao peso da armadura, acabou morrendo afogado em meio metro de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois outros chefes sitiam a fortaleza de S\u00e3o Jo\u00e3o D\u2019Acre. Tanto tempo durou esse s\u00edtio que chegou a estabelecer-se uma tr\u00e9gua amistosa entre Saladino e seus rivais que trataram diplomaticamente do problema militar, sem a crueldade das batalhas anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quarta Cruzada, embora com os mesmos objetivos das anteriores, desviou sua rota e tomou Constantinopla. Os venezianos que dela participaram tinham em vista o importante local para garantir uma rota comercial. No futuro, ela lhes seria muito \u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A S\u00e9tima Cruzada foi chefiada pelo piedoso rei Lu\u00eds IX, da Fran\u00e7a (S\u00e3o Lu\u00eds). Seu destino foi o Egito, onde o rei franc\u00eas caiu prisioneiro. Libertado, atrav\u00e9s de elevado resgate, Lu\u00eds IX partiu para a Palestina, onde ficou famoso pela sua piedade. Mais tarde, chefia a oitava e \u00faltima Cruzada contra Tunis, onde morre de peste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal objetivo declarado das Cruzadas n\u00e3o foi alcan\u00e7ado (a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina). Os turcos foram os vencedores dos crist\u00e3os e de l\u00e1 s\u00f3 sa\u00edram por outras raz\u00f5es. Entretanto, as Cruzadas deixaram conseq\u00fc\u00eancias not\u00e1veis no campo cient\u00edfico, cultural, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social. Gra\u00e7as a elas os povos do Oriente transmitiram aos crist\u00e3os do Ocidente muitos ensinamentos. Possibilitaram-lhes dar um gigantesco passo \u00e0 frente, nos s\u00e9culos seguintes, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade Moderna.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">A Cruz Contra o Crescente<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os s\u00e9culos XI, XII e XIII ocorreram na Europa e no Oriente Pr\u00f3ximo v\u00e1rias lutas entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. Essas lutas, travadas por expedi\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os contra for\u00e7as islamitas, tanto no Oriente Pr\u00f3ximo como na \u00c1frica, receberam o nome de Cruzadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As causas das Cruzadas foram v\u00e1rias. Apesar de; em primeiro plano, estar o pretexto da liberta\u00e7\u00e3o dos lugares sagrados, na Terra Santa, outros fatores concorreram para levar milhares de europeus ao distante Oriente, a maioria dos quais para uma viagem sem volta. Entre as causas das Cruzadas podemos citar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Symbol;\">\u00b7<\/span> <strong>o fervor religioso reinante na \u00e9poca<\/strong> &#8211; agu\u00e7ado pela prega\u00e7\u00e3o de monges como Pedro, o Eremita. Ele narrava, a multid\u00f5es revoltadas, os maus tratos sofridos pelos peregrinos crist\u00e3os \u00e0 Palestina, dominada pelos turcos seldj\u00facidas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Symbol;\">\u00b7<\/span> <strong>a hostilidade existente entre as comunidades crist\u00e3s e islamitas<\/strong> &#8211; ambas preocupadas em fazer pros\u00e9litos e expandir o n\u00famero de fi\u00e9is, universalizando-se. O choque entre eles dificilmente poderia ser evitado;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Symbol;\">\u00b7<\/span> <strong>o desejo e interesse dos papas de estender sua influ\u00eancia na \u00e1rea do Imp\u00e9rio do Oriente<\/strong> &#8211; onde vicejava outra forma de catolicismo n\u00e3o romano;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Symbol;\">\u00b7<\/span> <strong>o esp\u00edrito aventureiro<\/strong> &#8211; pr\u00f3prio da \u00e9poca de ouro do feudalismo. Predominava entre os altos senhores feudais e os humildes servos da gleba o mesmo amor \u00e0 aventura e o sentimento rom\u00e2ntico da luta por um ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para essas expedi\u00e7\u00f5es, nem sempre bem sucedidas, a Igreja Cat\u00f3lica dava seu pleno aval. O pr\u00f3prio Papa Urbano II (que pregou a primeira Cruzada) prometia o perd\u00e3o dos pecados e a eterna bem-aventuran\u00e7a a favor dos que dela participassem: &#8220;V\u00f3s, os que haveis praticado fratric\u00eddio, v\u00f3s, os que haveis tomado as armas contra vossos pr\u00f3prios pais, v\u00f3s, que haveis matado por dinheiro e haveis roubado a propriedade alheia, v\u00f3s, que haveis arruinado vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os, buscai agora a salva\u00e7\u00e3o em Jerusal\u00e9m. Se \u00e9 que quereis as vossas pr\u00f3prias almas, livrai-as da culpa de vossos pecados, que assim o quer Deus&#8230;&#8221;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Resenha das Campanhas dos Cruzados<\/h4>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>FRACASSO MILITAR<\/strong> &#8211; Do ponto de vista militar, as Cruzadas s\u00e3o consideradas um fracasso. Milhares de vidas foram sacrificadas, sem que os objetivos fundamentais (a conquista dos lugares santos) fossem alcan\u00e7ados.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSEQ\u00dc\u00caNCIAS SOCIAIS <\/strong>&#8211; As cruzadas foram de extraordin\u00e1ria influ\u00eancia nas transforma\u00e7\u00f5es sociais ocorridas na Europa. A morte de milhares de grandes senhores feudais e o empobrecimento dos sobreviventes levaram ao aumento do poder real e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das monarquias fortes. Isso caracterizaria o Estado moderno europeu.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>CONSEQ\u00dc\u00caNCIAS RELIGIOSAS<\/strong> &#8211; A aproxima\u00e7\u00e3o for\u00e7ada entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do fanatismo inicial, que gerou as Cruzadas. O conhecimento rec\u00edproco dos povos em guerra mostrou, que nenhum deles era t\u00e3o mau como parecia a princ\u00edpio. Come\u00e7a uma Era de maior toler\u00e2ncia religiosa.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>AS CRUZADAS E A CI\u00caNCIA <\/strong>&#8211; Os crist\u00e3os aprenderam bastante nos seus contatos com os mu\u00e7ulmanos. Bastante mais desenvolvidos cientificamente, os islamitas, transmitiram aos cruzados v\u00e1rios conhecimentos: o papel, o a\u00e7\u00facar, o \u00e1lcool, o espelho de vidro, os vidros artisticamente trabalhados, o a\u00e7o de alta qualidade de suas armas, os tecidos finos e muitos outros.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>ORDENS MILITARES <\/strong>&#8211; Durante a fase das Cruzadas foram criadas v\u00e1rias Ordens militares entre as quais a dos Hospital\u00e1rios e a dos Templ\u00e1rios &#8211; a mais famosa de todas. Na realidade, esta ordem era um bra\u00e7o da Ma\u00e7onaria Medieval, que naqueles tempos era intimamente ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.\u00aa Cruzada: 1.095 &#8211; 1.099<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Pedro, o Eremita; Godofredo de Bulh\u00e3o. O primeiro grupo (de Pedro, o Eremita) foi Quase todo destro\u00e7ado, pelo seu despreparo. Godofredo de Bulh\u00e3o, ap\u00f3s her\u00f3icos sacrif\u00edcios, consegue tomar Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.\u00aa Cruzada: 1.147 &#8211; 1.149<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Lu\u00eds VII de Fran\u00e7a Conrado III da Alemanha. Mais de 150 mil crist\u00e3os s\u00e3o dizimados na \u00c1sia Menor, embora tenham alcan\u00e7ado a Palestina. Os franceses desistem da Cruzada, por fracassarem na tomada de Damasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.\u00aa Cruzada: 1.189 &#8211; 1.192<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Frederico Barba-Roxa, Filipe Augusto, Ricardo Cora\u00e7\u00e3o-de-Le\u00e3o. Ap\u00f3s in\u00fameras aventuras, a 3.\u00aa Cruzada apenas conseguiu que fosse permitida aos crist\u00e3os, desarmados e em pequenos grupos, a visita aos lugares santos de Jerusal\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.\u00aa Cruzada: 1.202 &#8211; 1.204<br \/>\n<\/strong><\/em><br \/>\n&gt; V\u00e1rios (franceses e venezianos). Os objetivos religiosos foram substitu\u00eddos por interesses comerciais. O Papa perdeu o controle da Cruzada. Os expedicion\u00e1rios fundaram o Imp\u00e9rio Latino de Constantinopla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.\u00aa Cruzada: 1.212 &#8211; 1.221<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; V\u00e1rios, entre os quais Andr\u00e9 II, rei da Hungria. Conquistou Damieta, ap\u00f3s cerco trabalhoso. Apesar disso, pouco proveito trouxe para os crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>6.\u00aa Cruzada: 1.228 &#8211; 1.229<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Frederico II (das Duas Sic\u00edlias, o mesmo que separou a medicina da farm\u00e1cia). Contou com a oposi\u00e7\u00e3o do Papa Greg\u00f3rio IX. Conseguiu tr\u00e9gua por 10 anos entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>7.\u00aa Cruzada: 1.248 &#8211; 1.254<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Lu\u00eds IX de Fran\u00e7a (S\u00e3o Lu\u00eds). Ap\u00f3s grande esfor\u00e7o para reunir cruzados, Lu\u00eds IX caiu prisioneiro dos islamitas. Para ser libertado, paga pesada indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ngg_shortcode_1_placeholder<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Lu\u00eds IX\u00a0 ou S\u00e3o Lu\u00eds<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>8.\u00aa Cruzada: 1.270<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&gt; Lu\u00eds IX de Fran\u00e7a (S\u00e3o Lu\u00eds). Ap\u00f3s recobrar a liberdade, Lu\u00eds IX come\u00e7a a organizar outra Cruzada. Desembarca em Tunis (\u00c1frica), mas logo \u00e9 atacado pela peste e morre sem ter atingido seu objetivo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">A Igreja e sua lutas na Idade M\u00e9dia<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interfer\u00eancia do feudalismo no seio da Igreja gerou crises que tiveram de ser trabalhosamente combatidas. Alguns suseranos conseguiram ascend\u00eancia sobre seus vassalos-prelados e aproveitaram-se para praticar v\u00e1rios atos atentat\u00f3rios contra os bons princ\u00edpios da f\u00e9. Entre eles estava o do com\u00e9rcio de t\u00edtulos e direitos eclesi\u00e1sticos, o da nomea\u00e7\u00e3o de pessoas n\u00e3o dotadas para cargos religiosos, a degrada\u00e7\u00e3o de costumes em conventos, contrariando as normas do viver crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra isso levantaram-se alguns not\u00e1veis vultos da Igreja, como S\u00e3o Greg\u00f3rio VII, que proibiu a qualquer leigo o direito de investir algu\u00e9m em cargos religiosos. Isso gerou s\u00e9rio conflito com o Imperador Henrique IV, que acabou sendo excomungado. Mais tarde, arrependido, Henrique IV foi em peregrina\u00e7\u00e3o a Canossa, onde vivia o Papa, sendo afinal perdoado. Tempos depois Henrique IV reagiu e atacou Roma. Greg\u00f3rio VII escapou gra\u00e7as ao aux\u00edlio dos normandos. Somente em 1122 foi solucionado o conflito, pela Concordata de Worms.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais not\u00e1vel Papa da Idade M\u00e9dia foi Inoc\u00eancio III, promotor da 4\u00aa Cruzada. Tendo morrido em 1216, deixou, como uma de suas mais importantes obras, o Conc\u00edlio de Latr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonif\u00e1cio VIII, por sua vez, envolveu-se contra o rei Filipe o Belo, em defesa do patrim\u00f4nio da Igreja. O rei, atrav\u00e9s de emiss\u00e1rios, desacatou-o e intimou-o a renunciar. Morreu em 1303. Com sua morte acentua-se o decl\u00ednio do poder pol\u00edtico (temporal) dos papas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1054 ocorreu o Cisma Grego (a separa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica Romana da Igreja do Oriente &#8211; Constantinopla). Em 1309 houve o Cisma do Ocidente &#8211; a separa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica Romana, com sede em Roma, daquela com sede em Avignon (Fran\u00e7a) onde reinou um Papa rebelde. Em 1418 o Conc\u00edlio de Constan\u00e7a restabeleceu a unidade da Igreja Ocidental, elegendo um \u00fanico Papa, sob o consenso geral.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o dos B\u00e1rbaros e o combate \u00e0s heresias<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a Idade M\u00e9dia coube \u00e0 Igreja um papel preponderante entre as institui\u00e7\u00f5es existentes. Enquanto desmoronava o poder e a organiza\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano ante a invas\u00e3o dos b\u00e1rbaros, o prest\u00edgio do Papa crescia sempre. Mesmo os b\u00e1rbaros eram quase todos crist\u00e3os, apesar de muitos serem praticantes de confiss\u00f5es n\u00e3o cat\u00f3licas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os b\u00e1rbaros haviam sido evangelizados por mission\u00e1rios, especialmente os da ordem de S\u00e3o bento. Entre os principais mission\u00e1rios que se destacaram na convers\u00e3o dos b\u00e1rbaros est\u00e3o: S\u00e3o Patr\u00edcio (Irlanda); S\u00e3o Columba (Esc\u00f3cia); S\u00e3o Columbano (Alemanha do Sul); Santo Agostinho (Inglaterra); S\u00e3o Bonif\u00e1cio (Alemanha do Centro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os b\u00e1rbaros eram a princ\u00edpio hereges, isto \u00e9, aceitavam cren\u00e7as condenadas pela Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria era ariana e, em virtude disso, houve duro per\u00edodo de persegui\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos (do Imp\u00e9rio Romano) pelos dominadores b\u00e1rbaros. Com o tempo, por\u00e9m, os chefes b\u00e1rbaros converteram-se ao catolicismo e cessou o per\u00edodo de persegui\u00e7\u00f5es. Com isso o poder do Papa cresceu ainda mais, aumentando seu rebanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da convers\u00e3o dos b\u00e1rbaros, algumas outras heresias tiveram lugar durante a Idade M\u00e9dia. Uma delas foi a dos Valdenses (que negava o sacerd\u00f3cio e v\u00e1rios sacramentos). Foi severamente combatida com excomunh\u00e3o, mas deixou sementes que mais tarde germinariam no movimento de Jo\u00e3o Huss e de Calvino (a Reforma Protestante). Outra heresia, esta mais dif\u00edcil de vencer, foi a dos Albigenses. Ap\u00f3s luta muitas vezes sangrenta, resistindo durante 20 anos a uma cruzada contra eles dirigida, s\u00f3 foi vencida pela Inquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Alguns Aspectos da Religi\u00e3o na Idade M\u00e9dia<\/h4>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>OS V\u00c2NDALOS<\/strong> &#8211; Os \u00fanicos b\u00e1rbaros que resistiram \u00e0 convers\u00e3o ao catolicismo foram os v\u00e2ndalos, que continuaram arianos. Contra eles foi enviada forte expedi\u00e7\u00e3o por ordem de Justiniano, sob o comando do general Belis\u00e1rio. Os v\u00e2ndalos foram vencidos e seu reino africano destru\u00eddo.<\/li>\n<li><strong>SANTO AGOSTINHO<\/strong> &#8211; O mission\u00e1rio que se celebrizou por converter os b\u00e1rbaros da Inglaterra, auxiliado por 40 monges beneditinos, n\u00e3o \u00e9 o mesmo Santo Agostinho, bispo de Hipona. Este viveu de 354 a 430, enquanto o evangelizador dos ingleses \u00e9 dos s\u00e9culos VI e VII.<\/li>\n<li><strong>INQUISI\u00c7\u00c3O<\/strong> &#8211; Foi um tribunal religioso institu\u00eddo originalmente para combater a heresia dos albigenses. Ap\u00f3s o per\u00edodo de investiga\u00e7\u00f5es sobre os suspeitos de heresia, os considerados culpados eram entregues ao Estado, para que fossem punidos. A Inquisi\u00e7\u00e3o foi instalada em v\u00e1rios pa\u00edses europeus. Talvez a mais severa de todas tenha sido a espanhola, institu\u00edda em 1480, pelos reis cat\u00f3licos (Fernando e Isabel). N\u00e3o foram raros os condenados a terr\u00edveis castigos como o da fogueira, ap\u00f3s b\u00e1rbaras torturas e sofrimentos f\u00edsicos e morais. Foi o maior inimigo que a Alquimia teve em todos os tempos. Grandes alquimistas foram torturados e mortos como hereges ap\u00f3s julgamento sum\u00e1rio em que eram acusados de heresias e bruxaria por tribunal composto pelos m\u00e9dicos e cl\u00e9rigos que, temendo o poder dos alquimistas, os condenavam \u00e0 revelia, sem o menor escr\u00fapulo, baseando-se unicamente em suas convic\u00e7\u00f5es mesquinhas, levianas e criminosas. Sob a alega\u00e7\u00e3o de que o herege deveria ser purificado pela dor, nossos irm\u00e3os alquimistas eram dissecados em p\u00fablico, tendo suas v\u00edsceras arrancadas &#8220;in vivo&#8221; pelos carrascos e, quando o sopro da vida estava prestes a abandonar o corpo do nosso compenheiro, ele era finalmente decapitado, ap\u00f3s sofrer os piores supl\u00edcios imagin\u00e1veis. Esse vergonhoso Tribunal do &#8220;Santo Of\u00edcio&#8221; \u00e9 a mancha que envergonha a Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana at\u00e9 os dias de hoje e foi, sem nenhuma d\u00favida, o maior entrave ao desenvolvimento das ci\u00eancias em todos os tempos. N\u00e3o pensem os leitores que o Tribunal da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o foi extinto porque ele n\u00e3o foi. Mesmo com o empenho do Papa Jo\u00e3o XXIII (\u00c2ngelo Roncalli), a congrega\u00e7\u00e3o dos cardeais ainda conseguiu mant\u00ea-lo, mudando-lhe apenas o nome: Congrega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>FEUDALISMO ECLESI\u00c1STICO<\/strong> &#8211; Durante a Idade M\u00e9dia, tamb\u00e9m a Igreja participou da engrenagem feudal. Houve bispos-condes, arcebispos &#8211; duques, com seus feudos recebidos de suseranos leigos, em retribui\u00e7\u00e3o a servi\u00e7os prestados. Por sua vez, os prelados tinham seus vassalos, com todas as regras do sistema feudal. Isso favoreceu o crescimento temporal da Igreja, pelo aumento de suas propriedades. Por outro lado gerou o comprometimento de sua autoridade espiritual, muitas vezes sofrendo danosa interfer\u00eancia de suseranos leigos.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: right;\">Copyright \u00a9 por Vladimir Antonini Todos os direitos reservados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os s\u00e9culos VII, VIII e IX os \u00e1rabes eram donos da Terra Santa, ou seja, a Palestina, onde ficam os lugares onde nasceu, viveu e morreu Jesus Cristo. 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