{"id":5894,"date":"2009-10-19T20:14:19","date_gmt":"2009-10-19T23:14:19","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=5894"},"modified":"2025-08-23T00:38:42","modified_gmt":"2025-08-23T00:38:42","slug":"o-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.com.br\/?p=5894","title":{"rendered":"O Egito Antigo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es que o homem construiu desenvolveu-se no nordeste da \u00c1frica. Ali, a partir do quarto mil\u00eanio antes de Cristo (4.000 a.C.), come\u00e7aram a chegar povos origin\u00e1rios da \u00c1sia, estabelecendo-se \u00e0s margens do rio Nilo. Formaram pequenos estados aut\u00f4nomos denominados <strong>Nomos.<!--more--><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a \u00e1rea nordeste da \u00c1frica n\u00e3o passa de um grande deserto. Apenas interrompido pelo rio Nilo. \u00c0s suas margens estendem-se um extenso o\u00e1sis alongado, onde, gra\u00e7as \u00e0s cheias anuais foi poss\u00edvel desenvolver-se a agricultura de cereais, da vinha, do papiro, da cebola e do l\u00f3tus. Ap\u00f3s as enchentes, as margens ficavam cobertas de rico solo de aluvi\u00e3o, deixado pelo rio, imediatamente aproveitado pelos agricultores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cheias do Nilo, para serem bem aproveitadas pelos primitivos eg\u00edpcios, exigiam grandes obras de engenharia, entre as quais a abertura de canais de irriga\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, a drenagem de p\u00e2ntanos, al\u00e9m de um criterioso e complexo sistema de divis\u00e3o de propriedades, cujos limites tinham de ser restabelecidos, muitas vezes, ap\u00f3s as \u00e1guas baixarem. Por isso, acredita-se terem sido os eg\u00edpcios os descobridores da <strong>Geometria<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de construir grandes obra p\u00fablicas e a de defender-se contra inimigos comuns levou os Nomos do Baixo Egito (regi\u00e3o do Delta) a se unirem, formando um s\u00f3 reino. Mais tarde, os Nomos do alto Egito (sul), tamb\u00e9m se uniram. Finalmente, em 3.200 a.C., o fara\u00f3 Men\u00e9s unificou os dois reinos sob sua autoridade. Com Men\u00e9s come\u00e7a a longa hist\u00f3ria pol\u00edtica do Egito, que se estende atrav\u00e9s de quase 3 mil anos, abrangendo 26 dinastias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante t\u00e3o longo espa\u00e7o de tempo o Egito conheceu per\u00edodos de gl\u00f3ria e de esplendor. Enfrentou, tamb\u00e9m, fases de extrema mis\u00e9ria, sofreu invas\u00f5es e foi dominado por pot\u00eancias estrangeiras. Sua grandeza, por\u00e9m, venceu o tempo e chegou at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s das grande obras de arquitetura que construiu e dos tesouros cient\u00edficos e art\u00edsticos nelas abrigados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Antigo Egito pode ser dividida em tr\u00eas fases: a do <strong>Antigo<\/strong>, a do <strong>M\u00e9dio<\/strong> e a do <strong>Novo Imp\u00e9rio<\/strong>. Na primeira, iniciada por Men\u00e9s, a capital ficava em <strong>Tinis<\/strong>, depois em <strong>Menfis<\/strong>. Durante o antigo imp\u00e9rio foram constru\u00eddas enormes edifica\u00e7\u00f5es em pedra, trazidas de longa dist\u00e2ncia atrav\u00e9s da areia do deserto. S\u00e3o dessa fase as famosas <strong>pir\u00e2mides<\/strong> da plan\u00edcie de <strong>Gize<\/strong> &#8211; a de <strong>Queops, <\/strong>a de <strong>Qu\u00e9fren <\/strong>e a de <strong>Miquerinos <\/strong>&#8211; constru\u00eddas pelos fara\u00f3s que lhes deram o nome para lhes servirem de t\u00famulos colossais. A primeira delas, por exemplo, media 146 metros de altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os gastos excessivos dos fara\u00f3s com suas obras e a enorme carga de impostos gerou o descontentamento geral. Os nobres, fortalecidos, desrespeitam a autoridade real e estabelecem uma fase de regime feudal. Foi o fim do Antigo Imp\u00e9rio. O <strong>M\u00e9dio Imp\u00e9rio<\/strong>, com a capital em Tebas, tem in\u00edcio em 2.100 a.C.. Um dos fara\u00f3s mais not\u00e1veis desse per\u00edodo foi <strong>Amenen\u00e1 III<\/strong>, que realizou grandes obras p\u00fablicas, abrindo canais de irriga\u00e7\u00e3o e construindo a\u00e7udes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 1750 a 1580 a.C., o Egito \u00e9 invadido e dominado pelos <strong>Hicsos<\/strong>, povos semitas, pastores, que venceram militarmente os eg\u00edpcios. Os invasores tinham cavalos e carros de combate, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos no vale do Nilo. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o dos Hicsos os hebreus viveram algum tempo no Egito at\u00e9 que, sob a lideran\u00e7a de Mois\u00e9s, regressaram \u00e0 Palestina, sua terra de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos Hicsos em 1580 a. C., come\u00e7a o <strong>Novo Imp\u00e9rio.<\/strong> Talvez estimulado pelas lutas travadas contra o estrangeiro invasores, teve in\u00edcio uma fase de grandes vit\u00f3rias militares. <strong>Tutm\u00e9s III<\/strong> invade a \u00c1sia, atingindo o rio Eufrates depois de dominar a S\u00edria. Para defender a costa oriental do Mediterr\u00e2neo, constr\u00f3i poderosa frota de guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Amen\u00f3fis IV <\/strong>(1380-1392 a.C.), cognominado <strong>AKENATHON<\/strong>, que traduz-se por <strong><em>Aton <\/em><\/strong>(deus sol) <strong><em>est\u00e1 contente<\/em><\/strong>, tenta impor a cren\u00e7a em um s\u00f3 Deus (<strong><em>Aton<\/em><\/strong>). Sua morte prematura impede-o de obter \u00eaxito. Os sacerdotes reagem, restabelecendo o polite\u00edsmo, atrav\u00e9s de <strong>Tutanc\u00e2mon<\/strong>, primo de <strong>Amen\u00f3fis IV<\/strong>, feito novo fara\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fara\u00f3 conquistador foi <strong>Rams\u00e9s II<\/strong>. Al\u00e9m de construir templos, monumentos e canais, travou luta contra os <strong><em>hititas<\/em><\/strong>, povo asi\u00e1tico que j\u00e1 conhecia o uso do ferro. Essa guerra terminou com uma alian\u00e7a, celebrada pelo casamento de <strong>Rams\u00e9s II<\/strong> com uma princesa hitita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte de <strong>Rams\u00e9s II<\/strong>, o Egito passa a sofrer invas\u00f5es. Primeiro os <strong>et\u00edopes<\/strong>; a seguir os <strong>ass\u00edrios<\/strong>. Ap\u00f3s dura luta, o fara\u00f3 <strong>Psam\u00e9tico I <\/strong>consegue expuls\u00e1-los e muda a capital para a cidade de <strong>Sa\u00eds<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu filho e sucessor, o fara\u00f3 <strong>Necau<\/strong>, notabilizou-se por ter ordenado aos <strong>fen\u00edcios<\/strong>, sob a chefia de <strong>Hamon<\/strong>, que fizessem o contorno da \u00c1frica, partido do Mar Vermelho e retornando pelo Mediterr\u00e2neo. 2 mil anos depois, <strong>Vasco da Gama<\/strong> faria essa viagem em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s <strong>Necau<\/strong>, a decad\u00eancia do Egito acentua-se. Sob <strong>Psam\u00e9tico III<\/strong> o pa\u00eds \u00e9 dominado por <strong>Cambises<\/strong>, rei dos <strong>Persas<\/strong> (batalha de <strong>Pelusa <\/strong>&#8211; 525 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 332 a.C., <strong>Alexandre da Maced\u00f4nia<\/strong> vence os Persas e domina do Egito, onde funda, no delta do Nilo, a cidade de <strong>Alexandria<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morto <strong>Alexandre<\/strong>, o Egito reconquista temporariamente sua autonomia. Sob <strong>Cle\u00f3patra<\/strong>, por\u00e9m, \u00e9 conquistado pelos <strong>Romanos, <\/strong>que o transformam numa prov\u00edncia do seu imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter sido parte do <strong>Imp\u00e9rio Romano do Oriente<\/strong>, o Egito cai em poder dos \u00e1rabes, que forte influ\u00eancia passaram a exercer sobre a regi\u00e3o. Alterou-se a composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica do pa\u00eds, hoje de supremacia \u00e1rabe. Dos antigos eg\u00edpcios restam os <strong>fel\u00e1s<\/strong>, humildes agricultores de pele escura, ombros largos e olhos rasgados, que plantam algod\u00e3o, legumes e hortali\u00e7as, nas mesmas terras onde seus antepassados constru\u00edram a primeira civiliza\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Templos Eg\u00edpcios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os eg\u00edpcios foram not\u00e1veis construtores de templos de dimens\u00f5es colossais. Os melhores exemplos s\u00e3o os de <strong>Karnak<\/strong> e de <strong>Luxor<\/strong>. Embora no come\u00e7o da hist\u00f3ria os templos fossem modestos, no per\u00edodo <strong>Menfita<\/strong> foi poss\u00edvel levantar os dois gigantescos citados acima. O de <strong>Karnak<\/strong> era precedido por uma extensa avenida ladeada de esfinges e na sua entrada estavam dois gigantescos blocos em forma de tronco de pir\u00e2mide. Com 134 colunas imensas sustentando-lhe o teto, apenas uma das salas de <strong>Karnak<\/strong> media 500 metros de comprimento por 100 metros de largura. Nesses templos gigantescos o fara\u00f3 oficiava os mist\u00e9rios de sua religi\u00e3o. Os templos tinha uma parte p\u00fablica. A seguir vinha a sala <strong>hip\u00f3stila<\/strong>, sempre em meio \u00e0 penumbra, onde o deus aparecia. Ali tamb\u00e9m se faziam as oferendas, e somente podiam permanecer os sacerdotes, que devia ser <strong><em>puros<\/em><\/strong>. Outra pe\u00e7a do templo era o <strong>santu\u00e1rio<\/strong>, local reservado ao deus. A seu redor outras pe\u00e7as menores, sacristia, armaz\u00e9ns para oferendas, sacr\u00e1rios e locais para ritos secretos. Os \u00fanicos que podiam permanecer em tais recintos eram os sacerdotes de alto n\u00edvel, e o fara\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos templos eram praticados todos os tratamentos, cirurgias e as mumifica\u00e7\u00f5es, cujo processo, revelado pelo historiador grego <strong>Her\u00f3doto<\/strong>, est\u00e1 descrito a frente. Todas t\u00e9cnicas terap\u00eauticas e tratamentos eg\u00edpcios eram feitos sob os ausp\u00edcios dos deuses e em seus nomes pelos sacerdotes e com a aquiesc\u00eancia do fara\u00f3, o <strong>deus vivo do Egito<\/strong>. Nas salas p\u00fablicas eram tratados os homens e mulheres simples, enquanto os escriba, os militares, os sacerdotes e o fara\u00f3 eram atendidos, de acordo com sua import\u00e2ncia hier\u00e1rquica, em salas especiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ngg_shortcode_0_placeholder<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Deuses Dos Eg\u00edpcios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Egito havia centena de deuses. No come\u00e7o de sua hist\u00f3ria s\u00e3o representados por figuras de animais ou plantas. Assim, o falc\u00e3o \u00e9 <strong>H\u00f3rus<\/strong>; o c\u00e3o \u00e9 <strong>An\u00fabis<\/strong>; o crocodilo <strong>Sebek<\/strong>; o tronco, <strong>Os\u00edris<\/strong>. Ao fim da segunda dinastia aparecem os deuses com corpo humano e cabe\u00e7a de animal. Na terceira dinastia os deuses surgem com a forma humana completa. A estatu\u00e1ria encarrega-se de produzir milhares de figuras desses deuses, por\u00e9m s\u00e3o adorados sob a forma de animais vivos. \u00c9 o caso do boi <strong>\u00c1pis<\/strong>, encarna\u00e7\u00e3o de <strong>Pt\u00e1<\/strong>, deus de <strong>Menfis<\/strong>. Era negro, tinha pequena mancha triangular na cabe\u00e7a e uma \u00e1guia de asas abertas em seu dorso. Vivia em um templo onde era adorado, tendo a seu servi\u00e7o v\u00e1rias sacerdotisas. A trindade maior do Egito era formada por <strong>Os\u00edris<\/strong> (confundido com o rio Nilo ou o Sol), <strong>\u00cdsis<\/strong>, sua esposa (a Lua ou a terra f\u00e9rtil) e <strong>H\u00f3rus<\/strong> seu filho. Al\u00e9m dessa trindade, destacavam-se os deuses locais, tais como <strong>R\u00e1<\/strong> ou <strong>Amon-R\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se Faziam as M\u00famias Eg\u00edpcias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para preservar os cad\u00e1veres do apodrecimento, os eg\u00edpcios desenvolveram uma t\u00e9cnica de embalsamamento extraordin\u00e1ria. Muitas de suas m\u00famias alcan\u00e7aram mais de 5 mil anos, conservando not\u00e1vel integridade. O processo completo de mumifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda desconhecido, mas, gra\u00e7as a alguns textos da \u00e9poca, entre os quais o do grego Her\u00f3doto, sabe-se que era um trabalho meticuloso e altamente t\u00e9cnico. Os eg\u00edpcios acreditavam que o homem tinha corpo e alma. Esta dividia-se em duas: <strong><em>Ba,<\/em><\/strong> a alma espiritual e <strong><em>Ka<\/em><\/strong>, a alma corp\u00f3rea. <strong><em>Ka<\/em><\/strong>, ao voltar da viagem ao al\u00e9m, encarnaria no morto fazendo-o voltar \u00e0 vida. Para isso era necess\u00e1rio conservar bem os corpos e, al\u00e9m disso, identific\u00e1-los com pinturas nos sarc\u00f3fagos, tal e qual tinham sido em vida e colocar nos t\u00famulos suas riquezas acumuladas durante a vida para que ele vivesse entre seus pertences para toda a eternidade.<\/p>\n<p>O processo de mumifica\u00e7\u00e3o foi assim descrito por <strong>Her\u00f3doto<em>:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px; text-align: justify;\"><strong><em>&#8220;tiram-lhe, primeiro, o c\u00e9rebro, por meio de um ferro recurvado que introduzem nas narinas, e com o aux\u00edlio de drogas que injetam na cabe\u00e7a*. Fazem, em seguida, uma incis\u00e3o no ventre com uma pedra cortante da Eti\u00f3pia. Tiram por esta abertura os intestinos, que s\u00e3o lavados, passados por vinho de palma e por aromas; enchem, seguidamente , o ventre de mirra, de canela e de outros perfumes, depois do que o cosem cuidadosamente. Terminado isto, salgam o corpo e cobrem-no de natr\u00e3o durante 70 dias. Acabado esse prazo, lavam o corpo e envolvem-no inteiramente com faixas de linho&#8221;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Com certeza utilizavam \u00e1cidos fortes para digerir os tecidos intracranianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo esse tratamento dos corpos eram feitos pelos Sacerdotes-alquimistas de alto n\u00edvel e com o consentimento e a supervis\u00e3o do fara\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porqu\u00ea se Faziam as M\u00famias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao morrer, a alma do eg\u00edpcio era levada ao <strong>Tribunal de Os\u00edris<\/strong>, formado por 42 deuses juizes, onde seu cora\u00e7\u00e3o era pesado em uma balan\u00e7a de pratos. Se seus pecados fossem muitos, era condenado aos supl\u00edcios dos infernos. Se fosse inocente, ganharia o direito de viver no para\u00edso. Retornando da longa viagem ao al\u00e9m, reencarnando no corpo e vivendo junto com seus despojos, navegando no barco solar na eterna viagem diurna no sentido terra-sol, navegando atrav\u00e9s do rio solar, ou seja, os raios solares que ligam a terra ao sol, o caminho de ida, e retornando ao anoitecer, pelo rio subterr\u00e2neo que trazia a noite e a lua, como acreditavam eles, sendo por isso que os mortos eram enterrados juntos com seus tesouros e riquezas e juntamente com um barco solar, ornado em ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ajudar as almas no seu julgamento, eram depositadas c\u00f3pias do <strong><em>Livro dos Mortos<\/em><\/strong> nos t\u00famulos. Nele se encontram uma declara\u00e7\u00e3o que deveria ser recitada diante do tribunal, mencionando as grande virtudes do morto, a fim de ganhar o c\u00e9u. Eis um de seus trechos mais curiosos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em><strong>&#8220;Gl\u00f3ria a ti, Senhor da Verdade e da Justi\u00e7a! Gl\u00f3ria a ti, Grande Deus, Senhor da Verdade e da Justi\u00e7a! A ti vim, meu Senhor, e a ti me apresento para contemplar as tuas perfei\u00e7\u00f5es. Porque te conhe\u00e7o, conhe\u00e7o o teu nome e os nomes das quarenta e duas divindades que est\u00e3o contigo na Sala da Verdade e da Justi\u00e7a, vivendo dos despojos dos pecadores e fartando-se do seu sangue, no dia em que se pesam as palavras perante Os\u00edris, o a voz Justa: Duplo Esp\u00edrito, Senhor da Verdade e da Justi\u00e7a; trouxe-vos a verdade e destru\u00ed por v\u00f3s, a mentira. N\u00e3o cometi qualquer fraude contra os homens; n\u00e3o atormentei as vi\u00favas; n\u00e3o menti em tribunal; n\u00e3o sei o que \u00e9 m\u00e1 f\u00e9; nada fiz de proibido; n\u00e3o obriguei o capataz de trabalhadores a fazer diariamente mais do que o trabalho devido; n\u00e3o fui negligente; n\u00e3o estive ocioso; nada fiz de abomin\u00e1vel aos deuses; n\u00e3o prejudiquei o escravo perante o seu senhor; n\u00e3o fiz padecer fome; n\u00e3o fiz chorar; n\u00e3o matei; n\u00e3o ordenei morta \u00e0 trai\u00e7\u00e3o; n\u00e3o defraudei ningu\u00e9m; n\u00e3o tirei os p\u00e3es do templo; n\u00e3o subtrai as oferendas dos deuses; n\u00e3o roubei nem as provis\u00f5es nem as ligaduras dos mortos; n\u00e3o auferi lucros fraudulentos; n\u00e3o alterei as medidas dos cereais; n\u00e3o usurpei terras; n\u00e3o tive ganhos ileg\u00edtimos por meio dos pesos do prato da balan\u00e7a; n\u00e3o tirei o leite da boca dos meninos; n\u00e3o cacei com rede as aves divinas; n\u00e3o pesquei os peixes sagrados nos seus tanques; n\u00e3o cortei a \u00e1gua na sua passagem; n\u00e3o apaguei o fogo sagrado na sua hora; n\u00e3o violei o divino c\u00e9u nas suas oferendas escolhidas; n\u00e3o escorracei os bois das propriedades divinas; n\u00e3o afastei qualquer deus ao passar. Sou puro! Sou puro! Sou puro!&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Grandes Legados Eg\u00edpcios Para Alquimia e Para as Ci\u00eancias Atuais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <strong>Eg\u00edpcios<\/strong> tamb\u00e9m se preocuparam com o tratamento de doen\u00e7as, mas ativeram-se a investigar as causas internas das enfermidades e fizeram aquelas que foram as primeiras cirurgias de que a hist\u00f3ria tem not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descobriram que no centro do cr\u00e2nio existia um lugar que, se nele aparecesse uma esp\u00e9cie de <strong>pedra<\/strong>, o indiv\u00edduo ficava louco e, para curar a loucura, eles fizeram as primeiras <strong>neurocirurgias <\/strong>que se tem not\u00edcia e o mais incr\u00edvel disso, \u00e9 que o paciente sobrevivia ao ato cir\u00fargico, abobado, alienado e vegetante, mas sobrevivia, pois muitas m\u00famias encontradas apresentavam tecido de cicatriza\u00e7\u00e3o \u00f3ssea no cr\u00e2nio, em forma de<strong> trepanagem<\/strong> (trepana\u00e7\u00e3o \u00e9 a t\u00e9cnica cir\u00fargica empregada para abertura da caixa encef\u00e1lica). A<strong> pedra<\/strong> que eles descobriram nada mais \u00e9 do que o <strong>corpo caloso<\/strong> do <strong>girus do c\u00edngulo<\/strong> que, de acordo com as descobertas de <strong>PAPEZ e McLIN,<\/strong> est\u00e1 diretamente ligado aos processos mentais, afetivos e comportamentais e atualmente se acredita que todos as psicoses e psiconeuroses nada mais s\u00e3o que disfun\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas e\/ou fisiol\u00f3gicas do <strong>girus do c\u00edngulo<\/strong> ou das \u00e1reas coligadas que juntamente com este, formam o <strong>CENTRO L\u00cdMBICO,<\/strong> que \u00e9 a sede de toda a g\u00eanese de comportamentos e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta pr\u00e1tica cir\u00fargica desenvolvida pelos eg\u00edpcios ganhou fama e atravessou os s\u00e9culos, perdurando at\u00e9 a idade m\u00e9dia e recebendo o nome de <strong>lobotomia<\/strong>, at\u00e9 ser abandonada devido aos insistentes apelos dos humanistas da \u00e9poca que consideravam este tipo de tratamento cruel e desumano. Na primeira metade do s\u00e9culo atual (s\u00e9culo XX), um neurocirurgi\u00e3o espanhol chamado <strong>ANT\u00d4NIO CAETANO DE ABRERO FREIRE<\/strong> <strong>EGAS MONIZ<\/strong> ressuscitou a t\u00e9cnica, por volta de 1935, aperfei\u00e7oando a mesma, e criando a psicocirurgia, adaptando-a ao tratamento de alguns tipos de psicoses e das epilepsias refrat\u00e1rias \u00e0 medicamentos, ganhando, com isso, o pr\u00eamio Nobel de Medicina. A <strong>lobotomia<\/strong> de Egas Munis \u00e9 bem diferente da <strong>cingul\u00e9ctomia<\/strong> dos eg\u00edpcios, pois na primeira se faz a ressec\u00e7\u00e3o de um ramo de comunica\u00e7\u00e3o entre os dois hemisf\u00e9rios cerebrais, mais precisamente a <strong>comissura anterior<\/strong>, enquanto na segunda se retira cirurgicamente o <strong>girus do c\u00edngulo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos Eg\u00edpcios se deve o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos fitoter\u00e1picos. Se devem ainda o in\u00edcio da <strong>farmacognosia<\/strong> e da <strong>farmacot\u00e9cnica, <\/strong>e ainda se deve aos eg\u00edpcios a cria\u00e7\u00e3o da <strong>contabilidade<\/strong> e do profissional <strong>contador<\/strong>, atrav\u00e9s da figura do<strong> escriba<\/strong> que, onde quer que o Farmac\u00eautico estivesse trabalhando, sempre tinha junto, um escriba (o personagem sentado \u00e0 direita, com papiro sobre o colo) registrando tudo, para desespero do botic\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ngg_shortcode_1_placeholder<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Hititas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um povo guerreiro que habitou o territ\u00f3rio da atual Turquia, a pen\u00ednsula da Anat\u00f3lia. Fortemente centralizado, o poder de seus reis permitiu grande avan\u00e7o tecnol\u00f3gico em rela\u00e7\u00e3o aos povos vizinhos. Os hititas foram um dos primeiros a conhecer e a utilizar o ferro. Com isso obtiveram grandes vantagens nas batalhas travadas contra inimigos, que estavam ainda na idade do bronze. Os hititas tiveram rela\u00e7\u00f5es, nem sempre amistosas, com os povos da Mesopot\u00e2mia e Fen\u00edcia, al\u00e9m do Egito. Estiveram em guerra contra Rams\u00e9s II a qual terminou com uma alian\u00e7a obtida pelo casamento de uma sua princesa com o fara\u00f3 eg\u00edpcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es que o homem construiu desenvolveu-se no nordeste da \u00c1frica. Ali, a partir do quarto mil\u00eanio antes de Cristo (4.000 a.C.), come\u00e7aram a chegar povos origin\u00e1rios da \u00c1sia, estabelecendo-se \u00e0s margens do rio Nilo. 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